The Cullen's
19 Capítulo 19
O jardim da mansão Swan estava silencioso demais para uma tarde que antecedia o casamento mais aguardado da temporada. As flores pareciam cuidadas em excesso, alinhadas demais, como se até a natureza estivesse tentando manter uma aparência de perfeição que Bella já não sentia por dentro. Ela caminhava lentamente ao lado de Edward, sentindo o braço dele firme ao redor do seu, mas percebendo — com aquela sensibilidade que sempre tivera — que o corpo dele estava ali enquanto a mente vagava longe.
— Você está quieto — ela disse, quebrando o silêncio. — Quieto demais.
Edward respirou fundo, parando sob uma árvore antiga, daquelas que pareciam ter testemunhado gerações de segredos.
— Estou pensando — respondeu, tentando sorrir. — Pensando em nós. Em tudo o que vem depois.
Bella inclinou a cabeça, observando-o com atenção. Ele estava bonito como sempre, mas havia algo nos olhos dele… uma sombra.
— Edward — ela falou com suavidade, tocando-lhe o rosto. — Se existe algo que você não está me dizendo, agora é a hora.
Ele segurou a mão dela contra o próprio peito, sentindo o coração bater acelerado.
— Antes de você… antes de entender o que sentia por você… eu não fui o homem que gostaria de ter sido — disse, escolhendo as palavras como quem pisa em gelo fino. — Houve alguém. Um erro. Algo que terminou há muito tempo, mas que ainda me envergonha.
Bella sentiu o estômago se contrair.
— Você a amava?
— Não — respondeu rápido demais, quase feroz. — Nunca amei ninguém antes de você. Aquilo foi vazio. Foi fraqueza. Foi… solidão.
Ela respirou fundo, absorvendo a confissão.
— E isso acabou de verdade? — perguntou.
— Acabou no momento em que percebi que você existia — Edward respondeu, sincero. — Não há nada no meu passado que eu queira levar para o nosso futuro.
Ela assentiu devagar. Escolheu acreditar. Porque amar também era, às vezes, escolher não cavar.
Não muito depois, o encontro com Dimitri e Tânia aconteceu como uma colisão inevitável.
— Edward! — Dimitri abriu os braços, abraçando-o com força. — Meu irmão de alma! Stefan teria adorado ver isso… você finalmente se casando com minha irmãzinha.
O nome de Stefan pairou no ar como uma presença silenciosa. Edward engoliu em seco.
— Ele faz falta todos os dias — disse. — Há momentos em que tudo isso parece incompleto sem ele.
Bella segurou a mão do noivo com mais força.
Tânia, por sua vez, observava tudo com um sorriso lento, estudado. Seus olhos percorriam Edward sem pudor, como se Bella fosse apenas parte da paisagem.
— É curioso — disse ela, aproximando-se demais. — Edward sempre foi… intenso. Londres nunca foi grande o bastante para ele.
Bella sentiu o aviso no tom, mas Dimitri apenas riu.
— Tânia exagera — disse ele. — Edward sempre foi leal. O melhor amigo que alguém poderia ter.
O sorriso de Tânia se alargou. Sabia mais do que dizia.
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A carruagem avançava pela rua quando Edward sentiu o movimento ao seu lado.
— Senti sua falta — a voz de Tânia surgiu baixa, quente.
Ele virou-se, chocado ao vê-la ali.
— O que você está fazendo? — perguntou, tenso.
— O que sempre fizemos bem — respondeu ela, aproximando-se, a mão deslizando pelo braço dele. — Lembrar.
— Pare — Edward segurou o pulso dela. — Isso acabou.
— Acabou para você — ela murmurou, colando os lábios aos dele num beijo forçado.
Edward a empurrou com força.
— Nunca mais — disse, a voz dura. — Eu amo Bella. E não vou permitir que você destrua isso.
Tânia sorriu, satisfeita demais para quem fora rejeitada.
— Vamos ver — respondeu. — O amor costuma ser frágil quando confrontado com a verdade.
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A noite dos homens foi ruidosa, cheia de risadas, copos erguidos e histórias antigas. Edward bebeu pouco — tinha consciência demais para exagerar — mas, ainda assim, sentiu o corpo pesado, a visão turva.
— Está tudo bem? — Jasper perguntou.
— Só cansado — respondeu, levantando-se. — Vou para casa.
No quarto, caiu na cama sem nem tirar o casaco.
O grito de Alice cortou a madrugada.
— EDWARD!
Ele acordou confuso, o coração disparado. Virou-se… e o mundo perdeu o eixo.
Tânia estava nua ao seu lado.
— Bom dia — disse ela, preguiçosa. — Dormiu bem?
— Isso… isso não aconteceu — murmurou, em choque.
— Aconteceu o suficiente — respondeu ela, sorrindo.
Alice avançou, furiosa.
— HOJE É O SEU CASAMENTO! — gritou, estapeando-o. — Você destruiu tudo!
Ela expulsou Tânia aos gritos, enquanto a outra gargalhava, vitoriosa.
— Você perdeu sua maior aliada — Alice disse, com os olhos cheios de lágrimas. — Nunca mais conte comigo para te proteger.
Determinada, foi até a mansão Swan… mas ao ver Bella vestida de noiva, radiante, sorrindo para o espelho… não conseguiu.
— Eu não posso — sussurrou para si mesma.
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A cerimônia foi linda. Dolorosamente linda.
Edward chorou ao ver Bella entrar. Ela parecia luz. Parecia esperança.
A festa foi animada, cheia de música e risos. Até Alice ser chamada pela rainha.
— Estou decepcionada — disse Charlotte, fria. — Seu irmão falhou gravemente.
— Ele… errou — Alice respondeu, em lágrimas.
No quarto ao lado, Bella escutava tudo.
O coração dela se partiu em silêncio.
Mais tarde, ao ver Tânia se aproximar com aquele sorriso odioso, Bella não pensou. Empurrou.
O lago engoliu Tânia sob gargalhadas gerais.
— Perdão — Bella disse, seca. — Foi sem querer.
-
Na carruagem rumo à casa de campo, Edward falava animado.
— Vamos viajar, Bella. Ter filhos. Construir algo lindo…
Ela olhava pela janela, as lágrimas silenciosas.
Na casa de campo, finalmente falou:
— Nosso casamento será apenas por conveniência.
Edward congelou.
— Você nunca mais vai me tocar — ela continuou. — Eu sei de tudo. E você destruiu meu coração.
Ela entrou no quarto. Trancou a porta.
Edward ficou ali, sozinho, entendendo tarde demais que algumas quedas começam muito antes do impacto.
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