The Cullen's
15 Capítulo 16
O pânico não chegou a Alice como um grito.
Veio como um peso constante no peito, uma pressão que não a deixava respirar direito desde que acordara naquela manhã. O mundo seguia normal demais para alguém que sentia que tudo estava prestes a ruir.
O quarto ainda estava envolto pela penumbra suave da madrugada quando ela levou a mão ao ventre, quase com receio, como se tocá-lo tornasse real demais aquilo que sua mente ainda tentava negar. Gravidez. A palavra ecoava silenciosa, pesada, misturada a um medo maior — não por si, mas por Bella.
Bella, tão próxima do altar.
Bella, tão frágil nos últimos dias.
Bella, que sempre caminhara ao seu lado, sincronizada até no ritmo do próprio corpo.
Alice respirou fundo, sentindo os olhos arderem. O segredo que carregara por tanto tempo agora parecia pequeno diante daquele novo, impossível de esconder.
Jasper despertou com o som contido de um soluço.
— Alice… — a voz dele veio baixa, ainda embargada de sono.
Ela virou o rosto, mas não conseguiu fugir do olhar atento do marido. Não com Jasper. Nunca com ele.
— Eu estou com medo — disse, por fim, a voz quebrada. — Mais do que já estive.
Ele se aproximou, envolvendo-a com cuidado, como se ela fosse feita de algo delicado demais para o mundo.
— Do que você está falando?
Alice fechou os olhos antes de dizer, como quem pula de um lugar alto sem saber se há água embaixo:
— Estou grávida.
O silêncio durou apenas um segundo — mas foi um segundo inteiro de mundo suspenso.
Então Jasper sorriu. Um sorriso largo, luminoso, absolutamente genuíno. Ele segurou o rosto dela com as duas mãos, os olhos brilhando.
— Alice… — sussurrou, quase reverente. — Isso é… isso é maravilhoso.
— Você não está com medo? — ela perguntou, a voz trêmula. — De tudo? De mim?
— Não. — Ele encostou a testa na dela. — Estou feliz. E estou aqui. Sempre. Para você. Para nosso filho. Para tudo o que vier.
Alice chorou então, não de pânico, mas de alívio.
Ainda assim, no fundo de seu coração, a preocupação com Bella continuava pulsando — insistente, urgente, impossível de calar.
-
Naquela mesma madrugada, Bella estava deitada, imóvel, encarando o teto do próprio quarto. O estômago embrulhado, o corpo cansado, como se até respirar exigisse esforço demais.
O leve rangido da janela a fez virar o rosto.
Edward entrou com cuidado, já sorrindo antes mesmo de pisar no quarto.
— Algumas coisas nunca mudam — murmurou, fechando a janela atrás de si.
Bella tentou rir, e conseguiu — um riso pequeno, cansado, mas verdadeiro.
— Você prometeu não escalar mais árvores — provocou.
— Prometi tentar — respondeu, aproximando-se da cama.
Ele se sentou ao lado dela, tocando-lhe o rosto com delicadeza, como se tivesse medo de quebrá-la. O beijo veio natural, lento, carregado de saudade. Quando Edward começou a deslizar os dedos pelo tecido do vestido dela, Bella se moveu inquieta.
O perfume dele — familiar, amado — subiu forte demais.
Ela levou a mão à boca, virando o rosto bruscamente.
— Edward… eu…
Ele se afastou no mesmo instante.
— Tudo bem — disse rápido, preocupado. — Está tudo bem.
Bella respirava fundo, tentando conter o enjoo, o rosto pálido.
Edward a observava em silêncio. Havia algo ali. Algo que não se encaixava. Ele não disse nada, mas a mente começou a juntar peças soltas: o cansaço, a palidez, o afastamento de Alice, o desconforto repentino.
Sem falar, ele apenas se deitou ao lado dela, puxando-a para perto com cuidado.
— Dorme — murmurou. — Eu fico aqui.
Ela adormeceu aos poucos, o corpo relaxando contra o dele. Edward permaneceu acordado, olhando o contorno do rosto da noiva na penumbra, enquanto pensamentos inquietos se acumulavam sem resposta.
Quando ela dormiu profundamente, ele se levantou em silêncio e partiu como chegara — sem ser visto, mas levando consigo uma inquietação que não o deixaria mais.
-
Na manhã seguinte, o sol iluminava a sala de desjejum da mansão Cullen quando Edward se sentou à mesa com um semblante sério demais para a hora.
Esme percebeu imediatamente.
— Você está pálido — comentou, servindo chá.
Edward hesitou antes de falar, a voz baixa:
— Mãe… como foi… quando a senhora estava grávida?
Esme parou com a xícara no ar.
— Como assim?
— Os sintomas — insistiu. — Enjoos, sensibilidade a cheiros… essas coisas.
O olhar dela se fixou no rosto do filho. Lentamente, Esme levou a mão à boca.
— Edward… — sussurrou. — Você e Isabella… desobedeceram regras?
Ele abaixou o olhar, culpado.
— Sim.
O silêncio que se seguiu foi denso, mas não de reprovação. Esme respirou fundo, o semblante já calculando, protegendo, decidindo.
— Então não podemos esperar — disse com firmeza. — O casamento precisa ser antecipado.
— O que? — Edward ergueu o rosto, surpreso.
— Eu cuidarei disso. — Ela se levantou. — Direi a Carlisle que precisamos viajar à Escócia, visitar meus irmãos. Usarei isso como desculpa. Falarei com os Swans. Ninguém precisa saber o verdadeiro motivo.
Edward sentiu o coração acelerar — medo, sim, mas também uma estranha sensação de alívio.
Esme pousou a mão no ombro do filho.
— Tudo ficará bem — disse com doçura. — Mas precisamos agir agora.
E enquanto a casa começava a se mover em preparativos discretos, longe dali duas jovens carregavam, em silêncio, segredos que cresciam rápido demais para serem contidos por muito tempo.
O tempo, mais uma vez, não esperaria por ninguém.
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