The Cullen's

26 CAPÍTULO 26


— EU ESTOU GRÁVIDA!

A frase explodiu na sala como um trovão em céu limpo. Não foi apenas dita — foi lançada, crua, desesperada, carregada de tudo o que Bella vinha segurando havia semanas. O som ecoou contra as paredes da mansão Cullen, atravessou o silêncio pesado, atingiu cada pessoa ali como um golpe direto no peito. Edward sentiu o mundo inclinar sob seus pés. Por um segundo, teve certeza de que iria cair.

Grávida.

A palavra reverberava dentro dele como um sino quebrado. Sua mente tentou rejeitá-la, negá-la, reorganizar a realidade para que aquilo não fosse verdade. Mas o olhar de Bella — firme, ardente, ferido — não permitia fuga. Ela não gritara para provocar. Gritara porque precisava. Porque estava sendo arrancada de si.

Carlisle foi o primeiro a recuperar a voz. Seu semblante sério não escondia a surpresa, mas havia ali algo mais profundo: compreensão imediata das consequências.

— Então… — ele começou devagar, escolhendo cada palavra como se fossem peças de vidro — não existe mais possibilidade de anulação.

Charles Swan empalideceu visivelmente. A mão, antes fechada em punho, caiu ao lado do corpo. Dimitri, que minutos antes parecia disposto a destruir Edward ali mesmo, deu um passo para trás, como se tivesse sido empurrado por uma força invisível. Alice levou a mão à boca, os olhos marejados, enquanto Rosalie apertava Lilian contra o peito, sentindo no próprio corpo o peso daquele anúncio.

— Pela lei inglesa — Carlisle continuou, agora com a voz firme, projetada para todos — uma mulher grávida não pode ser desquitada ou ter o casamento anulado. O filho pertence à linhagem paterna. E neste caso… — ele respirou fundo — estamos falando do herdeiro direto do título de Lord Cullen.

Edward sentiu o ar faltar.

Herdeiro.

Seu filho.

Com Bella.

O coração dele bateu de forma irregular, como se não soubesse se aquilo era castigo ou redenção. Uma parte dele quis sorrir, tocar Bella, pedir perdão por tudo. Outra parte foi esmagada por uma culpa tão profunda que doía fisicamente. Ele lembrou da outra gravidez. Do silêncio. Da perda. Do quarto escuro. Da dor contida dela. E agora Deus os colocava novamente diante da vida — não em paz, mas em guerra.

— Até que a criança complete um ano — Carlisle concluiu — Lady Cullen não pode deixar esta casa. Nem por vontade própria.

Bella fechou os olhos por um instante. Não havia vitória naquele anúncio. Apenas aprisionamento. Ela sabia. Todos sabiam. A lei protegia o sangue, não o coração.

Edward deu um passo à frente.

— Bella… — chamou, a voz baixa, quase quebrada.

Ela não o olhou.

Charles Swan respirou fundo, derrotado, mas ainda orgulhoso.

— Então minha filha fica.

— Por direito — Carlisle confirmou.

Dimitri avançou um passo, o olhar carregado de ódio.

— Isso não acabou — rosnou para Edward.

Edward sustentou o olhar.

— Nunca esteve tão longe de acabar.

-

Dois dias depois, Bella foi chamada ao palácio.

O trajeto até lá pareceu longo demais para alguém que carregava tantas verdades em silêncio. Quando entrou no gabinete da rainha Charlotte, sentiu o coração apertar. A soberana levantou-se imediatamente, sorrindo com genuína afeição.

— Minha querida Bella — disse, abrindo os braços.

Assim que ficaram a sós, Bella respirou fundo, as mãos instintivamente pousadas sobre o ventre ainda plano.

— Majestade… eu precisava lhe contar algo antes que a senhora ouça por outros.

Charlotte inclinou a cabeça, atenta.

— Estou grávida.

O silêncio durou apenas um segundo — mas foi um segundo cheio. Então, os olhos da rainha se encheram de lágrimas.

— Um bebê… — murmurou, emocionada. — Um herdeiro Cullen.

Ela segurou as mãos de Bella com firmeza, quase como uma mãe.

— Que alegria. Que bênção imensa. — Depois, suavizou o tom. — Eu sei que seu casamento não é simples. Mas crianças não nascem do acaso. Elas vêm quando precisam existir.

Bella sentiu o choro escapar.

— Eu tenho medo — confessou.

— Eu também tive — Charlotte respondeu, sorrindo com doçura. — Nove vezes. E ainda assim… cada filho me salvou de algo que eu nem sabia que precisava ser salva.

Ela tocou o rosto de Bella.

— Você nunca estará sozinha.

-

O salão de homens da mansão Cullen estava mergulhado em uma penumbra elegante, iluminado apenas pela luz âmbar da lareira e por algumas velas altas dispostas sobre a mesa de jogos. O cheiro de conhaque envelhecido misturava-se ao couro das poltronas e ao silêncio pesado que antecede uma tragédia anunciada. Edward permanecia de pé, próximo à janela, apoiando o peso do corpo mais na perna direita — hábito que nunca abandonara desde o tiro próximo ao fêmur esquerdo. A bengala repousava encostada à parede, esquecida, mas sua presença era sentida em cada passo calculado.

Dimitri entrou sem anunciar-se.

A porta fechou-se atrás dele com força suficiente para fazer as chamas da lareira estremecerem. Edward não se virou de imediato. Ele sabia quem era. Sabia o que vinha.

— Então é verdade — Dimitri disse, a voz baixa, controlada demais para ser segura. — Bella está grávida.

Edward fechou os olhos por um instante, como se a confirmação em voz alta doesse mais do que o grito dela momentos antes.

— Está.

O silêncio que se seguiu foi quase sufocante. Dimitri caminhou lentamente até o centro do salão, os passos firmes, calculados, como um predador que estuda o terreno antes do ataque.

— Engraçado — ele murmurou, com um sorriso torto. — Você sempre teve tudo, Edward. Título, fortuna, respeito… e agora até isso.

Edward finalmente se virou.

— Isso? — repetiu, frio. — Estamos falando de um filho. Não de um troféu.

— Estamos falando de minha irmã — Dimitri rosnou, avançando mais um passo. — E de uma mulher que você humilhou.

Edward sentiu o sangue ferver, mas manteve a postura.

— Eu nunca humilhei Bella. Nunca toquei nela sem amor. Nunca menti para ela sobre o que sentia.

— Mentiu sobre Tânia.

A palavra caiu como veneno.

— Não — Edward respondeu, com firmeza. — Eu omiti um passado encerrado. Há uma diferença.

Dimitri riu, um riso seco, sem alegria.

— Passado encerrado? — Ele bateu a mão na mesa de madeira maciça. — Minha esposa está grávida e diz que o filho é seu!

— E eu digo que não é — Edward rebateu, aproximando-se. — E no fundo, Dimitri… você sabe disso.

O golpe veio rápido demais para ser evitado.

O punho de Dimitri acertou o rosto de Edward com violência, jogando-o para trás. Ele tropeçou, o peso falhando por um segundo na perna ferida, e só não caiu porque se apoiou na mesa. O gosto metálico de sangue invadiu sua boca.

— NÃO USE A DÚVIDA COMO DEFESA! — Dimitri gritou, partindo para cima dele novamente.

Edward tentou se recompor, mas o segundo soco atingiu sua bochecha já inchada. A dor se espalhou, pulsante, não apenas no rosto, mas no orgulho, na culpa, em tudo que vinha carregando.

— Se você chegar perto de qualquer mulher da minha família outra vez — Dimitri continuou, ofegante, os olhos injetados de ódio — eu te mato. Lorde ou não.

Edward ergueu o rosto, sangrando, mas o olhar firme.

— Então comece pela sua esposa — disse, com voz rouca. — Porque é ela quem mente. É ela quem provoca. É ela quem semeia o ódio que você prefere não enxergar.

Por um segundo, Dimitri pareceu hesitar. Apenas um. Então se afastou bruscamente, respirando pesado.

— Isso ainda não acabou — avisou, antes de sair batendo a porta.

Edward ficou sozinho.

O silêncio voltou, mais cruel do que antes. Ele levou a mão ao rosto, sentindo o inchaço, o sangue quente escorrendo pelo canto da boca. Mas a dor física era pequena perto do turbilhão que o consumia.

Um filho.

Ele se sentou lentamente na poltrona, finalmente pegando a bengala. O fogo da lareira refletia em seus olhos marejados.

— Eu não sei se mereço você… — murmurou, pensando em Bella. — Mas juro que não vou deixar que destruam você. Nem essa criança.

-

Na manhã seguinte, a tensão ainda pairava no ar quando Bella retornou à mansão Swan para o chá com a mãe. Renée tentou manter a leveza, mas seus olhos denunciavam preocupação constante, especialmente ao observar a filha tocar o ventre de forma inconsciente, protetora.

— Você está diferente — comentou, servindo o chá. — Mais pálida… mais distante.

— Estou com medo — Bella confessou. — Mas também estou tentando ser forte.

Ela contou tudo. A gravidez. A lei. A conversa com a rainha. As mentiras de Tânia. Renée ouviu em silêncio, a cada palavra ficando mais rígida.

— Essa mulher é perigosa — disse por fim. — Não por amar Edward… mas por querer vencer a qualquer custo.

Como se fosse invocada pelo próprio veneno que espalhava, Tânia entrou na sala sem ser anunciada, o vestido claro contrastando com o sorriso ácido.

— Falando de mim? — perguntou, teatral. — Imagino que esteja contando sobre a noite em que seu marido esqueceu que era seu.

O mundo de Bella explodiu.

Ela levantou-se tão rápido que a cadeira caiu para trás.

— SUA MENTIROSA!

O tapa ecoou alto. Vieram gritos, puxões, empurrões. Bella, grávida, mas tomada por uma fúria que não sentia desde a perda do primeiro bebê, avançou sem medo.

— VOCÊ NÃO VAI MAIS USAR MEU MARIDO! — ela gritou, enquanto Dimitri e Alec corriam para separá-las.

— CHEGA! — a voz de Charles cortou o caos como uma lâmina.

Ele entrou imponente, o rosto fechado, a autoridade incontestável.

— Tânia, você irá embora. Hoje. Para o campo.

— O senhor não pode! — ela retrucou, histérica.

Charles aproximou-se, o olhar duro.

— Dimitri só será Lord Swan quando eu morrer. E eu estou muito vivo. — Então completou, com desprezo contido: — E não tolero mentiras nesta família.

Tânia silenciou.

Edward e Carlisle chegaram logo depois. O estrago já estava feito. A decisão tomada.

-

Naquela noite, de volta à mansão Cullen, Edward observava Bella da porta do quarto. Ela dormia de lado, a mão repousando sobre o ventre, protegendo o futuro que crescia ali.

Ele tocou a própria perna ferida, lembrando-se de tudo que já sobrevivera.

— Se eu sobrevivi à guerra… — sussurrou — sobrevivo a isso também. Por você. Pelo nosso filho.

E, pela primeira vez em muito tempo, não houve certeza — apenas a decisão de lutar.