The Crown Of Hearts.
7 - Capitulo 6:
Notas iniciais
— O que você está fazendo aqui, Oliver? — Barry repetiu a pergunta olhando do Rei para a Princesa aguardando a resposta do irmão.
— Vim a procura de Lady Caitlyn e encontrei a sua noiva por um mero acaso. — Oliver respondeu, lançando um breve olhar a jovem antes de reerguer-se do banco.
— O que deseja, Barry? — Felicity manifestou-se não gostando do clima pesado que pairava entre os três. Não estava fazendo nada de errado!
— Sabia que sua noiva não está sentindo-se confortável aqui? — O Rei voltou a falar, fazendo-a ter vontade de bufar. Não era bem assim... O olhar confuso de Barry voltou a pairar sobre a princesa. — Devia assegurar-se que ela se sinta bem no reino, Barry. Sinta-se em casa, segura. — Oliver completou, lançando um último olhar ao irmão e saindo da varanda deixando-os a sós.
Felicity abaixou os olhos, suspirando levemente.
— Felicity! — Barry aproximou-se tocando no ombro dela, com o semblante preocupado. — Por que você não me disse que estava sentindo-se assim?
A herdeira mordeu a bochecha, dando os ombros fazendo a mão dele desencostar-se dela. Por que não havia lhe contado sobre aquilo? Repetiu a pergunta do noivo para si.
— Será que pode pegar uma taça de água para mim? — Pediu, contorcendo o rosto e pondo a mão na testa. — Não estou me sentindo muito bem, preciso descansar por alguns minutos. — Mentiu vendo o noivo logo executar seu pedido entrando no quarto e indo apressado até a jarra de água sobre o criado. Fechou os olhos, balançando a cabeça negativamente sem acreditar que realmente tinha mentido para fugir de suas perguntas e de explicar algo que não tinha sequer vontade de conversar.
Seus pés apressados pisavam firmes na leve camada de neve sobre a grama, os cabelos soltos voando por todos os lados por causa dos revoltos ventos gelados, as mãos segurando o longo vestido para impedir de fazê-la estatelar-se no chão como no dia anterior. Ouviu a risada forte de Barry, causando a mesma reação em si, a de dar fortes risadas sempre olhando sobre os ombros.
— Já estou morto e tonto de tanto correr em círculos. — O jovem resmungou forte com a respiração ofegante e ela se deu conta que ele devia estar perto já que pode ouvi-lo lutar para respirar corretamente.
— Não seja bobo! Venha achar-me — Retrucou, mordendo os lábios divertindo-se com a situação.
Sem dúvidas não era uma tarefa fácil encontrá-la em meio a um labirinto que parecia não ter fim! Já era a segunda manhã que os dois saiam para passear no jardim e acabavam dentro do labirinto, ele perdido tentando encontrá-la entre os corredores exatamente iguais de vegetação e ela divertindo-se ao confundi-lo.
Ouviu o barulho dos passos firmes dele e da capa grossa roçando contra a vegetação e percebeu que ele devia estar ainda mais próximo, encostou-se no canto e puxou com dificuldade o ar frio para os pulmões, pegando fôlego. Olhou de um lado para o outro, não podia voltar para trás se não trombaria com ele e teriam que entrar em seguida no castelo e se fosse para frente iria entrar em corredores que não tinha pisado das últimas vezes, correndo certamente o risco de ter que desistir e implorar para que ele fosse encontrá-la.
Deu de ombro e decidiu arriscar. Ergueu as mãos, soltando o vestido e passou as mãos pelos cabelos juntando-os em um rabo, dando duas torcidas e jogando-o para um só lado antes de correr em direção ao corredor desconhecido, mas antes mesmo de dar um passo à diante uma mão rodeou o braço, girando-a pondo a mesma frente à frente com a feição divertida e vermelha de Barry.
— Finalmente te encontrei, pequena fujona! — Brincou, subindo a mão pelo braço dela até estão em seu ombro.
Ela riu baixinho fitando-o com os olhos cintilantes e tombou a cabeça para o lado, sem jamais quebrar o contato, encostando a face nos nós dos dedos de seu noivo. — Acho que está na hora de voltamos para dentro, você precisa preparar-se para o baile e sei que Lady Caitlyn e Lady Marie estão lhe aguardando com fervor. — Quebrou o contato, tirando a mão do ombro dela e estendendo o braço para que ela segurasse para assim fazerem o percurso de saída do labirinto.
O almoço da Princesa e de suas acompanhantes fora servido na pequena sala de estar dos aposentos dela, pois conforme as palavras de Lady Caitlyn para o Príncipe Barry e os serviçais que foram mandados para perguntar se elas se juntariam aos irmãos para a refeição, elas não tinham tempo nenhum a desperdiçar e dali em diante esperava que não mais lhes interrompessem e apenas enviassem alguém para lhes informar que o baile já estava próximo a começar. O cheiro de óleos perfumados inundava o ambiente, graças a banheira com água quente onde o corpo da Princesa estava quase completamente imerso. A bucha de um material interessante era esfregada nos braços e colo por ela mesma, aproveitava os poucos minutos de paz dentro de seu quarto ainda assim podendo ouvir a conversa animada das amigas que estavam do outro lado da porta. Encostou a cabeça na banheira e fechou os olhos respirando profundamente e deixando o perfume característicos dos óleos feitos exclusivamente para si a relaxarem, levando-a por breves momentos ao aconchego de seu próprio reino. Mordeu os lábios, sentindo uma sensação estranha no peito lhe dizendo que o dia de hoje não seria como todos os outros.
— Princesa, você está maravilhosa! — Elogiou Lady Marie que a observava pelo enorme espelho do quarto, dando pulinhos e batendo palmas animada. Felicity sorriu, olhando-se uma última vez no espelho antes de virar-se em direção à porta.
— Então acho melhor irmos, já que estamos as três maravilhosas e prontas para exalar a beleza que só as mulheres de nosso reino possuem!
Caitlyn correu até a cômoda e borrifou mais um pouco de perfume em si antes de seguir a Princesa e Lady Marie para fora do quarto, precisava estar em seu melhor momento. Afinal, não era todos os dias que tinha um Rei em um baile para enfeitiçar e vários príncipes e famílias reais para agradar.
As três desceram pelas enormes escadas acompanhadas pelo guarda que as levariam até o salão de baile localizado na zona oeste do castelo. O coração de Felicity batia forte e as mãos estavam estranhamente soadas, desconhecia aquela sensação afinal já estava mais do que habituada a aquele tipo de festividade e de ser apresentada a vários nobres os quais provavelmente nunca mais cruzaria depois desta noite. Decidiu então que aquele nervosismo era apenas por causa de Barry, por querer passar uma imagem boa e correta de futura esposa do Príncipe amado.
Entraram em um corredor e já pode distinguir a decoração do baile, castiçais altos cheios de velas acessas, um enorme tapete vermelho sem fim, as luzes do jardim adentravam pelas enormes janelas que iam do teto até o chão iluminando e dando um toque ainda mais especial ao corredor.
Esplêndido! Felicity suspirou olhando a sua volta, quando dois guardas que estavam propositalmente parados diante de uma porta gigantesca de madeira, reverenciaram-na e cada um segurou em um dos puxadores de ouro das portas, abrindo-as diante de seus olhos. O palácio de Star City revelava-se dia após dia cada vez mais bonito, não tinha uma só parte do local que deixava a desejar e aquele salão de baile era sem dúvidas um dos lugares mais esplendorosos da propriedade. Várias velas iluminavam o local, mesas com frutas e vinho ocupavam uma parte do salão igualmente iluminadas por velas e por grandes arranjos cheios de flores para a sua grande surpresa já que não havia visto uma flor sequer desde sua chegada naquelas terras frias. Esquadrinhou o local, sorridente, e viu as mais diversas pessoas conversando umas com as outras em um barulho animado e quase ultrapassando o som da música sendo tocada pelos músicos que estavam no fundo do salão a direita em um local elevado.
Adentrou o salão sendo seguida por Lady Caitlyn e Lady Marie, atraindo a atenção dos nobres que estavam próximos à porta que no mesmo instante se prostravam em reverência a Princesa que ainda estava maravilhada com a decoração do lugar e agora podia ver a formosura do salão por completo. As enormes colunas que iam do teto ao chão estavam enfeitadas por plantas verdes que lhes rodeava e tecidos dourados, três grandes lustres de velas e diamantes estavam pendurados no teto do salão e assim que ela abaixou o olhar seus olhos foram atraídos a figura do Rei que conversava com dois homens, uma taça de vinho na mão, barba cerrada que parecia brilhar no rosto devido à iluminação, as laterais do cabelo aparentavam estarem mais curtas ao dia anterior, mas mal dava para se notar devido à grande e poderosa coroa de ouro que adornava sua cabeça, deixou o olhar descer novamente desta vez visualizando os trajes — que se acentuavam perfeitamente aos seus contornos e músculos — completamente negros dele, um casaco semi-longo cheio de botões dourados e com bordados da mesma cor no final da manga e na pequena gola rente ao pescoço. Sem saber que estava sendo observado o homem deu um gole na bebida, segundos depois abriu um grande sorriso e arranhando com a mão livre a barba, os olhos desviaram-se da visão, deu um suspiro e logo a Princesa tratara de ir em busca de seu noivo.
— Olhe só querido... — Lady Laurel sussurrou no pé do ouvido dele com a voz em sussurro, apertando-lhe os ombros com as unhas enquanto dançavam no salão, com o corpo dela colado desavergonhadamente ao dele enquanto supunha que ninguém estava olhando. — Seu irmão é mesmo um atrapalhado, sequer sabe onde colocar as mãos na pobrezinha da herdeira. — Zombou, virando o rosto para o lado fazendo-o desgrudar-se dela e seguir seu olhar. — Mal sei quem pisa mais no pé um do outro, se é ela ou ele. — Os olhos atentos dele varreram aquela ala a procura do casal, mas no momento em que os olhos encontraram o alvo de sua busca, surpreendeu-se.
Barry estava segurando em seus braços e balançando conforme a música era tocada, a Princesa que sorria com uma das mãos displicentemente sobre o ombro magro do Príncipe, com um vestido em um vermelho pecador exuberante, era completamente rendado de mangas longas e gola alta no qual lhe acentuavam ainda mais a cintura fina e os seios. Os cabelos longos estavam soltos como de costume, mas diferente das outras vezes por estar completamente ondulado, presos apenas pela grande e vistosa tiara de ouro com cristais de vários tamanhos que certamente fora feita exclusivamente para si, pois apenas acentuava a beleza ímpar da futura Rainha du Louvre.
A voz de Lady Laurel continuava no pé de seu ouvido, sussurrando e falando coisas que ele sequer estava prestando atenção totalmente fixado no casal do outro lado do salão.
Seu irmão por mais que estivesse fora de sua área de conforto parecia feliz em estar ali, já a Princesa... Ah, ela era linda não podia negar, muito mais linda do que havia sequer imaginado, aparentava estar completamente à vontade e sem sequer perceber parecia dominar o salão do baile.
Soltou um suspiro longo e profundo, trocando o peso de uma perna para outra e interrompendo a dança com Laurel, ela afastou-se dele e puxou-lhe o rosto em sua direção com a mão em seu queixo.
— O que foi, Oliver? — Bufou brava, mantendo o rosto dele direcionado ao seu. — Não suporto quando estamos conversando e você de repente tranca-se nesses seus pensamentos obscuros afastando-se de mim! Isso é ridículo, completamente ridículo e eu não... — O Rei soltou a cintura dela, deixando um braço cair rente ao corpo e a outra mão envolver o pulso da mesma. Sentindo-se subitamente sufocado pela proximidade pressionou com os dedos o local, fazendo-a afastar a mão.
— Preciso apresentar a noiva de meu irmão para algumas famílias. — Interrompeu a reclamação da mulher soltando o pulso dela, ignorando a irritação e indignação em seu semblante, afastando-se sem sequer olhá-la uma última vez.
Após a Princesa e o Rei percorrerem o salão, eles estavam prestes a finalizar os cumprimentos, aliás, já estavam próximo de apresentá-la para a última família. Entretanto, de alguma forma encontravam-se dançando no meio do salão de baile, com todos os convidados em volta, uma batida da canção fez a princesa rodopiar alegre, enquanto ele a acompanhava com uma mão nas suas costas e a outra auxiliando-a até que ela parasse e encostasse o corpo novamente no dele com uma mão pousada em seu ombro até se estabilizar. Os olhos azuis límpidos dele encontraram os dela, que brilhavam de uma forma extraordinária antes do calor do corpo pequeno se afastar, erguendo a mão da mesma forma que a dele, encostando as palmas e girando mas em nenhum momento quebrando o olhar.
Foi questão de segundos até o corpo dela voltar para perto do seu e ele ver as pessoas começando a juntar-se a eles na dança. Dois jovens passaram correndo por eles, esbarrando desajeitadamente na Princesa, o rosto dela virou-se olhando por sobre os ombros vendo os jovens antes deles sumirem de vista e esse ato foi o suficiente para seus cabelos baterem conta o rosto dele. Fechou os olhos instintivamente, respirando o cheiro que emanava deles, cheiro no qual tanto lhe assombrava, as mãos foram de encontro a cintura pequena dela, apertando-a entre os dedos e sentiu — para a sua grande surpresa — todo o corpo da herdeira estremecer. Umedeceu os lábios secos e enfurnou disfarçadamente o rosto ainda mais nos cabelos dela, roçando a barba delicadamente contra a pele de seu rosto e orelha.
Ouviu o suspiro fraco e sôfrego que escapou dos lábios dela, levando-o a se afastar lentamente até ter o rosto dela diante do seu, olhos nos olhos até observar todo o semblante dela... E por incrível que pareça, o rubor nas bochechas, os olhos nublados e os lábios avermelhados entreabertos lhe causaram uma satisfação tremenda.
Se por uma vez na vida decidisse jogar o juízo fora, aquele certamente era o momento propício, tudo o que precisava fazer era subir a mão até a nuca dela e puxa-lá para si dando início a insanidade, roubando-lhe não apenas o ar mas toda a capacidade de raciocínio. Que Deus lhe desse força, pois o corpo era fraco e já conseguia até sentir ela gemendo em seus lábios durante um beijo ardente.
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