The Crown Of Hearts.
8 - Capítulo 7:
Notas iniciais
Os olhos azuis dela não abandonavam os dele que estavam ainda fascinantes em um azul mais intenso e brilhante do que já vira anteriormente e algo na forma que aqueles olhos percorreram o rosto dela, que caíram em seus lábios, deixando-os trêmulos pela intensidade que estavam sendo fitados, fizeram-na arfar a procura de ar.
— Eu preciso ir at... — As palavras morreram em seus lábios ao sentir a mão firme dele colando-a ainda mais em seu corpo e continuando a dançar como se o momento anterior nem sequer tivesse ocorrido. Deixou os olhos correrem pelo perfil dele alguns segundos antes de virar o rosto, olhando o salão. Soltou a respiração que nem sabia segurar e fechou os olhos, apenas se deixando levar por ele que guiava a dança.
— Majestade, Alteza! — A voz suave de Lady Caitlyn fez Felicity girar o rosto em direção a ela, desencostando-se o máximo possível do corpo do Rei, com os olhos arregalados. — Perdão interromper a dança, mas preciso que a Princesa me acompanhe. — Sorriu envergonhada, passando os dedos sobre as pregas do longe vestido azul-escuro qual usava. Oliver assentiu, soltando a mão de Felicity e se afastando, não sem antes acariciar a cintura dela com os dedos uma última vez, fazendo-a enrijecer devido ao calor que a carícia fez explodir em sua pele.
— Foi um prazer ter sua companhia nesta dança, Princesa. — O Rei sorriu, olhando-a firme nos olhos antes de dar as costas e desaparecer por entre os convidados.
Felicity continuou olhando pelo caminho onde ele saiu, incrédula com as reações do próprio corpo. O que era aquele calor o qual sentia sempre que os dedos dele se moviam em sua cintura? Como era possível ter suspirado nos braços dele quando aquela barba firme e máscula roçou contra a pele de seu rosto, quando ele mergulhou nos cabelos dela como se estivesse entrando em um lago no alto calor do verão? Sentiu as bochechas quentes e teve certeza que estas estavam evidentemente escarlate. Balançou a cabeça negativamente, virando o rosto até encontrar Lady Caitlyn que olhava-a de forma engraçada.
— Cait, venha vamos. — Falou, indo em direção a amiga e entrelaçando o braço no dela, indo na direção no qual a amiga a guiava, com a ideia fixa de esquecer a dança com o Rei.
Felicity sorriu, ouvindo a conversa de suas amigas com o primo de terceiro grau de Caitlyn, o Lorde Henrique Stuart IV, que por uma feliz coincidência havia sido convidado ao baile. O Lorde tinha a aparência jovem, cabelos intensamente negros e olhos verdes, apesar de sua pouca idade, tinha muitas histórias para contar, histórias estas quais Felicity e Marie nunca pensaram escutar sobre a família da amiga, pois sempre aparentou ser fria e sem nenhum laço afetivo. Não pode deixar de se sentir aliviada por saber que ao contrário do que pensava, já que Caitlyn pouco gostava de falar sobre sua relação com a mãe, pai e irmão, a jovem havia tido uma infância boa e tranquila.
Príncipe Barry não tardou a juntar-se ao grupo e sem dificuldade enturmou-se com o Lord Henrique adentrando em uma conversa animada sobre caça, assunto no qual Felicity preferiu ignorar e se manter afastava até notar a movimentação no salão mudar e as pessoas começarem a sair animadas pela porta lateral. Franziu o cenho, observando os nobres que riam animados, ainda segurando suas taças de vinho e indo em direção à porta, trocou um olhar confuso com Caitlyn e Marie que também não estavam entendendo a situação até que Barry interrompeu a conversa com o Lorde abruptamente, virando-se em direção a noiva, tocando-lhe no braço.
— Eu havia esquecido! — Balançou a cabeça envergonhado, confundindo-a mais ainda. — Eu vim buscar vocês para irmos até o jardim, faremos a tradicional solta de lanternas chinesas, mas acabei me distraindo com a conversa.
— Lanternas chinesas? — Marie se pronunciou quicando animada e batendo palmas. — Aqui realmente soltam lanternas chinesas nos bailes? — Perguntou animada, puxando as duas amigas pelo braço e as sacudindo, sorrindo feito criança.
Felicity não pode deixar de sorrir, estendendo o braço e puxando a francesa para um abraço de lado.
— Sim! — Barry confirmou, coçando a cabeça. Desviou o olhar até a porta e viu que os convidados já estavam todos lá fora. — Vamos, tenho que soltar a primeira lanterna, não os façamos esperar por mais tempo. — Pegou a mão livre da noiva e começou a puxá-la com ele em direção à saída para o jardim, sendo seguidos pelas damas de companhia e pelo Lorde.
— Um Príncipe dando início a algo? — Caitlyn sussurrou, estranhando. Felicity olhou sobre os ombros para a morena que tinha o semblante confuso, mas seu olhar foi atraído para o lado oposto do salão, junto à grande janela. Após passarem pela porta, sentiu o ar frio da noite bater contra a lateral de seu rosto e a mão firme de Barry puxando-a, porém as pernas não obedeceram, a cabeça ainda virada para trás e os olhos colados na figura ainda dentro do salão de baile agora vazio.
Sentiu a mão do noivo, envolta da sua, insistindo para fazê-la acompanhá-lo adiante, mas inconscientemente sua única reação foi puxar a mão do aprisionamento da dele, o corpo esbarrando contra o de Cait e do Lorde que vinham logo atrás.
— Venha Felicity, vamo…
— Eu preciso de uma veste, está muito frio. — Interrompeu-lhe, falando a primeira desculpa que lhe veio à mente. O jovem homem virou-se para vê-la e deixou o olhar cair no vestido dela. Uma nova rajada de vento bateu contra eles e vendo-a passar as mãos sobre os braços, tentando aquecer-se o fez assentir.
— Então vá buscar e corra para soltar sua lanterna! Peça a uma das criadas que estão no corredor para que lhe acompanhe até seus aposentos e depois te leve até a mim, tudo bem?
Ela assentiu, sorrindo nervosa antes de girar os calcanhares e entrar pela porta que mal havia saído. Deus! O que estava fazendo? Deixou o sorriso morrer no momento em que a porta que dava para o jardim foi fechada pelo guarda e aumentou os passos, atravessando ao salão segurando o vestido para não tropeçar na barra.
Quando os pés pararam atrás do imponente homem que olhava pela janela, teve uma certeza: aquilo era um erro. Não devia ter voltado, mesmo vendo-o tão triste e solitário no salão de baile vazio. Abaixou o rosto, deslizando as mãos pela saia volumosa do vestido e tomando coragem reergueu o rosto, erguendo a mão até pousá-la no ombro largo do Rei, fazendo-o virar bruscamente para trás.
— Ah! — Gritou surpresa com o repentino movimento dele, levando uma mão aos lábios na mesma hora, com os olhos arregalados.
— A solta de lanternas é lá fora, Princesa. — O Rei falou, com a voz rouca e os lábios em uma linha reta, os ombros tensos, retornando a posição anterior.
— Hm... — Ela passou o indicador sobre o ombro dele, fazendo uma linha invisível ao se deslizar até seu lado de frente a janela. — Exatamente... A solta de lanternas é lá fora.
Sentiu o rosto dele virar e os olhos azuis atentos estudarem o perfil dela.
— Eu não faço isso. — Soltou sério, fazendo-a virar o rosto para encará-lo. Como assim? Ele não participava daquela tradição? Confusa, ela deixou os olhos estudarem o semblante dele e percebeu que ele estava ainda mais carrancudo e o olhar antes tão brilhante estava quase apagado. Oliver estalou os lábios, sentindo-se incomodado, observado demais voltando a olhar para a janela, dando um passo à diante e afastando-se dela, deixando bastante claro que não queria conversa e preferia que ela se retirasse.
— Eu também não. — A voz dela soou, rompendo o silêncio que havia se instalado no lugar, surpreendendo-o mais uma vez. Achava que ela era mais perspicaz. — Quer dizer, eu não faço por que eu não sei como fazer, óbvio. — Tagarelou, gesticulando e se embolando nas palavras que saiam rápido demais de seus lábios. Os lábios dele se repuxaram em um sorriso mínimo, ao ouvir o embaraço da jovem Princesa, apesar de estar de costas para ela podia jurar que suas bochechas estavam vermelhas. — E eu não sei fazer porque lá no Louvre, no meu reino não tem isso, então, hm... — Ela limpou a garganta, tocando nos cabelos, sem graça. — Talvez você pudesse ensinar-me, hm, ajudar-me a soltar... — O homem ergueu a sobrancelha, enrijecendo o corpo, surpreso com a proposta dela.
Felicity manteve os olhos no corpo rígido do homem que continuava a ignorando e sequer deu sinal de que voltaria a lhe dirigir a palavra, mordeu o lábio inferior e suspirou. Qual era o problema dele?
— Seus súditos ficariam envergonhados se soubessem que você está se negando a ajudar a Princesa Herdeira do Louvre. — Ripostou, empinando o nariz. — Lembrarei disso em outras alturas, Rei Oliver.
Minutos depois estava no jardim, afastada da aglomeração de pessoas com o Rei carrancudo ao lado, abaixado e acedendo as duas lanternas japonesas que ela largaria ao vento. Ela mordia o lábio inferior, camuflando a vontade de rir por ter conseguido trazê-lo para fora, claramente a contragosto. Ergueu o olhar do Rei e olhou em volta, parando onde as pessoas estavam todas reunidas próximas ao lago, falando alto e gargalhando, com suas lanternas já acesas.
— Ahhhhh! — Gritou assustada quando os dois balões por causa do vento forte começaram a ser puxados para cima, esticando ainda mais os braços dela. — Isso não é em nada uma boa ideia, esses balões vão me carregar. — Tagarelou aflita, segurando firme os dois suporte de barbante, um em cada mão, para manter a lanterna antes de soltá-la.
Oliver sorriu minimamente, se divertindo com a imagem e desespero da garota. Os cabelos em batalha estavam para todos os lados, o vestido era balançado conforme o vento batia no mesmo ritmo dos galhos das árvores, a cabeça erguida para o alto, observando as lanternas que tentava segurar sem deixá-las escaparem antes do tempo. Avançou saindo do lado dela e indo se posicionar em suas costas, erguendo os braços, colocando-os em volta dos dela e ajudando-a a estabilizar. Sentiu o corpo dela enrijecer ao seu toque, mas se concentrou nos dedos segurando firme nos barbantes, ignorando não só como o corpo dela se moldava ao dele como ao cheiro de rosas que lhe invadia as narinas conforme os cabelos voavam-lhe no rosto. Abaixou a cabeça respirando fundo tentando acalmar o batimento cardíaco que havia subitamente acelerado e se arrependeu no mesmo instante.
O corpo colado no seu começou a saltar e a voz animada da Princesa lhe fez erguer o rosto, confuso mas logo viu o motivo de tamanha animação: Os balões já estavam sendo soltos!
As pessoas comemoravam, olhando para cima, vendo os balões conforme eram soldados um por um, serem levados para o alto, Felicity observava maravilhada as luzes iluminando o céu escuro ainda segurando firme os dois barbantes, sentiu a respiração quente do Rei próxima ao seu rosto e virou levemente o rosto, encontrando os olhos brilhantes dele que fixaram-se nos dela antes de vaguear pela segunda vez na noite por todo seu rosto, caindo em seus lábios. Suspirou fraca, virando o rosto para frente e em um movimento seco abriu as duas mãos, sendo imitada por ele, soltando os dois balões que subiram iluminando-lhes o rosto.
— É tão lindo! — Ela saltitou sorrindo largo, girando o corpo e batendo palmas animadas, procurando o semblante do monarca para ver se ele também estava encantado com as dezenas de lanternas no céu. Oliver em um gesto rápido segurou no braço dela, puxando-a em direção a si, envolvendo em seus braços fortes a Princesa, que tinha os olhos arregalados e antes de sequer dar-lhe tempo de refreá-lo, abaixou o rosto pressionando os lábios nos dela. Susto, medo e curiosidade. Felicity tremeu entre os braços fortes, com as mãos que antes estavam suspensas no ar agora coladas no peitoral firme dele sem saber o que fazer. Empurrá-lo ou, qualquer outra opção sumiu da mente quando o Rei movimentou os lábios quentes agilmente sobre os dela, apertando-lhe o corpo, fazendo cada parte dela entrar em ebulição, causando-a um frenesi desconhecido. Abriu os lábios em surpresa com a forma que o corpo reagia a ele e isso foi o suficiente para que uma das mãos dele fosse até sua nuca, embrenhada em seus cabelos, pressionando a pele sensível, e a língua quente e úmida dele entrou em contato com a dela, buscando-a, fazendo explodir dentro dela sensações desconhecidas conforme ia aprofundando o beijo.
Quente, firme, sedento, certamente é experiente. Muito, muito experiente, Felicity afirmou, aproveitando a sensação que era ter um homem beijando-lhe, tomando os lábios de uma maneira tão quente, aprisionando-a.
Subiu as mãos pelo peitoral dele até chegar cegamente em seu rosto, envolvendo-o, sentindo a barba bem feita na ponta dos dedos e isso lhe trouxe a razão. Quebrou o beijo, desvencilhou-se dos braços dele com o corpo tremendo, com os olhos arregalados, ergueu uma mão até os lábios avermelhados e saiu correndo sem sequer olhar para trás, atordoada demais.
Um erro. Um grande e estrondoso erro. Como tinha sido capaz? Como tinha deixado aquilo acontecer? Ainda podia sentir os lábios dele sobre os dela, ágeis, a barba de homem roçando contra a pele em volta de seus lábios e bochechas, o toque dele em sua pele. Seu cunhado, o Rei de Star City havia aclamado para si seu primeiro beijo.
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