The Crown - Interativa.
12 Troy e Louis I
Notas iniciais
Recomendasse a leitura acompanhada desta música.
__________________________________________________
Troy
O dia parecia ter tudo pra ser bom. Apesar de Bianca estar sendo a chata de sempre.
– Quantas faltam? — perguntei.
Bianca abriu a boca para certamente responder, mas de repente arregalou os olhos e pôs a mão na barriga. A principio pensei que o bebê tivesse chutado, mas suas lágrimas não aparentavam ser de felicidade. Sinalizei para que um dos guardas nos ajudasse. Passei desesperadamente a mão nos cabelos e soltei o ar que nem percebi que guardava. Bianca sorriu de leve em meio a dor que aparentava sentir e sussurrou: "Tudo vai acabar bem", logo depois entrou na enfermaria do palácio de Illéa.
(...)
Nunca havia visto minha irmã chorar tanto. Bianca estava envolta com meus braços, tentando acalma-la. Bianca estava com câncer, e o bebê já estava morto há dois dias.
– Calma, eles já chegam. — sussurrei as lágrimas pela terceira vez.
Os sons dos saltos de nossa mãe ecoaram na enfermaria. Os médicos e enfermeiras fizeram uma exagerada reverência a chegada de nossos pais.
– Querida... — nossa mãe disse em tom fúnebre.
Nosso pai pegou sua mão e pela primeira vez vi o "grande rei da Itália" sorrir com compaixão. Um homem tão duro como ele para nós nunca aparentou tanta tristeza. Envolvemos Bianca em um abraço tradicional de família.
Flashes passaram por mim.
Tinha seis anos, Bianca oito. Era noite de ano novo e os fogos me incomodavam profundamente.
"Calma, maninho." dizia ela me abraçando enquanto eu chorava com as mãos no ouvido. "Papai já pediu que parassem de soltar fogos".
Ela sorriu com os lábios fechados. Escancarei minha boca em um sorriso banguelo, ela gargalhou.
"Mamãe, papai! Troy está rindo!" gritava sinalizando para minha boca, logo depois beijando minhas bochechas gordinhas.
Era seu aniversário. Tinha doze anos e Bianca quatorze. Para variar ela havia me excluído pra ficar com a princesa da Grécia... Chovia como nunca tinha visto em oito anos de vida, e os nobres não tinham vindo. Tudo que Bi tinha, era a família e poucos amigos.
"Papai, por que nenhuns de seus amigos vieram? Sinto falta da corte da França." disse tristonha.
"Está chovendo muito, Bianca. Por que não vai brincar com Troy?" sugere nosso pai.
Ela se vira pra mim e olha as flores que tinha pra ela nas mãos.
"Vem cá logo, seu balofo!" grita. apontando pra mim.
Nos abraçamos e ela sussurra:
"Se você tiver uma seleção, vou contar pras selecionadas que você era gordo na infância."
Um sorriso passa sobre meus lábios que ele brincava.
"Agora vem, acho que a corte do Egito chegou. Sâmi tem sua idade, vão brincar."
Os flashes acabam com meu emocional e aperto minha irmãzinha mais forte.
– Ah, Bianca. Desculpe-me por não ter sido um irmão melhor- peço soluçando.
Suas lágrimas fazem com que fique sem ar. Por que nada podia ser normal ara nós?! Um riso puro, sem tristeza parte dela.
– Cala a boca, balofo. Não estou chorando por causa do câncer ou do bebê. Quer dizer, grande parte sim, mas mais porque você está me esmagando.
Sequei as lágrimas com cara feia e nossos pais se entre olharam. Demos meia volta e deixamos a enfermaria, escutando as gargalhadas de Bianca.
(...)
Tinha apenas mais um encontro, e ele era com uma selecionada chamada Myra. Recebi uma carta dizendo para que eu esperasse em meu quarto, tentei praticar algumas cantadas e botar um sorriso cafajeste no rosto, mas a situação de Bianca ainda me abalava... Ouvi passos e logo em seguida alguém bateu na porta.
–E aí?- Questionei abrindo um forçado sorriso. — Tudo bom?
–Sim. — Ela respondeu abrindo um sorriso também. — Espero que você aceite cavalgar um pouco.
Eu não disse nada, apenas continuei com o meu sorriso no rosto já que havia prometido cavalgar com outra selecionada (cujo, me perdoe, mas não lembrava o nome). Estendi meu braço em forma de gancho a Myra, que aceitou.
Quando chegamos no estábulo, ela foi correndo em direção a um cavalo branco.
–Aaah.- resmunguei me referindo ao cavalo que ela tinha pego, era o meu cavalo. — Justo o Milk?!
–Milk?- Ela perguntou, rindo.
–É, ele é branco, por isso a associação ao leite — disse, fingindo estar irritado, mas logo rindo um pouco.
–Então, aonde vamos?- Perguntei a olhando com curiosidade- Apenas dar um passeio a cavalo?
–Huumm... Não. — Ela respondeu com seu clássico sorriso nos lábios- Isso definitivamente não vai ser simplesmente um passeio a cavalo.
E não foi.
Ela me levou a um bosque com cerejas, um belo e limpo lago e tudo perfeito para um simples piquenique.
– Não acredito que teve esse trabalho todo. — disse um pouco incrédulo.
Ela sorriu um pouco envergonhada.
– Não é todo o dia que temos um encontro com um príncipe.
O resto do encontro foi normal, contei a ela um pouco sobre mim: sonhos, medos e outras coisas que pessoas costumam conversar. No fim da tarde voltamos.
(...)
– E então, alteza? — Myra perguntou, esperando elogios.
– Primeiramente: Troy. E, bem, eu gostei. Um dos melhores encontros que já tive.
– Um dos melhores? — perguntou, fingindo decepção.
– Não posso dizer que foi o melhor, horas! As selecionadas também sentem ciúmes.
Louis.
Se eu estava ansioso? Nah... MAS É CLARO QUE EU ESTAVA! Eu ensaiava meu discurso enquanto andava pelos corredores do palácio de Illéa. Quando alguém pulou em minha frente. Soltei um gritinho fino e a pessoa desatou a rir.
– Ai, Deuses! Desculpes, alteza. — disse, fazendo reverência.
Corei violentamente.
– Ahn... Tudo bem. — pude enxergar melhor o rosto da pessoa. Era uma de minhas selecionadas. — Espera aí. É a sereia!
A selecionada fez cara de desentendida, mas logo depois sorriu.
– Victoria Maryse Sorensen. — se apresentou.
– É claro. — disse ainda corado. — O que faz andando pelo palácio sem um guarda, Tori?
Ela cantarolou algo e logo depois respondeu:
– Pegando um ar, saltitando, e esperando topar com o príncipe. — disse, claro, ironicamente.
– Não é que conseguiu...
Sorriu tímida.
– Deve estar feliz com isso tudo, não? — perguntou distante.
– Com isso tudo o que? — perguntei, curioso.
– Dez garotas lutando bravamente pelo seu coração, quem me dera ter dez Louis me querendo.
Gargalhei da sua piada de dez Louis.
– Vai ver tem, Tori. Vai ver tem... — disse depositando um beijo em sua bochecha e indo em direção ao salão que as selecionadas me esperavam.
(...)
– Gemma Elizabeth Red. — chamei pela primeira selecionada a minha frente.
– Aqui! — sinalizou.
– Você participa do desafio, claro e... — tentei começar.
– Vamos logo com isso, Louis. — interrompeu meu pai.
Dei um suspiro leve e disfarçado, logo começando as perguntas.
– Minha cor favorita — perguntei, cauteloso.
– Pizza. — respondeu direta.
– Também. — disse, sincero. Já que é pizza e biscoitos que Nicole faz, mas isso seria vergonhoso de mencionar.
– Minha cor favorita?
– Verde.
– Branco. — corrigi rindo.
– Ah qual é:! Quem tem a cor branca como cor favorita? — disse rindo, por ter errado.
– Eu! — fiz cara de falsa indignação.
– Louis, siga com isso. — meu pai adverte.
– Número da sorte?
– Sete? — disse duvidosa.
– Quase, dezessete.
Ela bateu com a mão na testa, o que me fez gargalhar. E mais um vez meu pai me olha severo.
– Meu lugar favorito, no palácio?
– A cozinha. — fez cara de fome.
Ri baixo e fiz que sim com a cabeça. Meu pai me olhou surpreso, e eu pus a mão na barriga.
– Meu livro predileto?
– A menina que roubava livros...?
– Não, mas meio ponto porque é o meu segundo livro favorito.
– E música? — pergunto me referindo a preferida.
– American Idiot?
Coro e respondo baixo:
– Passou longe... Nem queira saber a resposta correta.- ela ri baixo e pergunto. — Sabe se tem mais uma para o desafio.
– Acho que sim.
E então, recomeço a série de perguntas.
(...)
Extra: Narradora.
– E quanto as outras selecionadas? — pergunta o rei da França ao rei de Illéa.
Maxon massageia as têmporas, procurando uma solução.
– E que tal um rodizio? — sugere o pai de Troy.
Os reis se olham.
– O que? — pergunta Maxon.
– Simples: um jantar com todas, no qual cada um afalaria um pouco sobre si. As que nossos filhos não gostassem seriam eliminadas.
– Ainda acho que não... — respondeu o pai de Louis.
– Já tenho um resposta. — anunciou Maxon. — Semana que vem Sarah faz aniversário, e eu já sei exatamente quem vai organizar a festa.
Fale com o autor