The Crow & The Butterfly
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Obrigada à todos pelas reviews, vocês são uns amores! Mil abraços *-*
Sério, desculpa a demora, eu sou assim mesmo q
Sem mais delongas... À fic ;D
A Whammy’s House era um lugar calmo apesar da quantidade de crianças por ali. Principalmente no inverno, quando a maioria dos órfãos se limitava a ficar nos quartos ou na biblioteca. Alguns poucos corriam lá fora, ignorando as broncas de Roger para que saíssem da chuva. Roger era o diretor do orfanato e aparentava ser bem mais velho do que realmente era. Reclamava constantemente que sua perda de cabelo era culpa das crianças. Roger as odiava, largaria o emprego se não tivesse tanta consideração por Watari, dono do local e amigo antigo de Roger. Mas havia alguém a quem Roger nunca se dirigia. E se o fizesse, procurava limitar ao máximo o numero de sílabas proferidas.
O medo que Roger tinha de mim era claramente visto em seus olhos por qualquer um que morava por ali.
E eu podia me lembrar, como se tivesse sido ontem, minha chegada ao orfanato, assim como me lembro da conversa que ouvi enquanto esperava no corredor. As vozes abafadas pela porta da sala do diretor:
– Ele é um menino normal, Roger. E precisa de ajuda. – A voz calma de Watari repetia por volta da terceira vez, tentando acalmar o outro.
– Ele não é normal! – Roger falava alto, agitado. – Aqueles olhos! Eu já tenho problemas o suficiente! Nem a família o quis.
– Ele vai ficar. É só um garoto, o que pode acontecer? L vai adorá-lo.
Um garoto. Não era o que parecia.
Mas eu já havia me acostumado a ser tratado como um animal selvagem. Exceto por minha mãe, e creio que, se não fosse por ela, eu provavelmente estaria nesse lugar mais cedo.
Algum tempo depois eu tinha um quarto e um estranho apelido de B, junto com a informação de que eu era excepcionalmente inteligente e que o maior detetive do mundo teria orgulho de mim. Não vou dizer que ser mundialmente conhecido era meu maior sonho então nunca me entusiasmei com a ideia.
Sempre fui uma criança quieta e permaneci assim mesmo no orfanato. Aprendi logo que cheguei que continuaria sendo tratado da mesma forma como sempre fui. O medo concreto, quase apalpável da maioria e o desprezo dos mais corajosos. Mas eu não os culpava, reconhecia minha deficiência.
Minha lembrança mais antiga era certamente os apelos de meu pai. Dizia que eu devia ser levado ao médico, ou deixado na porta de alguém de que pudesse me garantir uma vida melhor. Minha mãe retrucava, dizendo que eu era especial. Os anos se passaram e minha dificuldade para distinguir cores e minhas perguntas como “Que números são esses, mamãe?” só faziam minha família se afastar cada vez mais. Foi com a morte de meus pais que descobri o significado de tais números. A única coisa que me intrigava era o fato de eu nunca poder ver meu nome e meus números. Por mais que eu olhasse no espelho ou em fotos.
Claro, nenhum outro membro da família queria admitir que eu estava na árvore genealógica. Diziam que era minha culpa, eu amaldiçoara meus pais. Diziam que minha mãe deu a luz ao demônio por não se manter pura até o casamento. Demorei alguns anos para entender, mas não fiquei surpreso quando aconteceu. Como eu disse, desde cedo me acostumei a ser um nada, a não ser a cópia de um detetive cujo ego parecia bem exagerado.
Mas então aconteceu. Como um sonho que se torna realidade. Uma prece ouvida.
Um ano depois, conheci Aksel Aurich.
Fez frio naquela tarde de julho e eu gostava do calor da biblioteca. Também gostava de como lá era vazio. Vez ou outra eu lia, mas não nego que na maioria das vezes eu virava as páginas de Allan Poe enquanto minha mente pensava em coisas bem mais atuais.
O tempo custava a passar, mas eu continuava ali até pouco antes do jantar, quando eu ia para meu quarto antes de descer a escadaria até a cozinha. Nunca descobri o motivo desse meu hábito. Era como se eu quisesse ter certeza de que tudo estava no lugar. Mas naquele fim de tarde havia algo a mais.
Os quartos eram para dois, mas eu sempre estive sozinho. Não vou reclamar, eu gostava assim. Eu sabia que ninguém lá iria gostar da minha companhia e ter um quarto só para mim era um alívio tanto meu quanto dos outros. Desse jeito eu não precisaria incomodar ninguém. Às vezes eu pensava que era Roger quem havia me dado essa pequena regalia. Apesar de muitas vezes a segunda cama a poucos passos da minha me causar uma solidão, era um sentimento efêmero.
Até hoje consigo me lembrar de quando abri a porta de meu aposento naquele fim de tarde e me deparei com a mala naquela cama vazia. Não coloquei o pé para dentro. A fração de segundo que gastei olhando aquela mala foram para mim, minutos. Não pude deixar de voltar meio passo e me certificar de que eu entrava no quarto certo. Foi então que ouvia voz atrás de mim, soava um tanto simpática, mas baixa, tímida.
– Você deve ser B.
O dono da mala, pensei comigo. Ninguém que morasse tempo o suficiente ali se dirigiria a mim com tanta boa vontade. Me virei em direção a voz para responder. O garoto parecia ser mais novo que eu, tanto pela estatura quanto pela aparência. Vendo-o de longe, eu o confundiria com uma garota. Seu sorriso e gestos tinham uma delicadeza que muitas mulheres deixam de ter.
– Sim, sou eu. — Eu tentava soar neutro. Apesar de ter perdido todas as esperanças de me dar bem com alguém, não era de minha natureza ser mal educado, mas parecer amigável era algo que eu não sabia fazer muito bem. Torci para que ele não notasse meu olhar curioso sobre a cabeça dele, onde as letras e numero dançavam. Tentei disfarçar minha surpresa ao notar como o numero era curto. Menores que o de Roger.
– Desculpe ter entrado no quarto sem sua autorização. O diretor praticamente me empurrou para dentro. – Riu tímido, me estendendo a mão. – Eu sou A. Aparentemente...
Fiquei atônito com o gesto do outro. Era-me incomum ver sorrisos que não de escárnio, marcados pela crueldade infantil dos outros por ali. Apesar do meu excesso de desconfiança, havia algo em A — talvez sua pouca expectativa de vida – que me impedia de pensar que ele poderia me causar mal. Talvez fosse a forma como olhava para mim. Me olhava nos olhos como se não se importasse, como se entendesse.
Sorri de volta, mais tímido do que ele, apertando sua mão.
– É um prazer. Pode ficar à vontade, o quarto também é seu agora.
Notas finais
Não quero fazer capitulos muito longos, sei que fica chato de ler. Bom, espero que tenham gostado, vou tentar não demorar muito com a continuação.
Beijos e abraços, não esqueçam das críticas contrutivas ;D
E obrigada por lerem! *O*
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