The Crooked Man

5 Capítulo 5 - Ar gélido.


Notas iniciais
Mais um capítulo ^^

Reino Unido — Inglaterra/1842

Eu já havia chegado na cidade de Biggin Hill quando avistei um bar na próxima esquina à esquerda. Havia poucas pessoas na rua, ainda era de manhã e não era lugar de muitas pessoas. Tinha deixado Hugo na casa e vim para cá na companhia de um casaco quente e meu chapéu. Andava com as mãos no bolso e com o corpo encolhido dentro da roupa, eu me sentia desconfortável por ser um "forasteiro".

O ar frio e o céu branco ainda eram predominantes, o que deveria fazer as pessoa não quererem sair de casa. Porém, quando entrei naquele bar, fiquei surpreso com a quantidade de pessoas presentes lá. Homens barbudos em mesas afastadas, dando gargalhadas e levantando garrafas em comemoração; bêbados dormindo ou balbuciando coisas; pessoas sóbrias discutindo sobre os atuais negócios do reino, etc.

Segui para uma mesa em que só havia um homem. Usava um capuz alto e escuro, como se não quisesse ser notado. Pude ver que era um senhor de idade pela cor de seu cabelo e barba. Olhou para mim desconfiado, destacando um pouco suas rugas de expressão.

– Posso me sentar? — Indaguei, cordialmente.

Depois de ponderar por um instante, o homem esticou o braço, indicando o assento.

– Claro!

Sorri e me sentei.

– Que te traz aqui num dia frio como esse, senhor...

– Rodrick.

– Que te traz aqui num dia frio como esse, senhor Rodrick?

Ele encolheu os ombros e olhou de canto para os lados. Eu segui seu olhar e só vi o resto dos fregueses fazendo baderna e conversando de modo exageradamente alto. Já tinha me acostumado com coisas assim quando eu ia para lugares desse porte com meu pai.

– Sou um fazendeiro, vim examinar as terras!

– Deveras? Pois fico feliz em lhe dizer que sou um morador da zona rural; comprei recentemente uma casa naquela região. — informei-lhe isso com grande entusiamo, porque era possível que viesse a ser um vizinho ou amigo futuramente.

– Uma casa? Pelo que eu sei a única para aqueles lados está abandonada e em posse do reino já faz décadas.

– Foi vendida, eu comprei.

Rodrick se levantou de supetão. Colocou as mãos na mesa e fixou seu olhar em mim.

– Homem, não sabe o erro que cometeu. Não sabe a desgraça impregnada em sua vida.

O olhei com espanto e surpresa, sobre que estaria falando? Com toda certeza, aquele lugar não era comum, mas por que todo esse terror? Dormi confortavelmente bem noite passa, nada aconteceu à mim ou à Hugo.

– Meu senhor... — me levantei para poder ficar de frente com ele — poderia, por favor, me explicar o motivo de tanto alvoroço sobre isso?

Sua expressão se tornou sombria, como se uma antiga lembrança tomasse forma em sua mente.

– Tudo que sei é que naquela terra os poderes de Deus não são prestigiados, algo de ruim aconteceu e ainda acontece para aquelas bandas. Houve uma época que a colheita era feliz e os recursos abundantes. Crianças brincavam no lago que hoje ninguém quer se aproximar. Dizem que aquela casa já estava lá antes das plantações, que existia uma vilarejo do qual apenas ela sobrou... — Rodrick olhou em volta novamente e voltou a falar em voz baixa — existem livros que contam sobre uma suposta cidade que deveria ter existido perto daqui no século passado. Estudiosos que teorizavam sua localização pelas descrições e imagens afirmam que ela ficava exatamente onde são as plantações hoje em dia.

– Meu Deus! — exclamei, realmente muito interessado e curioso sobre a informação.

– Não sei o que decorreu, meu senhor, mas alguma coisa parece ter assustado os trabalhadores e fazendeiros do campo. Ninguém mais vai lá hoje em dia, somente para usar como rota, e isso se for a últimas das últimas opções.

Me lembrei então da fala do cocheiro no dia de ontem.

– Pode me dizer também, o que teria isso a ver com o homem torto?

Naquele instante, o ar se tornou ainda mais gélido. Todas as pessoas, inclusive os baderneiros, pararam suas ações para olharem em minha direção. Me encaravam como se eu tivesse cometido o pior dos crimes. Um homem baixinho, com uma roupa social branca e cabelo calvo veio em minha direção de trás do balcão.

– Diga o que disse mais uma vez e irá sair do meu estabelecimento direto para o inferno!

Arregalei os olhos. Ficaram assim pela minha menção ao homem torto? Por quê? Um conto para crianças não podia ser levado tão a sério. Olhei para frente novamente, Rodrick não estava mais lá. Fiquei um pouco surpreso, pois acho que teria visto se ele tivesse se retirado.

– Ah... irei embora, mas antes será que pode me dizer se sabe para onde foi o cavalheiro com quem conversava?

O dono do bar olhou para mim de modo estranho.

– Do que está falando? Não havia ninguém conversando com você!

8 Horas depois

Fiquei mais algum tempo na cidade, comprei comida e outros suprimentos para a semana com o dinheiro que ainda me sobrava. Conversei com um padeiro e arrumei emprego em sua loja para o próximo mês que já estava vindo. Estava feliz e lia um jornal sentado na cadeira em frente a mesa da cozinha.

Estava escuro, no entanto, fiz me o favor de também comprar velas para iluminar a casa. Não chovia, mas Hugo parecia estar um pouco agitado. Não se deitara novamente desde que acordara, e já fazia horas. Ficava andando de um lado para o outro silenciosamente. De vez em quando, meu gato levantava a cabeça e ficava atento em direção a porta.

Naturalmente, estranhei seu comportamento. Chegou um momento em que não aguentei mais de frustração e abri a porta para ver no que iria dar. Na hora em que fiz isso, meu amigo felino saiu em disparada para fora.

– Hugo! Venha cá! — chamei, mas de nada adiantou.

Peguei rapidamente o velho lampião e acendi com uma das velas. Saí e fechei a porta. O ar, subitamente, voltou a ficar gélido. Dessa vez, eu sabia o motivo. Não era o clima frio ou os ventos noturnos. Era culpa do medo que crescia dentro de mim, o mesmo medo que sempre me atrapalhou em minhas decisões. Ele estava indo em direção ao velho espantalho.

Notas finais
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