The Crooked Man

16 Capítulo 16 - Algumas perguntas.


Notas iniciais
Eu só tive três comentários... em relação ao número de visualizações isso é uma mixaria. Porém, dou muito valor a quem acompanha e tem o esforço de comentar. Seja para elogiar ou criticar ;) Então ta aí, mas um capítulo pra vocês...

Reino Unido — Inglaterra/1842

Ainda com o sol no auge, Jacob e eu chegamos rapidamente em casa. Não usamos a tradicional trilha que eu sempre seguia, porque segundo ele seria perigoso ou talvez até chamativo. Apesar do visual ridículo, reconheço que era um homem inteligente e segui suas instruções. Provavelmente era curiosidade mas, por algum motivo, Jacob estava analisando centímetro por centímetro do lado de fota da casa. Ao meu ver não havia nada de que se chamasse a atenção, portanto, não sei qual era o objetivo dele.

– Interessante, deveras interessante... — sussurrava para si mesmo enquanto andava com a mão sob a madeira velha e quase apodrecida.

Eu me sentei em frente a residência, com o vento indo ao meu encontro. Com exceção de que algo sobrenatural estava tentando me matar, eu achei o lugar muito agradável, mesmo que estivesse morando ali não faz muito tempo.

– Onde é que está o lago? — questionou, depois que deu a volta na casa.

Eu apontei para uma região afastada apenas alguns metros. Ficava praticamente ao lado, no entanto era muito raso, então quase não se via. Eu mesmo só tinha como referência a árvore torta, que me admirava ainda se manter viva. Achei melhor acompanha-lo, portanto me levantei.

– Não acha essa árvore curiosa? — perguntou dando meia volta na mesma.

– Mas é claro! Ainda mais curioso é que não me lembro dela quando era criança. Sabe, passeava por aqui com minha mãe quando a rota principal de colheita ainda existia. — olhei da casa para o lago. — Eu sempre tive um pouco de medo, mas que criança não se assustaria?

Jacob olhou para a água, tocando-a com a ponta do sapato.

– Não foi só a tempestade. Também usaram a água daqui para apagarem o incêndio da vila, e não tendo nenhuma fonte o lago deve ter ficado desse jeito. Leu isso no livro, não leu?

Assenti.

– Mas e a árvore? — indaguei curiosamente.

– Aí é que está! Ela não nasceu desse jeito... Vê a raiz? Está danificada, como se um furacão tivesse passado por aqui.

E era verdade. Logo abaixo da árvore torta, algumas raízes estavam distorcidas e arrancadas juntamente com boa parte de terra.

– Um furacão seria muito pouco provável, já que a casa ainda está de pé! — argumentei, me ajoelhando em frente ao lago estranho e observando meu reflexo.

– Isso é o que acho estranho, rapaz! Não conheço nenhuma pessoal ou animal com força o suficiente para empurrar uma árvore abaixo, ainda mais num ângulo de sustentamento. — passou a mão na barba de forma pensativa. Para mim isso já era um hábito costumeiro dele.

Aproveitando a falta de ideias, olhei em volta. As plantações se mexiam com o vento suave. A floresta parecia de bom agrado e alguns campos de cereais apodrecidos se movimentavam minimamente. Do outro lado só havia floresta e mato, nada que tivesse muita relevância. Era possível ver algumas madeiras espalhadas pelo gramado. Obviamente pertenciam às casas da vila que foi incendiada.

– Por que a janela lá de cima está quebrada?

– Foi por lá que ele entrou.

Eu nem estava prestando muita atenção, já que apreciava a paisagem.

– Está me dizendo que ele escalou? — perguntou num tom de surpresa e admiração.

– Provavelmente, já que ouvi passos no teto e sons abafados vindos da parede.

– Incrível... e ele nem deixou nenhum rastro... — falou isso baixinho, como se não houvesse necessidade de eu escutar — escute, que é que está olhando?

Eu estava pronto para responder um simples "nada" quando fixei meu olhar numa estaca de madeira. Pendurada nela estava algo de fisionomia humana que imediatamente julguei ser um espantalho. Era o mesmo lugar de antes. As mesmas características estavam presentes no objeto: cabeça enfaixada, roupa velha e um pouco rasgada e, provavelmente, deveria estar fedendo. Rapidamente, dei um giro com o corpo para olhar todos os lugares possíveis.

Um minuto atrás aquilo não estava lá, tenho total certeza. Jacob percebeu minha agitação e seguiu o que eu olhava.

– Deus é pai! Quando foi que...

–Toma! — o interrompi colocando um dos revólveres em sua mão e pegando o outro com a minha. — Vamos até lá checar.

Senti meu braço arder e fui puxado para trás.

– Ficou maluco? Você nem sabe se isso vai funcionar. O ideal seria entrarmos e examinar o interior, ficar aqui é pedir para ser atacado. Olhe em volta! — disse, e foi o que fiz. — Ele pode estar nos observando entre as árvores agora mesmo e nem temos noção de onde!

Suspirei derrotado.

– Você tem razão, amanhã podemos cuidar dele.

Me endireitei e fiquei de frente para ele. Ainda mantinha os óculos escuro e, momentaneamente, senti vontade de dar uma gargalhada. Infelizmente não era hora nem lugar para isso.

– Com tantos anos trabalhando na biblioteca, arrecadei informações valiosas o suficiente para o nosso sucesso. Tenho uma boa memória e, se não estou enganado, você mencionou uma escritura ensanguentada na parede do quarto. Estou certo?

– Certamente, mas nem adianta ir até lá. Desapareceu alguns segundos depois. Foi logo antes de eu...

– ... encontrar o gato?

Arregalei os olhos e abri um pouco a boca. Essa me pegou de surpresa, não vejo como algo previsível.

– Sim, mas como é que você sabe?

Jacob sorriu satisfeito. Eu estava começando a odiar aquele seu ar de suspense.

– Acabo de criar duas hipóteses. Se uma delas estiver correta e, é claro, o gato já tiver retornado, vou querer vê-lo.

Ponderei, também torcendo para que o Hugo já tivesse regressado. Logo estaria escurecendo e mais uma noite fora não seria muito bem idealizada.

– Tudo bem, só... por quê?

Endireitou sua boina e sorriu mais uma vez. Depois de uma breve olhada aos arredores, se dirigiu em direção a porta.

– Quero fazer algumas perguntas para ele!

Mais confuso que nunca o segui. Pode ter sido impressão minha ou até efeito de minha curiosidade, todavia, eu olhei para trás antes de entrar em casa. Algumas folhas se mexiam suavemente para, subitamente, pararem assim que me virei. A razão do meu medo é que naquele instante o vento já tinha se dissipado.

Notas finais
Reviews? Favoritos? Recomendações?