The Crooked Man

14 Capítulo 14 - "Revolucionários." 2


Notas iniciais
Eu teria postado antes, se meu computador não tivesse feito a desgraça de reiniciar bem no final do capítulo... Fiquei puto de raiva, mas aqui está o capítulo, mais uma vez no túnel do tempo :D

Reino Unido — Inglaterra/1728

Tudo o que Hanks queria fazer naquele momento era dormir. Sua mulher já cochilava ao seu lado, mas devaneios supridos de raiva e fúria ainda passavam por sua cabeça, o mantendo acordado mais do que deveria. Já era madrugada e ele tinha certeza de que todos os fazendeiros e fazendeiras que se uniram à sua "nobre causa" já deveriam estar dormindo. Amanhã seria o grande dia, iriam até o reino para exigirem a abolição dos recursos norte-americanos. Não seria justo que depois de tantos anos, tantas gerações, seus esforços vendendo recursos naturais fossem ser descartados. Cada uma das, cerca de, 400 pessoas que estavam ali tinha esse e mais motivos para se enfurecerem. E os tempos de exigirem o reconhecimento estava próximo.

Quando os primeiros sinais do sono apareceram e as pálpebras do velho começaram a pesar, os rancores já nem existiam mais. Só o que restava era o cansaço. Uma pena que isso não se prolongasse, pois ao longe dali, um barulho agudo e ensurdecedor deu origem a um alvoroço. Alguém estava gritando, e com certeza era uma mulher. O fazendeiro levantou num movimento súbito e com uma estremecida. Sua mulher, alarmada e de olhos arregalados, foi para a janela ao lado da cama tentar enxergar o que estava acontecendo. Hanks se precipitou para a parede à sua frente e pegou a espingarda que deixou pendura com os canos para baixo.

Trocou de roupa em uma velocidade surpreendente e, já na porta, olhou para a esposa.

– Margareth, quero que fique aqui dentro, entendeu? — aquilo soou como uma ordem, não como um pedido.

Ela olhou para ele e assentiu, amedrontada demais para falar. Saindo às pressas, o velho olhou para os lados, procurando saber para onde iria primeiro. Muitas pessoas saíram de suas casas, assustadas e exaltadas. Cochichavam entre si e apontavam para lugares diferentes. Querendo saber o que se passou, ele teria feito perguntas, no entanto, não foram necessárias. Outro grito, igual ao primeiro, interrompeu as conversas alheias. Hanks correu em disparada para o lugar, passando por várias senhoras de pijamas.

– Que Deus nos proteja! — ele ouviu uma delas dizer enquanto corria levantando a arma para o alto.

O grito se tornou constante dessa vez, e o som lhe levou até um grupo de homens que estava em volta de alguma coisa. Ele passou empurrando e resmungando, até chegar entre os primeiros. Gritando histericamente estava uma mulher com longos cabelos castanhos e uma camisola branca. Ela apontava para o chão, onde jazia o corpo de um homem jovem que sangrava muito. Pela sua expressão pálida, olhos abertos e boca escancarada, era fácil lhe dar como morto.

– Cortaram o pescoço — falou alguém ao seu lado, Thomas Foxworth. — Nós verificamos e foi um rasgo muito violento.

Hanks percebeu que uma pequena trilha vermelha se estendia por trás da casa para perto dos limites da vila. Apertou a arma firmemente entre as mãos e a seguiu. Perguntar algo para a mulher nesse estado seria inútil. Alguns homens, inclusive Thomas, o estavam seguindo com revólveres e tochas na mão. Enquanto andavam, viu que alguma coisa passou correndo entre as árvores do seu lado direito. Pensando que fosse um lobo, apenas ignorou e continuou seguindo o rastro. Tudo o que separava a vila da floresta era um relevo de terra, com aproximadamente três metros, então as chances de alguém ficar passando de lá para cá eram praticamente nulas. Pelo menos era assim que eles pensavam.

O sangue seco de repente parou de aparecer, todavia, não existia rastros nem pegadas por ali. Continuaram andando, dessa vez sem rumo, com a esperança de encontrarem alguém ou alguma coisa. Talvez fosse sorte que ouvissem um estardalhaço a oeste dali. Diversas pessoas corriam e se empurravam em direção a entrada, como se quisessem fugir de alguma coisa.

– Vamos lá! — vociferou Hanks, apontando coma espingarda para onde aquela gente estava até pouco tempo.

O pequeno grupo de quinze homens que o seguia nem pestanejaram. Se apressaram todos para lá, correndo entre as casas que agora estavam vazias já que todo mundo se reuniu na grande entrada, com medo de algo acontecesse. Parecia que lá era o único lugar bem iluminado, porque as tochas que ficavam ao lado das trilhas estavam todas apagadas. Só as que levavam em mãos eram fontes de luz. Mais uma vez não conseguiram encontrar nada, já que tudo o que enxergavam eram as casas e suas janelas.

– Será que é um urso? — questionou um homenzinho careca de olhos saltados e sobrancelhas chamuscadas. — Aposto que deve ser bem grande já que assustou todo mundo.

Um homem gordo de cabelos avermelhados e barba cumprida gargalhou.

– É claro que não! — falou de modo pomposo. — Um urso não seria tão rápido, nós já teríamos o visto. Pra mim, foi um lobo.

Vários começaram a dar palpites e debater a razão do motim, porém, o som de três tiros para o alto da arma de Hanks os fizeram calar a boca. Depois de receberem um olhar severo, se viraram para o lado. Um dos campos de cereais balançava freneticamente. O problema é que a presença de vento era menor que zero. Se entreolharam, esperando uma atitude, mas quem realmente tomou a frente foi Thomas Foxworth. Ele, com passos cautelosos, se aproximou com o revólver na mão. O medo era tanto que nem ousou olhar para trás. A sensação de pânico aumentou muito mais quando o campo parou de balançar.

Todos prenderam a respiração, ansiosos. Hanks já mirava com a espingarda, caso algo saísse de lá a qualquer instante. No entanto, o que saiu foi a última coisa que esperava. Um gato preto passou por debaixo das pernas de Thomas e saiu correndo com as quatro patas para o meio das casas. Todos, menos Hanks e Thomas, este que suspirava de alívio, riram. As risadas só cessaram quando alguma coisa rápida demais para ser vista puxou Thomas para o meio das plantações, sem nem dar tempo dele gritar.

O velho, sendo seguido pelo grupo, correu para dentro das plantações. Viu que elas balançavam para os lados a uns dez passos à frente. Deu vários tiros enquanto corria, xingando e praguejando. Não sabe quanto tempo isso se sucedeu, mas quando saiu do outro lado só tinha metade de sua munição. Olhou em volta e percebeu que as mesmas casas de antes bloqueavam sua visão.

– Nós demos a volta? — indagou curioso o homenzinho careca.

Hanks estava pronto para manda-lo calar a boca, quando um senhor moreno de chapéu curvado apontou para o topo de uma casa.

– Ali! — gritou.

O que viram foi um vulto negro em contraste com o céu escuro. Pareceu estar distorcido, como se estivesse agachado. Segurava alguma coisa pingando, como uma cabeça decapitada. Quando notou que apontavam para ele, correu, ou melhor, pulou. Usava os tetos como se fosse plataformas de salto. Os homens o seguiram, atirando a cada instante.

– Droga, que porra é essa? Nunca vi nada correr tão rápido! — exclamou um deles, correndo para acompanhar o vulto que ainda não era visível.

– Seja o que for, quero a cabeça dele pendurada no meu quarto... — disse Hanks, ofegando.

De repente, o vulto sumiu. Pararam depressa, confusos com o que aconteceu. O homem gordo e ruivo olhou para os lados, com medo.

– Ele pulou? Não ouvi ele correndo.

– Deve ter parado, esperando que nos aproximemos... — ia argumentar um jovem loiro, quando foi interrompido por um grito.

– Hã... nós esquecemos alguém? — perguntou o homenzinho, com os olhos mais saltados que nunca.

Hanks paralisou. Olhou na direção do grito e abriu um pouco a boca, para logo tornar a fecha-la.

– Droga, Margareth!

Notas finais
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