The Crooked Man

13 Capítulo 13 - Parte técnica.


Notas iniciais
Mais um capítulo, galera :D Espero que gostem e acertem suas teorias...

Reino Unido — Inglaterra/1842

O momento agora era de atenção e não de surpresa. Quando Jacob disse ter achado a parte referente ao latim, seus olhos pareceram brilhar de ansiedade. A fraca luz proporcionada pela vela fazia com que o ar se tornasse mais misterioso. O restante dos clientes da biblioteca agora se encontravam em corredores mais afastados e não podiam ouvir a conversa. De um modo pensativo, Jacob passou a mão pela barba preta e começou a folhear algumas páginas enquanto alternava seu olhar com a anotação que lhe dei.

Tudo o que eu podia fazer no momento era observar com apreensão e apertar o livro antigo que peguei contra meu peito. Vi ele juntar as sobrancelhas, apertando os olhos. Ao meu ver, querendo ter certeza do que lia. Podia não ser o melhor momento, porém, eu estava curioso, então não hesitei antes de fazer uma pergunta.

– Descobriu o que significa?

Jacob levantou seu olhar para mim, surpreso. Talvez tenha se concentrado tanto que chegou a esquecer minha presença.

– Meu caro... isso é algum tipo de piada? — questionou com a expressão neutra.

Franzi a testa diante do que ele disse, realmente não estiva entendo nada.

– Desculpe?

– O que eu tenho aqui em mãos não é algo muito agradável de se ler — falou depois de respirar fundo e ajeitar sua postura — Muito pelo contrário, é de se espantar muitas pessoas.

– Ainda não estou entendo... — ao me olhar atentamente, percebeu que não estive mentindo e deu outro suspiro. Olhou para os lados, se certificando que não houvesse ninguém por perto e se aproximou mais de mim.

– Não é nada recomendável que isso seja dito aqui nesse lugar. — cochichou com a mão livre ao lado da boca.

– Na biblioteca? Porque eu pos...

– Não, não! — chegou mais perto, quase encostando em meu ouvido — Digo, na cidade. As pessoas têm medo, e devo admitir que eu também.

Agora eu estava começando a ficar com raiva.

– Pode, por favor, me dizer sobre o que está falando?

Ele também pareceu se irritar um pouco.

– Ora, do sangrento. O que você me deu, se ajeitados, são os versos de sua lenda. Eu não sei aonde você achou isso, ou nem quem tenha te dado, mas recomendo que fique longe desse lugar ou dessa pessoa. — Ele se afastou e deu uma breve visualizada em volta, para logo voltar a cochichar. — Mau agouro e um destino terrível pode fazer parte de sua vida se não fazer o que estou dizendo, você pode...

– Eu o vi! — o cortei e dei um passo para trás, olhando seu rosto intrigado.

– O quê?

– Eu o vi! Aquela coisa, o sangrento...

Por um instante Jacob pareceu desnorteado e com o olhar perdigo, no entanto, pude ver um sorriso aparecer por entre sua barba espessa. Ele soltou uma risada e colocou a mão no meu ombro. Esta óbvio que não tinha acreditado no que eu disse, provavelmente achando que fiquei maluco ou estava apenas tirando sarro da cara dele.

– Cavalheiro, eu n...

– Não estou brincando! — o interrompi novamente, abaixando seu braço com minha mão. — Eu vi ele! Já deve ter ouvido sobre o maluco que comprou a casa nas plantações, hã? Sou eu. Desde que cheguei naquele lugar coisas estranhas vêm acontecendo comigo. Sangue na parede, passagens secretas, invasão à noite... Eu não sei o que ele quer, mas decididamente não é me matar, pelo menos ainda não. "Já nos encontramos antes, perto das florestas. Parece ter ficado com raiva, mas não quis me machucar, continuou no mesmo lugar. Quando tentou entrar na casa, e conseguiu, foi para me tirar de lá. Sei disso porque estava revirada, ele procurava por alguma coisa. Eu e Hugo...

– Hugo? — Indagou. Agora Jacob tinha parado de sorrir e se sentou para ouvir melhor minha narrativa.

– É, meu gato.

– Venho para cá com ele?

– Não, mas que diferença isso faz?

– Nenhuma, eu só...

– Esqueça! Continuando, eu sei que em determinado momento ele vai se cansar, vai tentar me matar. Seja o que for que ele queira, minha presença parece o estar impedindo de obter. Já ficou sabendo sobre o corpo que encontraram encapuzado na estrada?

– Certamente, foi o assunto do dia, ninguém parou de comentar sobre isso!

– Pois é, até pouco tempo ele estava servindo de espantalho perto das plantações. — Vi que ele se mexeu, desconfortável. — Acho que foi um aviso, ele sabia que eu tinha ido para a cidade, queria que eu visse aquilo.

– Mas tem uma coisa que não entendo! — a curiosidade parecia irradiar em seu corpo; ao meu ver, se eu parasse agora, ele teria implorado para que eu continuasse. — Se ele sabia que você não estava em casa de dia, por que ele só te atacou à noite?

Essa me pegou. Me endireitei e comecei a olhar para as prateleiras, como se um livro fosse se abrir e bem na primeira página estivesse a resposta para aquela pergunta.

– Talvez porque... o que ele queria só fosse possível se ter de noite... olha, a questão não é essa! Preciso que você me ajude, preciso arranjar uma solução antes que a coisa dê um próximo passo!

Ele se levantou de forma lenta e tremendo, nesse meio-tempo pareceu pensar se iria ou não aceitar minha proposta. Para falar a verdade, nem eu sabia sobre o que estava falando. Não tinha provas para dar, nem testemunhas para indicar, era simplesmente o fato dele acreditar ou não.

– E o que quer que eu faça? — perguntou, dessa vez um pouco mais firme e determinado. Não pude evitar de sorrir.

O olhei bem e depois olhei para o livro na minha mão. Uma ideia estava começando a se formar na minha cabeça.

– Sabe, eu comprei umas armas, potentes o suficiente para mandar até um demônio de volta para o inferno caso tenha a mesma resistência que nós, humanos, creio eu. Mas que acha de antes cuidarmos da parte técnica? Podemos aproveitar e você ler esse tais versos para mim.

Notas finais
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