Junto com a batida da porta do quarto de Atena que ecoou nos ouvidos de Poseidon, ele também sentiu um forte soco no braço. Olhando apressadamente para o que lhe havia atingido, se deparou com Afrodite prestes a lhe acertar outro soco.


– Ei! — ele ralhou lhe segurando os pulsos — Esta ficando louca?


– E você? — ela rebateu – Ficou sem coração de ontem pra hoje ou você vendeu pra algum? — disse conseguindo soltar seus braços.


Ele revirou os olhos suspirando, e estava prestes a lhe dar as costas e subir as escadas quando a morena lhe socou o braço novamente.


– Afrodite, quer parar?


– Não. Não vou parar!

– Olha eu tive um dia bem cheio hoje então porque não me faz um favor e me deixe subir e tomar um banho ?

– Só se me prometer que vai se matar afogado. — ela disse seria – E outra, — a morena foi logo botando pra fora – só porque você teve um dia cheio acha que pode chegar em casa e descontar na pobre da Atena que estava quase arrancando os próprios cabelos de preocupação ?

– Eu não pedi que ela se preocupação.

– Mas também não pediu que ela não se preocupasse. Ela só quer o seu bem seu egoísta.

Poseidon continuou quieto e entediado enquanto a loira falava.

– Terminou? — ele perguntou com as sobrancelhas erguidas

A morena revirou os olhos ainda mais brava, mas preferiu ficar quieta. Ambos com o semblantes serio, ficaram em silencio, até que os passos de Atena descendo a escada foram ouvidos.


– Vamos Dite? — ela perguntou com a bolsa na mão terminando de descer a escada.


Ela havia trocado de roupa. Agora estava de calça e jaqueta jeans, porem continuava de cabelos soltos e com maquiagem.


– Vamos. — a morena disse se encaminhando a porta.


– Aonde vão? — Poseidon perguntou para Atena.


– Não te devo satisfações. — ela disse irônica passando por ele.


– Não seja infantil Atena. — ele rebateu com a voz baixa


– OH, eu não estou sendo. — ela disse – Apenas vou sair com a Afrodite.


– Que horas você volta ? — ela perguntou enquanto ela passava de novo por ele.


– Não te devo satisfações, lembra ? E outr.... AI ! — ela reclamou quando ele a agarrou pelo braço – Quer me soltar por favor ? — pediu com os olhos arregalados.


– Você não pode sair. Temos um contrato lembra? — ele disse sério


– Um contrato, — Dite se intrometeu – com uma clausula bem especifica, onde diz que ela não seria sua prisioneira. Lembra disso ou preciso ligar para o seu advogado? — ela disse em tom desafiador.


Vermelho de raiva e contrariado, Poseidon a soltou.


– Não sei pra que essa atitude infantil Atena. — ele rebateu bravo.


– Não vou perder meu tempo com você Poseidon. — ela disse dando de ombros e caminhando em passos largos até a porta.


Assim que Atena saiu porta à fora Afrodite deu uma risadinha debochada e também saiu fechando a porta com força.


– Amiga, o que foi aquilo ? — a morena perguntou sorrindo eufórica.


– Foi eu dando o troco no Poseidon. — ela rebateu decidida porem com a voz fraca.


– Ótimo, simplesmente adorei! – a amiga disse sorridente – E ai ? — ela disse destrancando o carro – vamos a um bar encher a cara ou um bar onde tenha homens pelados pela metade do preço?


– Será que podemos ir para a sua casa? — Atena pediu já sentada no banco do carro com a voz fraca – Estou com sono.


– Tudo bem. — Dite disse arrancando com o carro – Qualquer coisa estou aqui. — ela disse dando um beijinho na bochecha de Atena.
Assim como Afrodite previra antes, apenas mais um pequeno abalo emocional para os nervos de Atena transformarem-se em frangalhos, e o resultado da discussão que ocorrerá minutos antes, não podia ser outro. Atena começou a chorar compulsivamente.


– Ei calme. — Dite pediu com carinho – Foi só uma discussão estúpida.


– Eu o odeio tanto Dite! Eu sou uma idiota não sou? — ela perguntou entre soluços


– Não você não é. – a amiga lhe garantiu – Você só esta apaixonada.

Atena não respondeu, apenas continuou chorando...

Horas mais tarde...


Eram seis horas da manhã quando Afrodite acordou com o barulho de louça sendo quebrada. Dando um pulo da cama, a morena correu para ver se estava tudo bem.


– Atena... — Dite disse vendo a amiga com as mãos ensaboadas — ..o que você está fazendo lavando louça a essa hora?


– Desculpe se te acordei. — ela disse com um sorrisinho amarelo – Não consegui dormir nada essa noite. — ela disse fazendo uma careta.


Afrodite suspirou e logo depois deu um grande bocejo.


– Ele ligou para o seu celular? — ela quis saber curiosa.


– Não sei.


– E porque você não sabe ? — a morena perguntou juntando as sobrancelhas.


– Porque deixei o celular lá em casa. — ela disse sem perceber que se referia como se a propriedade fosse dela.


– Você é louca? — Dite disse com um gritinho histérico — E ele não ligou pra cá? — ela disse apontando para o telefone.


– Eu o tirei do gancho. — ela suspirou se sentando na mesa – E para o seu celular?


– O meu celular esta no silencioso… e eu se quer sei onde ela esta. — ela admitiu parecendo só lembrar disso agora – Já pensou se seus pais te ligaram e você não atendeu? — ela disse de repente.


Atena ficou seria. Não havia pensado nisso... Também pudera, havia saído com tanta presa. Ela se levanta mordendo o lábio inferior completamente aturdida com essa possibilidade.


– Quero só ver na desculpa que você dar arranjar para eles caso Poseidon atenda o celular. — a morena riu divertida da cara de Atena.


– Isso não é nada engraçado! — Atena ralhou — Você acha mesmo que ele fez isso?


– Talvez. — a morena disse dando de ombros.


– Droga! — ela gritou secando as mãos – Pode me levar pra casa agora?

– Sim senhora. Só me devolva o pijama.


– E o que eu faria com um pijama cheio de porquinhos — ela disse divertida sobre a estampa do pijama.

– Ora, não cuspa na prato que comeu sua idiota. — a amiga disse lhe dando um leve empurrão fazendo-a rir.


E logo depois de alguns minutos ambos saiam de casa. Atena se encontrava com a mesma roupa da noite anterior, a maquiagem não estava mais impecável, e as olheiras demonstravam que ela realmente não havia dormido a noite.


– E então? Como vai ser? — Afrodite perguntou quando estavam a menos de uma quadra da casa de Poseidon.


– Como vai ser o que ? — ela disse confusa.


– Você sabe o que eu quero dizer. — ela disse rolando os olhos.


– Eu acho que não sei não. – Atena disse com a sobrancelha erguida

– Quero saber se vai bater nele até a morte... vai ? – perguntou com esperança.


Atena riu. Mesmo após tantos anos, Afrodite sempre a surpreendia com essas perguntas sem cabimento.


– Você faria isso se estivesse no meu lugar?


– Talvez. — ela disse dando de ombros.


– Tenho pena do Hefesto em suas garras sabia ? — foi a vez da morena rir.


– Ela não pensa o mesmo que você querida, pode apostar.


Não demorou muito para que o portão da casa de Poseidon já pudesse ser avistado.


– Chegamos. — Dite disse puxando o freio de mão – Você vai ficar bem? — ela disse seria desta vez.


– Sim, não se preocupe. E obrigado pela ajuda.


– É para isso que servem as irmãs não ..? — a morena disse sorrindo cúmplice.


– Mesmo assim obrigado. – a loira respondeu lhe dando um abraço forte – Estaria perdida sem você.

– Eu sei. — ela disse esnobe.

– Vá a merda. – Atena disse entre gargalhadas descendo do carro.

Com uma buzinadinha desnecessária Afrodite arrancou. Atena respirou fundo sentindo que agora estava sozinha.


Girou a chave no portão e entrou rezando para que Poseidon já houvesse saído para o trabalho. Caminhou pelo longo jardim, que de repente tornou-se minúsculo, pois cada passo que dava em direção a porta de entrada mais sentia a garganta fechar e lhe faltar o ar.

Juntando toda a coragem que lhe restava ela abriu a porta entrando de uma só vez. Estava prestes a se encaminhar ao primeiro degrau da escada quando a voz grave e rouca de Poseidon lhe fez ficar paralisada :


– Você sabe que horas são? Posso saber onde diabos você estava que deixou o celular em casa?

Notas finais
Oi oi haha daqui a pouco eu posto o próximo!