Atena suspirou aliviada quando, sentada no sofá, tirou os sapatos de salto alto.

– Vou fazer um café. — Poseidon disse indo até a cozinha – Você quer?

– Sim. — ela disse se deitando no sofá.

Poseidon tinha razão. Leilões não eram tão divertidos assim. Ainda mais quando se tinha um marido cobiçado como o dela.

Marido.

Ora que grande confusão. Veja onde havia se enfiado. Uma coisa estava decidida. Ela não iria ficar remoendo o que Medusa havia lhe dito. Afinal, era um casamento de mentira. Seria mais que natural se caso um dos dois viesse a se envolver com outras pessoas.

– Sabe, estou curioso. — ele disse da cozinha – Como estará o encontro de Afrodite e Hefesto?

Atena sorriu fugindo um pouco dos seus pensamentos.

– Também estou curiosa. — admitiu – Se depender de Afrodite, eles terminaram este encontro na cama.

Poseidon riu, e o som pareceu tão sensual que Atena sentiu um arrepio.

– Pois então, algo me diz que a noite deles irá terminar assim, pois essa é a mesma intenção de Hefesto.


Atena não havia ouvido o que Poseidon falará, estava cansada demais para isso.

– Quanto de açúcar? — ela não respondeu – Quanto de açúcar? — ele disse novamente sem obter resposta.

Com o açucareiro na mão ele foi até a porta da sala e estalou os dedos.

– Atena?

– Ann..? — ela murmurou acordando de seus devaneios

– Quanto de açúcar? — ele perguntou pela terceira vez

– Sabe, pensando bem, eu acho melhor eu ir tomar meu banho e me deitar. Estou com sono e cansada de mais. — ela disse pegando os sapatos e indo em direção a escada – Tem algum problema?

– Não tudo bem, descanse. Já esta tarde mesmo. — ele deu de ombros enquanto ela começava a subir as escadas.

– Boa noite, até amanhã Possy. – ela falou entre um bocejo.

– Boa noite Teninha. E parabéns por hoje, você foi incrível.

Ela automaticamente estacou diante de tal elogio. Uma leve olhadela em Poseidon foi o bastante para que ela quisesse sair correndo e se jogar em seus braços, mas ao invés disso, conseguiu apenas forçar um pequeno sorriso e continuar subindo em direção ao seu quarto.

Uma vez segura entre as quatro paredes de seu banheiro dentro de sua banheira, ela pode relaxar mais aliviada. Sentindo a água quente lhe relaxar os músculos do corpo, gemeu baixinho deliciada com a sensação. Ainda confusa e com os sentimentos a flor da pele, ela bufou.

Não podia estar se apaixonando por Poseidon. Por mais bonito e excitante que ele fosse.
Aquilo era um casamento de mentirinha, e logo eles seriam um casal feliz e divorciado.

“Você tem que manter o foco. Isso é só um acordo profissional. Tudo vai acabar logo e ficará tudo bem.”

Ela repetia a si mesma. Contrariada ela sussurrou baixinho.

– É tudo um contrato. Um estúpido contrato. — ela completou fechando os olhos e tentando relaxar.

No dia seguinte...

Eram dez da manhã quando a campainha do portão tocou.

– Você sabe quem é? — Atena perguntou para Poseidon que tomava café do outro lado da sala

– Não. Ninguém ficou de vir aqui? — perguntou franzindo o cenho e indo ver quem era. Ela meneou a cabeça negativamente.

Dentro de alguns segundos ele voltou com um sorriso zombeteiro.

– É a Afrodite.

Atena deu um pulo da cadeira contente e ansiosa pelos detalhes da noite da amiga. Poseidon riu de alguma coisa, mas ela não deu bola e foi em direção a porta da frente. Com um sorriso enorme no rosto, Atena abriu a porta.

Com seus grandes óculos escuro Afrodite desceu do carro, seria. Parecia até um pouco brava. Sem cumprimentar Atena na porta ela entrou bufando.

– Oi pra você também Afrodite, fico feliz em saber que gostou de me ver. — ela disse irônica fechando a porta.

– Você pode me dizer o por que não ligou para os seus pais ontem a noite ? — a morena perguntou entre os dentes.

– Oh. — a boca de Atena caiu

– Foi culpa minha. — Poseidon disse entrando na sala e se intrometendo – Depois da noite que tivemos ontem, deixei ela sem forças até para respirar.

Afrodite arregalou os olhos chocada e tirou os óculos.

– Vocês dormiram juntos?

– Sim.

– Não!

Poseidon e Atena responderam juntos.

–Dite, não escute as idiotices de Poseidon. Ontem era a festa beneficente lembra?

Atena fala estapeando Poseidon que ria divertido pela reação da loira. Afrodite pareceu lembrar da tal festa.


– Bom, não importa, eles me ligaram extremamente preocupados e o pior, enquanto eu estava no meu encontro com você-sabe-quem.


– Eu também sei. — Poseidon garantiu sorrindo.

Afrodite lançou um olhar mortal para Atena ;

– Você contou pra ele?

– Não! — ela se defendeu – Poseidon, pare com isso. — ela mandou com a voz bastante decidida – Foi o próprio Hefesto que contou pra ele.

Um minuto de silencio se formou até Afrodite o quebrá-lo.

– Vamos para o seu quarto, ou qualquer outro lugar onde esse ai – se referindo a Poseidon – não esteja?


Atena riu quando o sorriso de Poseidon morreu dando lugar a um beicinho diante ao comentário.


– Venha Dite, estou louca para lhe mostrar o pequeno jardim que estou fazendo.

Pegando a mão da morena, Atena a levou dali e lançou um olhar para Poseidon que dizia claramente:


“Fique aqui, e não escute a nossa conversa.”

Diante a tal olhar diabólico, Poseidon apenas sorriu balançando a cabeça enquanto elas saiam pela porta que dava ao jardim dos fundos. Sua intuição lhe dizia que os próximos seis meses ao lado de Atena seriam bastante … animados.

– Pare de enrolar e me conte de uma vez! — Atena disse ansiosa, batendo o pé no chão

– Bom, depois da interrupção dos seus pais histéricos no meu celular, — a morena disse mexendo no cabelo – nos jantamos. O lugar era do tipo muito, muito caro. — ela acrescentou satisfeita – ele contou algumas piadas, e eu fingi que achei graça.

– Você fingiu? — Atena perguntou desconfiada colocando as mãos na cintura e estreitando os olhos

– Tudo bem. — ela se deu por vencida – Foram até que meio engraçadas. — ela acabou admitindo.

– E….? — Atena a incentivou a continuar

– E que o jantar terminou e ele se ofereceu para me levar em casa. — ela disse com um sorrisinho no rosto – E o resto… bem, — ela disse parecendo corar – você sabe.

– Oh-meu-Deus ! — disse sorrindo e levando a mão até a boca – Afrodite você não presta... — ela disse bem humorada

– O que não presta é eu ter passado tanto tempo sem transar com esse cara. — ela disse gargalhando da cara de Atena – É, mas como tudo que é bom dura pouco. Hoje logo cedo ele foi embora.

– Vocês podem repetir a dose. — Atena deu a idéia com um sorriso malicioso.


– Nem pensar. — ralhou Afrodite – Isso seria quase como … namoro.


– E isso não é bom? — ela disse arqueando uma sobrancelha

– Ele é um advogado. — ela bufou – Não vai rolar.

– Afrodite, quantas vezes eu vou ter que te dizer que nem todos os advogados são iguais? Não é porque um te desiludiu que você tem que crucificar todos os outros. — Atena bufou – Você parece criança.


– Ahhh, eu pareço criança? — a morena disse ofendida – E você e Poseidon parecem o que ?

– Não sei do que você esta falando. — ela disse sincera

– Ah, sim claro — a loira zombou -, agora você pode me dizer o que esta rolando entre vocês?

– Nada. — deu de ombros – Veja, plantei uma petúnia. – ela disse mudando de assunto

– Sim, muito bonita a sua petúnia. — ela disse sem nem olhar – Vocês dormiram juntos?

– O QUE? — Atena disse chocada – Não, fala serio Dite. — ela deu um pequeno risinho completamente nervoso pelo rumo da conversa.


– O que tem de mais se tivesse dormido? — a morena disse mexendo novamente nos cabelos – Vai dizer que ele não te deixa nervosa?

Atena pensou em mentir. Mas nunca fora boa nisso. Tanto que Afrodite sempre sabia quando ela não estava falando a verdade. Era inútil negar que Poseidon não a fazia suspirar.

– Um pouco. — ela admitiu – Mas não fale pra ninguém.

– Você sabe que nunca faria isso com você. — a morenadisse sorrindo sincera dando um leve empurrão no ombro da loira – Esta apaixonada?

– Não. – Atena logo tratou de dizer depressa – Definitivamente não. Talvez apenas atração sexual. — ela falou como se não fosse tão importante assim.


– E porque vocês não transam então ? – Afrodite perguntou confusa – Estão perdendo tempo. — ela disse estralando os dedos

– Dite você definitivamente não presta. — Atena disse rindo – Por acaso você sabe falar de alguma outra coisa que não seja sexo ?


– Não. — a amiga disse divertida – Até porque se eu fosse você estaria aproveitando a vida de casada.


– Você e Poseidon falam como se esse casamento fosse durar para sempre. — disse revirando os olhos


– Vocês ainda não se separaram. — Afrodite retrucou.

Atena respirou fundo para se acalmar. Agora sim Afrodite havia falado como Poseidon, “vocês ainda não se separaram”. Ainda… O celular, com o toque escandaloso, de Afrodite tocou e ela o atendeu com certa pressa e animação.

– Alô? — ela franziu a testa – Ah, é você. — disse não muito contente.

Atena riu sabendo que a amiga esperava que fosse Hefesto.

– Como assim não foram encontradas no estoque? — a morena disse gritando – Vocês não estão procurando por uma misera bolsa, estão procurando pelas caríssimas bolsas da Gucci, você tem que achar. — após mais algumas palavras ela desligou gritando – Mas que merda.

– Problemas no serviço?

– Aquela gente não vive sem mim. — ela disse se levantando – Tenho que ir.

– Porque? Hoje é sábado e você acabou de chegar.

– Eu sei, eu sei. Prometo que venho lhe ver assim que puder. — Afrodite disse lhe dando um abraço forte.

– Tudo bem. — Atena disse contrariada enquanto a amiga ia embora.

Extremamente entediada e sem nada mais para fazer, Atena voltou a cuidar do seu pequeno jardim, no qual as flores recém plantadas ainda necessitavam de muito cuidado.


– Porque Afrodite foi embora ? — ele perguntou atrás dela.

Um arrepio de medo e apreensão lhe passou por todo o corpo. Ele estava ouvindo a conversa?

– A quanto tempo você esta ai? — Atena quis saber se levantado depressa

– Cheguei agora porque? — ele perguntou franzindo o cenho e parecendo sincero.

Estava falando a verdade, ela deduziu após lhe estudar um pouco a expressão.

– Por nada. — ela deu de ombros tentando apaziguar as batidas do seu coração – Ela se foi porque teve um imprevisto no trabalho.

– Hun… — ele disse meio que desinteressado – Ela falou sobre Hefesto?

– Sim, mas eu não vou te contar.

– Eu sou o seu marido, não devemos ter segredos. — ele disse divertido e ela riu

– Sem chance. — ela disse voltando a mexer nas flores.

– Tudo bem, depois Hefesto me conta.

Um minuto de silencio os envolveu enquanto Atena mexia na terra, e ele a observava.

– Seu jardim esta ficando bonito. — ele elogiou

– Não puxe o meu saco, as flores ainda nem nasceram. – ela disse sem olhá-lo e ele riu

– Chegou uma caixa para você.

– Para mim? — ela perguntou confusa levantando o olhar ate ele.

– Sim. Tem uma embalagem bem bonita. Corro o risco de minha mulher ter um admirador secreto? — ela riu com vontade.

– Só se é tão secreto que nem eu mesma conheço. O que tem na caixa?

– Não sei. — ele sorriu – Não sou tão curioso.

– Pois eu sou. — ela disse sorrindo enquanto levantava e esfregava as mãos sujas no jeans.

Poseidon riu. Ela parecia uma garotinha de dez anos aguardando por um presente.
Ele a seguiu enquanto ela entrava eufórica pela cozinha e lavava as mãos.

– Onde esta?

Os grandes olhos brilhantes tinham um brilho diferente. Um brilho tão “Atena” que Poseidon sentiu algo aquecendo seu peito, o que o fez chegar a uma conclusão, adorava aquilo.

– Na sala. — ele disse sorrindo bobo.


Apressada e em passos rápidos, ela caminhou até a mesinha de centro onde a caixa decorada em um papel vermelho e branco se encontrava.


– O que será que é? — ela perguntou sorrindo.


Ao pegar a caixa, ela primeiro sacudiu, depois cheirou e por ultimo começou a desenrolar o laço. Aguardando ansioso pela reação dela, Poseidon nem piscava.

Será que ela gostaria do vestido ?

Ele esperava que sim, porque com toda a sinceridade do mundo, ele estava louco para vê-la vestindo-o. Quando o laço finalmente foi ao chão, Atena abriu o embrulho e arregalou os olhos, piscando logo depois.

– Oh. — ela disse surpresa

– Você gostou? — Ele quis saber com receio

Sem responder a pergunta dela, ela pegou o vestido da caixa e o levantou no ar para poder vê-lo melhor.
O vestido branco mais lindo que já vira na vida, ela concluiu.

– Oh, é lindo. — ela disse maravilhada.

Poseidon sorriu satisfeito. Era exatamente aquele brilho, que estava nos olhos dela agora, que ele queria...

– Foi você não foi? — ela perguntou de repente

– Fui eu o que? — ele perguntou inocente

– Foi você que comprou pra mim, não foi? — ela disse sorrindo

Para ele, foi impossível não sorrir também.

– Sim, fui eu. — ele admitiu vendo os olhos dela se encherem de carinho.

Não havia motivo para mentir, ele havia comprado e não se arrependia nem um pouco da fortuna que pagará.

– Quando você o comprou que eu nem desconfiei? — ela perguntou curiosa

– Comprei-o no leilão enquanto você ia ao banheiro. — ele disse ainda com o mesmo sorriso bobo no rosto.


Ela analisou novamente o vestido, alisando o tecido macio delicioso. Com um súbito peso na consciência, ela largou o vestido na caixa novamente.

– Oh Poseidon. — ela disse com certo tom de repreensão


– O que foi ? Não gostou ? — ele perguntou serio de repente franzindo o cenho.


– É lindo. — ela disse com a voz doce de sempre.


– Então… ? — ele fez menção para que ela continuasse

– Eu não posso aceitar. — ela disse balançando a cabeça negativamente – Definitivamente não posso.


– Porque? – Ele deu dois passos ficando mais perto dela – Achei que tivesse gostado.

– E eu gostei. — ela disse depressa não o olhando nos olhos – Mas você deve ter pago uma fortuna por ele, como em todas as coisas que tinha naquele leilão.


– Não ligue. Comprei porque quis e quero que fique com ele. — ele disse lhe segurando o queixo e forçando a encará-lo.


Bastou um olhar para Poseidon que ela logo esqueceu sobre o que estava falando, e quase se jogar em cima do corpo másculo coberto apenas por uma calça de algodão e uma camiseta branca de poliéster. Respirando fundo e tentado com dificuldade lembrar-se do que estavam falando, ela disse decidida.

– Realmente não posso aceitar. Você já gastou de mais comigo. Não me sinto bem sabendo que você esta gastando tanto dinheiro assim comigo. — ela reclamou

– Dinheiro não é problema. — um sorriso brincalhão se formou nos lábios sensuais – E outra, minha mulher merece ser paparicada.

– Poseidon, isso não é um casamento de verdade, é a imitação superficial de um. — ela o lembrou


– Eu sei. — ele garantiu – Mas isso não muda o prazer que sinto te vendo tão feliz, e com esses olhos grandes e brilhantes cheio de carinho como estão agora. — ele disse com um sorriso torto a fazendo corar.


– Pare de me deixar envergonhada. — ela ralhou lhe dando um tapa no braço

– Pois não fique. — ele pediu – O vestido é seu. E já esta pago desde o momento em que você sorriu ao vê-lo.


Pegando-a de surpresa ele deu um rápido beijinho em testa em sinal de carinho e saiu, deixando-a completamente muda e quase tendo um ataque cardíaco de tão rápido que seu coração batia.

Agradeceu por ninguém além de si mesma poder ouvir as batidas frenéticas de seu coração.
Ela instintivamente suspirou levando a mão ao peito. Olhou na direção da escada para ter certeza de que Poseidon não a estava observando e esfregou os olhos se sentando no sofá.

O que diabos aquele homem estava fazendo em sua cabeça que ela já não conseguia nem raciocinar direto perto dele? Porem tinha que admitir que o vestido era lindo. E deveria ter sido caro…

Ela sacudiu os cabelos com os dedos enquanto pensava, em qual tipo de homem pagava um milhão por casamento de “mentirinha”, e ainda ficava comprando vestidos caros para a “esposa”.

Ou era um homem louco, ou um homem tão rico que não sabia o que fazer com o dinheiro.
Ou talvez os dois…. ela acabou admitindo.

– Ai Poseidon, eu te odeio. — ela sussurrou rindo.

Notas finais
Anw, amor de jovens. Tão meigo. Viu só Possy é tão meigo né?