The Climb: O Passado de Meg Malfoy
12 Who You Are
Notas iniciais
Eu fico olhando para o meu reflexo no espelho
Por que estou fazendo isso comigo mesma?
Perdendo minha cabeça em um pequeno erro
Eu estava perto de deixar meu verdadeiro eu na prateleira
Não, não, não, não
~Pov Meg
Acordei e pela primeira vez percebi que não havia tido pesadelos. Abri os olhos e vi Draco sentado no sofá me olhando atentamente, e quando percebeu que eu acordei, ele se levantou e veio até mim.
–Como se sente?
–Bem. –Respondi, falando a verdade pela primeira vez.
–Liam brigou com você por não escrever?
–Não, Liam me ajudou bastante.
–Meg eu... –Ele suspirou triste. -Sinto muito, mas nada faz sua mãe mudar de ideia.
–Ela me odeia?
–Não, ela é sua mãe, não te odiaria por nada. Ela só está triste e assustada.
Ouvi mais uma batida na porta e lá estava quem eu menos esperava ver, Luke. Olhei para Draco em busca de ajuda, mas ele parecia cego de raiva.
–Como ousa aparecer aqui?! –Draco gritou. –Vá embora seu imbecil!
–Olha Malfoy, eu não vim aqui pra brigar, só quero conversar com a Meg.
–Eu não quero conversar com você Luke. –Falei, segurando o braço de Draco. Se eu o deixasse, ele com certeza mataria o idiota.
–Eu entendo Meg, mas eu só queria dizer que eu sinto muito por...
–ELA JÁ DISSE QUE NÃO QUER FALAR COM VOCÊ! VAI EMBORA DAQUI!
–Draco, fica calmo, por favor. –Pedi.
–Só me escuta okay? Liz quer pedir desculpas a você, assim como eu também quero. Eu errei com você...
–Ela quer me pedir desculpas? –Gargalhei com escárnio. –Ela não precisa me pedir desculpas, assim como você também não precisa. Fale a verdade Luke, diga que só vieram aqui porque estão se sentindo culpados! -Ele desviou o olhar. –Eu sabia! Vá embora daqui e leve a Liz junto!
–Se você quiser, Liz e eu terminamos e nós podemos...
–COMO OUSA ME OFERECER UMA COISA DESSAS?! ACHA QUE EU SÓ FIZ ISSO POR SUA CAUSA?! VOCÊ NÃO É O CENTRO DO MUNDO! –Falei soltando Draco.
–Eu não vou falar de novo, é bom você ir embora daqui. –Draco murmurou, respirando fundo e se controlando para não bater nele. –Se você não sair daqui agora... Se você se aproximar dela mais uma vez, eu...
–Vai fazer o quê Malfoy?! Assim como nós, você também está se sentindo culpado! Você não vai fazer nada comigo, eu sei que não vai. Você é um merdinha babaca que finge que se importa!
A única coisa que vi foi Draco indo pra cima dele e as gotas de sangue que caiam a cada soco que Luke levava.
–SE EU ESTIVESSE FINGINDO EU NÃO ESTARIA CUIDANDO DELA AGORA SEU FILHO DA PUTA DESGRAÇADO!
Draco gritava enquanto batia nele ainda mais. Luke tentava se defender, sem sucesso. Me levantei rapidamente, tentando tirar Draco de cima dele, mas não consegui. Eu ainda estava com as pernas bambas por causa das poções que eu havia tomado, e deveria ficar de repouso absoluto. Estava sem forças, e por ter me levantado tão rápido comecei a ficar tonta.
–Draco para! –Eu gritei puxando-o, mas ele não me ouviu. –Draco...
A ultima coisa que eu vi antes de desmaiar foi Draco se aproximando de mim, com olhar preocupado, chamando meu nome.
*-*
Abri os olhos lentamente, acostumando-me com a claridade e levei minha mão à cabeça por conta da enorme dor.
Sentada em minha cama, eu encontrei minha mãe. Ela chorava, mas assim que percebeu que eu acordei, secou as lágrimas imediatamente.
–Onde está o Draco? –Murmurei.
–Pedi que esperasse do lado de fora. Vai ser melhor, assim evitamos novas brigas.
–O quê? Como Luke está?
–Seu primo bateu muito nele. –Ela disse fria. –Saiu daqui com o rosto muito machucado. Liz também já foi. Os dois estavam brigando. Quem sabe ele queira voltar pra você.
–Não, eu não quero. –Falei e ela me olhou espantada. –Vai mesmo me internar?
–Sei que não quer e que acha que não precisa Meg, mas um dia vai entender.
–Entender? Mamãe você está me internando como louca!
–Não estou te internando como louca Meg, mas o que você fez... Eu esperava mais de você. Só quero saber o que há de errado com você!
–Quer saber o que há de errado comigo?! Tem certeza que quer saber?! –Ela balançou a cabeça assentindo e vendo-me chorar. – Eu costumava ser boa na escola, mas eu não sou mais! Eu sinto que tudo o que eu faço dá errado! Eu estou constantemente me sentindo sozinha! Estou começando a me olhar diferente!
“Nada é mais a mesma coisa! Eu sei que vou falhar em tudo o que eu fizer! Eu não tenho vontade de sair do meu quarto! Eu quero chorar e não posso! Eu sinto que ninguém se preocupa comigo! E todos os dias, TODOS, SEM EXCEÇÃO eu vou dormir na esperança de não acordar nunca mais!”
Ela arregalou os olhos, não estava esperando por tudo aquilo. Minha mãe estava assustada com tudo o que tinha acontecido, triste, e estava se arrependendo por ter uma filha tão problemática. Eu a entendo, em seu lugar eu também me assustaria desse jeito.
–Meg...
–Vai me internar mesmo sabendo de tudo isso?
–Querida, entenda, é para o seu bem! E você não será internada em uma clínica bruxa qualquer. Lá você terá aulas e consultas, vai ser bom pra você, mesmo que pense que não.
–Vou poder escrever para o Liam?
–Filha...
–Sem Liam eu não vou conseguir mamãe! Diga que ele poderá me escrever sempre! Diga e eu vou sem reclamar! –Ela bufou.
–Okay, o Thompson pode te escrever, mas não o acho uma boa influência. Já viu a família daquele garoto? Não gosto dessa aproximação de vocês.
–Não fale mal do Liam na minha frente, você não sabe o que ele passou.
–Tudo bem Meg Diana! Quer andar com esses garotos problemáticos, ande, mas não diga que não te avisei quando ele te magoar.
–Ele não é um garoto problemático!
– Chega! –Cruzei meus braços e percebi que minha mãe olhava cada uma das minhas cicatrizes, o que me fez escondê-las no cobertor. –Tirou os curativos?
–Liam os tirou.
–Com a autorização de quem?
–Com a minha.
Ela torceu o nariz, resmungando baixinho para que eu não a ouvisse e continuou até que alguém abriu a porta.
–Trouxemos o jantar pra você Meg. Deve estar com fome. –Disse o enfermeiro.
–Não quero. –Respondi baixo. Ultimamente desde que comecei com a Mia, tenho nojo de comer. Tenho medo.
[N/a: Não sei se vocês sabem, mas as pessoas que têm bulimia a chamam de Mia e a anorexia de Ana]
–Você vai comer Meg. –Minha mãe disse com raiva. –Pode deixar aqui, muito obrigada. — O enfermeiro balançou a cabeça e deixou a comida perto de mim.
–Eu não quero. Estou sem fome.
–Meg, você dormiu por cinco dias e ainda não comeu nada. – Abaixei minha cabeça. –Por que não quer?
–Por que se eu comer eu terei que colocar pra fora depois. –Falei baixo o suficiente pra ela ouvir.
–Filha, você está se matando desse jeito! Isso vai te matar!
–ESTÁ ME MATANDO, MAS EU NÃO CONSIGO PARAR! EU NÃO SUPORTO MAIS A DROGA DA MINHA VIDA!
–POR QUE ESTÁ DIZENDO ISSO?! POR ACASO ESTÁ SE OUVINDO?!
–VOCÊ ME DISSE QUE QUERIA A VERDADE! É ASSIM QUE EU ME SINTO!!
Ela me olhou com ódio e eu me encolhi um pouco. Teríamos continuado assim por muito mais tempo, se não tivessem batido na porta.
–Desculpa interromper tia, mas...
–Tudo bem Draco, fique aqui com a sua prima! –Minha mãe me deixou sozinha com ele no quarto. O olhar de decepção nos olhos dela fez com que eu desejasse mais que nunca ter morrido há cinco dias, mas eu tenho que ser forte. Não posso chorar.
–Eu queria me desculpar por te deixar nervosa e... Olha a culpa não foi minha, eu só não queria que ele ficasse perto de você pra te machucar de novo... Você não acreditou no que ele disse sobre eu estar me sentindo culpado não é?
–Não, não acreditei.
–Por que sua mãe saiu daqui tão brava? –Ele disse se aproximando de mim e pegando minha mão.
–Ela me pediu a verdade, mas não aguentou quando eu disse.
–Não vai comer?
–Não quero, estou bem.
–Meg... –Ele pediu. –Só um pouquinho? Por mim?
–Um pouquinho? –Ele balançou levemente a cabeça e eu então peguei, comendo aos poucos.
Não perca quem você é no borrão das estrelas
Ver é enganar, sonhar é acreditar
Tudo bem não estar tudo bem
Às vezes é difícil
Seguir seu coração
Mas lágrimas não significam que você está se perdendo
Todo mundo se machuca
Basta ser verdadeiro com quem você é
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