The Class President
1 Capítulo 1.1 - O Primeiro Dia de Aula
Notas iniciais
|CAPÍTULO 1.1 | O PRIMEIRO DIA DE AULA|
A fraca luz do televisor batia contra as paredes do pequeno cômodo, lutando para iluminá-lo. Mais ao centro um sofá grande e confortável dava espaço para Hideki que se deitava calmamente sobre ele, jogando um de seus jogos de luta favoritos.
Televisor: FATALITY!
Logo que o combo foi anunciado pelo narrador do jogo, uma brutal e cruel morte se sucedeu para o personagem inimigo.
Hideki riu.
Com sua mão esquerda colocou a mecha de sua franja para trás da orelha. O cabelo grande às vezes era bastante incomodo para ele, mas estilo é algo que não se discute.
BUM! BUM! BUM!— três fortes pancadas foram desferidas contra a porta de entrada.
Voz do lado de fora: HIDEKI! ABRA ESSA PORTA, OTAKU DE MERDA!
“Ofensivo...” – Hideki pensou.
Pausou o jogo e levantou-se, indo em direção à porta. No caminho pôde sentir o quão confortável eram suas pantufas de coelho.
“Ótima aquisição.” – ele teve que admitir.
Virou a chave na porta, destrancando-a. Abriu ela em seguida, para ser recebido pela cara extremamente irritada de Roger.
Roger: Esqueceu que dia é hoje?! – os olhos do rapaz estavam em chamas. Não literalmente, mas era a sensação que passava para Hideki.
Hideki: Dia?...
Roger pôs a mão sobre o rosto, desacreditado.
Roger: As aulas começam hoje! Vai se arrumar!
Hideki: Eu tenho mesmo que ir?...
Roger empurrou Hideki para dentro do apartamento, puxando-o em direção ao quarto.
Roger: Você já reprovou duas vezes! Acho que já é o suficiente, não é?
Hideki: Eu não faço por querer!
Roger: Não, claro... Você reprova por que as fadas mágicas do mundo cor de rosa não querem que você passe de ano. – o ar sarcástico e ofensivo na voz de Roger era perceptível a quilômetros.
Roger: É óbvio que é por que você quer!
Hideki: Desculpa! – disse correndo em direção ao quarto, infantilmente.
Roger: Vai se arrumar!
Hideki: Sim, papai. – brincou.
Roger: Idiota.
| Pouco tempo depois... |
Hideki e Roger seguiam juntos pela calçada, em direção à escola.
Quem via ao longe podia ver os completos opostos:
— De um lado um garoto estudioso, bem vestido, com um cabelo impecável e um grande ar de liderança e confiança.
— Do outro, um completo preguiçoso. As roupas mal colocadas, o cabelo na altura dos ombros completamente embaraçado. O tipo de pessoa que acaba em um emprego péssimo, por falta de vontade.
Roger: Se esforce mais, cara. Esse ano eu não vou estar junto pra tentar te ajudar.
Hideki coçou a parte de trás do pescoço.
Hideki: Eu sei...
Roger: Ano que vem eu termino o ensino médio e você ainda vai ficar no mínimo mais dois anos estudando... Que idiota.
Hideki empurrou o ombro de Roger, ofendido.
Hideki: Não precisa jogar na minha cara que eu sou uma pessoa sem futuro!
Roger: Você é uma pessoa sem futuro. – afirmou calmamente.
Hideki: Eu falei pra não jogar na minha cara! – reclamou.
Roger riu.
Andaram um pouco mais, trocando conversas desnecessárias sobre assuntos mais desnecessários ainda, chegando pouco depois até a escola, onde os alunos já se encaminhavam para o quadro de distribuição de turmas, para confirmar suas salas.
Roger: Vamos nos separar aqui, por enquanto. – colocou a mão sobre o ombro do amigo.
Roger: Procure o seu nome e vá imediatamente para sua sala, não quero saber de você matando aula no primeiro dia, entendeu?
Hideki: Sim, papai... Entendi.
Roger riu, dando um tapa contra a nuca de Hideki.
Roger: Anda logo.
Dirigindo-se até o quadro, Hideki viu seu nome.
[Frederico Hideki D’cruz | Primeiro Ano | Sala: 1-B]
Hideki: Colocaram meu nome completo... Que vergonha. – sussurrou.
Hideki: Se bem que é óbvio que eles colocariam o nome inteiro.
Já avia estudado todo o ensino fundamental ali, e agora era o terceiro ano tentando o primeiro ano do ensino médio, então conhecia melhor que ninguém a escola.
Rapidamente foi até a sua sala. Olhou no folheto preso ao quadro de notícias onde era o seu lugar e logo se sentou, esperando que o professor ou professora chegasse.
Professora: Por favor, sentem-se. – ela advertiu os alunos que formavam grupinhos, conversando alto por todos os lados da sala.
Professora: Hoje mais um ano letivo se inicia e mais uma jornada começa. Para muitos de vocês a jornada do começo do ensino médio. – ela olhou penetrantemente para Hideki.
Professora: Para outros, como nosso velho conhecido Frederico Hideki, a jornada pra tentar sair do primeiro ano. Pela terceira vez.
Hideki sorriu, erguendo a mão e acenando.
Hideki: Bom dia para a senhorita também.
Professora: Bom dia. – deixou escapar um leve sorriso.
Logo a mulher que tinha por volta de trinta anos foi até o quadro, escrevendo seu nome, como uma forma de apresentação.
Professora: Meu nome é Elizabeth e serei sua professora de Ciências.
Aluno ao fundo: Ciências? Eu sou péssimo nisso. – reclamou, colocando as mãos sobre o rosto.
Professora Elizabeth: É exatamente para isso que estou aqui. Para ajudar vocês a melhorarem nessa matéria. A compreenderem ela.
Professora Elizabeth: Bem, é um costume nosso decidir os representantes da turma logo no primeiro dia, já que todos os alunos se conhecem. Afinal, estudaram juntos nos últimos anos, não é? – ela questionou.
Sim! – disseram todos.
Professora Elizabeth: A não ser que vocês sejam o Frederico. Nesse caso é um pouco mais complicado.
Alguns dos alunos começaram a rir.
Hideki: Primeiramente, eu adoraria que a senhorita me chamasse de Hideki.
“Afinal eu já lhe falei isso inúmeras vezes nos últimos dois anos...” – ele pensou.
Hideki: E depois, pare de pegar no meu pé, afinal ano passado eu reprovei por sua causa! – ele acusou-a.
Professora Elizabeth: Minha causa? – ela sorriu.
Hideki: Sim! Você não me deu os pontos que faltavam.
Professora Elizabeth: Pelo que vi no seu boletim, você só passou em uma matéria. Os outros professores também não te deram os pontos que faltavam? – ela perguntou, provocando-o.
Hideki: Sim...
Todos os alunos voltaram a rir, sendo interrompidos pela professora.
Professora Elizabeth: Espero que leve as coisas a sério esse ano.
Hideki: Tentarei ao máximo.
A professora limpou a garganta com um gole d’água e voltou a falar.
Professora Elizabeth: Voltando ao assunto principal, alguém se habilita a exercer o cargo de ?
Uma garota mais atrás se levantou. Com a mão direita arrumou os óculos.
Garota: Eu me habilito a exercer o cargo, Professora Elizabeth. – disse educadamente.
Passando os olhos sobre a folha de chamada a professora confirmou o nome da aluna.
Professora Elizabeth: Alguém tem algo contra a Sarah assumir esse cargo?
Não! – responderam todos.
Professora Elizabeth: Certo. Sarah será nossa . Agora precisamos de um ... Algum dos garotos se habilita?
O silêncio logo tomou conta da sala. Parecia não haver mais alunos ali.
A professora chegou a pedir para que os outros dias continuassem assim.
Professora Elizabeth: Então eu mesma terei de escolher... – ela riu. – Hideki.
Com um sorriso sem graça Hideki balançou a cabeça em desaprovação.
Hideki: Eu sabia...
Professora Elizabeth: Pronto, agora está tudo definido. Vamos começar a aula, então. – ela pegou o apagador e após limpar o seu nome do quadro, escreveu o assunto da aula do dia.
Professora Elizabeth: Abram o livro na página 33. Não se esqueçam de anotar tudo que parecer importante.
Sim, professora! – todos afirmaram em uníssono.
| CONTINUA... |
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