Notas iniciais
Hello! Nem é natal, mas eu tô aqui! Isso é algo que escrevi para o dia dos pais, eu espero muito que vocês gostem ♥ eu quero dar esse capítulo de presente para a Lelly Everllark Uchiha que deixou um comentário muito lindo nessa fic, obrigada pelo carinho!

My wish for you is that this life becomes all that you want it,

To your dreams stay big and your worries stay small,

You never need to carry more than you can hold.

And while you're out there getting where you're getting to,

I hope you know somebody loves you

And wants the same things too,

Yeah, this is my wish

(My Wish — Rascal Flatts)

❆❆❆

Oliver Queen

Senti um toque suave e conhecido de dedos escorregando do meu ombro para o meu braço, seguindo o contorno dos músculos, passando delicadamente pelo antebraço até encontrar a minha mão, onde o toque repousou por um momento, dedos se entrelaçaram nos meus. Era confortável ter os dedos conhecidos brincando com os meus, passando seu calor como uma carga elétrica por todo o meu corpo. Continuei com meus olhos fechados enquanto minha mente se habituava a transição de um sonho onde eu tinha essas mesmas mãos em meu corpo, para realidade que quase não se diferenciava dele.

Apenas quando o toque cessou que eu abri meus olhos, pronto para reclamar e reivindicar um pouco mais e me deparei com o par de olhos azuis impressionantes que imitavam com perfeição o azul do céu, me encarando. Eu sorri, como normalmente sorria quando encarava esses olhos e ela sorriu de volta para mim, novamente a mão dela se entrelaçando na minha, como se intimamente soubesse que a ausência do seu toque tinha sido o que me fizera despertar. Olhei novamente para seus olhos, gostando da sensação de ficar apenas assim com ela, de apenas sentir aquela estranha paz que brotava em meu peito sempre que meus olhos me perdiam nos dela. Eles tinham o dom de fazer sentir o homem mais feliz e completo do universo.

E eu era.

Eu tinha tudo o que eu desejava.

Uma mulher linda que eu amava e com quem dividia a minha vida, um bebê rechonchudo com bochechas rosadas e olhos azuis da cor do céu que iluminava nossos dias. Angie. O pequeno anjinho que uniu nossas vidas.

Eu tinha quase tudo.

Me lembrei, girando a mão dela com a minha fazendo o anel de noivado refletir a luz do sol que entrava quase que totalmente pelas janelas amplas do quarto. Logo. Era sempre essa resposta combinada com um sorriso brilhante que Felicity me dava quando eu a questionava sobre quando nos casaríamos. Eu a havia pedido no natal passado, logo após Felicity dar a luz ao nosso pequeno anjinho Angelina Smoak Queen. Eu perguntaria outra vez essa manhã, afinal ela me enrolava há onze meses, mas antes que eu pudesse fazê-lo eu a observei melhor. Meu sorriso esmaeceu um pouco ao notar o batom rosado nos lábios cheios dela, desci o olhar encarando seu corpo vestido com um vestido azul bonito que eu sabia que ela classificava como de trabalho, mas que tudo o que eu pensava era que a cor ressaltava os olhos dela deixando-os maiores e mais azuis.

Ela era linda.

Ela era minha.

Mas hoje eu sabia que meu tempo com ela seria limitado.

— Bom dia. — ela disse, mordendo o lábio inferior ciente da minha avaliação nada discreta.

— Você tem que trabalhar. — reclamei, meu semblante caindo em desapontamento e eu suspirei como uma criança que descobre que não vai ganhar o que pediu no natal.

— Ray está doente, preciso ficar na empresa o dia inteiro, vou ficar presa em várias reuniões. — Ela disse, voltando a brincar com minha mão na dela tentando me animar um pouco. Mas dava para ver que Felicity estava chateada com aquilo, desde a gravidez nós dois havíamos nos coordenado melhor, trabalhando mais em casa ou em meio período para que pudéssemos passar mais tempo junto com a nossa filha. Não queríamos perder nenhum momento desse milagre. — Eu já liguei para a babá nova.

— Nós temos uma babá nova? O que aconteceu com a Raisa? — questionei confuso, a russa já de idade era quem sempre cuidava de Angie quando não podíamos, eu havia me acostumado com ela e Angie a adorava. A ideia de que outra pessoa ficasse com minha filha não me agradava.

— Eu posso ficar com Angie. — me adiantei já pensando em como organizar a minha agenda daquele dia para tonar aquilo possível.

— Você tem uma reunião importante e não pode faltar, eu liguei para Diggle. — Felicity estragou meus planos. — Ele disse também, que você tem projetos e que está em cima do prazo para entregá-los, então é melhor ir para empresa.

— Diggle é um dedo duro. — resmunguei, mas ciente que meu sócio tinha razão eu não poderia tirar aquele dia de folga. — Então, eu terei pouco tempo com você pela manhã? — mudei de assunto uma ideia passando pela minha mente quando Felicity assentiu — É melhor eu aproveitar. — falei já girando o meu corpo sobre o dela, prendendo-a embaixo de mim. — Talvez eu a faça se atrasar, amor.

— Oliver! Não podemos! — ela repreendeu rindo e sem muito esforço para me impedir uma vez que aceitou com facilidade a minha boca na dela. Beijar Felicity, ainda era como costumava ser, eu sentia mais do que o gosto doce dela explodindo na minha boca, mais do que seus lábios macios se movimentando juntamente com os meus num beijo delicioso. Quando eu a beijava, eu sentia algo dentro de mim se agitar em puro contentamento, eu sentia meu coração palpitar tão rápido e forte e ao mesmo tempo cada parte do meu corpo relaxava, como se estivesse em casa. Mas é assim que deve ser quando se ama alguém, quando se encontra a sua outra metade.

— Eu acho que te amo ainda mais hoje. — brinquei, meu nariz roçando o dela fazendo-a sorrir. — Acha que é possível? Um amor tão grande assim ficar cada vez maior?

— E eu acho, porque me sinto da mesma forma. — foi a resposta simples dela acompanhada de um sorriso belo. Eu sabia que havia algo mais no amor que sentíamos um pelo outro. Como poderia não haver considerando a forma como fomos unidos um ao outro?

Eu ia beijá-la mais uma vez, apenas porque meu coração implorava por sentir novamente aqueles lábios rosados que me hipnotizavam, mas o som das risadas gostosas de um bebê nos interrompeu. Nossos olhares se encontraram e nossas bocas que estavam tão próximas por causa do quase beijo sussurraram a mesma palavra.

— Angie. — Sorrimos mais uma vez um para o outro. Cobri a boca de Felicity com um último beijo singelo e rápido, mas com todo o amor que pude colocar nele, e então meu corpo deixou o dela para que nos levantássemos da cama, ambos apressados para seguir aquele som gostoso de risadas.

Assim que entramos no quarto me senti ser preenchido pelo ambiente claro e suave que instantaneamente me acalmava, em tons de branco, bege e um rosa claro convidativo, Felicity fizera questão de decorar o cômodo com todo o carinho e dava para ver nos detalhes, como tudo tinha sido feito com amor para a nossa Angie. Desde o papel de parede com pequenos flocos de neves que pareciam cair pela parede, os ursinhos fofos espalhados pelo quarto e sobre a cômoda. Havia também uma estante pequena com livros com todas as historinhas que estávamos ansiosos para contar enquanto ela crescia. A parte favorita de Felicity era uma estante que tinha apenas dois globos de neves, o primeiro deles era o que Felicity dera a Angie no natal em que a conheceu, o segundo que nós dois compramos no dia que a nossa pequena nasceu. Nós prometemos comprar um novo a cada natal, já que essa era uma data tão especial para nós três. Já a minha parte favorita do quarto era a pequena poltrona reclinada que usávamos para ninar Angie, amamenta-la ou acalmá-la quando ela chorava.

Mas Angie raramente chorava.

Porém ela ria muito, o que fazia de mim um pai muito mais tranquilo e feliz, que usava a poltrona apenas para balançar com Angie enquanto brincava com ela.

Onze meses passaram-se tão rápido, de um tão bebê pequeno que eu tinha até mesmo medo de segurar em meus braços de tão delicada que era, eu a vi crescer rapidamente, ficar mais forte e esperta, a falar algumas poucas palavras, engatinhar e a ficar de pé, mas desde que tivesse algo para se apoiar. Ela ainda não tinha dado os seus primeiros passinhos, mas eu sabia que estaria presente e era lindo poder fazer parte disso.

Felicity e eu estávamos apoiados no bercinho dela, observando-a dormir e continuar a soltar pequenos risos enquanto dormia. Angie era um bebê feliz. Nós nos esforçávamos todos os dias para garantir que ela continuaria assim, era o mínimo que podíamos fazer depois de todo amor e felicidade que ela trouxe para nós dois. Ela nos deu o presente do amor, nos colocou um no caminho do outro e como se isso já não fosse muito, agora nosso anjinho nos dera a honra de ser seus pais.

— Dizem que bebês quando riem durante o sono, é porque estão conversando com algum anjo. — Felicity comentou, ainda observando maravilhada Angie, o sorriso no rosto da nossa menina que deixava mais proeminente as covinhas dela, ou como os poucos dentinhos dela apareciam quando ela sorria.

— Eu aposto que é isso. — concordei e me aproximei dela, colocando uma das minhas mãos ao redor da sua cintura e puxando-a para mim, seu corpo se acomodando ao meu confortavelmente ao meu enquanto eu deixava meus lábios repousarem um beijo suave em seus cabelos.

— Você acha que ela se lembra de nós? Eu quero dizer de antes quando ela era...? — Felicity não terminou a frase, mas não precisava, eu a entendi. Angie entrou em nossa vida como um anjo nos mostrando o caminho do amor, e antes mesmo de saber o que o futuro nos reservava nós já a havíamos escolhido como nossa filha.

— Eu não sei, mas tenho certeza de que ela se sente amada por nós, é isso o que importa, certo? Ela veio por nós e agora ela é nossa, vamos nos concentrar nisso. — falei brincando com o pequeno móbile sobre o berço, os anjinhos ali girando e uma música suave começou a tocar. Felicity se aconchegou um pouco mais em mim me abraçando e sorrimos enquanto juntos observávamos nossa pequena suspirar enquanto se remexia no berço tentando se livrar da manta.

Preguiçosamente seus olhinhos se abriram e ela abriu a boca num bocejo gostoso, enquanto se espreguiçava e assim que viu a nós dois ali, ela ficou mais alerta e sorridente.

— Mama! — Pediu erguendo os bracinhos dizendo com gestos o que queria, e Felicity mais que depressa pegou Angie que se aninhou feliz no colo da mãe.

— Não fique se sentindo. — eu disse — Ela apenas te escolheu porque você está brilhando. — eu disse observando nossa filha tentar agarrar o anel de brilhantes com as duas mãozinhas e com a boca aberta, provavelmente pensando que seria algo legal de colocar na boca ou apenas de babar em cima.

— Então não fique ciumento. — me alertou com um sorriso. Sim, eu estava ciumento por Angie ter pedido o colo da mãe e não o meu, mas decidi tirar algo bom disso.

— Eu aposto que Angie está se questionando quando a mamãe dela vai fazer de mim um homem honrado... — brinquei com minha filha que ainda tentava colocar o anel de noivado da mãe na boca — Não é, querida? Quer saber quando a mamãe vai casar com o papai? — perguntei diretamente a Angie que piscou atenta e então resmungou várias coisas inteligíveis como se estivesse conversando comigo. — Pois, é anjinho, papai também acha isso!

— Você está impaciente por isso. — Felicity constatou, mas algo brilhou no fundo dos olhos dela.

— Para fazer de você minha esposa? Nenhum pouco! — brinquei. — Eu só quero saber porque estamos esperando.

— É algo bobo. — ela disse, desviando o olhar de mim e brincando com as mãozinhas de Angie.

— Se for importante para você, então não é bobo. — Coloquei minha mão junto as delas, e Felicity me fitou, suspirando alto antes de falar.

— Eu quero me casar somente quando Angie estiver andando, quero que ela faça parte do nosso casamento, levando as nossas alianças até o altar, eu acho justo, já que foi ela quem me levou até você. — Felicity mordeu de leve o lábio inferior esperando pela minha reação a resposta dela, e tudo o que pude fazer foi sorrir tocando de leve os lábios dela com os meus e em seguida pousando um beijo na testa de Angie.

Ela só queria dar um significado maior.

Casamento não era apenas sobre Felicity e eu, mas sim sobre a forma mágica como o amor chegou aos nossos corações, e isso foi tudo graças a Angie. Não estaríamos juntos se não fosse pela nossa pequena.

— Agora eu quero isso também, melhor apressar esses passinhos, mocinha. — avisei Angie apontando o dedo e me fingindo de mandão, mas tudo o que ela fez foi rir e tentar morder o meu dedo. Felicity riu também, principalmente porque Angie me deu uma bela dentada com seus quatro dentinhos afiados.

— Parece que essa mocinha está com fome, eu vou trocá-la primeiro, e então descer e preparar o nosso café. — avisou, balançando com Angie em seu colo enquanto pegava coisas pelo quarto. — Eu tenho algum tempo antes da primeira reunião, se arrume enquanto isso, vou sair um pouco antes de você então preciso que fique com Angie até a Sin chegar.

— Até quem chegar? — franzi o cenho.

— Sin, a babá nova. — Felicity explicou distraída.

— Que nome estranho é esse? Sin como pecado em inglês? Você checou a ficha criminal dessa garota porque esse é um nome muito estranho! E como sabe que ela pode cuidar de Angie? Ela tem experiência com crianças? E se Angie não gostar dela e chorar?

— Neve! — Angie indicou com a mãozinha para janela. — Neve! Neve!

— Não, querida, não está nevando. Veja o sol lá fora! — Felicity indicou puxando a cortina e vi o semblante da minha filha murchar um pouco. — Oh, meu Deus! Querida você aprendeu uma palavra nova! — Felicity disse entusiasmada, erguendo-a para cima e fazendo-a rir.

— Parabéns, minha menina! — Dei um beijo estalado em sua bochecha.

— Neve. — ela repetiu feliz mais uma vez.

— Acho que alguém tem uma palavra nova favorita. — Felicity comentou sorrindo, e Angie continuou a dizer neve sem parar.

Não era surpresa que está fosse sua palavra nova favorita.

Angie era louca por neve.

Eu sabia que isso vinha de antes dela ser nossa, e sorri com a lembrança de nós três deitados na neve fazendo anjos de neve ou apenas brincando de guerra de bola de neve. Meu coração se encheu de calor ao pensar que faríamos isso outra vez um dia, quando ela crescesse um pouco mais.

— E respondendo sua pergunta, amor, Sin é uma boa garota, ela é sobrinha de Raisa e Angie já a conheceu e a adorou, não seja um papai urso, Oliver. — emburrei, Felicity sempre me chamava assim quando eu exagerava, mas eu não estava sendo protetor demais por causa da babá, eu só estava sendo protetor de uma forma geral. — Diga até mais para o papai, Angie.

— Papa! — me distrai pela imagem de Angie no colo de Felicity me chamando de papai e jogando beijos para mim, me fazendo esquecer completamente que deveria ficar nervoso com a nova babá.

❆❆❆

Me arrumei com pressa e desci as escadas rapidamente, teríamos pouco tempo em família naquele dia, era bom aproveitá-lo. Encontrei Felicity de pé ao lado de uma Angie sentada em sua cadeirinha de bebê. Sobre a mesa havia um pequeno bolo de chocolate com várias velas de aniversário que me fizeram sorrir, eu não precisava contar, eu tinha certeza que tinham onze. Onze meses, Meu Deus! Angie já estava conosco há onze meses!

— Não acredito que se esqueceu. — Felicity olhou para o meu rosto surpreso deduzindo erroneamente o significado.

— Eu não me esqueci, apenas passou tão rápido. — Olhei novamente para minha filha, que se debruçava sobre a mesa e esticava seus bracinhos pequenos tentando inutilmente alcançar o bolo a sua frente — Ela tem crescido muito rápido, às vezes eu queria que ela fosse mais devagar, para eu não perder tanto. Um minuto longe dela, e quando percebo ela já aprendeu algo novo, uma palavra nova, ou o cabelo dela cresce mais um pouco... — sorri quando percebi que ela tinha conseguido pegar a toalha de mesa e a puxava para si descobrindo que aquela era uma forma mais rápida de alcançar o seu objetivo. Ela era tão esperta! — Daqui algum tempo nós teremos que levá-la para a escola, como é suposto que eu abra mão dela por tanto tempo? E então vem as festas, dormir na casa das amigas, namorados, faculdade... — fiquei mais sério uma sensação estranha tomou conta de mim, enquanto eu pensava no quão rápido eu perderia a minha menininha. — Ela vai se casar um dia!

— Não tem porque ter um aneurisma agora com esse pensamento. — Felicity me lançou um olhar complacente apesar de ter nos lábios um sorriso divertido. Ela veio até mim, sua mão segurando a minha e a apertando-a me dando o apoio que eu precisava — Vamos ir devagar, amor.

— Mas como ir devagar se ela não para de crescer? — E nesse momento Angie deu um puxão mais forte na toalha, fazendo um vaso com flores cair ao chão, mas ela não parecia nenhum pouco preocupada com a bagunça que fizera uma vez que o bolo estava perto o suficiente para ela colocar suas mãos nele.

— Angie, não! — Felicity correu até ela, tirando o bolo da sua frente, mas as mãos já estavam cheias de cobertura de chocolate que ela levava contente a boca, se lambuzando e se sujando completamente.

Limpei a sujeira rapidamente enquanto Felicity reorganizava a mesa. Nossa pequena menina parecia bem, ainda lambendo feliz o chocolate dos dedos.

— Agora vamos tentar outra vez, mocinha. — Felicity disse ao colocar o bolo na frente de uma Angie eufórica por mais chocolate. — Mas sem colocar a mão no bolo!

— Dá! Dá! — Ela pedia com as mãozinhas esticadas e parecendo emburrada por não encontrar mais a toalha para puxar.

— Daqui a pouco, pequena. — eu disse, mas trapaceei passando o dedo no bolo e dando a ela um pouco mais de chocolate.

— Eu vi isso, Oliver. — Felicity me repreendeu, e eu fingi que não sabia do que ela falava e apenas pisquei confidente para Angie que sorriu mostrando os dentes marrons de tanto chocolate. — É melhor cantarmos os parabéns de uma vez, ou corremos o risco de não ter mais bolo. E lembre-se amor, deseje algo para Angie, e não para você! Nada de pedir que ela nunca namore, ou que nunca vá para a faculdade...

Suspirei.

Essa era uma tradição nossa, a cada novo mês com Angie, nós fazíamos um pequeno bolo e soprávamos as velinhas desejando que algo de bom acontecesse para ela. Não parecia nada demais, porém estranhamente tudo o que eu desejava para a minha menina encontrava uma forma de acontecer. Felicity não ficara nada contente quando eu desejei que a primeira palavra de Angie fosse papai, tudo bem que dois dias depois ela disse mama, mas ainda assim, nada no mundo vai se comparar ao dia em que ela ergueu os bracinhos para mim e disse papa. Eu pude sentir algo diferente dentro do meu coração, uma emoção nova, e percebi o quanto aquela ligação única feita de amor entre pai e filha era especial.

Talvez não fosse uma má ideia desejar que ela nunca tivesse namorados, eu não me daria bem com eles, e no fim eu apenas estaria protegendo a minha menina. Encontrei o olhar de Felicity em mim, como se soubesse exatamente o que eu estava pensando.

— Eu vou desejar algo para ela, algo especial. — eu disse derrotado enquanto Felicity acendia uma a uma as velinhas e Angie já batia palmas sabendo o que aconteceria a seguir. Nós cantamos parabéns para uma Angie agitada e feliz, e eu tentei encontrar um desejo especial para minha filha, eu tinha tantos, eu queria que ela fosse imensamente feliz, que nada jamais lhe faltasse, que ela se sentisse amada e cuidada em cada dia de sua vida. E mesmo quando ela se sentisse triste, que ela encontrasse em mim e em sua mãe, o apoio e o amor que precisava, que ela pudesse ver em nós seus pais, amigos e confidentes.

Mas esses eram pedidos que eu mesmo faria de tudo para realizar, eu estaria presente na vida dela dando-lhe amor, carinho e proteção. Tinha que ser algo especial, algo que tivesse significado para a nossa família e para ela... Sorri, pensando no melhor pedido para a minha filha e então nós três sopramos as velinhas.

❆❆❆

— Ok, sua pequena encrenqueira, vamos limpar a bagunça antes que a tal babá chegue. Não queremos que ela encontre um bebê sujo, queremos? — Eu disse enquanto terminava de tirar a blusinha dela que estava completamente suja de chocolate. Eu tentei colocar uma nova, mas Angie parecia achar divertido engatinhar pela cama fugindo de mim, numa versão de pega-pega, com muito custo eu consegui vestir uma roupinha limpa nela. Mas isso não durou muito porque quando desci novamente com ela para a cozinha, ela pediu por mais chocolate quando viu o bolo ainda em cima da mesa. E como eu sou um pai que não sabe dizer não... Mas afinal, era só um pouquinho de chocolate!

Voltei com ela para a sala e organizei um pouco das coisas enquanto Angie engatinhava pelo tapete, eu ia separando tudo o que a babá precisaria para deixar minha filha feliz. Felicity havia ido trabalhar e eu tinha mais alguns minutos com Angie, a ideia de ir embora e deixá-la com uma desconhecida ainda me apavorava, mas eu estava tentando ser menos do tal papai urso.

A campainha tocou naquele instante, eu peguei Angie no meu colo e atendi a porta me esforçando para ser simpático com a nova babá que estava pronta para roubar meu tempo com minha filha de mim.

— Sin. — Angie disse sorrindo assim que a viu, o que me deixou emburrado. Eu tive que esperar longos nove meses para que minha filha me chamasse de papai, e ela mal conhecia a babá e já dizia seu nome? Onde estava a justiça disso?

— Ei pequena vampirinha que gosta de morder! Eu trouxe algo para você! — observei a garota que não devia ter mais do que dezoito anos entregar o que parecia um mordedor para Angie que não demorou para levá-lo a boca — Você deve ser o senhor Queen, eu sou a Sin, vim cuidar da Angie.

Sin parecia simpática. Apesar do cabelo curto e dos piercings espalhados pelo rosto e das tatuagens que deveriam lhe dar um ar mais pesado, eu olhava para ela, para o jeito que sorria para Angie e apenas via uma jovem agradável que gostava de bebê. Eu tentei muito não gostar de Sin, porque assim eu teria um motivo para dispensá-la, mas Angie já sorria e esticava seus bracinhos para ela, e apenas isso já me dava garantias de que a nova babá era uma boa pessoa.

— É um prazer conhecê-la. — Sin sorriu, e só então notei que ela tinha um piercing no lábio também, que brilhou refletindo um pouco do sol daquela manhã. Angie gostava de coisas brilhantes. E se Angie arrancasse um dos piercings dela e o engolisse? Aquilo era um perigo! Não, Angie não poderia ficar com Sin! Seria mais seguro que ela ficasse comigo, decidi. — Na verdade Sin, não vamos precisar mais dos seus serviços. — falei, uma ideia passando pela minha cabeça.

— Que pena! Estava ansiosa por isso! — disse, fazendo cócegas no pescoço de Angie que riu com vontade. — Por que não precisam de mim?

Eu não esperava que ela me questionasse o porquê.

Eu também não poderia dizer a verdade que eu era um papai urso que queria ficar todo o tempo do mundo grudado com a minha filha.

— Angie está um pouco doente, então vou ficar em casa com ela por hoje. — menti.

— Ela está doente? Mas ela parece tão saudável... — olhei para Angie, suas bochechas coradas, seus olhinhos brilhantes e o sorriso de quem estava cheia de energia e ansiosa para aprontar muito naquele dia.

— Na verdade é altamente contagioso, você nem deveria ficar muito perto. — Expliquei e vi Sin dar um passo atrás, seus olhos se semicerraram como se ela tivesse compreendido tudo.

— Certo, então. — assentiu com um pequeno sorriso de quem sabia algo mais — Tchau, me chame quando ela estiver... hum... melhor.

— Claro. — Eu concordei, me despedindo. Ela me deu as costas meneando a cabeça e rindo baixo e eu fechei a porta logo em seguida — Que não.

Não era errado mentir só porque eu queria passar um pouco mais de tempo com a minha filha, eu queria aproveitar cada minuto com ela, antes que ela crescesse e me abandonasse por causa de um namorado qualquer ou ainda quando fosse para uma faculdade longe e eu só a visse em feriados duas vezes por ano.

Coloquei Angie no tapete enquanto preparava rapidamente a bolsa dela. Felicity era tão boa fazendo aquilo, eu mal sabia quantas fraldas eu precisava levar! Angie permaneceu quieta, sentada e me encarando como se me julgasse pelo o que eu acabara de fazer ao dispensar Sin, eu sabia que ela era muito pequena para fazer julgamentos, mas eu sentia que ela sabia que eu tinha feito algo errado. Por isso eu me abaixei ao chão, ficando da altura dela para me explicar.

— Não me olhe desse jeito, eu sei que contar mentiras é feio. Mas foi só uma mentirinha pequena para nós dois podermos nos divertir juntos hoje. Não vai ser legal ir para a empresa com o papai? Ver o tio Diggle... — Tentei brincar com ela pegando um bichinho de pelúcia que estava perto, mas nada. Minha filha era tão teimosa quanto a mãe, mas por sorte eu conhecia o ponto fraco das duas — Podemos comer mais chocolate... — Falei e imediatamente os bracinhos de Angie se ergueram e ela sorriu, como se tudo pudesse ser desculpado com chocolate.

❆❆❆

Eu passei pela porta da empresa ciente dos olhares em mim, e mais ciente ainda de que provavelmente eu estava perdendo um pouco da minha credibilidade como um chefe exigente, sério e às vezes mal humorado. Eu me equilibrava com a bolsa rosa com desenhos de girafas pendurada em um lado do ombro, segurava um bichinho de pelúcia de uma porquinha cor de rosa, a qual vergonhosamente eu já conhecia o nome. E no outro braço eu tinha Angie, que se divertia passando a palma da mão na minha barba em seguida me dava um beijo molhado na bochecha e ria, começando a fazer tudo de novo. Era impossível eu não mostrar o meu melhor sorriso quando eu estava com a minha filha.

Então sim, eu não me importava se todos os meus funcionários me vissem como um pai que morre de amores pela sua filha. Até porque, essa era a verdade.

— Eu pensei que você teria uma babá. — Diggle franziu o cenho assim que me viu entrar na sala com Angie e todas as suas coisas. Derrubei a bolsa dela no sofá, e coloquei Angie ali sentada entregando o seu bichinho enquanto revirava a bolsa a procura de algumas coisas.

— Tivemos um problema com a babá. — respondi Diggle dando de ombros tentando minimizar a coisa — Quer um pouquinho de suco, pequenina? — balancei o copinho rosa e entreguei a ela assim que ela esticou os bracinhos dizendo dá.

— Como problema você quer dizer que dispensou a babá, porque não consegue ficar longe da sua filha por muito tempo?

— Precisamente. — assenti, eu não precisava fingir com Dig, ele sabia o quanto eu era louco por Angie.

— Ei pequena, seu papai é muito grudento não é?! — Diggle disse se ajoelhando em frente ao sofá e fazendo um cafuné nos cabelos dela. Angie pareceu apreciar o gesto, porque logo estava inclinando a cabeça na direção da mão dele desejando mais carinho. — Mas não se preocupe, eu tenho certeza que a sua mamãe vai dar uma lição no papai.

— O que mamãe não vê, a mamãe não sente. — pisquei para Angie e Diggle riu.

— Você subestima o instinto maternal de uma mãe. Eu aposto que Felicity já sabe que você trouxe Angie para o trabalho ao invés de deixar com a babá. — Será? Varri aquele pensamento, eu tinha coisas mais importantes para me preocupar, como por exemplo, trabalhar e cuidar de Angie ao mesmo tempo. — Agora repete comigo: tio Dig! — toda vez que Dig a via ele tentava fazê-la dizer o nome dele. — Tio Dig, vamos lá Angie, é fácil. Tio Dig!

— Neve! — foi tudo o que ela disse e eu segurei o riso.

— Ela aprendeu uma palavra nova.

— Como ela aprendeu neve, e ainda não aprendeu tio Dig?! — Devolveu indignado. — Teremos que ter uma conversa séria mocinha.

— Pode ficar com ela enquanto eu faço a reunião? — Pedi para Diggle, enquanto eu erguia o olhar para o relógio, verificando que já estava atrasado. O cliente era difícil, estávamos há meses nessas negociações e eu nunca tinha arrancado um sorriso dele. Slade Wilson era um homem complicado e de poucas palavras, odiava atrasos e para piorar era um negócio que não podíamos perder, eu só precisava passar dessa reunião e o restante do dia eu daria um jeito com Angie.

— Por mais que eu ame esse anjinho, eu não posso, tenho que estar no aeroporto em meia hora. — Disse em tom de desculpas — Isabel talvez? — sugeriu, olhando para a minha secretária através da porta de vidro.

— Não a deixaria nem chegar perto de Angie. — Por mais eficiente que minha secretária fosse, havia algo nela que não me agradava e nem mesmo a Angie.

— Eu tenho que ir, você vai dar um jeito, eu sei que vai! — me incentivou e partiu, enquanto Angie mandava beijos para ele.

— Tudo bem, eu posso fazer a apresentação com Angie, eu só preciso que ela fique confortável no lugar e não vai me dar trabalho algum, ela é um anjinho no final das contas. — Eu disse a mim mesmo olhando para minha pequena, com seus olhos azuis, sentada no sofá apertando seu bichinho de pelúcia favorito e tomando suco.

Que trabalho aquele anjinho poderia me dar?

Cheguei a sala de reuniões do mesmo modo que cheguei na empresa: carregando um bebê e seu mundo de coisas comigo.

— Bom dia a todos — eu cumprimentei tentando passar uma normalidade, mas todos os olhos estavam em Angie que resolveu balbuciar junto comigo, como se estivesse contente por ter plateia. — É muito bom vê-lo novamente, senhor Wilson. Como podem notar hoje teremos uma convidada especial, mas não se preocupe Angie aqui promete não contar a ninguém nada do que for dito nessa reunião. — tentei brincar, mas ninguém riu da minha tentativa de fazer piada. — Certo, só me deem um minuto... — pedi enquanto colocava as coisas de Angie sobre a mesa e fazia malabarismos com ela em meu colo.

Tirei uma manta da bolsa e forrei o chão com ela, coloquei o porquinho rosa de Angie ali e outros brinquedos. Mas quando tentei colocar Angie ali, ela se agarrou com toda a força em meu pescoço e balançou a cabeça se negando a me soltar. Eu podia escutar o tamborilar de dedos impacientes sobre a mesa, enquanto eu tentava convencer minha filha a ficar naquele cantinho.

— Por favor, pequena? — pedi olhando para ela que apenas fez um beicinho triste, seus olhinhos azuis se encheram de pequenas lágrimas e suas mãozinhas pequenas se apertaram ainda mais segurando em mim. Meu coração se apertou. Como eu poderia negar se tudo o que a minha menina queria era ficar nos braços do pai? Ela não pedia muito, e no final não me importava se meus clientes não achavam certo uma criança numa reunião, ela era minha filha, minha prioridade, o bem estar dela sempre viria em primeiro lugar. — Tudo bem, não precisa ficar nervosa. — Cedi, beijando o topo da cabeça dela que apenas suspirou aliviada se aconchegando ainda mais no meu colo.

Eu tentei conduzir a reunião ainda com Angie agarrada em mim, eu gostaria dizer que transcorreu tudo bem sem maiores problemas. Mas Angie parecia achar engraçado toda vez que o senhor Wilson fazia uma pergunta e ficava balbuciando como se estivesse tentando imitá-lo. Nós tivemos um pequeno problema quando tentei passar os slides com os projetos e Angie resolveu bater palmas a cada nova imagem que passava. Minha filha também riu muito com o som dos dedos da assistente de Slade digitando enquanto tomava notas em seu notebook.

E teve a pausa para a troca de fralda, eu tive medo que todos os presentes desistissem nessa hora, porque não foi fácil. Mas quando eu voltei o senhor Wilson ainda estava lá com sua equipe, me aguardando com seu semblante sério, braços cruzados e olhar inabalável.

Eu continuei a reunião, e ao final dela quando estava me despedindo e me desculpando com o senhor Wilson, ciente de que estava possivelmente perdendo-o como cliente, fui mais uma vez surpreendido pela minha pequena.

— Angie, não! — Tentei impedir, mas Angie já estava ali, esticando suas mãozinhas e se inclinando, pedindo colo para o senhor Wilson. — Me desculpe por isso, senhor Wilson. — pedi, mas para a minha completa surpresa ele não apenas a pegou em seu colo, como também sorriu para ela. Ver aquele homem grande e sério sorrindo foi algo inesperado, Angie realmente tinha um efeito único sobre as pessoas.

— Tem uma filha muito decidida, senhor Queen, ela te deu um trabalho imenso na reunião hoje e mesmo assim, o senhor foi sempre gentil e paciente com ela. — dei de ombros sem ver aquilo como elogio — Eu gosto disso. Dizem que podemos ver quem um homem é de verdade pela forma que se comporta com os seus filhos, eu estou feliz de fazer negócios com um homem como você.

Pisquei, ainda digerindo a nova informação.

Ele seria nosso cliente.

— Obrigado. — agradeci e ele me devolveu Angie que mandou beijos para ele enquanto saía, o mais estranho de tudo é que Slade Wilson mandou beijos para ela de volta.

— Ainda não acredito que conseguimos fechar o negócio. — conversei com Angie aproveitei que estava de volta na minha sala e me sentei no sofá para descansar um pouco — Tudo graças a você, pequena. Bate aqui — estiquei a mão e Angie bateu nela rindo com o som. — Você deu muita sorte para o papai hoje. — beijei as bochechas delas fazendo-a gargalhar no meu colo.

— Chão — Angie pediu, escorregando do meu colo para baixo.

— Ah, que bonito! Agora você quer o chão! — me fiz de indignado, mas a ajudei a descer deixando que ela ficasse de pé, mas se apoiando com as mãos em meus joelhos. Ela parecia contente e segura assim, então eu deixei. Meu celular tocou bem naquela hora, observei a foto na tela que fez meu coração ir mais rápido.

— Amor! Tudo bem com você? — atendi ao telefone, colando um dedo sobre a boca fazendo sinal de silêncio para Angie.

— Shiuuuu! — minha pequena me imitou, levando um dos dedinhos a boca também.

— Isso foi Angie? — Felicity me perguntou, me deixando em maus lençóis.

— O quê? Claro que não, Angie está com a babá. Em casa. — menti muito mal — Onde você pediu que eu a deixasse. — completei, tentando dar mais credibilidade. — Eu não sou um papai urso, sou capaz de deixar meu bebê com uma babá. — Deus! Eu era um péssimo mentiroso.

Eu era totalmente um papai urso.

— Ótimo, porque eu tenho um tempo livre agora no horário do almoço, pensei em passar em casa e ver Angie um pouco. — Olhei para o relógio e calculei mentalmente quanto tempo eu teria até levar Angie para casa, chamar Sin... Eu teria que começar a agir agora.

— Querida, eu preciso desligar. — falei com urgência, já pensando em como recolher toda a bagunça espalhada na minha sala em tempo recorde.

— Mas por quê? Precisa levar Angie para casa antes que eu descubra que você dispensou a babá e a trouxe para o trabalho, papai urso? — Ela não falava ao telefone dessa vez, Felicity estava bem ali na minha sala me encarado com o semblante dividido entre divertido e reprovador.

Eu iria me desculpar.

Mas como se soubesse que eu estava em apuros, Angie escolheu esse momento para distrair a mãe — e a mim também — fazendo algo incrível.

­- Mama! Mama! — Ela gritou animada ao ver Felicity, suas mãozinhas deixaram de se apoiar sobre meus joelhos, e ela ficou de pé sozinha, imediatamente me endireitei e estiquei as mãos completamente alerta, pronto para ampará-la se ela caísse e ao mesmo tempo ansioso para ver mais essa conquista da minha filha. Angie não cambaleou, não pisou em falso, ela simplesmente andou com suas perninhas pequenas e gordinhas até a mãe.

Não vou mentir, uma lágrima de orgulho e felicidade desceu pelos meus olhos. E eu caminhei até Felicity que pegou Angie no colo assim que nossa filha chegou nela e a encheu de beijos. Me uni a elas, feliz por nós três estarmos juntos quando Angie decidiu dar seus primeiros passinhos, esse era um daqueles pequenos momentos que eu não queria perder.

— Meu anjinho, você está andando! Exatamente como mamãe desejou para você hoje. — Felicity disse a Angie, dando-lhe mais um beijo.

— Esse foi o seu pedido? — perguntei. Os olhos de Felicity vieram na minha direção, e como sempre me fizeram perder o fôlego.

— Eu deveria estar chateada com você agora, Oliver, dispensando a Sin e trazendo Angie com você para o trabalho. — o tom de reprimenda era claro, mas o sorriso que veio depois me deixou muito mais aliviado — Mas aí Angie faz algo incrível e eu só consigo pensar no quanto amo vocês dois. O quanto eu sou feliz por ter vocês dois.

— Eu não poderia ser mais feliz do que sou, amor. — confessei abraçando as três — Eu tenho você e Angie na minha vida, e eu sinto como meu coração finalmente tivesse encontrado um lugar para ele. — Ela assentiu, dizendo-me com seus olhos que se sentia do mesmo jeito. — Mas você não respondeu a pergunta, esse foi o seu pedido? Para que ela andasse?

— Foi um pedido egoísta. — ela confessou — Você queria se casar comigo logo, e eu sabia que não estava sendo muito justa em fazê-lo esperar. — eu neguei com a cabeça, Felicity era a pessoa menos egoísta e mais justa que eu conhecia. — Então talvez tenha usado o pedido dela para você, com Angie andando eu não preciso esperar muito para ser sua esposa.

— Primeiro, eu amei o seu motivo para me fazer esperar. — garanti, pegando a mão de Angie e a beijando. — Ela é o nosso anjinho, ela merece fazer parte desse momento. E você não usou o pedido dela para mim, você usou para nós, para a nossa família. Não poderia ser menos egoísta.

— E qual foi o seu pedido? — devolveu curiosa.

— Ele ainda não se realizou e dá azar contar, sua pequena curiosa. — toquei o nariz dela com a ponta dos meus dedos — Apenas saiba que eu tenho certeza de que é algo muito especial para Angie.

— Confio em você. — Ela disse, sua mão procurando pela minha e as entrelaçando. — Que tal passearmos um pouco lá fora? Almoçarmos juntos? Aposto que Angie está louca para dar alguns passinhos. — Sugeriu.

— Acho uma ideia perfeita.

❆❆❆

Felicity e eu andávamos no parque não muito longe do prédio onde eu trabalhava, na verdade eu me lembrava de há não muito tempo atrás ter estado aqui com ela e Angie, e nós três nos divertimos muito. E agora estávamos aqui novamente. A vida tinha um estranho jeito de se repetir. Angie segurava firme em nossas mãos, mas as vezes soltava e arriscava dar uns passinhos sozinhas e sempre acabava rindo de felicidade quando conseguia. Ela caiu uma vez, mas como a grama era macia ela se limitou a rir mais e a se levantar sozinha.

Ela era determinada.

Nada poderia parar a nossa pequena.

— O que está pensando, amor? — perguntei, ao notar o semblante pensativo ao observar nossa filha ainda maravilhada com seus próprios passinhos.

— Apenas em qual terá sido o pedido de Angie...

— Não faço ideia. — desci o olhar para nossa filha, me sentindo curioso também. Ela teria desejado algo?

— Neve!— nossa pequena gritou erguendo ambos os braços para cima rindo — Neve! Neve! — E para a minha completa surpresa quando eu ergui os olhos para o céu, que mais cedo parecera tão azul e limpo sem nenhum sinal que pudesse nevar, agora eu via os pequenos flocos de neve caindo calmamente sobre nós e Angie deslumbrada tentando pegá-los ainda no ar.

Sorri feliz.

— Eu acho que descobrimos o pedido de Angie. — Felicity sorriu de volta para mim, surpresa e encantada com o quanto de magia ainda havia em nossas vidas. Peguei Angie em meus braços colocando-a sobre meus ombros para facilitar para que ela pegasse os flocos. Pelas risadas eu diria que nossa filha aprovou a ideia.

Felicity se aproximara de mim, ficando a minha frente. Seu olhar tão cheio de amor e de luz me chamou para ela, e eu dei mais um passo, encurtando ainda mais a distância entre nós.

— Não vai mesmo me contar o que desejou? — Eu neguei com a cabeça fazendo Angie em meus ombros rir por causa do movimento. Felicity por fim apenas se dera por vencida e me abraçara erguendo os olhos para mim. — Aposto que deve ser um pedido e tanto. — Eu apenas sorri confiante, e ela se colocara nas pontas dos pés me beijando com seus lábios tão macios e doces.

Era incrível.

Não apenas o beijo, mas tudo em nossas vidas.

O pedido de Felicity se realizara e o de Angie também.

Isso significava que o meu pedido se realizaria também. Eu não quis contar a Felicity qual era, mas a verdade era que assim como Felicity que fez um pedido pensando em nossa família, eu também havia feito um.

Eu pedi que Angie se lembrasse de nós.

De todos os momentos em que passamos juntos quando ela era apenas um anjo unindo duas almas que não sabiam amar e nos colocou um no caminho do outro. Eu desejei isso porque queria que Angie soubesse que antes mesmo dela ser nossa filha de sangue, nosso coração a havia escolhido como filha.

Notas finais
E aí gostaram? Parte de mim sempre fica insegura com bebês, sem contar que é uma mudança e tanto dos outros capítulos, então eu preciso saber se ficou bom e se vocês continuam querendo mais :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!