Notas iniciais
Olá! Caros leitores, Não me esqueci de vocês. Apenas atrasei (e muito) a continuação desta fic. O primeiro semestre desse ano foi bem conturbado, pois foi último da minha faculdade. Então, tive que defender o temido TCC. Além disso, outros compromissos transformaram minha vida em uma enorme bola de neve (formatura, apartamento novo, problema de saúde na família)! Porém, tudo tem um fim... Finalmente os problemas estão se dissipando (Graças a Deus) e agora, terei tempo para me dedicar as fics e outros projetos que tenho idealizado a muito tempo. Chega de desculpas, né? Vamos ao que interessa? No último capítulo vimos que Oliver implorou pela morte após perder Felicity. Entretanto, antes de partir, Oliver confessou seu amor. E agora, leitor? O que será de Oliver e Felicity? Espero que gostem! Boa leitura! :D

Sara aponta a arma em minha direção. Não estou com medo. Na verdade, sinto uma ponta de felicidade. Mesmo se não existir vida após a morte, paraíso ou inferno, ao menos o meu corpo descansará ao lado de Felicity. Então, depois de um tempo, a natureza cumprirá sua função, tornando-nos um.

Novamente, um som agudo interrompe o silêncio da floresta. Algo queima o meu peito. Caio ao lado de Felicity, segurando-a pela mão. Esforço-me para dizer minhas últimas palavras:

— Felicity, eu te amo...

➸ ➸ ➸

Onde estou? Com os olhos ainda pinicando de sono, tento encontrar algo que me permita entender onde estou, porém não reconheço nada. É apenas um pequeno cômodo preenchido com uma cadeira esculpida em sequoia e uma estreita cama na qual estou deitado. Não há janelas, somente uma porta que deixa uma fina fresta de luz passar pelo vão que a separa de encostar na soleira. No pequeno feixe de claridade que emana da fresta, partículas de poeira dançam no ar como se estivessem interpretando “O lago dos cisnes” de Tchaikovsky. As paredes perecem feitas de bambu, como em um casebre de uma ilha paradisíaca.

Paraíso!

Será que estou no paraíso?

Uma pontada em minha nuca traz à tona fatos que, a princípio, parecem permear um pesadelo longo e cruciante. Flashes atravessam meu cérebro.

Slade.

Felicity.

Sara.

Diggle.

Laurel.

Gritos.

Lágrimas.

Dor.

Sangue.

Calor.

Ar.

Silêncio.

Em apenas alguns segundos, meus pensamentos são inundados por imagens turvadas por lágrimas. Minhas lágrimas! Todas as lembranças são angustiantes e provocam uma dor lancinante em meu peito.

Ela se foi”.

As palavras de Digg retumbam em mim. Lembro-me de implorar pela morte. Eu não suportaria viver sem Felicity! Eu não poderia conviver com a culpa de envolvê-la a ponto de permitir que Slade ceifasse sua vida, sua luz. Entretanto, parece que a culpa me perseguirá por toda a eternidade.

Então, certamente esse não é o paraíso. Talvez o purgatório ou o inferno.

Inferno!

Estou condenado a viver eternamente apenas com as lembranças de uma história interrompida abruptamente. Para sempre recordarei de cada minuto que passei ao lado de Felicity: sorrisos, toques, expressões e tudo que dissemos um ao outro mesmo sem dizermos nenhuma palavra.

➸ ➸ ➸

Tomado por um pouco de coragem e curiosidade, levanto-me da cama. Com um pouco de dificuldade, caminho até a porta. Reluto em abri-la: o medo me impede de romper a barreira que me separa da realidade. Giro a precária maçaneta e abro a porta. Uma ação que inconscientemente fiz diversas vezes, mas nenhuma tão carregada de mistério como esta. O que há atrás dessa porta? Vamos lá, Oliver! Não se tem mais nada a perder.

Após alguns segundos, acostumo-me com a intensa luz que agora preenche o pequeno cômodo e, finalmente, posso ver o que há atrás da porta. Deparo com uma paisagem indolente: próximo ao casebre há uma floresta densa de ciprestes, bambus, álamos e alguns arbustos de ácer salpicando de vermelho o verde intenso. Reconheço a vegetação, pois algumas dessas plantas me fizeram companhia em Lian Yu. Há também uma pequena trilha de terra batida que abrange o casebre e segue serpenteando a floresta.

Absorto pela paisagem, sou despertado por crianças que correm através da trilha e desaparecem entre as árvores. Tento chamá-las, mas é em vão. Minha voz é abafada por gargalhadas e gritos empolgados que logo se transformam em ecos através da imponente e densa floresta.

Crianças? Não há crianças no inferno!

Paraíso?

Talvez o paraíso seja uma realidade!

Deixo o casebre e sigo as crianças. Espero obter respostas. Quando finalmente encontro-as, elas estão aglomeradas entorno de algo que as intrigam tanto a ponto de falarem e gritarem em tom animado. Conforme me aproximo, algumas percebem minha presença e sorriem surpresas. Uma menina com cabelos negros me aborda e, com pequenos dedinhos, segura minha mão e me puxa, aproximando-me do alvoroço. Ainda não é possível visualizar a causa da empolgação.

De súbito, uma pequena dobradura salta por cima das pequenas cabeças curiosas. Rapidamente, o papel dobrado passa de uma mão delicada, cuja unhas foram pintadas com um tom de turquesa brilhante, para uma pequena mão que se apressa em apossar-se da dobradura em formato de pássaro.

Dobradura de pássaro.

Reminiscências inundam minha mente. Reconheço a dobradura: é um tsuru. Lembro-me que Felicity sempre mantinha um tsuru sobre a mesa, bem próximo aos monitores. Às vezes, quando Starling City estava tranquila e optávamos por ficar na fundição, enquanto Diggle e eu treinávamos, Felicity gastava o tempo livre fazendo upgrade nos computadores.

Enquanto aguardava o sistema ser atualizado, Felicity ocupava-se em dobrar pequenos pedaços de papel, transformando-os em tsurus que eram enfileirados, lado a lado, ao longo da mesa. No final do dia, todos eram recolhidos e guardados em sua bolsa.

Uma vez, quando a questionei sobre o destino de todas as dobraduras, Felicity me explicou que os pássaros de papel, denominados como tsurus, simbolizavam o desejo por saúde, felicidade e boa sorte. Disse também que, no Japão, uma lenda proferia que, se uma pessoa dobrasse mil aves de papel, teria um desejo concedido. Nesses mesmo dia, antes de deixar a fundição, perguntei se ainda lhe faltava muitas dobraduras para atingir os mil tsurus e, consequentemente, conseguir realizar o desejo. Felicity apenas me respondeu que “os pássaros sim, o desejo não”.

Sou despertado de minhas lembranças por uma voz embargada:

— Oliver?

Notas finais
Sei que demorei muito para escrever, mas não fico tão inspirada em escrever quando não há episódios "fresquinhos". Precisei de alguns spoilers, para me animar! Além disso, esse capítulo não tem diálogos, o que me custou mais tempo para que, de alguma forma, conseguisse explicar o que o Oliver estava vivendo. O próximo capítulo será o final, prometo. Finalmente descobriremos o que aconteceu com Oliver e Felicity! Será vida após a morte? Sonho? Ressurreição? Louca para saber o que vocês pensam... Por favor, comentem! Pode ser críticas, sugestões, correções... Qualquer coisa, OK? Até o próximo capítulo! Obrigada! :D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.