Capítulo IV

Acordei com um barulho estressante na cozinha, por um segundo achei eram aqueles duendes doidos quebrando os pratos da minha mãe. Mas quando cheguei á porta vi minha mãe preparando o jantar. Ao me ver soltou um berro que doeu os meus ouvidos:

- Filha! Vi-te dormindo tão gostoso que não tive coragem de te acordar.

- Aah! Estava muito cansada... – respondi bocejando.

- Bom você pode arrumar a mesa pra mim querida? Pergunto derrubando uma tampa da panela.

- OK.

- Bree pegue dois pratos a mais, convidei os vizinhos novos para o jantar. — Disse entusiasmada

- Vizinhos novos? Que vizinhos novos? – Interroguei ainda sonolenta sem lembrar-se do garoto novo na cidade.

- Bom, acredito que deve ter notado alguma carinha nova no colégio. Charlie e seu afilhado Josh vieram de Jordânia.

- Entendi o entusiasmo todo... – Falei entredentes

- Bom, vá filha coloque a mesa e se arrume querida... – disse ralando o queijo.

Arrumei a mesa e subi pro meu quarto. Abri meu armário e corri os olhos para achar algo para vestir. Peguei um short branco e uma blusa azul e me vesti. Fiz uma trança embutida no cabelo calcei minha sapatilha e desci para sala onde os novos vizinhos já se encontravam.

Charlie era um homem alto e moreno, que aparentava uns quarenta anos no máximo. Estava com um terno preto e com um ar muito formal me cumprimentou:

- A moça deve ser Bree – falou erguendo o braço para me cumprimentar – vejo que meu afilhado não mentiu ao dizer que era linda como a mãe.

- Exagero o dele – respondi corando.

Foi então que reparei Josh no atrás da minha mãe, estava realmente bonito. Também estava vestido de terno, porém aparentava um look mais descolado do que o do padrinho. Pediu licença para minha mãe e veio me cumprimentar:

- Você está diferente. – comentou com um sorrisinho sarcástico. Então lembrei que hoje de manhã estava com meu jeans mais usado e um moletom abatido.

- Ah! Obrigada! – Disse sorrindo.

O jantar foi agradável, raramente via minha mãe tão animada. Foi então que resolvi abrir a boca e perguntar algo pra ela que em minha opinião estava num ótimo momento.

- Então mãe... Eu vou poder morar com a Bells?

- Não. Não vamos nos mudar mais filha. Achei uma casa no final da rua, uma casa linda melhor do que esta e é do lado da casa de Charlie – disse olhando de relance para o homem.

Depois do jantar Josh me chamou para dar a volta em um parque perto de casa e não tive como recusar por maior que fosse a minha vontade naquele momento. Quando estávamos saindo pude ver na nuca de Josh um desenho de um dragão entrelaçado com uma espécie de bengala com uma joia na ponta aquela imagem me causou uma espécie de transe com um incômodo frio na espinha.

A noite estava suave, até demais no meu gosto. Chegando ao parque ele me convidou pra sentar em um banco. Ficamos lá em silêncio em torno de uns cinco minutos até que eu tomei coragem e perguntei:

- Você não me disse que morava com o padrinho.

- Há muitas coisas que não te disse e que deveria saber. Respondeu num tom de desdém.

- Não tenho nenhum dom que me possibilita mostrar o desconhecido. – disse entrando no seu joguinho, bom era o que eu pensava.

- E você teme o desconhecido? Perguntou um tom de curiosidade.

- Não. – disse tentando expressar o maior convencimento possível.

- Quer um bom conselho? Perguntou sério

- Fala.

- Tenho muito, mais muito medo do desconhecido. – falou num tom histérico.

- OK, mas meu pai sempre dizia que... – e no meio da minha frase fui interrompida por que aquele idiota decidiu do nada me beijar. Idiota mesmo! O que ele pensa que só por que estávamos isolados podia me agarrar? E também eu nem gostei. Tá ok, ele beija bem, até demais eu diria. Mas eu não sou qualquer uma por isso depois de alguns segundo de beijação lhe dei um belo tapa na cara.

- Hey?! – Exclamou indignado

Mas nem respondi sai dali apressada e com raiva. E ele me seguiu gritando atrás de mim. Sinceramente acho que ele não estava acostumado á apanhar quando beijava alguém. Entrei em casa muito furiosa pra ver que minha mãe e aquele tal Charlie estavam dançando na varando agarradinhos. Corri pro meu quarto. Mas oque naquele momento eu não esperava era ver Shimmy andando de um lado pro outro suando e aparentemente nervoso. Tranquei a porta e disse?

- O que você está fazendo aqui?

Ele parou e começou a falar demasiado histérico para eu poder entender: −Ele... Cuidado... Plano... Matar... Maligno... Você... Guardião... Sumir... Daqui... Deve... Você... –

E num golpe de fúria peguei — o pela gola do pequeno e fajuto terno e disse:

- DÁ PRA EXPLICAR OQUE ESTÁ ACONTECENDO?