The Chemical Between Us...
2 Capítulo 2 - Mais do que simples detalhes...
Rachel poderia jurar que aquela era a milésima vez que Santana enviava mensagem para Quinn. Ela sentia que a latina não desistiria até que a loira cedesse e fosse ao encontro dela. Mais uma vez, o telefone voltava ao bolso como se fosse a coisa mais natural do mundo:
R: Eu me sinto culpada por ter desviado você dos planos iniciais! [sorriu constrangida]
Q: Não era meu plano ir à boate... [sorriu tranquila] Plano da Santana. O que, de certa forma, explica porque não era o que eu queria fazer... [deu de ombros]
R: Não entendi... [disse confusa]
Q: Já disse... Não gosto muito de boates...
R: Mas gosta.
Q: Um pouco...
A morena pensou um pouco enquanto caminhavam. Nova York realmente não dormia. Era mais de meia-noite e as pessoas continuavam agitadas, transitando pelas ruas frias. Olhou o relógio e respirou fundo:
R: Poderíamos ir à boate! [sugeriu]
Quinn a olhou de lado com um sorriso torto:
Q: Não é lugar pra você...
R: O quê? [sorriu confusa] O que isso significa?
Q: É uma boate GLS.
R: Oh... [pareceu um pouco surpresa]
Q: Eu disse que não é lugar pra você... [piscou-lhe]
R: Não... Não vejo problema, Quinn. Meus pais são gays, alguns dos meus melhores amigos são gays... Eu não tenho nenhum problema com isso... [disse um pouco nervosa]
Q: Eu não disse isso... [falou calma] Eu quis dizer que não é ambiente para você. É uma boate, as pessoas se sentem mais livres. Vão dar em cima de você e isso pode te constranger.
R: Quem disse que vão dar em cima de mim?
Quinn a olhou dos pés à cabeça. Foi natural e inevitável, o que acabou deixando Rachel completamente corada. Além de arrepiada...
Q: Acredite... [parou em seus olhos] Vão dar em cima de você!
O local estava lotado. O som era muito alto, mas não chegava a ser ensurdecedor. Santana havia deixado o nome de Quinn na entrada, mas não o de Rachel. Bastou um sorriso da loira para a hostess que logo a porta foi aberta para a morena também. Enquanto Quinn enviava uma mensagem para a latina tentando saber onde ela estava naquela multidão, os olhos de Rachel começaram a se acostumar com o que viam...
Casais formados por pessoas do mesmo sexo espalhados por todo o ambiente. Não pôde deixar de notar as mulheres lindas se beijando. Todos pareciam felizes, apesar do aperto. Estranhamente ela não se sentiu estranha... Sentiu a mão de Quinn envolver a dela, puxando-a para o lado esquerdo da boate. Ela sabia que a loira apenas a guiava, mas o calor de sua mão a fez se arrepiar...
S: Eu não acredito! [gritou assim que as viu] Você trouxe Rachel Berry para o nosso lado!
Era óbvio que a latina já havia bebido um pouco. Rachel sorriu corada, enquanto Quinn pediu à Santana que pegasse leve com ela.
S: Vem cá! [puxou Rachel para si] Se você... [colou os lábios no ouvido dela] Se você for mesmo inteligente, vai esquecer qualquer saco de testosterona e vai provar o dom de Quinn Fabray...
R: O quê? [assustou-se]
S: Você entendeu muito bem...
Quando Santana se afastou dela, piscou-lhe com um sorriso sacana. Rachel só pôde concluir que ela não lembraria daquilo no dia seguinte. Sentiu a mão de Quinn em sua cintura:
Q: Quer alguma coisa do bar? [perguntou atenciosa]
R: Água... [sorriu suavemente]
Q: Ok...
Santana dançava com um grupo de amigos que Rachel já havia conhecido, mas ela não conseguia identificá-los naquela iluminação. De qualquer forma, o que mais chamava atenção era a loira com quem a latina dançava de forma muito íntima. Mas não prendeu sua atenção por muito tempo. Seus olhos foram atraídos em direção ao bar e pôde observar Quinn sendo abordada por uma garota que lhe parecia familiar e que a loira com certeza conhecia, pela forma como se falaram. Rachel não prestou muita atenção em outra coisa além da mão que deslizou de forma ousada pelas costas de Quinn enquanto ela se inclinava para ouvir alguma coisa que a tal garota resolveu dizer em seu ouvido. Uma sensação ruim percorreu seu corpo e ela sentiu vontade de ir embora. A vontade se tornou maior quando foi a vez de Quinn dizer algo no ouvido daquela estúpida. Estúpida? É... Ela já estava odiando aquela garota ousada mesmo sem saber por que... Percebeu Quinn apontar para trás e o semblante da tal garota mudar para um bico que ela julgou ser ridículo... Sentiu uma mão em sua cintura e olhou pensando que era Santana. Uma morena mais alta do que ela a abordava com um olhar de puro desejo. Rachel não soube o que dizer, afinal a garota não falava nada, apenas a olhava de uma forma que parecia que queria engoli-la.
Q: Perdeu alguma coisa aqui?
O grito de Quinn para a garota fez Rachel despertar do entorpecimento no qual estava. A garota logo tirou a mão do lugar e ergueu as duas em rendição.
“Eu não sabia que ela tinha dona.” [foi só o que conseguiu dizer]
Q: Ela tem! [disse séria] Pode circular e voltar a caçar!
Rachel a olhou surpresa, com um sorriso encabulado:
R: Eu... Paralisei! Não sabia o que dizer... Ela sequer falou nada...
Q: Eu percebi. [estendeu-lhe a água]
R: Obrigada... Eu... Tenho dona? [perguntou sorrindo]
Q: Bom... [sorriu de volta] Me desculpe! Eu achei que ela estivesse sendo inconveniente. Se quiser eu posso te deixar livre, caso queira mudar de time hoje... [piscou-lhe brincalhona]
R: Não! [respondeu imediatamente] Não me deixe livre...
Q: Ok... [continuou sorrindo] Não sairei de perto...
R: Eu não quero te atrapalhar... [apontou para o bar] Eu vi que estava rolando alguma coisa e... Não sei... Não quero que você fique de babá...
Q: Não se preocupe... [piscou-lhe] Vamos nos divertir juntas...
Não demorou para que Rachel se sentisse à vontade. Quinn não saía de perto dela e elas dançavam sem parar. Não havia qualquer indício de que a loira poderia estar fazendo aquilo apenas como um favor para ela. Quinn estava realmente se divertindo com sua companhia e a morena não poderia estar mais feliz naquele momento...
Quinn sentiu Santana a puxando pelo braço para falar em seu ouvido:
S: O que você está fazendo?
Q: Do que fala?
S: Emma está louquinha pra ficar com você e você fica aí dançando com a Rachel...
Q: E daí? Eu vim com a Rachel. Não vou mudar isso porque a Emma quer ficar comigo.
S: Quinn! [esbravejou] Eu abri mão de transar com você de novo porque pensei que você ficaria com ela quando viesse pra cá. Eu abri mão de transar com ela porque achei que seria indelicado da minha parte prová-la primeiro. Você conversa com ela por mensagem, deixa a garota louquinha e quando tem a chance a dispensa?
Q: Primeiro... Você não abriu mão de transar comigo. Você só transaria comigo de novo se eu quisesse. Quem decide isso sou eu, não você! [disse fria] Eu já expliquei a situação à Emma no bar, se ela não entendeu, não é problema meu. Eu estou me divertindo com a Rachel e não vou deixá-la de lado por um rabo de saia.
S: Deveria! [esbravejou novamente]
Q: Santana! Não tente me transformar numa marionete lésbica. Curtir garotas não implica ter que comer todas. Não se preocupe em me guiar nesse mundo porque eu sei por onde estou caminhando...
A discussão entre elas não era algo isolado, específico daquele momento. Desde que elas transaram pela primeira vez Santana vinha tentando agir como uma guia turística naquele mundo novo para a loira. Só que Quinn não parecia perdida naquele universo. O comportamento insistente da latina a irritava um pouco, mas Santana se irritava muito mais com a discrição da amiga. Ela sabia que Quinn ainda não contava tudo a ela. E aquilo a deixava louca de curiosidade...
R: Está tudo bem? [aproximou-se preocupada]
Q: Está... Você quer ir embora?
R: Pra mim, tanto faz! [deu de ombros]
Quinn olhou para Santana mais uma vez e falou o mais calma que pôde:
Q: Eu agradeço seu empenho e sua preocupação comigo, mas tenta pegar mais leve. Ok?!
A latina apenas acenou com a cabeça enquanto cruzava os braços visivelmente irritada...
Durante todo o percurso de volta pra casa, Quinn falou sobre vários assuntos, mas tudo o que Rachel queria saber era o motivo da discussão na boate. A morena fechava a porta do apartamento enquanto a loira retirava o casaco e o pousava sobre o encosto do sofá:
R: Por que vocês discutiram? [disparou]
Q: Você até que aguentou muito tempo! [sorriu]
A loira sabia que a morena estava louca de curiosidade. Ela sabia que ela queria perguntar e estava esperando o momento em que ela faria isso...
R: Desculpe... Não quero ser invasiva.
Q: Santana acha que precisa me ensinar algumas coisas. Ela acha que deve me guiar por esse “mundo novo”! [fez aspas no ar] Eu não gosto disso. Eu prefiro fazer as coisas do meu jeito.
R: Mas você não acha que é normal ela se sentir dessa forma? Ela foi sua primeira e não faz tanto tempo assim que você vem sendo mais aberta à sua sexualidade...
Quinn a olhou por alguns segundos e achou que poderia dizer a verdade à Rachel:
Q: Não sei se é normal ela se sentir assim. Ela foi sim a primeira garota com quem eu transei, mas não faz tão pouco tempo que eu venho sendo mais aberta à minha sexualidade.
R: Hã? [surpreendeu-se]
[FLASHBACK ON]
Quinn terminava de arrumar seu apartamento. Estava feliz por ter saído do dormitório de Yale. Achava tudo muito apertado considerando que tinha que dividir o quarto com outra garota. Norah era uma excelente companhia, mas não muito organizada. Mas não era bem esse o problema. A convivência diária e a proximidade acabaram revelando uma atração forte entre elas. Nenhuma das duas falava no assunto, mas a tensão começou a se formar dia após dia. Aquilo começou a incomodar Quinn quando ela percebeu que reparava demais nos cabelos negros lisos e nos olhos cor de mel de sua companheira de quarto. Além dos cabelos escuros lisos e da franja perfeita, ela nada tinha a ver com Rachel, mas Quinn sempre se lembrava da morena baixinha quando estava com Norah.
Pizza, vinho e filmes eram os ingredientes daquela noite. Quinn convidou Norah para conhecer seu apartamento e a morena se encarregou de escolher a melhor garrafa de vinho que 100 dólares pudessem pagar.
Durante um tempo a tensão que existia no dormitório pareceu culpa do espaço. No apartamento elas conseguiam interagir de uma forma mais natural. Talvez o vinho tenha contribuído para o calor, mas antes que o segundo filme chegasse ao meio, Quinn percebeu Norah se aproximando dela. Não houve barreira. Não houve vontade de impedi-la. Norah a beijou e ela gostou. Gostou tanto que avançou sobre a garota. Nenhuma das duas tentou racionalizar sobre o momento e os beijos daquela noite foram realmente muito quentes.
Quinn não estava pronta para sexo, apesar de gostar dos toques quentes da morena em seu corpo. Ela sequer sabia se estava pronta para aqueles beijos. Ela e Norah ficaram mais algumas vezes e nunca chegaram a conversar sobre o que estava acontecendo. Houve uma quinta-feira em que Norah convidou Quinn para passar a noite no dormitório, mas a loira se recusou. No dia seguinte ela pegava o voo para o casamento do Sr. Schue.
Em Lima, Quinn amargurava seu descontentamento com os homens, o que deixou Santana bastante animada e orgulhosa. A latina a levou para a cama e não houve qualquer arrependimento de qualquer parte. Transar com a melhor amiga, naquela situação, foi a melhor decisão que Quinn poderia ter tomado, mesmo sabendo que poderia ter sido um desastre capaz de abalar a amizade delas para sempre.
Era terça-feira e Norah estudava para uma prova complicada que teria naquela semana. Ouviu as batidas na porta e bufou antes de abrir. Seu semblante mudou completamente ao ver Quinn diante de si. A loira entrou no quarto sem esperar que fosse convidada:
N: Pensei que ainda estivesse em Ohio... [disse enquanto fechava a porta]
Norah não teve tempo de nada. Quinn a puxou para si e tomou seus lábios com extremo desejo. A morena correspondeu imediatamente. Sentiu as mãos da loira na barra de sua blusa e levantou os braços para que ela lhe despisse. Foi tudo muito rápido até Norah estar completamente nua sobre a cama, sentindo os beijos de Quinn em seu pescoço e as mãos da loira vagarem por seu corpo.
Quinn repetia movimentos que Santana havia feito nela. Movimentos que havia espelhado na latina. Ela apertava os seios de Norah com um ar de “finalmente”, porque ela sabia que queria fazer isso já há algum tempo. Elas não falavam nada. Quinn seguia seu caminho sem precisar de guia, sem precisar de pedidos. Ela fazia o que queria e Norah permitia sem qualquer contestação.
Quinn não se impôs limites, não se prendeu a amarras de preconceito ou medo. Ela simplesmente se deixou levar pelo desejo, pelo prazer que ela sabia que queria sentir e que Norah lhe proporcionava já em mente... A loira gemeu alto ao ter os seios da morena em sua boca. Ela deslizou a língua demoradamente ao redor dos bicos e os sugou com tanto desejo que Norah quase teve um orgasmo. Quase... Quinn ainda tinha muito o que fazer...
Norah a puxou para um beijo quente e Quinn o saboreou. Sugou a língua da morena como nunca antes havia feito. Ao se separar em busca de ar, levou a mão instantaneamente à testa da morena, afastando a franja que ali caía. Por uma fração de segundos ela viu Rachel Berry diante de si. Fechou os olhos com força e os abriu novamente, encontrando de novo os olhos cor de mel de Norah...
Quinn seguia segura, determinada. Ela sabia o que queria e ela teria. Ela faria do jeito que tinha vontade. Afastou as pernas de Norah e se colocou entre elas. A morena gemeu em antecipação. Quinn abocanhou o sexo de Norah e a segurou firme no lugar. A língua de Quinn parecia saber exatamente o fazia. Ninguém diria que ela havia tido experiência apenas com Santana.
Quinn prendia o clitóris de Norah entre os lábios e sugava. Ela penetrava a morena com sua língua deixando-a completamente louca. Ela não esperou que a morena atingisse o orgasmo com o sexo oral. Ela passou a penetrá-la com os dedos enquanto recuperava seu beijo mais uma vez. Norah arranhava as costas brancas da loira enquanto a sentia tentar ir cada vez mais fundo dentro dela. Quinn gozou alguns segundos depois de Norah...
[FLASHBACK OFF]
Q: Eu quis dizer que eu vivi algo antes de Santana. Não foi a mesma coisa, mas houve uma garota...
R: Oh... [surpreendia-se]
Quinn não iria contar detalhes. Ela não se sentia à vontade expondo sua intimidade. O que Rachel sabia era culpa de Santana. Se dependesse da loira, nenhum detalhe seria repassado. Ela tinha certeza de que a latina havia contado detalhes sórdidos do que fizeram e isso a fazia se sentir um pouco nua diante de Rachel...
Mas havia algo mais, que ela ainda não sabia o que era, mas que a travava ao pensar em contar à Rachel sobre Norah. Ela não achava que a morena baixinha estava pronta para lidar com esse lado da sua vida. Era informação demais para absorver, eram mais do que simples detalhes. Norah era seu assunto privado e nem Santana sabia disso...
R: Quer conversar sobre? [perguntou temerosa]
Apesar de estar extremamente curiosa, Rachel sentia que não queria ouvir sobre qualquer envolvimento de Quinn com outra garota. A loira despertava nela muitas dúvidas, muitas sensações confusas. Rachel não sabia como lidar com aquilo. Quinn a desestabilizava e ela não entendia exatamente até que ponto...
Q: Não... [disse calma] Não é relevante... [sorriu] Estou sem sono. Topa um filme?
R: Topo! [sorriu] Vou trocar de roupa e já venho.
Alguns minutos depois e as duas estavam sentadas no sofá assistindo “The Vow”.
R: Obrigada por me fazer companhia hoje... [disse sem tirar os olhos da tela]
Q: Não precisa agradecer. Eu me diverti. Eu queria a sua companhia!
R: Queria? [virou-se para olhá-la]
Q: Queria... [olhou-a de volta] Ficamos muito próximas antes da formatura e senti falta disso quando fui para Yale... Achei que deveríamos ter nos visto e nos falado mais vezes. [confessava] No casamento do Sr. Schue sequer nos falamos.
R: Eu sei... Desculpa! Eu...
Q: Não estou reclamando! [sorriu] Quer dizer, estou! Mas não em busca de desculpa ou respostas. Eu gosto da sua companhia e quero desfrutar dela mais vezes...
A morena sorriu suavemente e acenou com a cabeça. Ela não sabia o que dizer. Sentiu um calor especial em seu coração... Quinn puxou uma manta grossa e as cobriu, voltando sua atenção ao filme. Rachel a sentiu tão perto que seu coração disparou... Alguma coisa estava acontecendo ali...
Quem daria o primeiro passo?
[CONTINUA...]
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