The Chemical Between Us...
16 Capítulo 16 - A cor da amizade...
Quinn esperava as malas aparecerem na esteira enquanto Rachel a observava mais atrás. A morena estava ao telefone com Santana. Ela precisava de conselho. Precisava saber como se comportar com Quinn depois do desentendimento que tiveram. Só a latina podia ajudá-la:
S: Faça a Fabray sofrer!
R: Eu não sei se conseguirei... [disse temerosa]
S: Não seja otária! Ela fez você chorar. É a hora de dar o troco.
R: E como eu faço isso?
S: Negue sexo.
R: Eu já queria falar com ela que é melhor ficarmos na amizade tradicional, mas eu não sei se conseguirei cumprir com minha própria ideia. E se eu quiser sexo mais do que ela?
S: Contenha-se. Faça a Fabray subir pelas paredes, louca por você!
R: E se ela não subir? [perguntou temerosa]
S: Ela vai subir! Confie em mim!
Ao desligar o telefone Rachel viu a loira se aproximando com as duas malas. O voo tinha sido tranquilo. A morena fingiu que lia um livro durante todo o trajeto até Chicago, enquanto Quinn observava a paisagem através da janela, sem querer atrapalhar Rachel que parecia realmente concentrada... Mas ali, no aeroporto, elas precisavam interagir. Não tinham como escapar...
R: Obrigada por pegar minha mala.
Q: Não precisa agradecer! Vamos pegar o carro?
R: Carro?
Q: Sim! Eu aluguei um carro para a gente pela internet. A locadora fica logo mais à frente.
R: Pensei que pegaríamos um táxi.
Q: Um carro é mais prático!
Rachel precisava manter uma pose imparcial, mas estava derretida com o fato de Quinn tomar a frente de tudo.
A loira dirigia com a ajuda do GPS enquanto Rachel mexia no celular trocando mensagens com Santana. A latina continuava dando dicas de como provocar Quinn, de como enlouquecê-la completamente. A morena ia anotando tudo. Ela não poderia se esquecer de nenhuma dica.
No hotel, Quinn fez o check-in e pagou a gorjeta do carregador de malas. Rachel não precisava pensar em fazer nada, porque a loira se adiantava, como se lesse a mente dela. Ao entrar no quarto, a morena sentiu o corpo travar. Era tudo mais bonito do que na foto do site do hotel. A cama era de casal e perfeita. Ela não sabia se teria força de vontade de lutar contra o desejo de ficar ali completamente nua para ser devorada por Quinn Fabray.
Q: Podemos conversar?
A voz rouca fez a morena estremecer. Ela gostava daquela voz e a queria em seu ouvido. Ela gostava tanto!
Rachel a olhou com um sorriso suave e sentou na cama, assentiu suavemente para que Quinn começasse a falar.
A loira continuou de pé. Ela estava um pouco nervosa. Não estava acostumada a se desculpar, mas ela sabia que deveria fazer aquilo. E ela faria... Levou as mãos aos bolsos do casaco que usava...
Q: Eu tenho plena noção de que meu comportamento ontem foi inadequado e que não há justificativa. Eu não quero justificar. Não estou pedindo que você entenda. Mas eu quero que você saiba que eu não quis ser grossa, nem te magoar. Eu não quis fazer você se sentir como se valesse menos pra mim.
Rachel sentia sinceramente na voz e na expressão de Quinn. Ela sabia que a loira falava de coração. Ela queria perdoá-la imediatamente, mas não podia ser tão fácil assim. Quinn não podia vacilar e ver as coisas se resolverem tão rápido!
R: Eu sei que não foi sua intenção. Eu não estaria tendo essa conversa com você se pensasse que você é capaz de me magoar de propósito. [disse compreensiva]
Q: Então...
R: Mas você estava transando com outra garota enquanto eu estava esperando por você. [interrompeu]
Q: Não é o que você pensa. [tentou se explicar] Não é...
R: Não importa. [levantou-se] Você não me deve satisfação. Eu sei disso. Você sabe disso. [passou a caminhar pelo quarto, tirando o casaco que vestia] Mas eu não quero discutir com você de novo...
Rachel começava a colocar em prática o plano para enlouquecer a loira:
R: Por isso, eu acho que devemos parar por aqui.
Q: Hã? [assustou-se]
R: Acho que devemos ficar apenas na amizade tradicional. Sem benefícios. Não quero que as coisas se confundam. Não quero que a gente brigue outra vez.
A morena esperava alguma resposta da loira, mas ela ficou em silêncio.
R: Quinn? [estranhou] Você me ouviu?
Um leve balançar de cabeça indicou que ela estava fazendo parte da conversa, ainda que não falasse.
R: Você não vai falar nada?
Q: Ok... [disse fria] Se é o que você quer...
Rachel esperava qualquer reação, menos aquela. Ela esperava perguntas, esperava que Quinn lhe desse material para argumentar. Mas a loira apenas concordou, como se fosse um robô.
Q: Você quer que eu peça à recepção para nos trocar de quarto e nos colocar em um com camas separadas?
R: Não! Não acho necessário...
Claro que Rachel não queria camas separadas. Ela queria que Quinn ficasse louca com a proximidade.
A loira se moveu e começou a retirar o casaco, colocando-o sobre a cadeira:
Q: Então você não me desculpou... [constatou]
A voz dela saiu apática, com um toque de decepção...
R: Por que diz isso? [questionou confusa]
Q: Sua decisão... Você está tão chateada comigo que não acha mais uma boa ideia termos a mesma intimidade... [sentou-se desanimada] Eu realmente não queria ter te magoado... E não sei como te compensar...
Rachel queria ser a dona da razão. Ela queria Quinn aos seus pés, como Santana disse que seria. Mas tudo o que ela queria fazer naquele momento era passar uma borracha no desentendimento delas e dizer à loira que estava tudo bem, cair nos braços dela e transar por horas sem fim... Ela queria sentir o cheiro de Quinn. Queria o carinho que a loira dava mesmo sem perceber... Mas ela precisava ser forte. Ela precisava se conter. Ela precisava ter controle e fazer Quinn sofrer um pouquinho. Porém, parecia que quem mais sofreria com aquele joguinho seria ela. Caminhou de volta à cama e sentou ao lado da loira:
R: Vamos deixar isso pra trás. Passou. Acabou.
Q: Então está tudo bem?
R: Está... [sorriu suavemente] Voltamos à amizade de antes. Sem tantas cores. [sorriu ainda mais, fingindo segurança] Amizade colorida não deu certo entre a gente... Você poderá continuar ficando com quantas garotas quiser e eu, talvez, possa me envolver com outras garotas também. Afinal de contas, você me abriu alguns horizontes, né?!
O sorriso de Rachel era provocante, embora ela não soubesse disso. Ela só queria ser engraçada, mas fez o corpo de Quinn esquentar. A loira sentiu algo que nunca sentiu por ninguém. Ela teve certeza de que o nome daquilo era ciúme...
R: Bom... [levantou-se] Eu vou ao banheiro e depois nós poderemos sair para comer alguma coisa. O que acha?
Quinn concordou com a cabeça. Suavemente... Um sorriso quase inexistente... A morena lhe deu as costas e caminhou, fechando a porta do banheiro. Lá dentro ela pôde soltar o ar que prendia nos pulmões. Era difícil fingir desinteresse em Quinn. Era difícil resistir a ela... Mas ela precisava. Ela precisava. Ela precisava. Repetia mentalmente o mantra de que precisava muito se conter. Porque Quinn merecia sofrer um pouco por tê-la feito chorar. Porque Quinn precisava provar que a queria muito. Rachel já não tinha tanta certeza de que isso daria certo...
A loira continuava sentada na cama, olhando fixamente para a porta fechada do banheiro. Não estava costumada a levar um fora. Não mesmo! Mas pior do que levar um fora era ter que aceitar o fato de que esse fora vinha de Rachel Berry. Não Rachel. Dela não... Logo ela? Por que ela? Justamente ela? Ela. Ela... O corpo gostoso, a voz sensual, o cheiro inebriante, o sorriso maravilhoso, as pernas torneadas, a intimidade quente, o gosto viciante do gozo...
Quinn levou as mãos aos olhos. Aquela sensação era nova. Era muito nova. Ela não queria se sentir daquela forma. Mas ela sentiu raiva ao imaginar não mais tocar o corpo de Rachel. Não mais ouvi-la gemer em seu ouvido. Não mais lamber o suor no corpo da morena... Ela não queria deixar de chupá-la, de beijá-la, de sentir seus dedos inundarem da essência da morena ao mergulhar em suas profundezas... Era cedo demais para abrir mão do paraíso que era o sexo com Rachel Berry. Ela não queria. Ela não queria...
Rachel lavava o rosto e se encarava no espelho. Pegou o celular no bolso de trás e leu as anotações que fez das dicas de Santana. “Dar um gelo em Quinn”. Ela tinha dado o primeiro passo para fazer essa dica dar certo. Ia ser difícil. Ia ser muito difícil lidar com a possibilidade de Quinn não ir atrás dela. Se a loira levasse aquilo a sério e assumisse o fato de que elas deveriam ser apenas amigas como antes, Rachel iria se arrepender amargamente... Mas ela precisava arriscar. Ela precisava arriscar tudo para ter tudo... Respirou fundo e travou o celular, colocando-o de volta no bolso de trás da calça. Olhou-se no espelho mais uma vez e sorriu.
A morena abriu a porta e Quinn não estava mais sentada na cama. Não. Ela não estava lá. Na verdade, ela estava de pé, na frente dela, diante da porta. A loira a olhava firme, tão firme que a fez estremecer.
Quinn deu um passo à frente, ficando mais perto de Rachel. A morena sentiu o corpo inteiro arrepiar... A loira deu mais um passo. A morena deu um para trás. Era um embate silencioso. Mais um passo à frente de Quinn. Outro passo para trás de Rachel... E nessa “dança”, a morena sentiu o corpo encostar na pia. Ela não tinha mais como retroceder. Quinn estava diante dela. Muito perto. Tão perto que ela quase sentia a respiração da loira bater em seu rosto...
Q: Diga que me quer longe. [disse rouca] Diga que não está apenas me punindo por ontem...
R: Eu... [gaguejava] Eu...
Q: Diga que quer que eu me afaste... [ordenou] Eu quero ouvir você dizer que não quer que eu te toque mais...
Rachel fechou os olhos. Ela não estava conseguindo jogar o jogo que tinha em mente... Ela não conseguia. Ela simplesmente não conseguia... Abriu os olhos novamente e viu o rosto de Quinn ficar ainda mais perto. As mãos da loira seguraram o mármore da pia e a morena ficou presa entre os braços dela. Ela sentiu o nariz de Quinn quase lhe tocar:
Q: Eu só preciso que você mande eu me afastar. Que diga que não quer que eu te toque mais... Diga apenas uma vez...
Rachel não disse e Quinn percebeu que ela estava amolecendo. A loira deslizou o nariz pelo rosto dela, indo em direção à orelha:
Q: Diga que não quer mais sentir minha língua passeando pelo seu corpo. Diga que não quer mais que eu te chupe... Diga que não quer mais gozar na minha boca e eu te deixo em paz. E eu nunca mais tocarei você novamente. Apenas diga que não quer mais nenhuma cor na nossa amizade. Diga e nunca mais chuparei seus seios, nunca mais farei você gemer no meu ouvido...
Tudo o que Rachel conseguiu fazer foi virar o rosto e buscar a boca de Quinn. A loira não precisou continuar falando mais nada. A morena cedeu à sensualidade dela. Cedeu facilmente. E cedeu com intensidade. Quinn sentiu Rachel a puxar pela blusa com força, como se ela tivesse alguma intenção remota de se afastar. Não... Ela não queria mesmo se afastar. A loira a suspendeu, fazendo-a se sentar na pia. Rachel a prendeu entre as pernas.
O beijo era quente. As línguas se buscavam com tanto desejo, que ambas gemiam sem qualquer controle. Elas não queriam controlar. Não mesmo!
As mãos de Quinn mergulharam sob a blusa da morena, agarrando os seios macios sobre o sutiã. Rachel, por sua vez, levou as mãos à nuca da loira, firmando-se naquele beijo. Firmando-se naquela intimidade que ela não conseguia cortar...
Fazia um pouco mais de uma hora que elas estavam em Chicago. Em apenas uma hora Rachel viu seus planos de dificultar o efeito do charme de Quinn sobre ela se desfazerem num piscar de olhos. Ela precisaria ser mais firme. E talvez ela conseguisse. Mas depois... Apenas depois. Naquele momento ela estava ocupada demais com a língua de Quinn em sua boca. E com a possibilidade de mais um sexo gostoso...
Depois daquela vez ela seguiria com seu plano. Talvez ela conseguisse... Talvez...
[CONTINUA...]
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