The Chemical Between Us...

12 Capítulo 12 - Quando o desejo fala mais alto...


Quinn sabia que estava sendo beijada. Beijos quentes, com muita língua. Beijos ardentes que deixavam sua boca para atacar seu pescoço pálido. Ela sentia lábios, língua e dentes deslizando por sua pele. Ela sentia, mas sua mente não conseguia parar ali. Sua mente estava onde ela sabia que não deveria estar. Estava há quilômetros dali. Estava em uma morena baixinha cujo corpo tinha virado sua ardente tentação. E aquilo a frustrou. Ela não queria pensar em outra garota quando já estivesse com uma na cama... Empurrou Norah com cuidado, afastando-a de seu corpo:

N: O que houve?

Q: Eu... Eu lembrei que tenho um trabalho para entregar amanhã. Preciso ir pra casa...

Levantou-se da cama e começou a pegar as peças de roupa jogadas pelo chão.

N: Não acredito que você vai me deixar aqui cheia de tesão sem terminar o que começamos!

Quinn se vestia depressa, mas ao terminar sorriu suavemente e se aproximou para deixar um beijo nos lábios de Norah:

Q: Eu compenso em outra hora. Mas agora você vai ter que me perdoar, pois preciso correr!

A loira não esperou por nenhuma resposta. Saiu como um furacão do quarto da morena. Seus passos iam ficando mais devagar, até que ela já não tinha pressa nenhuma. Ela só não podia ficar ali. Não naquele momento. Não enquanto estava com a cabeça no corpo de outra morena. Ela bufou frustrada. Ela não aceitava se sentir daquela forma. Não mesmo!

Em Nova York, Rachel terminava de preparar um bolo enquanto Santana comia o resto da massa direto da panela. O assunto entre elas não poderia ser outro além de Quinn:

S: E vocês falaram sobre o quê desde domingo?

R: Não nos falamos muito. Mas quando falamos foi sobre a viagem para Chicago.

S: Você acha mesmo uma boa ideia viajar com ela?

R: Por que não seria?

S: Vocês estão em sintonia diferente. Não quero que você se machuque por estar mais adiantada do que ela nisso...

Rachel terminou de definir a temperatura do forno e se sentou diante da latina:

R: Você acha mesmo que eu consigo conquistá-la? [perguntou insegura]

S: Eu tenho certeza! Você só precisa não ir com muita sede ao pote. Precisa jogar o jogo dela.

R: Mas isso não me fará igual a qualquer uma?

S: Quinn é uma lésbica em ascensão. [dizia com ar superior] Uma leoa lésbica solta na selva lésbica cheia de mulheres prontas para serem devoradas por ela. Se você a pressionar vai afugentá-la. Se você tentar domesticar essa leoa lésbica sedenta por bundas e peitos variados, ela vai fugir. Você precisa deixá-la brincar nessa selva cheia de vaginas se oferecendo para ela, até que ela perceba que pode usar uma coleira e servir só a você. Qualquer coisa antes disso, vai jogá-la para longe do seu paraíso monogâmico. Está preparada para isso?

R: Não! [respondeu rápido] Ser alguma coisa dela é melhor do que ser coisa alguma. Só é muito injusto que eu já esteja assim, querendo só ficar com ela, enquanto ela quer um mundo de possibilidades femininas. [reclamou] Eu vou ter que esperar quanto tempo, vendo-a rodar em outras mãos?

S: Relaxe! Se você quiser eu te levo pra beijar outras bocas. Umas bocas bem boas que farão você se distrair enquanto a Fabray se distrai sem você...

Rachel não pôde evitar rir com a proposta. Santana estava sendo muito útil naquele momento. Ela tinha certeza de que ninguém seria tão legal com ela como ela estava sendo. A latina percebeu o brilho nos olhos da amiga. Sabia que não tinha como Rachel voltar atrás naquilo...

S: Então eu acho que essa viagem vai ser muito boa para vocês.

R: Eu espero que seja! [mantinha-se insegura]

S: Liga pra ela e provoca. Diz que está escolhendo as calcinhas da viagem...

R: Engraçadinha... [disse sarcástica] Eu não quero ligar para ela o tempo todo.

S: Não quer ser pegajosa?

R: Não é isso... [baixou os olhos constrangida] Se ela não atender eu vou pensar que ela está com outra garota...

Era quinta-feira quando Rachel voltava para casa cansada da aula de dança. Estava acompanhada de Kurt que não parava de falar sobre Blaine. Sentia-se um pouco culpada por estar fingindo interesse no assunto, mas ela não conseguia mesmo se concentrar nele. Queria muito comer um pedaço do bolo que havia feito, mas tinha certeza de que Santana não tinha deixado nada para ela. Abriu a porta fingindo um sorriso para o amigo e se assustou com o grito que ele deu ao entrar antes dela. Logo entendeu a surpresa dele:

K: Quinn Fabray em carne e osso numa quinta-feira aqui em casa!

Rachel sentiu o corpo gelar. A loira estava ali, linda, muito linda, linda demais! Olhando para ela com um sorriso suave.

S: Olha só, Berry, quem chegou de repente, como num passe de mágica! Coisa de filme mesmo! [provocou divertida]

A morena se aproximou com o intuito de abraçá-la, mas travou no meio do caminho, causando estranheza tanto na loira como na latina:

R: Eu preciso tomar banho! Estou suada da aula de dança.

Rachel correu para o quarto e fechou a porta, abrindo-a de repente e correndo para o banheiro.

K: Liga não, Quinn! Você sabe que a Rachel é estranha.

A loira nada disse. Apenas olhou para Santana e sorriu.

K: Você vai com a gente para o jogo de basquete?

Q: Basquete? [olhou confusa para Santana]

S: Lakers x Bulls... Talvez ainda haja ingresso para comprar. Vem com a gente?

Q: A Rachel vai?

Um sorriso sacana surgiu nos lábios de Santana. Um sorriso que não passou despercebido por Quinn. Mas antes que ela pudesse tentar explicar alguma coisa, a latina respondeu:

S: Vai sim!

K: Vamos, Quinn! Vai ser muito divertido!

Q: Eu vou! [concordou sorrindo]

K: Ótimo! Vou para meu quarto falar com Blaine pelo Skype, já que não poderei fazer isso mais tarde.

Assim que ele saiu da sala, Santana cruzou os braços e olhou novamente para a loira, com um ar de que sabia exatamente o que se passava na cabeça dela:

S: Você só vai se a Rachel for?

Q: Fala logo aonde você quer chegar, Santana! [disse calma]

S: Quero saber que nota você dá a ela...

Quinn gargalhou, sem acreditar na petulância da latina.

Q: Eu não vou responder...

Santana a empurrou no sofá e sentou ao lado, pressionando-a o suficiente para obter alguma informação:

S: Qual é, Quinn?! Por tudo o que te ensinei... Eu preciso saber se minhas lições sexuais estão sendo bem aplicadas. Você é minha obra-prima lésbica! Me diz alguma coisa, minha “Mona Lésbica”!

Q: Não! [tentava conter a risada]

S: Eu vou insistir até você cansar! Você sabe disso!

Q: Você é um saco, sabia?!

S: Vai! Fala logo!

Os olhos de Santana brilhavam. Ela sabia que ouviria alguma coisa muito boa saindo da boca de Quinn. A loira se sentou de forma mais confortável e olhou fixamente nos olhos da latina:

Q: Ela é mais gostosa do que eu sou capaz de pontuar...

S: Seja mais clara!

Quinn olhou em direção ao corredor que levava ao banheiro e diminuiu o tom de voz:

Q: Nunca chupei nada tão gostoso...

Santana caiu para trás com um sorriso imenso no rosto. Ela estava orgulhosa, muito orgulhosa de Quinn:

S: Você é minha criaturinha lésbica! [bateu palmas] Estou tão orgulhosa da minha pupila!

Q: Criaturinha lésbica? [fez careta]

S: Se eu tivesse um caminhão, eu mandava colocar um adesivo gigante com seu rosto, como a princesa lésbica do reino das criaturinhas que amam chupar uma...

Antes que a latina terminasse de falar, Quinn levou a mão à boca dela:

Q: Menos, Santana! [repreendeu]

Quando Rachel saiu do banheiro encontrou a sala vazia. Estranhou, mas também se sentiu aliviada. Pensou que teria tempo suficiente para se arrumar. Cheirosa já estava. Queria ficar bonita como nunca, afinal, Quinn estava lá. Tomou um susto quando entrou no quarto. A loira estava sentada em sua cama, esperando por ela pacientemente. Fechou a porta. Sentiu que a respiração passava a ficar diferente. Não teve muito tempo para pensar em como agir. A voz melodiosa de Quinn se fez presente:

Q: Você se esqueceu de escolher a foto.

A loira se levantou e pegou um tubo de papelão que tinha colocado sobre a mesa de estudos da morena. Só então Rachel se lembrou de que realmente não havia escolhido uma foto da exposição de Quinn em New Haven...

Q: Então eu tomei a liberdade de escolher e trazer para você...

Rachel estendeu os braços e pegou o tubo que a loira lhe apontou. Seus olhos brilharam de felicidade, mas ela não sabia disso. Seus olhos refletiam como ela se sentia diante daquele ato tão carinhoso de Quinn. Um ato qualquer, numa quinta-feira qualquer... Talvez nada fosse qualquer coisa quando era sobre ela...

Assim que abriu a embalagem, o brilho nos olhos de Rachel atingiu um nível mais alto. Se ela estivesse se vendo no espelho, estaria totalmente constrangida. Seu olhar dizia tudo. Qualquer um podia ver... Menos Quinn... Quinn só via o que queria ver. Ela só via o corpo delicioso coberto apenas pela toalha. Ela só via os pingos d’água escorrendo pelo pescoço da morena...

R: Que foto linda, Quinn! [disse encantada] Acho que é a mais linda de todas!

A loira não ouviu muito bem o que ela disse. Seu desejo gritava em sua mente. Perder o controle diante de Rachel não estava em seus planos. Perder o controle diante de ninguém, aliás. Ela se orgulhava de conseguir lidar com seus desejos de forma muito calculada. De saber como e quando agir. Mas com Rachel de toalha ali, nada ao redor importava mais... Ela havia saído de New Haven sem pensar muito. Se pensasse o suficiente, ela não iria. Mas o desejo falou muito mais alto do que qualquer coisa. Ela queria Rachel de novo. E ela a teria. Ela só precisava saciar aquele desejo. Apenas isso e voltar para casa. Ela havia deixado Norah nua na cama da morena sem terminar o que havia começado. Ela não havia dormido naquela noite, só pensando nas curvas de Rachel. Então ali, diante dela, tudo o que ela conseguia era tentar fazer seu olhar atravessar a toalha e enxergar o corpo bem esculpido por baixo dela...

R: Quinn?

A loira se aproximou dela devagar, fazendo-a ir retrocedendo cada passo que ela dava adiante, até chegar à parede. Sentiu o corpo de Quinn grudar ao dela e os olhos verdes devorarem seus lábios carnudos...

Q: Me dê uma razão para não tirar sua toalha agora...

A voz de Quinn era mágica. Sensualmente mágica. Sexy em um nível que Rachel era incapaz de calcular. Era de arrepiar o corpo inteiro, de fazer as pernas tremerem, de umedecer a intimidade em menos de um segundo...

R: Eu não... [tentava articular as palavras] Eu não consigo pensar em nenhuma razão... Nenhuma mesmo...

Quinn levou as mãos hábeis e retirou a toalha... Sentiu a boca encher d’água ao rever o corpo moreno diante de si. Era aquele... Aquele corpo que ela queria. E ela o queria logo...

Rachel corou. A forma como Quinn a olhava era extremamente predadora. Mesmo com toda a intimidade que já tiveram, a loira ainda a deixava nervosa...

Quinn não queria agir daquela forma. Ela pretendia ser mais sutil. Queria fazer um joguinho de conquista mais suave. Mas como ela poderia seguir um ritmo mais devagar diante do corpo pecaminoso de Rachel? Como? Ela não tentou mais se controlar... A morena sentiu os lábios da loira se apossarem dos seus e o corpo lhe guiar naturalmente até a cama. Sentiu as mãos macias de Quinn apertarem seus seios, massageando-os acompanhados de gemidos sem qualquer timidez... Arqueou as costas ao sentir os dedos de Quinn deslizarem entre suas pernas, provocando sua intimidade...

A sensação de vazio ao sentir os lábios de Quinn soltando dos seus fez Rachel abrir os olhos alarmada:

Q: Molhadinha... [sussurrou] Eu sei o que quero... [disse excitada] Eu sei muito bem o que eu quero... Mas quero saber se você quer a mesma coisa...

R: Eu quero! [respondeu também excitada] Você sabe que eu quero!

Q: Eu quero ouvir! Fala pra mim...

A respiração de Rachel estava acelerada, entregando a excitação que era bem evidente...

R: Eu quero que você me chupe...

Quinn aproximou o rosto até o limite de fazer seus narizes se tocarem:

Q: Fala de novo... [pediu]

R: Me chupe... Por favor!

É claro que Quinn atenderia a esse pedido! Ela queria! Queria muito! E ela o fez... Rachel levou as mãos aos cabelos loiros e os puxou com força ao sentir a forma como Quinn a chupava. Era como se o clitóris da morena tivesse sido feito para se encaixar entre os dentes da loira, tamanha era a perfeição com que Quinn a degustava. Da língua que a penetrava à boca inteira a engolindo, Rachel não sabia ao certo o que a enlouquecia mais...

Mas a porta as fez saírem daquele universo de luxúria só delas. Santana batia com força mandando se apressarem...

Quinn rolou para o lado de Rachel respirando fundo, tentando diminuir a excitação que sentia:

Q: Desculpa... [pediu sincera]

A morena estava ofegante e tentou raciocinar sobre o que tinha acabado de acontecer. Virou-se para ela sem entender:

R: Por que se desculpa?

Q: Por ter sido atirada demais! Rápida demais! Eu só... Não deu pra ser diferente... [tentava se explicar]

Ouvir aquilo não deixava de ser um elogio. E dos bons! Rachel sorriu suavemente:

R: Você me ouviu reclamar? Assim que eu te vi fui tomar banho para estar cheirosa, no caso de você fazer exatamente o que fez... E que bom que fez!

Quinn sorriu e Rachel pôde ver que ela estava um pouco corada. A loira a puxou para si e deslizou o nariz pelo pescoço da morena:

Q: Seu cheiro é uma delícia! O cheiro por baixo do sabonete... O cheiro da sua pele... Do seu suor...

E Santana aproveitou que Kurt já havia descido e esmurrou a porta mais uma vez! E Quinn agradeceu em silêncio. Ela detestou ser interrompida, mas ela amou ao mesmo tempo. Rachel a fazia dizer coisas que ela não se sentia à vontade em dizer. Mas era como se ela não conseguisse se controlar diante dela. Ela queria transar, mas não queria falar nada além de coisas quentes. Ela queria chupá-la e beijá-la e devorá-la por inteiro... Ela queria quente... Ela queria controle, mas, de certo modo, Rachel a descontrolava...

Estavam no ginásio à espera do início do jogo. Santana estava empolgada, enquanto Quinn e Rachel apenas riam com os gritos que a latina dava junto com a torcida dos Lakers.

K: Vocês não vão namorar?

Quinn se surpreendeu com a pergunta de Kurt:

Q: O que disse?

K: Você e Santana não vão namorar? Vocês se dão tão bem e agora têm essa intimidade toda que a gente sabe onde vai dar... Porque não namoram logo?

Kurt não sabia de nada. Nada mesmo! E aquilo surpreendeu a loira. Ele era o melhor amigo de Rachel e, no entanto, não imaginava que elas tinham transado. Aquilo deveria parecer tão absurdo para ele que sequer percebeu que elas se comiam com os olhos desde que saíram de casa...

R: É uma amizade colorida, Kurt. Apenas isso! [adiantou-se para responder]

K: Pois eu acho que vocês deveriam namorar. Santana está mesmo precisando de alguém que lhe dê carinho... [levantou-se] Vou comprar nachos... Querem?

R: Não!

Q: Não... Obrigada... [respondeu baixinho]

Quando ele se afastou, Quinn se virou para a morena:

Q: Por que ele não sabe sobre o que está acontecendo entre a gente?

R: É que... [desviou o olhar] Eu não sei como contar... [disse sem graça] Ele vai me censurar e eu não quero isso...

Q: Por que ele censuraria?

R: Ele diria que é loucura! E falaria outro monte de coisas para me mostrar que a gente não deveria fazer isso...

Q: E qual o problema de ouvir o que ele pensa? Você está preocupada em concordar com ele?

Quinn estava visivelmente incomodada com aquela conversa e Rachel percebeu, só não sabia exatamente o motivo...

R: Claro que não! [disse sincera]

Q: Então qual o problema? [perguntou suavemente]

R: Eu só não quero ouvir nenhuma ladainha... Não quero que ele tente fazer algo tão bom parecer algo errado...

Q: Então você não está certa sobre o que estamos fazendo... [disse séria]

R: Não é nada disso! [tentava esclarecer]

Q: Ele é seu melhor amigo. Se você não se sente bem em falar alguma coisa para o seu melhor amigo é porque isso te incomoda ou te envergonha. Ou você acha que é errado.

R: De onde está vindo tudo isso? [surpreendeu-se]

Quinn ergueu a mão, como se dissesse que não queria ir adiante naquela discussão. E ela realmente não queria, pois não sabia como continuar. Não entendia porque tinha se incomodado tanto por ser o segredo da morena. Mas, de alguma forma, aquilo a fez se sentir diminuída. E não era uma sensação boa...

Kurt voltou e não percebeu qualquer clima diferente. Santana continuava empolgada com a torcida dos Lakers, enquanto Quinn tentava encontrar uma forma de voltar a interagir com Rachel sem parecer que estava chateada ou que estava se desculpando por algo que nem sabia se precisava se desculpar. Ela queria ser natural e pronto. Mas ela nem precisou se esforçar. Sentiu as mãos da morena em seu rosto e os lábios carnudos dominarem sua boca, enfiando a língua entre seus dentes, buscando a sua língua para chupá-la. O beijo ia ficando mais quente e logo Quinn a puxou para mais perto. Elas tinham se desentendido por que mesmo? Não importava mais. O que importava era que Rachel estava tentando dizer que não se arrependia, que não tinha vergonha e que não era errado. Rachel deixava claro que aquela química entre elas era boa demais, gostosa demais para não ser aproveitada. E ela iria aproveitar...

Ela já não precisava mais se preocupar em contar ao Kurt...

[CONTINUA...]

Notas finais
Gostaram? ;-) Comentem! Beijos!