The Chemical Between Us...
1 Capítulo 1 - Olhos verdes...
Rachel estava em frente ao espelho. Uma montanha de roupas em cima da cama formava uma mistura entre novas e velhas. As novas tinham sido compradas naquela manhã. Ela saiu mais cedo de NYADA e foi direto às lojas. Várias delas! Nenhuma roupa parecia bonita o suficiente. Talvez misturá-las causasse o efeito que queria. Mas que efeito mesmo era o desejado?
Quinn pegava o táxi com sua mala. Depois de um tempo de insistência de Santana, e de algumas idas da latina à New Haven, a loira resolveu que estava na hora de passar uns dias em NY. Guardou o passe de trem na bolsa e se lembrou do dia em que presenteou Rachel. Sorriu triste com o fato de ter utilizado o seu enquanto a morena nunca havia utilizado o dela...
As ruas de NY pareciam mais movimentadas do que na última vez em que esteve na cidade. Ela sabia que havia uma grande chance de morar ali um dia e sentia que, provavelmente, seria bem feliz.
Se havia uma coisa que deixava todos felizes era o fato de ainda serem amigos. Quinn tinha medo de que o fim da escola os afastasse. Acreditava também que o fato de não morar em NY poderia ser um fator determinante em se sentir solitária. Mas isso não havia acontecido. Santana fazia questão de mantê-la como parte do grupo, mesmo que não fosse fisicamente.
Já fazia um bom tempo que todos tinham se encontrado no casamento do Sr. Schuester e, naquele dia, algumas coisas especiais aconteceram. Talvez, o sexo entre Quinn e Santana tenha sido a mais especial de todas, até porque, não se resumiu naquela noite...
Talvez, apenas talvez, o sexo entre elas não tenha sido a coisa mais especial daquele dia. Houve um momento rápido em que olhos castanhos observaram as duas entrando no mesmo quarto. Houve um momento em que a dona daqueles olhos sentiu um aperto no peito quando testemunhou Quinn Fabray e Santana Lopez íntimas demais no corredor do hotel. Houve um momento em que a dona daqueles olhos sentiu algo semelhante a ciúmes...
Quando a campainha tocou, Rachel se assustou. Ela não estava pronta. Aquela roupa não era a certa. Não! Estava cedo demais! Ouviu os passos de Santana no corredor e logo entendeu que ela abriria a porta. Sentiu alívio. Era o tempo de definir a roupa certa. De repente, paralisou. Olhou-se no espelho e não acreditou no que fazia. Por que estava se produzindo tanto? Por que estava tão preocupada com imagem? Jogou as peças que tinha em mãos sobre a cama...
Santana recebeu Quinn com um abraço caloroso. Ela estava realmente feliz por tê-la ali.
S: Até que enfim! Pensei que ia precisar te arrastar pelos cabelos.
Q: Eu não poderia ser assim tão fácil! [piscou-lhe]
S: Eu tenho você na cama quando quiser... Como pode ser mais fácil do que isso? [sorriu provocante]
Q: Não quando você quer... Quando eu permito... [devolveu a provocação]
Antes que alguma faísca surgisse entre as duas, Rachel apareceu na sala coberta com um roupão felpudo e pantufas. Era o total inverso de seus planos de mais cedo. Era o total inverso das roupas que comprou. Era quase a imagem de sempre só que, de alguma forma, diferente...
R: Hey! [sorriu para a loira]
Q: Enfim usei o passe! [sorriu de volta]
Quinn não agiu com cerimônia. Aproximou-se da morena e a abraçou firme. Demorou para Rachel retribuir. Ela estava surpresa com aquele ato. Quando seus braços se moveram para envolvê-la, a loira já havia se separado de seu corpo.
Q: Onde vou dormir? [olhou para Santana]
S: Na minha cama?
Quinn olhou ao redor. Analisou o espaço e logo se manifestou:
Q: O sofá está excelente! [piscou-lhe]
S: Ok... Destrua suas costas aí, então!
Rachel não conseguiu fazer parte daquele diálogo. Era a primeira vez que ela encontrava Quinn depois do dia do casamento do Sr. Schuester. Ela se arrependia de não ter conversado com ela naquela ocasião, mas tentava se convencer de que tinha sido tudo muito corrido. Santana fazia questão de falar sobre a mudança mais radical da vida de Quinn. Então, mesmo sem vê-la, ela sentia que sabia mais sobre ela do que poderia suportar...
S: Então vamos à melhor boate de NY!
A atenção da morena voltou à sala quando ouviu os planos que Santana tinha para aquela noite.
R: Você disse boate?
S: Sim... Boate...
R: Mas Santana... E a peça?
S: Ah não, Rachel! Por favor, me dispensa dessa!
R: Você prometeu!
S: Faz tempo. Minha promessa já passou da validade! E a Quinn está aqui... Não vai rolar...
Q: Do que vocês estão falando?
R: Um musical... Um musical que eu quero assistir. Kurt não vai poder ir porque está em Lima e Santana tinha prometido que me acompanharia...
S: Não tem nenhum amigo seu de NYADA disposto a passar por esse sofrimento?
R: Não... [disse triste] Tudo bem... Eu vou sozinha...
Rachel deu um sorriso fraco para elas e se retirou em direção ao quarto. Nem ela queria muito assistir àquela peça, mas era útil para sua formação. Não era nada grandiosa. Era uma simples montagem off-Broadway, com algumas boas críticas, mas nada fantástico. Talvez indo sozinha ela pudesse apreciar de uma forma mais atenciosa...
Retirava o roupão sem vontade, pensando na quantidade de roupas sobre a cama. Ligou o iPod posicionado no console e selecionou Barbra. O som logo preencheu o quarto e ela pensou que a frustração que lhe dominava logo passaria... Não ouviu as batidas na porta. O roupão deslizava por sua pele conforme a música era tocada. A porta foi aberta e olhos verdes a encontraram. Continuava distraída enquanto o roupão caía ao chão. Os olhos verdes percorreram todo seu corpo. A porta se fechou. Ela permanecia sozinha no quarto. Quinn estava encostada no outro lado da porta, respirando um pouco mais rápido do que deveria. Rachel tinha os seios mais lindos que ela já havia visto na vida... Respirou fundo e se virou. Bateu novamente na porta, dessa vez mais forte. Ela precisava ser ouvida. Não poderia ser surpreendida com outra visão daquela novamente... Bateu mais forte.
Rachel abriu a porta com força. Trajava o roupão novamente. A mudança de expressão facial ao perceber que se tratava de Quinn logo fez a loira entender que ela pensava que era Santana. Para ela, Rachel sorriu suavemente...
R: Desculpe! Eu não ouvi você bater... Quer dizer... Ouvi agora... Eu...
Q: Eu vou com você à peça! [interrompeu]
R: Oi?
Aquilo não parecia ser real. Ela tinha certeza de que tinha delirado. Em sua cabeça, Quinn estava dizendo que ia acompanhá-la à peça. Não... Não podia ser sério, né?! Não... Só podia ser delírio. É... Ela tinha certeza de que estava delirando mesmo!
Q: Eu vou com você à peça! [repetiu com um sorriso]
Não era delírio. Não era...
R: Comigo? [perguntou confusa]
Q: É... [sorriu sem entender o comportamento da morena]
R: Mas... Mas e a boate?
Q: Se der tempo, podemos ir depois. Ou vamos amanhã... [deu de ombros]
R: Você...
Antes de concluir a frase, Rachel se assustou com Santana gritando na cozinha. A latina resmungava sobre o absurdo que era Quinn recusar a ir à melhor boate de NY para ir a uma peça off-Broadway com Rachel.
R: Tem... [apontou em direção à cozinha] Tem certeza de que quer ir? Isso não vai te causar problemas?
Q: Problemas? Que tipo de problemas?
R: Não sei...
Q: Quer ou não quer minha companhia? [perguntou sorrindo]
R: Quero! [respondeu rapidamente] Claro que quero!
Q: Ótimo! [piscou-lhe] Vou tomar um banho e me arrumar...
Estavam no teatro e Quinn havia tomado à frente na bilheteria. Quando Rachel se deu conta, a loira já tinha comprado suas entradas.
Q: Você quer pipoca?
R: Não... Obrigada! Eu não gosto do barulho da pipoca enquanto assisto a uma peça.
Q: Ok... [sorriu]
R: Mas você pode comprar pra você! Eu não...
Q: Não gosto muito de pipoca... [tranquilizou-a] Vamos?
R: Quanto eu te devo?
Q: Nada... Relaxe... [sorriu suavemente]
Quinn não sabia, mas Rachel teve uma dificuldade enorme em escolher a roupa para aquela noite. Mesmo sem saber, a loira não pôde deixar de perceber que ela estava diferente. Não era o tipo de roupa que ela costumava usar antes. NY estava fazendo bem ao senso de moda de Rachel Berry...
Q: Gostei da sua roupa! Ficou bem em você!
R: Jura? [surpreendeu-se] Vesti a primeira que encontrei! [mentiu]
Q: Foi um encontro de sorte então... [sorriu]
Durante toda a peça, Quinn prestava atenção em Rachel. A peça não era interessante o suficiente para prender sua concentração, mas ver a morena analisando cada parte do espetáculo era realmente fascinante...
A peça tinha durado duas horas e meia, mas Quinn não reclamou. Sabia que se Santana estivesse ali não teria aguentado nem vinte minutos...
Caminhavam pelas ruas frias, procurando por um restaurante que Rachel jurava ser maravilhoso. E realmente era.
Quinn terminava de fazer o pedido conforme Rachel havia aconselhado:
Q: Vou confiar no seu gosto...
R: Não vai se arrepender! [sorriu] Mas... Tem certeza de que não quer ir à boate? Talvez dê tempo...
Q: Eu não gosto muito de boate! [confessou]
R: Santana ama!
Q: Eu sei...
R: Você acha que vai dar certo se vocês gostam de coisas diferentes?
Q: Dar certo? O quê? [perguntou confusa]
R: Desculpe... [corou] Eu não devia me meter nisso...
Q: Seja mais clara, Rachel... [disse calma]
R: Não tivemos oportunidade de falar sobre isso, mas Santana diz que você se descobriu gay e que você e ela têm um lance... Eu não sei se vocês pretendem namorar, mas...
Q: Não! [interrompeu] Não mesmo! [sorriu] Há algumas informações equivocadas aí...
R: Há?
Q: Sim... Eu não me descobri gay. Digamos que eu me descobri mais aberta a me envolver com as pessoas que me atraem... [tentava explicar]
R: Você está se enrolando na sua explicação! [sorriu divertida]
Q: Estou... [sorriu corada] Eu sei... Só quero dizer que não me coloquei nenhum rótulo...
R: Mas você e ela... É verdade? [perguntou temerosa]
Q: Não temos um lance. Pelo menos não um lance que possa levar a namoro...
R: Desculpe... Eu não quero ser invasiva...
Q: Não está sendo... Tudo bem pra mim!
R: Bom... Ela diz que vocês transaram...
Rachel desviou o olhar. Ela ficou constrangida demais ao tocar naquele assunto. Ao tocar naquele ponto específico...
Q: É verdade... [respondeu tranquilamente]
R: Eu meio que fiquei surpresa...
Q: Imagino... [sorriu compreensiva]
R: Desculpe... É que ela se gaba o tempo inteiro sobre isso...
Q: Isso é ridículo! [sorriu] Não leve tão a sério...
R: Certo...
O garçom as interrompeu com os pratos. Quinn apreciou o sabor e elogiou à primeira garfada. Rachel ficou feliz por tê-la agradado...
Q: E você e Finn?
A morena se engasgou.
Q: Tudo bem? [ameaçou se levantar para ajudá-la]
R: Estou... Bem! [fez sinal para que ela permanecesse sentada] Só um pedaço muito grande de tomate... [disfarçou]
Q: Ótimo! [sorriu aliviada]
R: Eu não sei sobre o Finn... Faz um tempo que não nos falamos...
Q: Achei vocês tão próximos no casamento, que pensei que voltariam.
R: Não voltamos!
Q: Desculpe... Não quis ser invasiva...
R: Não foi! [sorriu] Nem um pouco...
Caminhavam de volta pra casa. Quinn havia preferido caminhar a ter que pegar um táxi. Rachel falava sobre NYADA e ela ouvia com uma atenção que mais ninguém lhe dedicava. Houve um momento em que a loira pediu licença para pegar o celular e ver que havia umas 15 mensagens de Santana chamando-a de fracassada por estar perdendo a melhor noite da cidade. Foram segundos suficientes para Rachel traçar um breve comparativo entre a Quinn do passado e a Quinn daquele momento: qualquer versão da Quinn sempre a escutou. Quinn Fabray sempre a ouviu, mesmo quando era para agredi-la depois. A loira sempre parecia interessada no que ela tinha a dizer...
R: Por que você escolheu vir comigo?
Quinn lhe direcionou um olhar confuso, seguido de um sorriso doce. Levou as mãos aos bolsos do casaco, guardando o celular:
Q: Por que não escolheria?
A sobrancelha arqueada estava ali de volta e Rachel sentiu algo parecido com a sensação de voltar pra casa... Com Quinn ao seu lado ela se sentia familiar, ao mesmo tempo em que se sentia diferente de uma forma que não sabia descrever... A noite estava fria, mas o céu estava repleto de estrelas. Apesar de ser a maior admiradora delas, Rachel não as enxergava. Sua atenção estava voltada para outra direção. Quinn a olhava de forma terna, calma, leve... Havia uma luz saindo daqueles olhos... Eram os mais verdadeiros e aconchegantes olhos verdes...
Ao que parecia, Rachel estava prestes a se perder neles...
[CONTINUA...]
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