The Chase
3 Everybody Wants to Rule the World
Notas iniciais
Gritos.
Era tudo o que Molly Hooper tinha na cabeça.
Eles ecoavam incessantemente enquanto a castanha recobrava a consciência. Demorou até que ela percebesse que aqueles gritos a pertenciam. Tão cheios de dor, gritos de pavor.
Uma batida podia ser ouvida ao longe.
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– Mas não é que a nossa Bela Adormecida acordou! – Foi o que John Watson escutou assim que conseguiu mexer o corpo novamente.
Seus braços e pernas estavam dormentes, e ele não fazia ideia de onde estava. Lembrava estar em casa... até que uma pancada o atingiu na cabeça. Uma luz forte vinha na direção de John, fazendo com que ele conseguisse enxergar somente a uns dois metros de diâmetro. Sua visão ainda estava meio turva, mas o médico conseguiu se sentar. Não pode deixar de franzir a testa ao perceber que estava usando um uniforme militar. O mesmo que usara quando serviu o exército na guerra. Ok... O que estava acontecendo?
Ele olhou em volta, tentando encontrar a direção de onde a voz viera. Mas claro, não conseguiu ver nada. Ao tentar se levantar, percebeu que seus braços e pernas estavam presos a longas correntes, e ao puxá-las, John sentiu uma movimentação, como se alguma outra coisa estivesse presa nelas também.
Foi então que ele virou a cabeça para trás. E se deparou com algo que fez um calafrio percorrer seu corpo.
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Tudo voltava como um furacão em sua mente até que Molly teve consciência de seu corpo e da posição que se encontrava. Nem tentara se mexer. Uma vez que o sangue deixara seus braços, a dor estava menor. Se ela ativasse a circulação deles novamente, por menor que fosse, a dor seria muito pior. Tentou pensar no que acontecera. Em sua última lembrança concreta, ela estava no apartamento de Sherlock, se preparando para um jantar com o detetive. Então escutou a porta se abrir e teve tempo de ver somente uma silhueta.
Escuridão. Tudo o que seguiu desde então se resumia a dor. E sangue. Seu próprio sangue, e tal pensamento fez com que a castanha abrisse os olhos, assustada. Ela se lembrava de muito sangue. Se fosse dela mesma, isso significaria que seu estado era muito pior do que ela imaginava. Mas abrir os olhos não era de muita serventia. Tudo em volta dela ainda não passava de escuridão.
A porta se abriu, e com ela veio uma luz fraca que a fez apertar os olhos. A luz iluminava uma silhueta. Um homem bem vestido, de terno. Seus olhos foram para o rosto dele, mas esta era a única parte de seu corpo ainda recoberta pelas sombras.
– Boa noite, querida. Que bom que acordou, estava cansado de ver você dormir.
Ela não respondeu, mas se encolheu quando outra uma luz foi acesa, exatamente em cima dela. Foi quando Molly pode analisar o que tinham feito enquanto estava desacordada. Estava despida, vestida somente com dois panos ensanguentados, um cobrindo seus seios e outro seus quadris. Ela sentia frio, e sua pele estava completamente pálida. Cortes e manchas roxas por toda parte, pingos de sangue no chão. Mas esse esforço a tinha feito mexer os braços, e a dor finalmente veio. Molly Hooper estava pendurada pelos braços por duas correntes, sendo esta a única coisa que a sustentava a alguns centímetros do chão. Seus ombros pareciam deslocados, embora ela não tivesse certeza se estavam ou não. Até respirar havia se tornado difícil. Embora tentasse buscar alguma lembrança de seus anos como patologista e fazer um rápido diagnóstico de seu estado geral, as conclusões que poderia tirar de tudo isso eram muito piores do que ela queria saber.
– Calma, Molls. Relaxe, ou será pior para nos dois. Não quero que você morra cedo, caso contrário, Sherlock só viria até aqui para te vingar. Quero ver o sofrimento nos olhos dele quando ele achar você aqui, assim.
– Não... me chame... de.. Molls. — com muito esforço, ela conseguiu balbuciar.
– Acho que você não esta na condição de fazer pedidos, Molls. — O homem passou a mão pela bochecha dela, descendo-a pelo corpo da castanha enquanto ria baixinho. Ela tentou se esquivar dele, mas não obteve nenhum sucesso. Queria cuspir naquele homem, mas nem para isso tinha forças. Não podia deixar Sherlock a ver nessas condições. Não podia deixar que ele caísse na armadilha daquele homem, apesar de desejar que ele viesse buscá-la daquele inferno.
E desejar isso com todas as suas forças restantes.
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– Mas que merda é essa? – John murmurou, tentando se afastar. Infelizmente, não conseguiu se mexer por mais de trinta centímetros.
Ele não acreditava no que via. A corrente se estendia por metros e metros a perder vista – o que não era muito longe para sua visão limitada – mas estava prendendo-o a dúzias de outros corpos. Sim, cadáveres. E todos estavam vestidos elegantemente. Alguns em avançado estado de putrefação, deixando o que deixava o ambiente com um cheiro horrível. Outros eram somente esqueletos. Mas quanto mais John olhava, mais corpos apareciam.
A voz que falara antes, a qual ele havia se esquecido completamente devido aos inusitados companheiros a seu lado, voltou a falar. Era uma voz conhecida, mas ao mesmo tempo, totalmente diferente. O sotaque era o mesmo, mas não poderia ser quem ele estava pensando. Não... ele havia morrido. Certo?
– Ah, vejo que você encontrou seus amiguinhos.
– O que é tudo isso? Onde estou?
– Calma, Doutor Watson. Vai ter tempo para descobrir. Seu melhor amigo vai demorar um pouquinho para chegar aqui. Mas respondendo a sua primeira pergunta, isso é um souvenir. Uma lembrança dos tempos que passou na guerra. Aproveite enquanto pode ser o único aí que continua vivo. “Staying alive”. Como na música. – Uma gargalhada seguiu as palavras do homem. – Mas agora tenho que cuidar da pequena Molly. Bons sonhos, John.
A porta se fechou imediatamente após as palavras dele e, antes que John pudesse formar qualquer pensamento, um gás tomou conta da sala, deixando-o inconsciente.
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– Bom se você quiser companhia, posso trazer John Watson aqui para conversar.
John Watson? Molly franziu a testa. O que ele queria dizer com... Oh, céus. John estava ali também. Era a armadilha perfeita para Sherlock. E com ele... Oh, Mary.
– Sherlock... Mary...
– Isso mesmo, Molls. Muito bom! Você é esperta, vejo o porquê Sherlock gosta de você. Apesar de eu achar que Adler ainda era uma mulher muito mais brilhante e bonita... Mas sim, Sherlock e Mary. Dois coelhos com uma cajadada só. Não é magnífico?
As correntes cortavam os pulsos dela, e um filete morno de sangue começou a escorrer pelos braços da patologista.
– Ah, o tempo passa rápido quando estamos nos divertindo. Terei que deixá-la, Molls. Tente não morrer, ok?
A luz foi apagada e Molly foi deixada na escuridão novamente. Ela tentava pensar em como poderia sair de lá, e pensava em Sherlock. Onde ele estaria agora? Será que a encontraria? Sherlock e suas deduções nunca falharam, portanto esta não poderia ser a primeira vez que aconteceria. Mas então, uma música começou a tocar. Ela preenchia todo o ambiente, e assim que a reconheceu, um calafrio percorreu seu corpo. Uma música que a lembrara de um antigo inimigo de Sherlock.
Well, you can tell by the way I use my walk
I'm a woman's man, no time to talk
Music loud and women warm,
I've been kicked around since I was born
Lembrava-a do tempo que o detetive ficara longe. E que então trazia de volta as lembranças dos últimos dias. Ah, ela sabia que tudo estava bom demais para ser verdade.
Whether you're a brother or whether you're a mother
You're stayin' alive, stayin' alive
Ela achava que o culpado pela queda de Reichenbach estava morto.
Feel the city breakin' and everybody shakin'
And you're stayin' alive, stayin' alive
Mas parecia que James Moriarty pensava diferente.
Ah, ah, ah, ah, stayin' alive, stayin' alive
Ah, ah, ah, ah, stayin' alive
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