The Challengers (Lorcan Scamander/Roxanne Weasley)
1 Capítulo 1 - Primeiro Set
— Partida para Lorcan Scamander! — anunciou o árbitro, a voz ecoando pela quadra de saibro naquela tarde dourada em Londres.
O sol mergulhava por trás das árvores do clube, tingindo o céu com tons quentes de laranja e pêssego, como se o dia se retirasse discretamente do palco. Lorcan ainda sentia o movimento do último ponto nos braços — a raquete cortando o ar com precisão, a bola quicando no fundo da quadra e cruzando a linha com um toque limpo. O som seco do impacto ainda vibrava em seus ouvidos, como a nota final de uma sinfonia bem executada.
Ele sorriu. Um sorriso discreto, mas satisfeito. Tinha vencido.
Nas arquibancadas, alguns aplausos educados se espalharam, abafados pela distância e pela formalidade de um amistoso de clube. Lorcan recolheu a raquete e a jogou despreocupadamente sobre o ombro. Enquanto atravessava a quadra, sentiu um olhar atravessá-lo como uma flecha certeira.
Roxanne Weasley.
Ela estava encostada na cerca, os braços cruzados, a testa franzida, e os olhos castanhos cravados nele com uma intensidade difícil de ignorar. Não era admiração, tampouco respeito. Havia algo mais ali — um desafio silencioso, como uma partida que ainda não havia começado. O tipo de olhar que só se lança a quem já se conhece o bastante para transformar provocações em conversa.
Roxanne afastou-se da cerca e ajustou a faixa que prendia seus cabelos escuros. A pose era relaxada, mas Lorcan a conhecia bem demais para cair nessa. Nada nela era realmente despreocupado. Os dois tinham a mesma idade, frequentavam o clube há anos, mas estavam sempre em lados opostos — fosse nas quadras, fosse nos bastidores.
As famílias Scamander e Weasley carregavam uma rixa antiga. Nenhum dos dois sabia ao certo como aquilo começara, apenas que estava ali — enraizado, herdado como um legado amargo. Nunca precisaram ouvir explicitamente. Desde pequenos, aprenderam que manter distância era o mais sensato.
Lorcan fingia não se importar. Para ele, Roxanne era só um lembrete incômodo do que preferia evitar. E ela, por sua vez, via nele um símbolo ambulante da perfeição ensaiada: cabelos loiros, olhos azuis, postura imaculada. Era como se ele tivesse nascido para vencer — e soubesse disso.
— Lorcan! — chamou sua mãe, da arquibancada, com aquele tom doce e afiado que usava em público como uma lâmina bem polida. — Vamos. Já está na hora.
Ele respondeu com um aceno breve, quase indiferente. Mas em vez de seguir para o vestiário, desviou o caminho — e foi até Roxanne.
Ela não se moveu. Apenas o observou se aproximar, os olhos semicerrados como se calculasse cada passo dele.
— Impressionada, Weasley? — disse ele, parando ao seu lado. O sobrenome saiu de sua boca com a leveza de uma folha seca, como quem diz algo que perdeu o valor há muito tempo.
Roxanne ergueu uma sobrancelha, a boca se curvando num sorriso afiado.
— Está melhorando, Scamander. — A voz dela era tranquila, quase casual. — Só espero que o seu próximo adversário exija um pouco mais.
Lorcan soltou um riso curto. O suficiente para provocar, mas não para se entregar.
— Desafio nunca foi um problema pra mim, Weasley. Achei que você soubesse disso.
Ela inclinou a cabeça, como se o estudasse. Não respondeu de imediato. Apenas deixou o silêncio fazer seu trabalho — e isso o irritou mais do que qualquer resposta direta.
— Imagino que o próximo amistoso seja comigo. — disse ela, dando um passo para trás. — Espero que esteja preparado.
A sugestão o pegou de surpresa. Mas ele disfarçou com um sorriso enviesado.
— Não tenho dúvidas de que seria... interessante.
Roxanne revirou os olhos e virou-se sem esperar por mais provocações. Lorcan permaneceu parado por um instante, observando-a se afastar com a leveza de quem não se importa — embora ambos soubessem que essa era apenas mais uma mentira conveniente.
O pai de Lorcan — Rolf Scamander — pareceu notar o garoto fitando a silhueta de Roxanne por mais tempo do que o necessário e pigarrou chamando a atenção do filho.
— Achei que sua mãe tivesse sido clara, Lorcan. Vamos embora.
O garoto desviou o olhar, recolocou a raquete no ombro e seguiu o pai sem dizer uma palavra. Mas, dentro dele, sabia que aquilo não havia terminado.
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