Notas iniciais
Gente, mil desculpas. Acho que eu fiquei uns 3 meses sem atualizar a fic. Mas como eu já disse aqui, eu estou trabalhando e fazendo faculdade e nos fins de semana nunca dava para escrever pq sempre tinha um trabalho ou prova... enfim, estou de férias agora e vou ver se consigo terminar a fic. Ela era para ser curtinha mesmo desde o início, mas agora vou dar total atenção a ela. Só espero que tenha sobrado alguém aqui ainda. :(

Por alguma razão a perspectiva de ter uma conversa com Bella Swan não me agradava. Quer dizer, eu não a conhecia direito, porém tinha a sensação de que ela não gostava muito de mim. Então, enquanto descia a escada lentamente, tia Jane atrás de mim, a ansiedade tomava conta de mim e eu podia jurar que estava sentindo as gotículas de suor se formando em minha testa. Atingi o andar de baixo e finalmente a encontrei sentada no sofá azul que tinha à frente da TV. Jane disse algo como “estarei na cozinha”, então deu as costas me deixando sozinha com Bella.

– Queria falar comigo? – perguntei.

Ela se levantou e manteve as mãos juntas na frente do corpo quando assentiu.

– Sim… Será que há a possibilidade de conversarmos lá fora?

Hesitei um segundo.

– Claro. Podemos ficar na varanda.

Ela sorriu fracamente e me seguiu para fora. As nuvens estavam começando a ficar negras no horizonte e eu interpretei isso como um mau agouro. Como se algo mais estivesse se armando além da tempestade. O vento bagunçou meus cabelos quando me virei para Bella. Fiz sinal para ela se sentar em uma das cadeiras de palha que mantínhamos na varanda.

Assim que me sentei, ela pigarreou e disse:

– Em primeiro lugar eu queria agradecer a sua vontade em querer nos ajudar.

Acho que devo ter feito alguma careta involuntária, por que em seguida ela falou com mais convicção.

– É sério. Você descobriu a verdade sobre os Cullen e não saiu gritando de medo ou mesmo espalhando a verdade para todos… Eu reconheço isso.

Eu senti que viria um “mas” em algum lugar na fala dela a qualquer momento.

– Só que…

É. Quase acertei. Dá na mesma.

–… eu realmente acho que você não deva se envolver nisso.

– Isso é compreensível – eu disse mecanicamente. – Sei que é arriscado, mas eu estou vendo essas coisas por uma razão e acho que não é certo virar as costas para isso.

Ela parecia não querer se impacientar.

– Bem, mas você já deve ter tido mil visões ruins e certamente não tentou impedir todas, não é?

Eu a encarei por alguns segundos.

– Não. Eu não tentei impedir todas, mas foi só por que na maioria das vezes nada podia ser feito.

– Então por que acha que pode fazer algo quanto aos vampiros? Sem ofensas, mas você é apenas uma menina.

Ela me lembrou Jacob quando ele disse isso para mim mais cedo; a diferença é que quando ele falou não foi tão irritante quanto ela.

– Eu estou começando a sentir que você tem algo contra mim, Bella. – eu disse tentando não deixar transparecer nenhum sarcasmo.

Ela balançou a cabeça.

– Não, é claro que não. Desculpe se deixar passar essa impressão.

– Impressão – eu repeti totalmente descrente.

Bella respirou fundo.

– Nós temos muito com o quê lidar agora. Se algo acontecesse a você nos sentiríamos culpados. Já é arriscado o suficiente que você saiba a verdade quanto mais se continuar a se envolver. Humanos não têm permissão para saber sobre os vampiros. Eles literalmente punem você por causa dessas coisas.

Eu não sabia quem eram “eles” e não me importava.

– Você sabe a verdade – apontei.

Pela primeira vez eu vi uma ponta de raiva nos olhos dela.

– Isso é diferente.

– Por que você quer se tornar um monstro também? – falei sem pensar.

Imediatamente o corpo de Bella se tencionou e a ponta de raiva dela se transformou em algo muito maior. Ela se levantou.

– Como sabe disso? – ela perguntou com a voz sufocada.

Torci os dedos em nervosismo, pois sabia que tinha ido longe demais.

– Eu vi você falando sobre isso com Edward – murmurei.

– Você não pode… – ela começou, parecendo não ter bem certeza do que é que eu não podia. – Isso é particular.

– Bem, seu namorado lê mentes – dei de ombros. – Ele também descobriu umas coisas bem particulares ao meu respeito.

De repente um sorrisinho meio estranho apareceu no rosto dela.

– Disso eu tenho certeza.

Agora eu também havia me levantado.

– O que quer dizer?

– Quero dizer que por mais que você diga que está apenas tentando ajudar eu sei que tem um óbvio interesse em Jacob.

Merda. Merda. Merda.

Eu senti o meu rosto queimar involuntariamente e odiei que tivesse sido Bella a causar isso. Não respondi. Apenas a encarei tentando conter a onda de raiva dentro de mim, que chegava revirar o estômago.

– Eu odeio dizer isso, mas Jacob não a vê desse jeito.

Cale a boca. Cale a boca. Cale a boca.

Eu nunca nem havia gostado de alguém. Nunca havia falado dessas coisas com alguém e agora ela me obrigava a pensar nesse assunto que eu tentava ignorar desde que o conhecera?

– Isso não é da sua conta – disparei.

Ela cruzou os braços.

– Bem, acontece que Jacob é o meu melhor amigo e ele está passando por algumas dificuldades. Conversei muito com ele essa semana e percebi que ele se sente de alguma forma responsável por você. Só estou pensando no bem dele quando digo que é melhor você se afastar.

Sério. Eu quase ri da cara dela. Bella teve a audácia de vir toda pomposa até a minha casa e falar coisas que ela pretendia que fossem gentis para depois me dizer que eu não deveria ver Jacob? Quem ela pensava que era?

E ela andara conversando com ele a semana inteira? Foi por isso que eu mal o vira, então!

Antes que eu resolvesse deixar uma marca bem feia na cara dela, eu disse com toda a calma que pude reunir:

– Você já esclareceu seu ponto de vista sobre a situação e, sem ofensas, eu não concordo. Agora, acho melhor você ir embora.

Ela me olhou de cara feia por um instante, porém, logo em seguida nós duas nos sobressaltamos com o barulho de um carro.

O volvo prata parou em frente a minha casa e eu só consegui enxergar de relance o rosto pálido de Edward pela janela. Voltei meu olhar para Bella e me surpreendi por ver seu rosto quase temeroso. Será que Edward sabia o que a namoradinha dele viera fazer na minha casa? Será que ele sabia que ela havia vindo para falar de Jacob? Ela percebeu que eu a observava e pigarreou.

– Sinto muito se a ofendi de qualquer maneira – ela disse, voltando a usar o tom cordial do início da conversa. – Quando digo que estou pensando que essa é a coisa certa a se fazer, é a mais pura verdade.

Edward buzinou lá na frente e sua expressão de temor se acentuou. Eu apenas a olhei de cima a baixo quando ela deu as costas e se encaminhou para o carro. Sem nem mesmo dar um segundo relance a qualquer um deles, entrei para casa batendo a porta com força e fiquei parada no corredor, espumando e tremendo de raiva. Minha tia apareceu no corredor com um pano de prato nas mãos, parecendo assustada.

– O que aconteceu, Cassandra?

– Nada.

– Como nada? Por que bateu a porta desse jeito?

Grunhi involuntariamente.

– Para evitar bater em alguém.

Ela me dirigiu seu melhor olhar parental.

– Cassandra, o que aconteceu? Você brigou com sua amiga?

Eu a encarei nos olhos e falei com toda a sinceridade do mundo:

– Bella Swan não é minha amiga.

Então atravessei o corredor e passei por ela para ir me trancar em meu quarto.

A conversa agradável que tive com Bella não saíra da minha cabeça o restante da noite. Mal falei com meus tios e primo durante o jantar, porém, quando ia voltar ao meu quarto Lucas me chamou ao pé da escada.

– Cass, que história é essa de que Bella Swan veio falar com você? Como você a conhece?

Ops. Esqueci que ele também a conhece.

– Eu, hã...

Lucas me olhou desconfiadamente. Forcei meu cérebro a funcionar rapidamente.

– Na verdade, ela é mais amiga do meu colega de escola, Jacob.

– E o que ela veio fazer aqui?

Engoli em seco.

– Ela, hm, veio falar comigo sobre... sobre um recado que queria que eu passasse a Jacob.

Ele não desistiu. Estava na cara que eu estava mentindo. Também, o modo desconfiado dele não estava me deixando mentir direito...

– A mãe falou que você ficou estranha depois da conversa que teve com ela.

– Ah, isso não é nada... É só...

– Cass... – ele disse de modo irredutível.

– Sério, não é nada...

– Cassandra.

– Ah... hm, eu estou com cólicas – eu disse sem pensar.

Lucas fez uma careta.

– Oh.

ISSO! Homens não sabem lidar com esse tipo de coisa. Agora ele vai me deixar em paz!

– É, tipo, uma cólica muito forte... – enrolei e apertei uma mão no estômago. – Por isso fiquei meio mal e não quis muito papo.

A careta dele ficou mais feia.

– Ah, tá. OK. Tudo bem. Hã, eu vou para o meu quarto então.

Eu tive que prender o riso até ele dar as costas.

Ufa. Desviei da bala agora, mas ia ter que ter mais cuidado da próxima vez.

***

Na segunda-feira, meus olhos lutaram toda a manhã para permanecer abertos. A professora de literatura continuava sua aula sobre peças de teatro, e pela primeira vez na vida eu achei uma completa chatice todo aquele papo shakesperiano.

Durante o intervalo, porém, algo agradável aconteceu. Não, Jacob não viera à aula. Mas sim Kim, que finalmente lembrara da minha existência, veio almoçar comigo.

– Cass, mil desculpas. – ela disse aflitamente. – É que muita coisa têm acontecido e foi uma loucura para eu conseguir entender tudo. Sinto muito não ter conversado com você sobre, bem, você-sabe-o-quê. Que loucura, quer dizer, você é capaz de ver o futuro...!

– Shh! – eu fiz, olhando nervosamente para as mesas ao nosso redor. Felizmente, os alunos da Escola Tribal Quileute estavam como sempre conversando, rindo e ocupados demais para prestar atenção a qualquer outra coisa. – Está tudo bem. Eu também venho lutando para entender toda essa loucura.

Ela me dirigiu um olhar de pena, que sei que não pretendia que fosse insultante, mas mesmo assim eu não gostei. Não queria que as pessoas sentissem pena de mim.

Kim pareceu perceber meu desconforto e mudou rapidamente de assunto.

– Que loucura esses desaparecimentos em Seattle.

Nós duas sabíamos que ninguém estava desaparecendo de fato. Ou morriam ou viravam vampiros. E eu não sabia qual era o pior destino.

– Sabe o que eles estão fazendo para resolver isso? – perguntei.

– Estão de olho – ela respondeu meio tristemente. – Jared quase não tem vindo à aula. Anda tão ocupado.

Franzi a testa, pensando em como eu não havia passado tanto tempo com Jacob na última semana.

– Ei, como é que você não está pirando com todo esse lance de – Kim olhou para os lados e então sussurrou. – lobos?

Dei de ombros.

– Sei lá... Acho que é até reconfortante saber que eu não sou a coisa mais estranha nesse mundo.

Lá estava o olhar de pena novamente. Pigarreei e comecei a sacudir os pés embaixo da mesa.

– Kim, sabe que não precisa se sentir mal por mim.

Ela pareceu perceber o que estava fazendo e sacudiu a cabeça.

– Desculpe-me, Cass. Eu juro que não estou fazendo por mal... É só... Eu fico pensando em como deve ser difícil para você. Descobrir todas essas coisas... Deus sabe que eu estou quase enlouquecendo por ver que as lendas eram verdadeiras, mas eu tenho Jared e por ele eu passo por qualquer coisa.

Levantei os olhos e vi no rosto de Kim uma coisa tão estranha e ao mesmo tempo tão bonita. Era adoração. Era como se o sol estivesse nascendo bem no brilho dos olhos castanhos dela. Era... amor.

Mas não era aquele amor falso e ridículo dos filmes de Hollywood. Era genuíno. E de repente aquela visão me fez esquecer do desconforto que estava sentindo antes.

– Está tudo bem – eu disse. – Tudo bem.

Estava caminhando pelo corredor indo para a aula de matemática, ainda pensando no quanto o imprinting era poderoso, quando vi pela janela Jacob parado no meio do pátio encostado em sua moto. Sem nem mesmo pensar a respeito do que estava fazendo, disse a Kim que já voltava e saí para fora da escola para encontrá-lo.

Jacob sorriu para mim, as maças do rosto ficando mais altas ainda, e atravessou o resto da distância entre nós.

– Hey.

– Oi – eu senti um sorriso se formando em meu rosto involuntariamente. – O que está fazendo aqui?

Ele deu de ombros.

– Eu estudo aqui.

Jacob parecia não estar dormindo. Os olhos dele pareciam cansados e a camisa cinza que ele usava estava amarrotada.

– A aula começou há, tipo, quatro horas.

– Ops. Acho que perdi o horário.

Eu ri, balançando a cabeça.

– Você é uma má influência para mim.

– Que bom que sabe disso. – ele falou, e, de uma maneira estranha, eu senti que ele falava sério dessa vez.

Meu sorriso desapareceu.

– Onde esteve durante a semana? Tirando ontem, eu mal vi você.

O pátio estava completamente vazio agora; o sinal havia tocado há séculos.

– Eu vou explicar – ele disse. – Mas primeiro vamos dar o fora daqui.

– Hm, eu tenho aula – olhei para trás, mas os portões já estavam fechados.

Voltei meu olhar para Jacob e ele exibia um sorriso travesso.

– Tinha.

Jacob me fez subir na moto dele para irmos até a praia. Eu não gostava muito de motos, me davam medo, mas não queria caminhar nem pegar o ônibus...

Jacob riu de mim quando eu subi na moto com a cara de quem ia para a forca.

– Pare com isso – eu disse, embora estivesse rindo também.

– Ok, ok. – ele deu partida na moto. – Segure firme.

Eu tentei não ficar vermelha ao segurar na cintura dele.

No começo, eu fechei os olhos por medo. Mas ao sentir o vento no meu rosto e o cheiro da floresta, pouco a pouco o nervosismo passou. Abri os olhos e observei a linda paisagem verde passando rápido por nós. Ou nós passando rápido por ela. O calor que vinha do corpo de Jacob me protegia do frio e eu me vi abraçando-o mais forte. Aquela coisa que eu tentava não pensar estava se apoderando de mim novamente. Aquela sensação estranha na boca do estômago. Era como sentir saudades, era como se eu quisesse algo que nem mesmo entendia bem o que era. E a cada vez que eu encontrava com Jacob a coisa piorava.

Cedo demais nós chegamos à praia. Jacob desceu da moto e depois me ajudou a descer também. Sua mão permaneceu na minha por alguns segundos a mais do que o necessário e minhas entranhas se reviraram de antecipação. O barulho súbito de uma onda quebrando abaixo de nós o distraiu e ele soltou minha mão.

Jacob se sentou na areia e pôs os olhos nas ondas. Sentei-me ao seu lado.

– Desculpe pelo meu sumiço, Cass – ele disse ainda com os olhos no horizonte. – Depois do que houve na casa de Bella a matilha está em alerta constante.

– Eu sei... Quer dizer, a Kim me falou sobre isso.

Fitei sua expressão cansada novamente.

– Jacob, você está bem?

Ele virou o rosto para mim, surpreso.

– Por que a pergunta?

– É que, não me leve a mal, mas você parece cansado. E...

Eu tentei me impedir de falar sobre isso, por que não queria falar sobre o que acontecera com Bella ontem, mas minha preocupação por ele falou mais alto.

– E eu também soube que você está passando por um momento difícil – completei a meia voz.

Ele olhou para mim, agora quase zangado.

– Quem disse isso a você?

– Hm, Bella.

Os olhos dele se cerraram.

– Quando?

Prendi a respiração.

– Ontem. – Jacob continuou a me encarar de maneira inquisitiva, então continuei. – Bella veio até a minha casa.

– Fazer o quê?

De repente eu me lembrei de como toda aquela conversa havia me deixado irritada.

– Bem, aparentemente ela acha que eu não devo ficar perto de você! – explodi. – Disse que você tinha muita coisa para lidar agora e que eu seria um fardo.

Jacob pensou no que eu disse por um segundo e então, ele riu.

Tipo, literalmente, gargalhou.

Fitei-o sem entender exatamente o que ele estava achando engraçado.

– Você entendeu o que eu disse? – perguntei enquanto ele se acabava de rir.

– Entendi. – ele se recuperou um pouco. – Entendi, sim.

– E essa risada advém da sua falta de sono ou o quê? – eu começava a me impacientar. Eu aqui expressando minha preocupação com seu bem-estar e ele fazendo piada?

– Não... – ele tentou parar de rir. – É que Bella está com ciúmes.

O modo como ele disse aquilo acabou comigo.

Ele gostou. Gostou de saber que ela estava com ciúmes dele. Mas é claro que sim, pensei com amargura, ele a amava. Se Bella estivesse começando a mostrar sinais de que retribuía mesmo que infimamente os seus sentimentos, as esperanças de Jacob seriam renovadas.

Eu senti minha garganta começar a fechar e os cantos dos meus olhos arder. Olhei para as ondas, sem conseguir acreditar que Jacob estava realmente fazendo isso. Bella havia me insultado. Havia praticamente me dito para dar o fora da vida dele, da vida de todos eles. Mas Jacob não se importava com isso. Só com o que ele se importava era Bella e seu estúpido ciúme.

– Você sabe que ela tem um namorado, não sabe? – eu disse rudemente.

Fiquei satisfeita de ver que o sorriso dele havia desaparecido.

– Wow, de onde veio isso?

– Hã, eu não sei! – eu começava a ficar irônica agora. Sempre acontecia quando eu ficava realmente nervosa. – De repente veio do fato de que ela foi à minha casa me dizer para ficar longe de você! Ou de repente tenha vindo de como eu me senti depois que ela disse que eu era só uma menina e que você não me via do jeito que eu queria. Eu sei lá, Jacob, escolha uma das razões, porque as duas foram bem ruins.

Então, eu me levantei e dei as costas para ele. Eu vi o seu rosto apenas de relance, mas deu para perceber que ele estava aturdido.

Não cheguei a dar dois passos quando Jacob me alcançou.

– Ei, espere. O que é isso, hein?

– Eu não sei. Só me deixa em paz.

Eu tentei passar por ele, mas Jacob segurou meus ombros. Eu sentia as lágrimas se formando nos meus olhos e quis mais do que nunca fugir dali. Fugir de Jacob e das coisas que estava sentindo.

– Eu quero ir embora – solucei sem fitar seu rosto.

Ele trouxe seu rosto para perto do meu.

– Não sem antes explicar o que foi tudo isso.

Não pude evitar que uma lágrima caísse quando finalmente olhei nos olhos dele.

– O quê? Não, não chora. – ele pediu colocando sua palma contra o meu rosto. – Ei. Fala.

Engoli o bolo em minha garganta.

– Eu fui uma idiota. Eu pensei que... achei que nós poderíamos... mas claramente você ainda tem sentimentos por Bella.

Agora ele havia entendido. Jacob abriu a boca como se fosse falar algo, mas depois a fechou. Demorou algum tempo até ele achar as palavras certas.

– Cass... Eu... eu sinto muito.

– Não importa. – Desvencilhei-me dele. – Não importa.

– Droga – ele praguejou. – Droga, Cass. Desculpe-me, mas eu não posso... você sabe. – Ele respirou fundo uma vez. – Isso é confuso demais. O que eu sinto por Bella... não vai mudar. Desculpa.

– Para de dizer isso – eu falei um pouco alto demais. – Para de dizer que sente muito.

– O que eu deveria dizer? Se eu pudesse, se a coisa fosse mais fácil talvez nós pudéssemos... mas não dá.

Eu deixei escapar um soluço.

Não dá.

Eu já havia sentido toda a dor do mundo, então agora isso não era exatamente novidade para mim. Mas, mesmo assim, dessa vez a mágoa era diferente.

– Acho que ela está certa, de qualquer maneira. – funguei.

Ele expressou confusão.

– Acho que é mesmo melhor ficar longe de você. Vai ser melhor para todo mundo.

– O quê?

– Tchau, Jacob.

Então eu dei as costas para ele e agradeci por ele não ter me seguido.

Notas finais
*sussurros* Ei. Psiu. Se tiver alguém aí, pode comentar, por favor? *--*