Notas iniciais
Gente ouçam essa música aqui ao ler o capítulo: http://www.youtube.com/watch?v=85oOpO-Oe2M&feature=youtu.be Muito obrigada a quem comentou no capítulo passado, gente é mega importante para mim saber o que vocês estão pensando da fic s2 Eu amei escrever esse aqui, foi tão fácil e é emotivo também, okay? Espero que gostem. Beeeijos.

Avisei ao Gary que iria sair, porém não disse com quem. Não queria que me fizessem perguntas para não precisar mentir. Nós caminhamos em silêncio por alguns momentos, até nos dirigirmos a um bosque perto de casa. As árvores balançavam suavemente, o único som era o do nossos passos em cima das folhas mortas. Foi quando eu resolvi perguntar:

– Como conheceu Edward e Bella?

O vento soprou, bagunçando meus cabelos e me causando arrepios. O estranho é que Jacob estava apenas de bermuda. Ele hesitou.

– Conheço Bella há algum tempo, ela é filha do melhor amigo do meu pai. E tive o desprazer de conhecer o Cullen também.

Eu ainda não entendia como Jacob podia não achar apavorante o fato de que ele era um vampiro.

– Eu não entendo – disse lentamente. – Essa coisa toda sobre vampiros. Como você sabe de tudo isso? Aonde você entra nessa história toda?

Jacob suspirou profundamente.

– Eu não posso te contar.

Eu parei de caminhar, Jacob continuou andando alguns passos antes de virar para me encarar.

– Achei que fosse me contar tudo. – falei.

– É complicado.

– E eu já disse que dou conta.

– Não é um segredo só meu.

Cruzei os braços, fitando-o de cara fechada. Jacob observou meu rosto por algum tempo, depois disse:

– Eu posso te contar sobre os vampiros, por que você já sabe deles de qualquer maneira... Mas o meu papel nisso... Não posso. Não tenho permissão.

Fiquei surpresa pelo tom em sua voz. Era como se Jacob fosse um soldado que tivesse recebido ordens explícitas para não sair do posto. Mas ordens de quem?

– Permissão? – eu repeti, descruzando os braços e chegando mais perto dele. Ele apenas balançou a cabeça, demonstrando que não podia falar sobre isso. Agora que estava mais perto dele, sentia um perfume levemente amadeirado. De repente, fiquei muito consciente do calor que emanava dele. Jacob encarou meus lábios e vi seu pomo de Adão subir e descer na garganta. Era como se algo tivesse acordado dentro de mim; como se apenas agora eu tivesse realmente sentindo meu coração bater no peito, e ele batia freneticamente. Jacob me olhou nos olhos e me senti como se estivesse sendo hipnotizada, como se houvesse apenas nós dois no universo... Quando inclinei meu rosto para cima, sem muito noção de que estava fazendo isso, vi Jacob hesitar.

E então ele se afastou.

Dois passos, três passos. Eu levei alguns segundos para entender o que havia acontecido ou o que poderia ter acontecido. Tinha ido até os confins da terra, no centro cheio de lava antes adormecida e agora viva, mas voltara bruscamente com a hesitação de Jacob. Senti meu rosto queimar, com vergonha sem exatamente saber o porquê.

– Não posso. – ele murmurou. Eu não sabia o que é que ele não podia. Não podia me contar ou me beijar?

Então eu percebi. Claro! Como fui tão estúpida? Eu estava tão apavorada ante a perspectiva de contar meu segredo que não percebi o vínculo que existia entre Jacob e Bella. Por isso ele me ignorara, por isso ele ficara tão zangado quando Edward protelou em dar prioridade à segurança de Bella e por isso... Por isso ele não podia nem sequer cogitar ficar tão perto de mim.

Agora a tristeza no rosto de Jacob que eu reparara na escola fazia todo o sentido.

– Você a ama – sussurrei.

Jacob levantou o olhar, o maxilar trancado.

– Mas... Ela está com o...

– Com o sugador de sangue, sim. – Ele disse com a voz dura.

O vento continuava a soprar. As folhas voavam ao nosso redor. E eu senti a sensação de dejà vu novamente, como quando ouvi o nome Riley Biers, porém mais forte. O mundo oscilou como se o vento o estivesse movendo também, as imagens se dissolveram diante dos meus olhos e a última coisa que vi foi a expressão assustada no rosto de Jacob.

Cachorros do tamanho de cavalos, musculosos e peludos cada um de uma cor, corriam velozmente por entre as árvores. Rosnavam e arreganhavam os dentes, parecendo furiosos. O maior e preto ia à frente enquanto ao seu lado esquerdo corria um lobo de pelo castanho avermelhado, e atrás deles o resto da matilha. Havia algo inesperadamente conhecido no lobo castanho avermelhado: os mesmos olhos escuros que agora fitavam ansiosamente Cassandra.

Os olhos de Jacob estavam postos em mim, observando meu rosto atentamente. Tive a vaga sensação de estar deitada em um chão coberto de gravetos. Senti a palma da mão quente dele no meu rosto.

– Você está bem? – ele perguntou rapidamente.

Fiz uma careta ao tentar me levantar; o mundo ainda girava ao meu redor.

– Calma – ele recomendou – Fica sentada um pouco. Você está bem?

Assenti, mesmo sem ter certeza se estava bem ou não. As imagens que vira quando desmaiei ainda pairavam sobre meus olhos. E eu havia percebido algo. Algo que não sabia se queria conhecer.

– Eu vi... – minha voz estava fraca. Encarei aqueles olhos castanhos. – Você não é exatamente quem diz, é?

Ele tirou a mão do meu rosto e sentou à minha frente.

– Eu vi. – repeti com a voz mais forte. – Por isso você disse que não tinha permissão para explicar tudo. Você tem seus próprios segredos.

Ele não respondeu e isso, por alguma razão, me deu confiança. As palavras jorraram da minha boca, palavras que fizeram todo sentido assim que foram postas para fora.

– Você e seus amigos são lobos. É uma coisa que corre no sangue de sua tribo há gerações. Vocês caçam vampiros, por isso não gosta do Cullen. Você não tinha permissão para contar isso, tinha?

Ele balançou a cabeça, aturdido. Aquilo que eu sempre temi – ser apontada como aberração – poderia acontecer agora, pelo modo que ele me olhava. Senti que devia desculpas.

– Sinto muito. – murmurei. – Isso acontece às vezes, eu não queria ser intrometida.

– Como você faz isso? – ele perguntou com assombro na voz.

Hesitei um pouco.

– Não sei... Só acontece.

– Você desmaia toda a vez?

– Não. Na maioria das vezes acontece em forma de sonho.

– Uau... – ele deixou escapar baixinho.

Não pude deixar de sorrir um pouco. Jacob não parecia assustado, pelo contrário, dava a impressão de estar assombrado.

– E você... – pigarreei. – é um lobisomem?

Ele deu um sorriso largo.

– Bem, acho que não tem problema falar nisso agora, já que você descobriu sozinha...

Então ele me contou tudo. De como as histórias que ele antes achava pura superstição se provaram reais. Contou-me dos espíritos guerreiros, dos frios, de como a rivalidade entre eles e os Cullen tinha começado. Contou-me sobre o que realmente acontecera entre Kim e Jared, que era uma coisa chamada imprinting, que na verdade eu não entendera muito bem. E quando eu perguntei se era por isso que ele não sentia frio, ele me explicou que a temperatura corporal dele era bem mais alta. De todas as coisas fascinantes que ele me contava, porém eu percebi que ele deixara de fora a parte em que ele era completamente apaixonado por Bella. Meu desmaio acabou desviando aquele assunto para longe e eu percebi que parte do motivo para ele estar falando tanto era para me impedir de perguntar sobre ela novamente.

Tentei imaginar como era estar no lugar dele. Amar alguém que não só ama outro, como também quer se transformar naquilo que Jacob tanto odeia. Não devia ser fácil e me perguntei por que Jacob simplesmente não desistia. Mas o que eu sabia, afinal de contas? Eu nunca havia gostado de ninguém...

Até agora.

Eu tentava não pensar muito nisso, mas desde o momento em que coloquei os olhos sobre Jacob eu senti como se estivesse caminhando sobre um terreno totalmente novo. Eu queria explorar, porém tinha medo. Eu não costumava confiar em ninguém. Entretanto, começava a ficar cada vez mais a vontade com ele.

Jacob parou de falar e ele surpreendeu meu olhar sobre ele. Desviei rapidamente.

– Então – ele começou. –, eu já contei tudo. Se quiser sair correndo agora, tudo bem.

Eu ri.

– O quê? Se alguém aqui fosse fazer isso, sem dúvidas seria você. Eu é que sou a aberra–

Ele não me deixou terminar.

– Não diz isso. – ele juntou as sobrancelhas. – Não tem nada de errado com você. Você ouviu o que o sugador disse, há muitos como você por aí.

Mas será que alguém mais viu os pais morrerem sem poder fazer nada?

Abaixei a cabeça, franzindo o cenho. Jacob estendeu o braço lentamente e pôs a palma sobre a minha mão. Era quente, como eu já havia sentido. Mais lentamente ainda, ele virou meu braço de modo que a parte interna do meu pulso ficasse visível. Ele olhou para mim, como que pedindo permissão e eu, por alguma razão, assenti. Esse era outro segredo que eu não contava a ninguém, mas para ele eu queria.

Jacob puxou a manga do meu casaco para cima, deixando visível a cicatriz do corte profundo contra a minha pele branca. Ele acariciou a pele do meu pulso com o polegar antes de olhar para mim.

– Por quê?

Senti meus olhos arderem e minha garganta se obstruir involuntariamente. Desviei o olhar do dele por um momento e fitei as árvores antes de voltar a encará-lo.

– Há alguns meses, quando eu ainda estava na Califórnia, eu estava na escola e acabei tendo uma... uma visão dos meus pais em um acidente de carro. Eu tentei... – minha voz quebrou e eu inspirei fundo. – Eu tentei chegar até eles a tempo, mas... Não consegui.

Algumas lágrimas conseguiram escapar por meu rosto. Tentei conter um soluço.

– Eles morreram na hora. E eu não pude fazer nada...

Antes de me dar conta, Jacob colocou os braços ao meu redor, me puxando para perto de si. Só quando senti o calor emanando em ondas, só quando me senti segura de encontro ao seu peito foi quando me permiti chorar de verdade. Jacob acariciava meu cabelo e repetia sem parar que estava tudo bem.

E depois de algum tempo assim, eu constatei: estava tudo bem mesmo. Pela primeira vez em meses.

Notas finais
Me digam o que acharam do capítulo e da música também - cara como eu amo essa trilha sonora XD