The Captain and The Petal.

17 Sixteenth Chapter. - The Talk and The Partner Code.


Notas iniciais
Ois! Eu sinto que precisei refazer essa bendita Conversa umas três vezes e mesmo assim acredito que não ficou lá essas coisas, mas estou postando de qualquer forma. Espero que não esteja terrível. Boa leitura!

A Conversa e o código de parceiros.

Lynna suspirou esbaforida, sabendo que qualquer desculpa que ela usasse agora seria inútil, uma vez que Hanna – sua maior preocupação – estava dormindo tranquilamente em sua estação. E ela já havia esgotado o estoque desculpas em seus dias de fuga.

Resignada, assentiu para o loiro, que a seguiu até a porta que dava para as escadas. Ela subiu alguns degraus para depois se sentar, vendo Steve fazer o mesmo.

A Conversa sobre a noite da festa era o elefante na sala que eles precisavam remover para seguir em frente.

No primeiro momento, Lynna não o encarou nos olhos.

— Eu a machuquei, não foi? — a voz dele saiu dolosamente culpada. — Eu entenderei se quiser se afastar de mim, mas não podemos mais conviver com essa tensão entre nós.

Ela suspirou alto.

Merda, como começar a explicar?

— Eu não fui ferida, Steve. — pelo menos não fisicamente. — Eu... eu apenas não queria estragar a nossa amizade, entende? — ela finalmente o encarou. — Eu não queria ter atirado em você, eu apenas estava... nervosa com tudo e descontei minha raiva em você... — em parte, havia um fundo de verdade em sua mentira. — E se você não estivesse com o escudo? Você teria morrido! — suspirou, lutando contra as lágrimas, brincando com os dedos. — E tem a manhã após a festa... — murmurou. — Eu não fiquei desapontada por ser você ali... — ela corou. — Eu... só... eu... não sabia que eu era virgem, e eu não queria que tivesse acontecido dessa forma. — seu rosto se tornou ainda mais vermelho. — E sinto muito por ter estragado tudo.

Ele segurou em suas mãos tremulas, fazendo-a encará-lo.

— Você não estragou nada! Nossa amizade não foi abalada. — ele lhe assegurou, mas havia algo lá no fundo, algo que ela não conseguiu decifrar. — Eu verdadeiramente sinto muito sobre aquela noite. Também foi a minha primeira vez. Eu só... nós... não deveria ter acontecido daquele jeito, eu sei. Nós dois estávamos bêbados e não há como voltar no passado, infelizmente. Saiba que eu jamais lhe machucaria. Jamais. Você é especial para mim, e eu preferiria ferir a mim mesmo antes que isso chegasse até você. — ele apertou suas mãos. — De todo o meu coração, perdoe-me.

Seu próprio coração tremeu com suas palavras.

O que ela deveria dizer agora?

Respirou fundo.

— Está tudo bem. — suspirou outra vez, sentindo a textura da mão do loiro contra a sua. — Nós não estávamos preparados. E se fosse para isso acontecer... talvez nós só não estivéssemos ao lado da pessoa ideal, não é? — porque o seu sotaque sempre conseguia embolar as coisas? Ela não queria aparentar estar tão nervosa quanto realmente estava. — Meu único medo era ter estragado tudo com você. — então, finalmente o encarou.

Não, não é bem assim!, sua mente gritou, mas ela ignorou.

— Está tudo bem entre nós, Lynna. — ele assegurou, apertando suas mãos mais uma vez, ela fitou seus olhos azuis, costumeiramente tão sinceros, que agora pareciam um tanto quanto magoados? Ela não conseguia entender. Será que tinha algo a ver com a Salsisharon e ela estragou? (ótimo). — Eu jamais deixaria de ser seu amigo. — ele falou a palavra “amigo” como se estivesse se engasgando.

— Eu sinto muito... de verdade eu sinto muito. — ela murmurou, esfregando os polegares na pele dele.

Steve ergueu-se um pouco, então beijou sua testa. O local formigou um pouco ao entrar em contato com seus lábios.

— Está tudo bem, não foi sua culpa. — lhe assegurou. — Não há o que perdoar.

— Você está roubando, Cap. Você não pode ser essa alma bondosa para sempre! — Lynna resmungou, fazendo-o sorrir. — Venha comigo, preciso entregar-lhe algo. — respirou fundo mais uma vez, ainda no meio termo entre fazer o que estava pensando ou não.

Por fim, ela arrastou-o para cima, abrindo a porta de seu quarto, avançando para as gavetas à procura do pendrive que Natasha havia passado o vídeo da câmera de segurança da Torre.

— Tome. — Lynna voltou a falar, estendendo o objeto para o loiro. — Natasha encontrou isso nas filmagens do corredor, eu acho que você deveria ver. — seu pescoço se tornou tão vermelho quanto seus cabelos. — Nat disse que nós deveríamos decidir o que fazer com as filmagens. E por mim, pode deletar se quiser.

Não eu não quero que o vídeo seja deletado, mas é o necessário a se fazer.

Triste, não é? Ele parece tão desapontado com as suas palavras..., Pétala se pronunciou. Alguém já lhe disse que bêbados falam a verdade? E se ele tivesse se declarado para você? E se ele tivesse lhe dito que te amava?

Olhe só agora... a doce Lyanna quebrando o coração do pobre Steven. Não é lindo?

Lynna se retesou, sabendo que não deveria confiar nas palavras dela.

Cale a boca, vadia. Saia da minha mente! Você não tem esse direito!

Minha querida eu tenho todo o direito que eu quiser.

E ao contrário de você, eu sei o que aconteceu.

Não é fodido? Que a sua pior inimiga saiba o que aconteceu naquela noite, algo que você luta tanto para lembrar?

Pare de me enlouquecer, sua vadia!

Ela podia sentir a Pétala sorrir lascivamente, e ela não queria senti-la dentro de si. Ela não queria sentir suas entranhas congelarem cada vez que a voz tóxica lhe atingisse os ouvidos.

Não me leve a mal, não consigo entender como alguém pode te querer, mas este homem não é normal. Eu estava errada. Ele a quer.

Contudo, o que você poderia dar a ele em troca? O que de interessante você tem?

Ele pode ser bom, mas no fundo é igual a todos os outros que já puseram as mãos em você, a diferença é que ele conseguiu algo que os outros morreram tentando.

Vai para a puta que pariu, cadela!

— Obrigado. — o loiro disse, não percebendo sua luta interna. — Eu acho...

Lynna tentou esboçar um sorriso, tentando esconder o desconforto em seu peito.

Quando ele saiu do quarto, ela desabou na cama, aliviada por ter terminado bem, apesar de tudo.

Talvez Natasha estivesse certa. Ela devia ter falado com ele bem antes de tudo virar uma polêmica sem fim.

*

Ele colocou o pendrive no notebook como Natasha havia lhe ensinado, clicando duas vezes no único arquivo disponível no dispositivo.

Quando o vídeo iniciou, seus olhos não deixaram a tela, mortificado por seus atos, tanto como os da ruiva. Nem de longe aqueles dois se assemelhavam ao Steven e a Lyanna que ele conhecia. Eles pareciam dois selvagens, se atracando grosseiramente.

Aquilo mexeu com ele, por mais que parecesse ser bem errado.

Por mim, pode deletar, se quiser, ela disse, e isso reverberou por sua mente.

Ele suspirou alto.

Nunca imaginara se apaixonar por outra pessoa como ele havia se apaixonado por Peggy quando mais jovem, ela deixou uma marca em seu coração, algo somente dela que jamais poderia ser substituído. A garota com quem ele poderia ter sido feliz, a garota que ele abandonou na pista de dança. Ele jamais imaginaria amar após sair do congelamento.

Contudo, a coisa era totalmente diferente com Lynna. Ele sentia o fogo, as faíscas o queimavam mais do que ele queria, e lhe doía a alma, perceber que ela não o queria em troca. Ele sabia que havia se perdido no momento em que pôs os olhos nela. A melhor amiga de sua amiga... ele havia se apaixonado imediatamente, idiotamente...

E se fosse para isso acontecer... talvez nós só não estivéssemos ao lado da pessoa ideal, não é?

As imagens dela na noite do cinema voltaram à tona, quando Tony brincara com ela e ela sequer revidara sua provocação.

Droga!

As evidências estavam lá! Somente cego não via, e adivinha quem era o cego?

Ela não gostava dele, pois seu coração já estava em outro lugar. A ansiedade dela e a determinação para reencontrar o seu melhor amigo lhe dizia tudo. Lynna amava Bucky e não ele!

Assim como todas as garotas de meu passado, ela prefere o meu melhor amigo.

Ele ignorou esse pensamento rebelde e amargo, lembrando-se em seguida do que ela havia dito sobre o que eles haviam passado dentro da Hydra, o modo com que ela falava sobre ele, como seus olhos brilhavam. Ele não tinha nenhum direito de sentir ciúmes. Estava na cara que ela amava Buck e ele estava sobrando ali, estúpido demais para se afastar, envolvido demais para parar de gostar...

Mas ela me chamou de “meu anjo” enquanto estava caindo, pensou, jogando-se na cama.

Será que Lynna havia visto o rosto de seu melhor amigo em seu lugar naquele dia?

A forma com que ela o olhou o fez cegamente acreditar que ela o queria. O modo com que ela o atiçou naquele bordel o fez acreditar que era ele o objeto de seu desejo. A raiva com que ela disparou aqueles tiros o fez acreditar que ela estava com ciúmes dele pela sua amizade com Sharon. Fora o mesmo olhar feroz que Peggy tinha quando atirou nele há mais de setenta anos atrás. Seu coração se sentiu abalado da mesma forma. – por mais que em proporções diferentes.

Como ele foi iludido.

Todo esse tempo convivendo com uma assassina treinada para esse tipo de coisa – treinada no mesmo lugar que ela—, ele não pôde imaginar que poderia estar caindo no encanto da sereia. O pobre e carente Steven Rogers. Mais uma vez ele ficaria só na pista de dança.

Ah, que ótimo!

Ele estava em apuros por gostar da garota do seu melhor amigo.

*

— Então, o senhor Banner pode se transformar num ser verde e enorme? — Hanna questionou-a, franzindo o cenho. Elas meio que estavam treinando-a a se comunicar em inglês.

— Sim. — Lynna respondeu, sentada ao lado de sua cama. — Ele é um cientista incrível, ele fez várias descobertas sobre você e eu, sabia?

— E ele é maior que Thor? Existe alguém possivelmente maior que Thor?

A ruiva riu. Será que ela ouviu qualquer coisa do que eu disse?

— Parece que temos alguém gamada aqui. — ironizou, fazendo as bochechas de Hanna corarem, deixando-a com uma aparência ainda mais fofa. — Sim, o Hulk é maior que Thor, ele tem mais de três metros, eu acredito. — franziu o cenho.

A garota arregalou os olhos.

— E quanto a Natasha?

— Natasha é uma Viúva Negra, a última delas*. Eu a conheci no tempo em que estive na Sala Vermelha. — Lynna disse calmamente. — Clint, o homem que eu “sedei”, é o Gavião Arqueiro. — ela explicou o que Barton fazia, vendo Hanna assentir, prestando atenção e absorvendo o máximo possível do idioma em treinamento. — Tony é o Homem de Ferro. Ele é bem espalhafatoso quando quer, mas é um gênio, tenho que admitir. Foi ele quem criou meu traje, sabia? Ele e Bruce. — Hanna assentiu outra vez. — E então, temos Steve. Ele é o Capitão América.

— Aquele que é inimigo da Hydra? O que matou o Caveira Vermelha? — ela perguntou com os olhos arregalados. — Você sabe que não poderíamos nos envolver com ele, não é?

Ai, pronto. Agora lascou.

Se for a caso de envolvimento... então sua alma seria sacrificada por isso, não é?

Apenas pare, ela se repreendeu.

— Hanna, a Hydra não nos controla mais! E Steve não é o demônio que eles pintavam. É o homem mais justo que eu conheço. — Lynna encolheu os ombros. — Ele é o melhor amigo do passado de Bucky.

Han encarou-a com o cenho franzido.

— Que mundo pequeno, não? — murmurou.

A ruiva suspirou.

— Verdade. — concordou. — Quem diria, que em todo mundo, a minha antiga melhor amiga seria amiga do melhor amigo do meu melhor amigo? E que ele iria me ajudar a encontrar a minha melhor amiga e tirá-la das garras da Hydra?

Hanna riu baixinho.

— Muitos melhores amigos nessa frase.

Ela riu também.

— Estou feliz que esteja aqui, Han. — murmurou. — Parece que estou sonhando.

Hanna segurou sua mão, apertando-a contra si.

— Não é um sonho. Você me achou.

— E eu jamais irei deixar que você escape outra vez. — a morena deu-lhe um sorriso largo. — Ah, e a propósito... Tony está planejando uma festa para os próximos dois dias. Algo entre amigos, para comemorar o sucesso da missão. Então, ele me pediu para te intimar a ir.

Han ficou tensa.

— Eu não gosto de festas. Nunca estive em uma e não saberei me comportar. — ela disparou, inseguramente.

Lynna fez um gesto de descaso.

— Você não será tão ruim quanto eu em minha primeira festa na Torre. — ela engoliu o embaraço. — Acredite em mim quando eu digo isso. — piscou por fim.

— Mas, eu nem tenho roupa!

Lynna riu.

— Não se preocupe, arranjaremos algo. — assegurou-lhe. — Apenas diga que vai à festa comigo, sim?

Respirando fundo, antes de fazer um bico fofo, Hanna assentiu.

— Tá bom! Você não vai parar de insistir se eu não for, não é?

— Você está certíssima.

Revirando os olhos, a pequena sorriu.

— Espero que eu não me arrependa.

Gargalhando, a ruiva apertou a mão da morena contra si, feliz por tê-la de volta, quase tão intacta quanto ela se lembrava. Hanna havia perdido muito nessa vida, mas sua doce inocência ainda estava ali, e Lynna faria de tudo para preservá-la.

*

Han só sairia da enfermaria à noite, quando ela dividiria quarto com Lynna, que já havia preparado um dos lados de sua cama para que a morena ficasse lá provisoriamente, então, seguindo seus padrões de pensamento, ela estava livre após o jantar, antes de a pequena se preparar dormir, para se aventurar nas lojas de maquiagem, onde planejava comprar mais coisas brilhantes para fazer com que suas tensões evaporassem.

Naquele dia, a atendente simpática induziu-a a comprar mais do que duas embalagens de batom. Ela acabou saindo da loja com inúmeros produtos de pele, que serviriam tanto para ela, quanto para Hanna, em preparação para a famigerada festa de Tony.

Ela também comprou um vestido e um par de sapatos para a coreaninha, que ficaria feliz por ter algo somente dela em todos esses anos.

Voltando à Torre, ela sentiu-se estranha, como se estivesse sendo observada. Ela encarou as sombras do beco, congelando ao ver uma forma se movimentar rapidamente, temendo que fosse o maldito aprimorado de Sokovia que fora mandado para capturá-la.

Belos olhos, dama de fogo. — ela arregalou os olhos para a voz de comando, congelando ainda mais ao perceber o teor da frase em russo, o significado que ela trazia consigo.

Pela sua demora em responder, sua cabeça começou a doer, como se o Hulk em pessoa estivesse comprimindo-a.

As chamas não são reais. — respondeu mecanicamente, a Pétala dentro de si se curvava em submissão.

Apesar do código, ela ainda estava lúcida.

Voltou seus olhos para as sombras, pescando o brilho azul-gelo contido neles.

Seus cabelos castanho-escuros estavam um pouco sujos. Ele vestia várias camadas de roupa com uma jaqueta por cima. Sua mão esquerda estava em uma luva de couro, ele segurava um boné preto na outra.

A respiração de Lynna ficou acelerada, antes de ela envolver seus braços ao redor da cintura do mais alto, independente de ser o Soldado ou não. Mesmo que ele estivesse ali para capturá-la.

Mas ele não usaria o código se ele estivesse, sua mente murmurou. Ele não seria ser tão desleal, seria?

— Bucky! — ela disse por fim, apertando-o contra si.

— Preciso que me ajude a sair do país, Pétala. — foi tudo o que ele disse, apesar do aperto carinhoso contra ela.

A garota se afastou, confusa.

— Eu... — balbuciou. — Você não vai acreditar...

— Agora. — ele a ignorou. — Você precisa me tirar daqui.

Ela endureceu.

— Eu não farei isso. — bateu o pé.

— Lembre-se do código, Pétala. — ele disse milimetricamente. Por um momento, ela acreditou que ele ainda estivesse sob o controle da Hydra. — Você tem que ser submissa a quem te protege. Eu disse as palavras primeiro. Agora, é seu dever me ajudar.

Merda!

Ele usou a porcaria do código contra ela!

Será que ele sabia onde ela estava? Que ela havia encontrado Steve e que ele estava procurando desesperadamente por ele? Será que ele se lembrava disso?

— Eu não posso. — murmurou. — Não me obrigue a fazer isso.

Seu olhar endurecido disse tudo.

— Vamos.

Sem qualquer cerimônia, ele arrastou-a para o beco. Lynna tentou utilizar seus poderes nele, mas por conta do maldito código de parceiro que a Hydra implantou em sua mente, eles – de alguma forma – foram bloqueados, como nas muitas missões em que lutaram jutos. Um protegeria a bunda do outro, senão morreria, e agora, ele era bem mais forte que ela. Mais forte do que o normal.

— O que quer que eu faça, então? — resmungou. — Você é o estrategista aqui, aposto que já tem algo em mente. Então qual é o truque em me neutralizar, seu Soldado estúpido?

Ele a encarou, arqueando a sobrancelha.

— Você vai me dar cobertura. — ele disse simplesmente, arrastando-a consigo.

Eles caminharam por longos minutos, pelas sombras, até um porto, onde se esconderam atrás de uma árvore.

— Se você parasse para me escutar, eu poderia te dizer que eu achei Steve e Natalia, lembra-se dela? A Viúva Negra? Aquela que você... Ela me abrigou ao lado de seus amigos, foi quando eu o conheci. O seu melhor amigo. Eu posso falar com ele. Ele irá te ajudar, Bucky. Você imaginava que ele estava morto, mas ele está vivo. — ela disse ofegantemente num só fôlego.

Ele encarou-a com seu olhar melancólico característico.

— Eu sei. — resmungou. — Naquele dia no lago, eu vi vocês dois, eu me lembro. Estava escondido atrás das árvores. E os jornais não param de falar sobre você. Você estará segura com ele. Mas meu lugar não é aqui. — a mão de carne dele apertou a sua, a pele levemente bronzeada contrastando com a extremamente pálida de Lynna. — Vocês dois punks vão se dar bem. — ele beijou sua testa, antes de ir. — Não se esqueça de me dar cobertura. Seus poderes voltarão assim que eu me afastar, como sempre. Vai ser melhor assim.

Lynna suspirou.

— Você não precisa ir. — disse. — Eu falo com Steve, ele te arranja um lugar. — ela correu em seu encalço. — Não precisa ser assim. — segurou em seu braço de metal, fazendo-o virar-se.

— Não os colocarei na reta da Hydra. — ele resmungou. — Você está protegida e isso é o que importa.

Se esse tabacudo ainda não havia percebido, ela estaria de qualquer forma na reta da Hydra!

— Eu achei Hanna. — ela disparou, tentando convencê-lo. — Ela está na Torre comigo! Você poderia ficar e me ajudar, seríamos uma família outra vez, poderíamos ir à Disneylândia como sonhávamos, se lembra?

Ele sorriu. O filho da puta tinha que ter aquele sorriso de comercial de pasta de dente? Qual a necessidade disso?

— Ajude você a pequena. Vá à Disneylândia com ela. — disse. — Vocês perderam muita coisa, Lya.

Ela rosnou.

— Pare de ser cabeça dura, Barnes! Você só está fugindo porque acha que não é digno de perdão. — seu olhar endureceu. — Você foi uma vítima! V Í T I M A Venha comigo. Podemos mudar isso, ainda dá tempo.

— Não vai dar. — ele bateu o pé.

— Então eu vou com você. — ela disse convicta, passando a frente dele.

Com um bufo profundo, o moreno a empurrou para trás com o braço de metal.

— Mas não vai mesmo! — ele praticamente rosnou. — Eu não permitirei Que você volte para esse mundo. Você não está indo comigo.

— Somos uma dupla. — retrucou. — Trabalhamos juntos. Eu vou sim!

Bucky fechou os olhos com força.

— Não. — disse com a cara fechada. — Mesmo assim você não vai.

— Então fique! — pediu exasperada. — Fique. Estaremos juntos e você terá uma segunda chance.

O moreno acariciou seu rosto com a mão de carne.

— Você merece mais do que eu. — murmurou. — Fico feliz que tenha encontrado Steve. Vocês irão cuidar um do outro.

Afastou-a com o corpo, caminhando até uma embarcação de cargas, atracada no porto.

— Posso saber para onde você vai, pelo menos? — murmurou segurando as lágrimas.

Ele sorriu travessamente para ela.

— Boa tentativa, Lyanna, mas não vai me ganhar com essa sua vozinha mansa e esses olhinhos de corsa. — disse. — É melhor que você não saiba. Sairei do radar por um tempo. Vai ser melhor assim.

Ela grunhiu.

— Ao menos me mande um sinal de fumaça! — pediu.

— Para que você e seus novos amigos me rastreiem? — arqueou a sobrancelha. — Não se preocupe, eu a protegerei se precisar, mas não saberá sobre mim.

Irritada, Lynna apanhou uma pedrinha do chão, jogando na cabeça do maldito Soldado Invernal, que – como sempre – conseguia tirá-la do sério. A pedra mal fez dano, arrancando uma gargalhada do ser.

Seu idiota irritante filho de uma mãe! — sibilou em russo, mas sua vontade era gritar. — Eu te odeio!

Voltando seus olhos azuis para ela mais uma vez, Barnes piscou.

— Cuide-se, cabeça de fósforo. — murmurou. — Não faça nada de estúpido até eu retornar.

— E como eu poderia? — ela retrucou. — Você está levando toda a estupidez consigo.

Ele piscou.

— Cuide-se.

Irritada por ter que seguir o código, Lynna o cobriu, enquanto via-o sumir dentro do navio de carga. Pelos dizeres na lataria, o navio era alemão, mas isso não queria dizer nada. Ele podia ir para qualquer lugar do mundo.

E então, ela havia deixado Bucky escapar mais uma vez.

Não queria imaginar a cena se Steve descobrisse isso.

Ela poderia tê-lo arrastado com seus poderes, se o infeliz não tivesse dito as palavrinhas mágicas, se aproveitando dela como sempre fazia, era só abanar aqueles olhos de gelo de um garoto dolorido para ela e bum!

Se bem que seria “lindo”, a cena de uma ruiva louca cheia de sacolas arrastando um trator irritante pelo braço de metal.

A ruiva esperou até que a porta do compartimento se fechasse, antes que ela voltasse para a Torre. Tivera que pegar um táxi para chegar exatamente na hora de dormir, limpando compulsivamente as lágrimas antes de apertar sua digital no portão da garagem.

— Seja bem-vinda de volta, senhorita Angianova. — a voz de JARVIS lhe saudou.

— Obrigada, JARVIS. — ela murmurou com a voz ainda embargada, caminhando até a porta do hall, depois para o elevador.

Natasha entrou faltando dez andares para chegar ao seu quarto.

— Se machucou em algum lugar, Angianova? — perguntou, encarando-a de cima a baixo. — Você parece um pouco desgrenhada. Por que demorou para chegar das compras, aconteceu alguma coisa? Foi a Hydra?

Quase isso. — murmurou, se avaliando no espelho.

Uma mecha laranja escapava de sua trança, seu nariz e bochechas estavam vermelhos, assim como seus olhos, por causa das lágrimas de dor e raiva que ela havia derramado. Sua roupa tinha uma leve camada de pó pela corrida.

— Eu estava correndo um pouco pelo parque. — murmurou de volta, mas ela sabia que Nat sabia que era mentira.

— E o parque tem mãos fortes o suficiente para marcar? — ela disparou, como era de se esperar.

Apesar disso, os olhos de Lynna pousaram em seu pulso esquerdo, surpresa pelo machucado.

Merda.

A marca dos dedos de metal de seu parceiro infeliz e zombeteiro estava ali.

— Onde ele está? — Romanoff voltou a questionar.

Lynna suspirou vencida.

— Código de parceiros, Tasha. — resmungou desarmada. — Eu não sei onde ele está.

A outra ruiva suspirou alto.

— Mas você o viu. — aquilo foi uma afirmação que lhe doeu.

— Ele me forçou a cobri-lo enquanto escapava. Foi o código, eu não pude fazer nada. Não conte isso a Steve, por favor. — Lynna murmurou tristemente. — Eu o tive em minhas mãos, mas eu o deixei escapar, Nat! Eu sou a pior amiga! Eu lhe disse que iria achar Bucky e falhei. Ele só precisou dizer as malditas palavras e bum! Eu já estava cumprindo suas ordens. Eu tentei fazê-lo vir até a Torre, mas ele... eu não sou páreo para ele. Não sozinha. É tudo minha culpa, justo agora que eu havia feito as pazes com Steve...

— Não é culpa sua que as coisas não saíram como planejado. — Nat suspirou, segurando seu ombro quando as portas se abriram. — Pense que você fez o melhor que você pôde com o pouco que você tinha em suas mãos.

As portas do elevador se abriram, mostrando-as o seu andar de quartos.

— Eu sou cagada, não é? — encarou a ruiva menor, que franziu o cenho.

Nat suspirou, antes de responder.

— Seres humanos normais têm seus altos e baixos. — ela disse. — Você não pode se culpar por algo que não tem controle. Pense nisso.

Respirando fundo, Lynna se arrastou até seu quarto, Hanna ainda não estava lá, o que a ajudou a desabar, trancando-se e aninhando-se na cama, ponderando se deveria contar a Steve ou não.

Notas finais
E ai? Eu não acredito que esses dois não conseguem ver o que está bem na cara, não é? Sejam bem-vindos à "queima lenta" muahahaha! OBS: eu não sei se a informação de que Nat é a última Viúva Negra procede, mas no universo dessa fanfic ela é, talkey? Mais uma vez, eu espero que a Conversa não tenha saído cagada.