The Captain and The Petal.
75 Seventy-third Chapter. - Rebuilding Hope.
Notas iniciais

Reerguendo a esperança.
Sua amada Lyanna está morta.
Eu a matei. E isso me deu mais prazer do que ver a sua carinha esperançosa desabar.
Ela não chorou, sabia?
Ela chamou o seu nome quando caiu, mas você não estava lá para aparar a sua queda, do mesmo modo que você não estava lá para protegê-la quando eu voltei à superfície...
Mas foi melhor assim, não foi?
Você se livrou de um fardo. Eu matei o monstro doente que te “amava”.
Você deveria me agradecer por isso.
Apesar de ainda ser verão, fazia frio no Complexo.
Ele estava sentado na beira do lago, examinando alguns papéis e mapas que Fury havia lhes enviado algumas semanas atrás. Todos eles eram sobre bases da Hydra que estavam registradas em nome da SHIELD. Eles procuraram em cada uma delas.
Nada. Nem um sinal de fumaça.
Eles estavam nisso há três meses. Suas esperanças já estavam sendo minadas a cada tentativa malsucedida. Ele estava há um passo de cometer uma loucura, mas ele simples mente não podia.
Se a teoria de Mary estiver certa – e tomara Deus que sim –, Anna ainda está viva, e eles podem atentar contra ela se ele fizer alguma merda. E tinha Hanna. Mesmo que a Pétala estivesse falando a verdade sobre ter matado sua noiva, a amiga deles ainda estava viva, eles precisavam tirá-la das garras da Hydra. Ela ia querer que isso acontecesse.
Fechou os olhos com força, permitindo que as lágrimas vazassem de seus olhos cansados. Ele colocou os papéis em uma pilha organizada atrás da rocha e tirou a roupa, adentrando a água, ficando de costas para quem quer que tivesse a ideia de vir encontrá-lo aqui.
Ele não queria que os seus amigos o vissem chorar outra vez.
Ele também sabia que isso era idiotice, mas em sua cabeça não era.
Tocando a superfície da água, ele rezava para que sua amada estivesse viva, que ela estivesse lutando contra aquela maldita, que ela estivesse bem, e que ele pudesse encontrá-la e levá-la de volta para casa.
Finalmente, ele havia chegado à pior fase do luto: – pelo menos para ele. – A Negação.
Seu gosto para a vida havia sido perdido no momento em que ele havia ouvido Bucky dizer que as palavras-chave pertenciam à Anna. Mas a perda da esperança veio à cavalo quando ele ouviu a confirmação de Bruce de que o sangue e os cabelos eram mesmo dela.
Isso poderia não significar nada.
Podia ser apenas uma mecha aleatória que foi arrancada de sua cabeça, para depois ser banhada em seu sangue...
Então, porquê o seu coração sentia como se fosse uma perda?
Ele sentiu os passos de Marnie antes que ela pudesse envolvê-lo com seus poderes, fazendo-o encolher-se um pouco, contrariado porque ele não queria ser consolado.
— Fury quer falar conosco. Ele tem novidades. — ela murmurou, sentando-se na rocha onde ele estava. — Eu trouxe uma nova muda de roupas. Está frio. Logo o outono chegará outra vez e as coisas se tornarão um pouco mais complicadas com o inverno, mas precisamos ser otimistas, sim?
O loiro zombou, nadando para margem.
— Ele não adiantou o assunto? — perguntou-lhe quando ela virou de costas para lhe dar alguma privacidade.
— Não. — ela murmurou sinceramente. — Mas eu deduzo que tenha algo a ver com a Hanna, e com as várias aparições de uma mulher que pega fogo, aterrorizando povos de cidadezinhas pequenas na Europa. James estava lendo sobre isso num jornal romeno hoje de madrugada.
Steve pestanejou um pouco.
— Faz sentido. — murmurou de volta. — Nos guiarmos pelo imaginário popular é a tática mais óbvia, às vezes extraímos informações preciosas disso tudo.
Sua amiga assentiu, colocando uma mecha de seu cabelo para trás da orelha.
— Sim, tipo os Homens de Preto. — ela levantou-se quando ele pigarreou, então acompanhou-o para dentro, sempre um passo atrás dele, como se ela tivesse medo de que ele fosse fazer algo. E como se ela tivesse forças para impedi-lo se ele o tentasse. — Sabe... você deveria parar de dar ouvidos às palavras daquele demônio.
— Mas Mary... — ele tentou argumentar, porém foi cortado.
— Ela fez Lya acreditar que você tinha beijado a Sharon quando você simplesmente só tinha andado ao redor da sala para segurar o ombro de Sam! — sua amiga rebateu, cruzando os braços. — Eu não acho que a Hydra a mataria de graça, não depois de todos os esforços que eles fizeram para tirá-la de nós! — ele se encolheu, ponderando as palavras dela. — Além do mais, eu deduzo que a Pétala não teria tanto poder assim se a Lya estivesse mesmo morta. — Steve finalmente voltou a encarar seus olhos verdes, fazendo-a arquear a sobrancelha. — Segundo o que Loki disse sobre ela, a Pétala é apenas um parasita, ela drena a energia do hospedeiro e só. Ela não tem nenhum poder, Lya tem. Se ela tivesse morta, não restaria nada para aquela vadia.
Ele remoeu sobre suas palavras, caminhando até a sala de reuniões, onde todo o time e Loki estavam reunidos, esperando pelos dois, que se sentaram juntos na cabeceira da mesa, em frente à Fury.
— Ainda bem que vocês chegaram, eu trouxe notícias extremamente urgentes. — ele disse, ligando o telão. — Estas imagens foram feitas por um morador de uma vila pequena na Romênia. — ele mostrou o vídeo de uma casa pegando fogo, enquanto uma mulher de longos cabelos negros brandia uma katana para o morador do local. — Esta é Hanna... ou eu devo dizer Pyra? Ela foi vista mais oito vezes durante esses três meses. Nós não sabemos onde ela é mantida, mas depois de todas essas ocorrências, começamos a calcular seus movimentos, e eles são meramente previsíveis.
— O que é algo estranho para os padrões da Hydra. — Bucky comentou, esticando-se um pouco na mesa para avaliar o perfil de Hanna. — Eles claramente estão mandando um recado para nós.
— E que tipo de recado poderia ser esse, Floquinho? — Tony perguntou, esticando seus pés sob a mesa.
— O de que eles querem nos atrair para uma luta? — Nat resmungou ao lado de Buck. — A Hydra odeia vazamentos, então, por que eles permitiriam ser filmados na cara dura? Não. Eles querem nos atrair para algo, para então nos distrair de seu plano original.
— Faz sentido. — Fury comentou. — É por isso que estou aqui. Meu time de confiança identificou um jato da Hydra indo em direção a um vilarejo norueguês há mais ou menos duas horas. Nele estavam a Pétala e Pyra. Vocês precisam sair imediatamente se quiserem interceptá-las.
Eles assentiram, iniciando o processo de se levantarem para correr para o quinjet.
— Eu pensei que os Vingadores fosse o seu time de confiança, Fury. — Marnie disse antes de sair. — Você me magoou.
Ela não deu tempo de ele responder, apenas adentrou o corredor que ia para os quartos e sumiu de vista.
Steve arrastou sua mala para suas costas, sendo o primeiro a entrar no jato.
Ele trocou de roupa e colocou seu escudo encostado no banco do piloto, enquanto esperava os outros.
Com exceção de Scott, que teve um problema sério envolvendo sua filhinha e Rhodes, que tinha assuntos diplomáticos extremamente urgentes para tratar – uma vez que sempre deveria haver pelo menos um vingador no Complexo –, o time inteiro estava ali, com a adição de Loki, Clint, Sharon e Peter, este último, sob todas as reclamações possíveis de Tony.
Eles voaram por longas horas até chegarem ao vilarejo que Nick havia falado.
Antes de pousarem, algo muito forte deu um solavanco na aeronave, fazendo-os inclinar-se para frente violentamente.
— É a Pétala! — Bucky gritou. — Eu irei atrás dela!
Ele levantou-se, mas foi parado por Thor.
— O corpo que aquele parasita habita é de uma deusa. — o loiro asgardiano disse. — Nem mesmo o mais forte dos mortais pode derrotá-la. Eu vou.
Ninguém disse nada quando Natasha abriu uma fresta da rampa de entrada. Ele apertou um pouco os braços da cadeira ao escutar o barulho da luta entre Thor e a Pétala.
O embate foi caloroso e acabou com o deus do trovão jogando o corpo de Anna – onde o parasita habitava— para longe do quinjet, que finalmente pousou.
Eles correram para fora, acompanhando a luta entre os dois. Seu coração quase parou quando Thor lançou um raio na Pétala, mas o mesmo sequer fez cócegas nela, que sorria sadicamente.
— Finalmente, alguém à minha altura. — ela disse, atingindo um dos punhos de Thor com uma barra de ferro, que se partiu com um golpe das mãos dele. — Ok, e agora você também conseguiu o meu ódio. — ela pulou para trás, formando uma parede de gás, então empurrou-o para longe com um chute.
— Algo está errado... — Bucky sussurrou ao seu lado. — Ela parece menos psicopata que o normal.
Nat, Mary e ele encararam-no com uma expressão de “você quer mais psicopatia que isso?”.
Ele deu de ombros, erguendo o queixo para a parede, que se dissipou, e a criatura sumiu do nada.
— Eu cansei de tentar fazer vocês entenderem que não importa o quanto vocês tentem, ela não vai voltar! — a voz da Pétala soou de algum lugar atrás dele. — Sabe... eu odeio me repetir.
O corpo Wanda passou voando de trás deles. Ela pousou no chão com suas mãos brilhando, ao mesmo tempo em que todo mundo se armava para lutar.
— Nós precisamos nos dividir. Não vai ser fácil lutar com a Vampira de Chernobyl desse jeito, por mais que isso seja praticamente mais de doze contra uma. — Tony disse de algum lugar acima deles.
Para mostrar que tudo o que está ruim ainda pode piorar, três grupos de agentes da Hydra apareceram no local, empunhando armas bastantemente tecnológicas.
Ele podia imaginar que isso estava vindo para mordê-los na bunda.
— Eu não posso deixar que vocês arruínem o progresso. — Pétala voltou a falar, erguendo uma cortina de veneno.
— ACIONEM AS MÁSCARAS! — ele gritou, esquivando-se da primeira onda de tiros que partiram dos agentes.
Seu grupo se separou, tendo Nat, Thor e Loki indo em direção à Pétala, que ainda fazia movimentos calculados com seus poderes, atingindo-os como se eles fossem feitos de ferro, coisa que ele jamais vira Anna fazer igual.
Ele lutava com quatro homens de uma vez só, foi quando ele a viu.
Ela tinha seus longos cabelos negros presos numa trança que ia até o osso do cóccix. Em sua mão direita, ela tinha uma katana incendiada de lilás. Seus olhos brilhavam insanamente, talvez de maneira ainda mais doentia do que os de Pétala.
Seu sangue gelou.
Por Deus, o que fizeram com Hanna?!
Ela percebeu o seu olhar sob si e sorriu sadicamente, brandindo a espada, fazendo o fogo crepitar para uma das árvores, que se desintegrou imediatamente, por conta da alta concentração de veneno em suas chamas.
Seu ato chamou a atenção de mais dois de seus amigos.
Sam olhou para ele com os olhos arregalados, assim como Wanda, que parou ao seu lado, assustada.
— E agora, o que faremos? Nós não estávamos preparados para lutarmos com as duas ao mesmo tempo. — ela sussurrou.
— Temos que dar um jeito. — ele sussurrou de volta. — Galera, a Pyra também está incluída na festa. — anunciou apertando o com. — Tomem cuidado, ela está armada.
— Meu Deus, se como Hanna ela já é perigosa armada, imagina a Pyra? — Marnie rebateu, pousando ao seu lado. — Como é que vamos gerenciar as duas?
— Há alguma maneira de acabarmos com o fogo da Hanna? — Tony perguntou, pousando à frente de Sam.
Mary abriu um sorriso cínico, quase como se quisesse lhe dar uma resposta travessa, mas parou no meio do caminho, estranhamente olhando por cima de sua cabeça.
— Se a gente jogasse água na cara dela, ela ficaria muito puta? — perguntou por fim.
— Você quer testar? — Wanda rebateu, arqueando a sobrancelha. — O meu palpite é que nós devemos retirar a espada dela primeiro. Então lidaremos com o fogo depois.
— Espero que saiba o que está dizendo, afinal de contas, vocês treinavam juntas. — ela assentiu para o que Tony disse.
— Certo. — Steve suspirou. — Eu e Tony distrairemos os agentes que estão perto dela, você, Sam e Mary tentam tirar a espada de Hanna. Tomem cuidado.
Com um aceno de cabeça, seus amigos se separaram.
Ele assentiu para Tony e os dois começaram a lutar contra os ditos agentes, que atiravam em tudo o que se mexia.
Em algum momento, Bucky se juntou a eles, atirando com a uma espingarda que ele havia tirado das mãos de alguém com quem ele havia lutado. Os três conseguiram tirar a “proteção” de Hanna do caminho, para que o outro trio conseguisse tirar a arma dela.
Contudo, o plano deu errado, quando a pequena quase arrancou a cabeça de Wanda fora. Ela só não obteve sucesso porque Pietro conseguiu ser rápido o suficiente para tirá-la de perto da trajetória da arma.
Han soltou um lamento agourento quando Thor fez chover em cima de sua cabeça.
Os olhos dela faiscaram em fúria, então ela pulou em cima da cabeça dele, tentando fatiá-lo com sua katana, que foi quebrada em pedaços ao entrar em contato com os braceletes de metal que o loiro asgardiano usava.
Se a criatura já estava irritada por ter seus poderes “lavados”, imagina agora que sua outra fonte de defesa foi descartada como se fosse nada?
— THOR! — Loki gritou, quando o corpo de seu irmão foi consumido em chamas.
Inconscientemente, Steve lançou seu escudo para tentar tirar Hanna de cima de seu amigo, mas ele ricocheteou contra a barra de ferro que Pétala colocou para bloquear sua trajetória, com um sorriso desgraçado na cara.
— Filha de uma...
— Olha a língua! — Marnie pediu, arregalando os olhos para a frase que ele havia iniciado.
Com um impulso de suas mãos, o deus da trapaça conseguiu retirar a pequena de cima de seu irmão, que ajoelhou-se no chão, estranhamente silencioso demais para alguém que estava literalmente pegando fogo.
Loki foi o primeiro a chegar até ele, segurando cautelosamente o ombro do mais alto, que levantou lentamente, fazendo todo mundo ofegar.
Ele estava intacto.
— Você só pode estar de zoeira! — Tony exclamou ao seu lado.
— Eu não acredito que estávamos diante de Daenerys Targaryen esse tempo todo! A maldita estava viva e não me contou! — Marnie cruzou os braços, brincando.
Ele quase podia rir de se seu comentário, se ele não estivesse focado em outra coisa... na Pétala, que tinha seus olhos arregalados. Ela parecia distraída o suficiente para que ele pudesse...
Com um dos dardos de Clint na mão, ele lançou-o perfeitamente para sua jugular...
Uma gargalhada tenebrosa escapou dela, que capturou o dardo com a mão direita, então inclinou a cabeça para o lado, sorrindo sadicamente para ele.
— Pelo visto, você tem uma obsessão pelo meu pescoço, não é mesmo, Capitão? — ela perguntou insolentemente, lançando-o de volta para ele, que se protegeu com o escudo, antes que ela saltasse para chutar sua cara.
— Primeiro de tudo, este corpo não é seu. — ele disse, afastando-a com o braço esquerdo, bloqueando seu chute potencialmente doloroso. — Segundo, minhas obsessões não são da sua conta.
Fazendo o que suas amigas lhe recomendaram, ele lutou com ela como se ela fosse sua inimiga.
Bem, ela o era, mas ele simplesmente não conseguia colocar isso em sua cabeça, porque o fato dela estar sem máscara o incomodava, o fato de que ele estava lutando contra o corpo da mulher que ele amava lhe deixava doente do estômago.
Seu maior medo era perder o controle, se deixar levar pelas provocações daquela coisa, e acabar ferindo sua noiva por causa disso.
Assim como quando ele lutou com Anna, parecia haver três dela lutando contra si, como na vez em que ele havia conhecido Loki, há tanto tempo atrás, onde ele havia se multiplicado. A criatura parecia tentar chutá-lo em todos os lugares possíveis. Ele precisava fazer algo para fazê-la parar.
Sua mão direita segurou os dois pulsos dela, fazendo-a bater contra seu peito. Ele avaliou o cenário, enquanto segurava o corpo da ruiva contra o dele, prendendo-a com toda a força necessária para imobilizá-la.
Seus amigos ainda lutavam contra os agentes da Hydra, que estavam começando a triplicar. Hanna havia sumido após Loki tê-la jogado para longe... a situação não estava nada favorável para eles.
— Temos que recuar. — ele ouviu Clint dizer através do com. — Há mais dessas coisas vindo, eu posso ver outra nave se aproximando, nós não conseguiremos sozinhos.
Era como se a criatura em seus braços estivesse ouvindo a mesma coisa que ele, pois ela sorriu amplamente.
— Eu te disse que você não pode parar o progresso. — ela provocou. — Não há nada o que você possa fazer, Cap. Nunca houve. Mas não se preocupe, logo, logo você encontrará sua noivinha no inferno. — então, ela chutou sua perna com força, fazendo-o vacilar um pouco antes de cair. Pétala sacou uma adaga de seu coldre e apontou para a sua garganta. — Talvez, um pouco mais rápido do que o esperado.
Houve algo estranho quando ela encostou a lâmina. Era como se algo ou alguém estivesse impedindo-a de esfaqueá-lo.
A criatura soltou um grito alto, como se alguma coisa estivesse machucando-a de dentro para fora. Isso a fez jogar a faca em seus pés, fugindo logo em seguida, fazendo-o arregalar os olhos.
Imediatamente, Steve levantou a cabeça para Mary, que sorriu para ele como se dissesse “eu não te disse?!”.
Numa rapidez que impressionou até a si próprio, ele catou o escudo e disparou contra Pétala, na tentativa de desmaiá-la.
Tarde demais.
Quando o escudo ia atravessar o seu corpo, ela se transformou em gás, arrancando um grito frustrado dele.
Merda!
Tão perto, mas tão longe!
*
Ela entrou gritando na base, sendo arrastada por três agentes, enquanto seus poderes se ampliavam dentro de seu corpo, tentando expulsá-los de cima de si.
Em todos esses anos com a Pétala dentro de seu corpo, Lynna nunca teve forças para lutar contra ela, mas tudo mudou no instante em que aquela vadia havia apontado aquela adaga para o pescoço de Steve, ela viu vermelho.
Pela primeira vez em pelo menos quarenta anos, ela sentiu-se mais forte do que aquela peste, ela sentiu como se pudesse forçar o seu caminho para a superfície, colocá-la no mudo...
Seu corpo foi violentamente jogado dentro da cela.
Depois de longos minutos, Igor Priekov abriu sua porta, ajoelhando-se ao seu lado com um sorriso quase amigável em seu rosto doentio.
— Vejo que alguém não foi uma boa menina nesta missão, não foi? — ele perguntou arrastando a mão pelo seu joelho. Lynna não respondeu à sua pergunta. — O que eu te disse que aconteceria se você tentasse alguma gracinha, printsessa? — o albino apertou o seu queixo, fazendo-a prender a respiração. — Acaso você já esqueceu o que irá acontecer com o seu precioso Capitão se você não cumprir com o nosso trato? — ela negou, choramingando. — EU QUERO UMA RESPOSTA VEBAL!
— Não! — guinchou. — EU NÃO ME ESQUECI! — gritou, tentando afirmar suas palavras. — Mas a Pétala... ela não tinha o dever de matá-lo! Eu disse que faria qualquer coisa que você quisesse, contanto que ele ficasse vivo e bem...
O homem sorriu.
— O que aconteceu hoje será cobrado da Pétala. — ele disse-lhe, mas isso não lhe passou tranquilidade, afinal de contas, seria o seu corpo a ser torturado, então... — E eu já te disse que eu preciso do Capitão vivo, porque ele também é importante para completarmos a outra fase do plano, a fase que você sozinha não teve forças para concluir.
Ela engoliu em seco.
— Eu já lhe disse que eu...
— EU JÁ SEI QUE VOCÊ É DEFEITUOSA! — o filho da puta gritou, cortando-a, batendo em seu rosto com as costas de sua mão. — Eu já sei! — ele disse brandamente, estendendo a mão para tentar acalmar a vermelhidão de sua pele, mas ela conseguiu se esquivar do seu toque. — Não se preocupe com isso, eu irei melhorá-la.
— O que você quer dizer com isso?! — perguntou assustada, escorregando para trás na cama, encostando suas costas na parede, na tentativa inútil de se proteger dele.
— Você já esteve na América do Sul antes? — ela negou, arrancando um sorriso dele. — Isso é ótimo, pois em breve iremos passar uma temporada lá. Mas não se preocupe, eu vou fazer questão de que a viagem seja proveitosa para nós dois.
E com isso, o Priekov filho saiu do quarto, deixando-a sozinha com seus pensamentos.
Ela tinha medo do que aquele homem poderia fazer com seu corpo já fodido.
O que ele queria era uma atrocidade, ela não poderia deixar que isso acontecesse! Ela tinha que arranjar um jeito de para-lo, alguma forma dela poder sair dali sem que algo terrível acontecesse a alguém inocente.
Encolheu-se na cama, abraçando seu corpo protetoramente.
Então, algo como um puxão em seu pulso direito fez com que uma luz fraca iluminasse o quarto.
Ao seu lado, uma mulher de longos cabelos brancos estava deitada, encarando-a docemente. Se ela não soubesse bem, diria que o olhar nos olhos da mulher era muito similar ao de sua avó.
— Por que você está chorando, criança? — ela murmurou, tocando seus cabelos, colocando-os para trás de sua orelha.
Estranhamente, Lynna não se afastou do toque dela, o que lhe deixou um pouco ansiosa com isso.
— Eu... eles... eles me tiraram do meu lugar seguro outra vez, agora eles querem criar um exército mutante a partir do sangue de um inocente, às minhas custas. — respondeu-lhe, admirada por ter sido completamente sincera com uma desconhecida.
— Oh minha querida... como sua vida pode ter tomado um rumo tão trágico mais uma vez? — a mulher questionou, acariciando sua pele, fazendo-a arregalar os olhos. — Eu sei que agora você não deve estar me reconhecendo, mas eu sei quem você é. Eu tenho acompanhado seus passos por mais tempo do que você imagina. Contudo, infelizmente eu não tenho permissão para interferir nos rumos que a sua vida está tomando, por mais que me doa completamente.
Ela franziu o cenho, encarando-a seriamente.
— Você é o que...? O meu anjo da guarda? — arqueou a sobrancelha.
A mulher riu baixinho.
— Eu posso ser o que você quiser que eu seja, meu utenok. — seus olhos se arregalaram ao ouvir o apelido que só uma pessoa tinha permissão para chamar.
— Babushka?! — perguntou emocionadamente, fazendo a mulher sorrir-lhe amplamente. Como ela pôde não tê-la reconhecido?! Era exatamente sua avó, só que mais jovem, com cabelos platinados e batom gótico. — Babushka! Eu não acredito! Eles te mataram, como eu posso estar lhe vendo?
— Esta é sua ilusão, minha pequena. — a mulher murmurou, segurando seu rosto molhado. — Você é a única pessoa que está no comando agora, ninguém pode te perturbar neste espaço. — ela sorriu, tocando o rosto de Amber-Rose, que se inclinou para o seu toque. — Eu não consigo colocar em palavras o quanto eu senti a sua falta.
— Muito menos eu. — Lynna falou, chorando. — Eu estou com tanto medo, vovó!
A mulher puxou-a para os seus braços, apertando-a com força.
— Não tenha, eu estarei com você o tempo todo. Eu serei o seu porto seguro para mantê-la longe da Hydra e da maldita Pétala. Eu jamais deveria ter permitido que esse parasita escapasse de sua dimensão outra vez... — a ruiva ia perguntar o porquê disso, mas resolveu que preferia não estragar esse momento, não quando fazia tanto tempo desde que ela teve o colo de sua avó. — Mas não se preocupe, você irá sair daqui. Seu noivo com cara de anjo não vai desistir de você. E ele tem uma aliada de peso ao seu lado.
Suas bochechas esquentaram à menção que ela fez a Steve.
— E quem seria essa aliada? — perguntou-lhe curiosamente.
Sua avó riu.
— Você saberá no momento certo. — respondeu. — O seu corpo está muito cansado para termos esta conversa agora.
— Tudo bem. — murmurou concordando com suas palavras. — Vovó... Eu posso te pedir uma coisa?
— Qualquer coisa, meu patinho. — Amber sorriu, apertando-a ainda mais contra si.
— Fica aqui comigo. Não me deixa sozinha. Fica comigo até eu dormir. — pediu, chorando contra o tecido da túnica que ela usava.
A mulher afagou seus cabelos.
— Eu ficarei, utenok. — ela murmurou, beijando sua cabeça. — Você pode dormir agora, porque você sempre estará segura comigo.
E com isso, Lynna se aconchegou ao corpo magro de sua avó de aparência esquisita. Ela não questionou isso. Se o universo estava lhe dando sua segunda mãe de volta – mesmo que através de uma ilusão –, isto não era algo que devesse ser questionado.
Pela primeira vez desde que a Hydra havia lhe capturado, ela dormiu tranquilamente, babando no ombro da mulher de cabelos brancos.
*
— Existe uma razão para termos perdido o controle da luta, e o controle que tínhamos chegado a ter sob a Pétala. — Mary falou, fazendo todos olharem para ela, que era a única de pé na sala de comando. — Estamos lutando com as nossas emoções, e isso está nos desestabilizando!
— Minhas sinceras desculpas, Lady Floquinho, mas... não são as emoções que movem as lutas? — Tony perguntou, querendo morrer pelo seu novo apelido.
Ela revirou os olhos, cruzando os braços.
— Você me entendeu, Anthony! — resmungou. — O que eu quero dizer é que: enquanto nós lutarmos contra a Pétala utilizando nossos “recursos emocionais básicos”, nós nunca iremos vencê-la! Por que é isso que ela quer, ela quer brincar com o nosso emocional, porque ela sabe o quanto nós gostamos de Lya e de Han e o quanto nós sacrificaríamos para tê-las de volta, e ela vai usar isso contra nós.
— Mary está certa. — Natasha se pronunciou. — Precisamos reformular nossa estratégia.
De onde estava, Marnie viu Steve se remexer desconfortavelmente na cadeira.
— E qual seria o seu plano? — perguntou-lhe diretamente, fazendo-a engolir em seco por conta da intensidade da sua confiança nela.
— Bem... tem que haver algum jeito de podermos parar a Pétala de maneira mais efetiva do que os dardos tranquilizantes, ou os ferrões da Viúva. — ela disse por fim, avaliando a reação do grupo. Seu cenho franziu quando Pietro e Wanda se entreolharam, mas foi James quem se pronunciou.
— A única coisa que pode derrotar a Pétala é o próprio veneno. — ele se esticou um pouco para aliviar o peso de sua perna. Todos os olhos estavam nele agora. — Ao mesmo tempo em que o tenebrys sakura se torna sua arma, ele também é a sua maior fonte de tortura. Para ambas.
— E só há esse meio? — Steve perguntou, preocupado com o que sua noiva teria que passar para que eles pudessem trazê-la de volta para casa.
— Eu temo que sim. — James respondeu. — O único jeito de derrubá-la é fazê-la ingerir uma dose de seu próprio veneno.
— Se ao menos houvesse uma maneira de fazê-la ingerir isso sem machucar alguém... — Pietro disse pesadamente, encarando Wanda, que se encolheu.
— Wanda...? — Nat ergueu a sobrancelha para sua amiga, que encarou-a. — Há algo que você queira compartilhar com a classe...?
Sua amiga respirou fundo, controlando sua insegurança.
Momentaneamente, ela se afastou um pouco de James antes de começar a falar.
— Enquanto estávamos do lado de Ultron... — ela fechou os olhos com força, tentando se concentrar. Mary envolveu-a com seus poderes, fazendo-a dar-lhe um pequeno sorriso. — Eu fiz algo do qual eu não me orgulho. — olhou para cima, para Steve. — Naquele dia em que lutamos contra os homens de Klaue, quando eu os fiz visitar seu pior medo... eu fiz Lynna ingerir seu próprio veneno, utilizando os meus poderes como um escudo quando ela me atacou.
— E você acha que pode fazer isso outra vez? — Steve disparou, assustando a sokoviana, que arregalou os olhos esverdeados.
— Eu acho que sim... — murmurou. — Mas vocês têm que saber que ela não sucumbiu facilmente. Eu precisei fazê-la apagar com um “pesadelo”. E talvez fazer isso com ela outra vez não seja a melhor maneira...
— Eu posso tentar trazê-la para a superfície se você imobilizar a Pétala. — Mary sugeriu, fazendo o olhar de todo mundo ir para ela como um chicote em suas costas. Isso a fez dar um pulo no lugar.
— Você está maluca, se vamos deixá-la tocar na Pétala! — ela se assustou que foi Tony quem disse isso. Esta reação seria totalmente o que se espera de James. Não dele, mas ok...
— É a única chance que temos! — disparou.
— Não, não é! — agora James vibrou. — Nós podemos... Wanda pode imobilizá-la, então injetamos o tranquilizante e nós a trazemos de volta para o Complexo. Ou eu posso socar a cara dela enquanto Wanda imobiliza-a... ok, Stevie, eu estava brincando sobre socar a Pétala! — ele disse após seu amigo estreitar os olhos para ele.
— Ok, ok, é um bom argumento... mas vocês já pensaram no fato de que o soro do tenebrys sakura dentro dela pode literalmente digerir o tranquilizante? — arqueou a sobrancelha, fazendo-os ficarem quietos por alguns segundos.
— É uma possibilidade. — Clint se pronunciou. — Mas ir para cima dela do jeito que você quer é meio suicida. — até tu, Brutus?! — Escutem, Wanda pode tentar imobilizá-la, nós a prendemos com algo que ela não seja capaz de derreter, então a trazemos em segurança para o Complexo, o que acham?
— É um bom plano, papai. — Tony respondeu, fazendo Clint mostrar o dedo do meio para ele com uma careta em seu rosto. — Então, em último recurso, se ela não se “comportar”, você está autorizada a utilizar seus poderes, La...
— Me chame disso de novo, e você vai ver a Lady Floquinho congelando o seu...
— Olha a língua! — Nat disparou com os olhos arregalados, fingindo estar assustada com a sua boca suja. — Temos anciões na sala!
— Como se nenhum deles falasse palavrão. — ela rebateu, revirando os olhos. — Eles são mais experientes e bem piores do que nós, não é mesmo Steve?
O loiro cruzou os braços.
— Vocês são irritantes. — ele resmungou.
— Oh! Isso me fez lembrar de algo crucial! — Marnie disparou, ofegante. — Se nós iremos desarmar a Pétala, precisamos tirar a peça mais importante do novo joguinho dela: a Pyra. — todo mundo assentiu, concordando com ela. Thor se encolheu um pouco, como se ele estivesse remoendo momento em que ele havia sobrevivido ao fogo de Hanna. Ela se perguntava onde estavam os bebês dragões a esta hora. Se bem que eles ainda não haviam feito nenhum... era melhor ela voltar ao “discurso”, não é? — Agora que sabemos que aquela maldita só está servindo de distração, precisamos saber o que a Hydra quer de verdade, e para isso, precisamos ir para Hanna primeiro, mudar a nossa estratégia, nos tornar menos óbvios...
— Gosto do jeito que você pensa, empata, mas aquela garota pode nos matar e... ai! — ele se encolheu com o beliscão mental que ela havia lhe dado. — Por que você fez isso?!
— Eu já te disse para não me chamar assim! — ela rosnou. — Eu tenho nome!
— Ok, Lady Floquinho, sinto muito por incomodá-la! — essa peste está pedindo para apanhar, não é?
— Ei! Esse apelido é meu, vai criar um para você, cruza de Anitta com Latino! — Tony rebateu, cruzando os braços como uma criança. — Só eu posso irritar a Senhora Invernal assim!
Mary beliscou a ponte do nariz, respirando fundo.
— Dá para focarmos?! — arqueou a sobrancelha.
— Mas foi tu que começaste! — Loki rebateu, fazendo-a estreitar os olhos para ele, que revirou os seus e afundou na cadeira. — Prossiga.
— O que eu estou tentando dizer é que se tirarmos a Hanna das garras da Hydra primeiro, eles se verão obrigados a utilizar a Pétala para continuar com o seu plano sujo, o que significa que ela estará em todas as missões que eram para ser de Pyra, o que significa que teremos mais chances de vê-la fora das bases, dando-nos mais oportunidades para executarmos o nosso plano! — disse num fôlego só.
— Me parece uma boa estratégia. — Steve deu de ombros.
— É porque eu sou foda, bebê. — ela piscou, fazendo-o dar-lhe um sorriso mínimo.
— Então... agora que nós já temos um norte, que tal começarmos a executar nosso plano? — Nat se levantou, colocando-se ao seu lado.
— É para já, eu estou pronto. — Sam se pronunciou, levantando-se também. — Nós precisamos começar a mapear as milhares de bases da Hydra, e isso vai levar tempo. Eu estou me candidatando para a tarefa.
— Eu também. — Pietro disse se levantando.
Wanda levantou ao seu lado, então toda a galera imitou o gesto deles.
— Ah! — Mary arregalou os olhos. — Mais uma coisa! — todo mundo olhou para ela com cara de “fala logo, mulher!”. — Precisaremos bolar um Plano B para o caso da Pétala ou da Pyra tentarem fugir de nós. Algo semelhante aos patches que Natasha colocou em todo mundo para espionar nossas atividades sexuais... selvagens — Steve deve a decência de ficar vermelho. — Algo que seja praticamente invisível, para que nós possamos ter alguma noção do paradeiro delas...
— Tipo um rastreador? — Tony ajudou sua dificuldade.
— Sim, essa é a palavra! — ela disse para ele. — Precisaremos desse troço, você acha que pode construir dois?
Ele colocou a mão no peito, falsamente ofendido.
— Você está duvidando das minhas habilidades, Lady Floquinho?
Ela revirou os olhos para a pergunta dele.
— Ok, sendo assim... nossa sessão está encerrada. — declarou. — Loki... você poderia ficar por alguns instantes?
Todo mundo arregalou os olhos, mas se mandaram dali quando ela deu um sorrisinho de “tá tudo bem, galera”.
— O que você quer de mim? Vai me bater como fez anteriormente? — ele disparou.
Ela revirou os olhos.
— Não, sua besta. — resmungou, cruzando os braços. — Eu só queria te pedir uma coisa... — ele abriu a boca para argumentar, mas ela o cortou. — Eu sei que você não me deve nada e que não gosta de mim o suficiente para me pedir favores, mas o que eu tenho para lhe pedir não é sobre mim, e sim sobre Thor.
Ele arregalou os olhos.
— O que tem meu irmão?
— Loki, você precisa cuidar do seu irmão, ele pode fazer uma besteira por causa da Hanna. — ela disparou, fazendo-o arregalar ainda mais os olhos.
— Por que você acha isso? — questionou-lhe, preocupadamente.
— Hanna é a alma gêmea dele, e você sabe disso. — ele engoliu em seco, assentindo. — Você não pode permitir que ele faça algo impulsivo. Isso é sobre a vida dela que estamos falando. Se algo der errado, a Hydra não terá pena de acabar com ela, e isso irá devastar o coração dele. Nós precisamos ter um plano todo armado, com garantias de que nada vai dar em merda, você me entende?
— Eu lhe entendo, Mary, mas eu não vejo como eu posso impedir Thor de alguma coisa! — protestou, quase fazendo-a cair para trás quando ele chamou-a pelo SEU NOME.
— Loki, pelo amor que eu sei que você sente pelo seu irmão, impeça-o de fazer alguma merda. É pelo bem da vida dos dois que eu estou te pedindo isso. Eu não gosto de como os sentimentos dele soam. — pediu agarrando-o pelos ombros.
— Tudo bem. — ele cedeu. — Eu prometo que vou manter meus olhos nele.
Ela respirou aliviadamente.
Contudo, nenhum dos dois prestou atenção à figura de Thor do outro lado da porta, ouvindo a conversa dos dois.
Ele verdadeiramente apreciava a preocupação de seu irmão e de sua nova amiga por si, mas se houvesse um jeito de ele salvar a sua rainha, ele iria, custasse o que custasse.
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