The Captain and The Petal.

58 Fifty-sixth Chapter. - What I can't have...


Notas iniciais
Ois! Prontos para um pouco de suor nos olhos? Boa leitura!

Aquilo que eu não posso ter...

Ela não queria relembrar isso, mas a imagem do loiro no final do corredor, da dor no olhar dele... isso continuava sondando a sua mente, como um carrossel confuso e vicioso.

Seu coração se contraiu em seu peito, relembrando a merda que ela fez, convidando Storm para ir com ela ao Baile...

Nat foi a primeira a adentrar a cozinha, ao lado de Hanna, que a ignorou e foi para a bancada, preparar o seu café.

Lynna foi obrigada a ignorar que sua amiga estava com raiva dela, quando tudo o que ela queria fazer era chorar em posição fetal, por conta da sua idiotice. Então, para realmente colocar isso em modo surdo, ela passou a verificar seu celular, discutindo anonimamente nos fóruns da Marvel sobre o filme que ela assistiu ontem, irritada porque o final foi uma bosta, mas esperançosa por conta das cenas pós-créditos.

Rogers adentrou a cozinha em passos firmes. A expressão que ele tinha em seu bonito rosto não era boa, e isso a assustou.

— Eu preciso da sua ajuda. — sua voz foi cortante.

— Sobre...

— Há uma ameaça da Hydra. Eu preciso de seus conhecimentos sobre as bases deles.

Ela suspirou, arqueando a sobrancelha para ele, enquanto trava o celular.

— Eu acredito que Bucky tenha bem mais conhecimento que eu. — respondeu-lhe um tanto quanto azeda.

— Eu sei, mas a base fica na Bulgária, e ele disse que você passou alguns anos lá. Exclusivamente na base que estamos procurando. — o loiro colocou o arquivo com a foto do lugar em cima de seu celular desligado. — Se não for incomodá-la, eu gostaria que me desse uma resposta sobre ela.

Ela queria dizer-lhe um monte de coisa, sobre como ele a chamou de louca, sobre como ele não tinha nenhuma moral para lhe pedir favores, sobre como ela queria que ele pedisse à namoradinha dele para fazer isso para ele, mas ela não podia fazer isso.

Ela iria agir como uma vadia mimada, e isso não era quem ela deveria ser.

É um assunto sério.

Era a Hydra, e isso envolvia algo terrível.

Respirou fundo.

— Ok, vamos para a sala de reuniões.

*

Mary e Wanda ficaram encarregadas de acompanhá-la daquele lado da floresta. Parecia que a Europa iria se afogar na neve por essas bandas. Era meio que um consolo, saber que ela não iria se afundar sozinha. Aquela base lhe trazia tantas memórias ruins...

Aquilo não era uma readmissão oficial ao time. Ela só estava ali, porque Nat, Pietro, Hanna, Rhodes, Visão e Peter estavam em outra missão paralela à deles.

Agora, seus amigos se separaram.

Rogers e Bucky estavam na outra extremidade do terreno, e Sam estava fazendo o reconhecimento aéreo.

O teto está limpo, Cap. — o Falcão disse através do com. — Meninas que voam, essa é a sua deixa. — de maneira sincronizada, as meninas utilizaram seus poderes para se colocarem onde Sam mandou.

A primeira coisa que ela viu quando chegou ao teto, foi que estranhamente, a base da Hydra funcionava numa espécie de consulado americano, que ficava NO MEIO DO NADA. Como isso poderia ser possível? Que tipo de disfarce besta era aquele.

— Isso tá me cheirando a armadilha. — ela sussurrou, avaliando o terreno.

Assim que os meninos chegaram, o teto, que era seguro por alguns cabos de aço, começou a desabar em cima deles. Rapidamente, todo mundo fez um esforço para segurá-lo.

— Eu sabia que isso estava bom demais para ser verdade. — Bucky resmungou.

As meninas seguravam a estrutura do teto com seus poderes. Lynna e Wanda, que eram mais experientes que Marnie – que havia acabado de começar o seu treinamento –, tentaram empurrá-lo para cima.

Uma ideia passou pela sua cabeça, mas para executá-la, ela precisaria fazer a coisa mais vergonhosa da sua vida, em frente às duas pessoas mais irritantes do mundo, chamadas Samuel Wilson e Mary DeLavega. Cara, ela só tinha aquela passagem.

— Uh... eu tenho uma ideia... — ela começou, andando um pouco para a esquerda, ficando na trajetória da saída circular. Ela caberia o seu corpo direitinho.

— Se você tem uma ideia, é melhor pôr em prática logo. — Sam resmungou. — Eu não vou aguentar por muito tempo.

— Os vovôs podem segurar por mais tempo? — Bucky arqueou a sobrancelha para ela.

— Acha que eu sou algum amador? — resmungou. — Vai logo e faz isso.

Ela fechou os olhos com força, quando Marnie riu.

— Eu sei o que você vai fazer. — disse-lhe com um sorrisinho filho da puta. — Você sabe que eu vou te irritar para sempre, não sabe? E se eu contar para meu amigo bunda de ferro, nós jamais a faremos esquecer isso.

A mais velha pestanejou.

— Se eu ouvir uma piada sobre o assunto, eu juro que você apanha, tá me ouvindo? — ela poderia apontar o dedo para a baixinha, mas ela não tinha mãos disponíveis.

Bucky ia perguntar o porquê, mas ela rolou para onde estava o mastro que segurava a bandeira dos EUA, escorregando por ele antes que alguém pudesse dizer algum “a” sobre isso.

Lá embaixo, ela desligou o com, porque sabia o que viria depois.

Correu de volta para o quinjet, antes que algo ainda mais terrível acontecesse.

*

Mary não queria rir, de verdade.

A situação em que o seu amigo estava era muito, muito ruim.

Mas parece que seus amigos não conseguem colaborar com ela.

Quando o corpo da doida da sua amiga desceu escorregando pelo mastro que segurava a bandeira dos EUA, ela teve que fazer isso. Foi idiota, mas ela precisava fazer os seus amigos rirem, porque ela precisava deixá-los longe da escuridão que já cercava a maioria deles.

Com um sorriso de merda, ela cantarolou o início instrumental do hino nacional daquele bendito país.

Não houve um cidadão naquela sala que não tivesse gargalhado.

— Eu vou apanhar tanto. — Sam disse sem fôlego. — Há tanta piada a ser feita...

— A piada já veio pronta, chuchu. — Mary rebateu.

— Vocês gostam de provocar. — Steve resmungou, mas ele também estava rindo.

— Vai nos colocar de castigo, Capetão? — ela balançou as sobrancelhas. — Somos crianças muito rebeldes. — ela imitou o sotaque de sua amiga, fazendo Sam se engasgar de rir.

— Vocês não prestam. — Wanda resmungou. — Mary, concentre-se, você segura uma parte muito grande, se ela cair, Bucky pode morrer esmagado.

Ela olhou para o supersoldado mencionado, vendo-o segurar todo aquele peso com a ajuda de seu braço de metal.

Angel.

A palavra que Mucallski/Priekov falou para ela se projetou em sua cabeça.

De repente, ela se viu avançando no cerne de Barnes para tentar ver através do véu leitoso que havia nele. Ela nunca havia conseguido chegar além da névoa de tristeza que ele normalmente carregava consigo, que era algo bem mais pesado do que o que Lya carregava.

Ele olhou para ela, não verbalmente dizendo ‘saia de dentro de mim’, então ela se encolheu e se afastou.

— Desculpe-me. — murmurou envergonhada, espaçando-se para mais perto dele, permitindo que seus poderes se expandissem, como Wanda havia lhe ensinado.

Ela esperava que seus amigos tomassem isso como algo relacionado ao que a castanha disse.

De repente, o barulho do quinjet adentrou os seus ouvidos.

— Entrem logo, seus ingratos! — Lynna gritou, fazendo com que ela arregalasse os olhos.

— Eu não desliguei o com. — murmurou para Wanda, que engasgou.

— Calma, vai ver ela não presta atenção na gente...

E com isso, eles começaram a se revezar para entrar no quinjet.

Por arte do destino, Marnie ficou por último, quase morrendo quando sentiu que sua energia foi drenada.

— DeLavega! — Barnes gritou para ela quando a estrutura ameaçou cair na sua cabeça, ele segurou seu braço direito com a mão de carne dele, puxando-a para o seu peito duro, quando o teto finalmente caiu e a base explodiu abaixo dele, ela estremeceu com o seu contato muito próximo. — Você tem que ser mais rápida, garota!

Era impressão dela, ou ele estava completamente preocupado com ela?

Seu coração começou a acelerar sem a sua vontade.

E ela corou.

— Sinto muito. — merda, aquela foi a segunda vez que ela se desculpava para aquele energúmeno que só sabia grunhir como uma fera ao seu lado.

Ela não queria parecer indefesa diante do olhar dele.

Steve tocou o seu ombro.

— Você está bem? — questionou-a, tentando passar calma para ela, imaginando que a mesma estaria tendo um ataque de pânico.

— Sim. — murmurou, sorrindo para ele. — Só me assustei um pouquinho, mas estou bem.

Lya pigarreou.

— Se você estiver pronta para sair, eu descobri a verdadeira base. — murmurou, para depois revirar os olhos. — Ok, Stark mandou dizer que foi ele quem descobriu, depois que eu deduzi. Estou levando a gente para lá. Ele está com o outro grupo.

— E onde fica essa base? — Steve perguntou, sentando-se ao seu lado.

— Nos Estados Unidos. — ela respondeu-lhe.

Mary não queria olhar para Sam, mas foi inevitável.

Na tentativa de não rir e também de não fazer ninguém rir, tanto para não perturbar sua amiga, quanto para não apanhar dela, a ruiva baixinha enfiou a cara nas mãos sacudindo enquanto rachava.

A lembrança de sua amiga deslizando naquele mastro só aumentou a besteira.

Era idiota para cacete, mas eles eram pessoas idiotas.

— Marnie? — a voz dela só piorou as coisas.

Mary gargalhou alto, jogando a cabeça para trás.

— Eu não tô bem! — disse limpando as lágrimas do riso. — Eu não quero apanhar, Samuel Wilson! Mas parece que você gosta de jogar pimenta na carniça!

Revirando os olhos, a ruiva mais alta foi resmungando pragas em uma língua desconhecida até o painel de controle, batendo até colocar o quinjet voando rapidamente de volta ao seu destino.

— Eu disse que não queria nenhuma piada, não disse? — resmungou.

— Que eu saiba, o riso não é uma piada, Lya. Você deveria ter mais senso de humor. — pera aí... Barnes está defendendo-a?

Que mundo bizarro...

Sua amiga apontou o dedo para ela e estreitou os olhos, mas Marnie sabia que ela não estava brava.

— Hum. — resmungou, colocando os motores na velocidade máxima.

Dando de ombros, Mary se acomodou contra o ombro do loiro ao seu lado.

— Steve, eu já te disse que você fica melhor com o traje furtivo? — perguntou-lhe casualmente, vendo seu amigo franzir o cenho e retirar os olhos de onde sua amiga estava empoleirada.

— Umas mil vezes. — ele respondeu-lhe.

— Eu só falo verdades. — deu de ombros. — Você devia usá-lo mais vezes.

Ele riu.

— Vou pensar no seu caso.

— Pensa mesmo. — ela disse em tom de provocação. — A sua bunda fica melhor nele.

Eu discordo. — a voz de Natasha fez sua alma pular de seu corpo. — A sua bunda fica bem em qualquer traje, Steve.

Caralho marreco, que susto da porra! — Mary gritou em português, segurando seu peito. — Você não tem amor à vida não, garota? E se eu fizesse alguém derrubar esse jato? O mundo sentiria a minha falta!

Natasha riu, a infeliz.

Você não é tão insubstituível, querida. — brincou.

— Magoei.

Ok, indo para o assunto sério... gente, a base que temos aqui é bem mais tecnológica do que tudo o que já vimos. Há crianças nessa base. Eles estão tentando fazer experimentos com elas. — a Viúva falou, fazendo o coração de todo mundo se apertar.

Lynna disse algo para ela em russo e desligou.

Acho que ninguém precisaria de Google Tradutor para saber que ela disse que estavam indo o mais rápido possível, né?

*

Havia uma mistura de tudo o que ela podia imaginar naquele lugar.

O barulho de luta alimentava a sua energia.

Lynna meio que havia se esquecido o que era está em campo, após o longo período suspensa. Se bem que ela ainda estava...

Os poderes dela, de Hanna, Wanda, Marnie, Sue e Johnny estavam misturados contra os agentes da Hydra, que pareciam brotar do chão.

— Lynna! — Han gritou para ela. A pequena podia estar com raivinha dela, mas aquilo era um motivo de força maior. — Você entra e eu cuido da porta. Nat me disse que há mais crianças no subsolo sul, traz elas para a aeronave da SHIELD!

Com um aceno de cabeça, ela escorregou para dentro, vendo Hanna e Storm literalmente pegarem fogo para proteger a porta.

Ela correu e correu, indo e vindo por corredores, segundo as diretrizes de Nat e Mary, que estavam na sala de comando, intimidando os chefões da base.

Havia um laboratório no fundo, bem lá no final do último corredor do labirinto. Não havia mais sinal de crianças. Elas haviam ficado todas no norte... não? Por que Nat e Marnie a enviariam para um lugar praticamente inóspito e doentio?

Foi quando ela ouviu.

O choro de um menininho.

Ele tinha a pele negra. Seus cabelos eram um amontoado de cachinhos, dando-lhe uma aura angelical. Os olhinhos dele, que estavam cheios de lágrimas, eram verde-musgo, ele usava o mesmo uniforme que ela costumava usar quando estava presa na base. O uniforme de testes.

Ela ajoelhou-se perto dele.

— Ei, meu lindo. — murmurou, tocando sua pelezinha quente. — Eu vou te tirar daqui, ok?

Ele não esboçou nenhuma reação hostil, então ela o pegou carinhosamente nos braços, enrolando-o em seu corpo. Ele se encaixava tão perfeitamente nela.

Quando virou para trás, sua respiração travou. Seu coração parou por um segundo.

Do outro lado do vidro, estava o albino de seus sonhos. Ele sorria lascivamente para ela.

Eu não imaginava que seria tão fácil fazê-la morder a isca. — ele disse cinicamente, mas não saiu do lugar. — Ele seria a cobaia perfeita, mas ele não é o bebê que eu quero. Eu preciso de alguém mais... poderoso. E você vai me dar isso.

Ela arregalou os olhos, um mal pressentimento correu em seu corpo.

Só em seu sonho. — rosnou, utilizando seus poderes para atacá-lo.

O homem caiu para trás com um estrondo. Ela se pôs a correr imediatamente, antes que ele tentasse outra coisa contra o bebê em seus braços.

Você pode correr, Pétala. — ele gritou. — Eu sempre pego o que eu quero.

Respirando fortemente, Lynna subiu e desceu todos os níveis da base, correu pelo labirinto, e quase esbarrou em Rogers, que apertou-a contra seu corpo para impedir que ela e o bebê caíssem.

— Precisamos sair daqui o mais rápido possível. — sua voz saiu estremecida.

O bebê molhando seu traje furtivo apertou-se contra ela.

Mama, mama. — ele chamou baixinho, fazendo-a apertá-lo ainda mais contra, si esfregando suas costinhas suaves.

— Vamos. — o loiro guiou os dois para o quinjet, ignorando o chamado de Hill para que eles entregassem a criança. O bebê simplesmente não queria largá-la.

E ela também não.

Ele seria a cobaia perfeita...

A voz do homem refletiu em sua cabeça.

Quando sentou-se, ela posicionou o bebê para se enroscar ainda mais em seu corpo, balançando ele para acalmá-lo.

— Está tudo bem, querido. — murmurou, beijando sua testa. — Eu estou aqui, eu não vou deixar nada te atingir.

*

Apesar do que seus amigos diziam, ela levou o bebê com ela para o Complexo. Banhou-lhe, vestiu-o com roupas quentes roubadas de Nathaniel, da vez em que ele e sua mãe os visitaram alguns meses atrás, e o colocou para dormir em sua cama.

Num período de seis horas, ela já amava aquele bebê com todo o seu coração, ele era a coisa mais linda que ela já tinha visto em toda a sua vida. Sua pele era tão macia e tão delicada, que ela não queria manter suas mãos longe dele. Estava incrivelmente apaixonada.

Mas ela não era burra.

Ela não podia tê-lo.

Havia vários fatores que a impediam disso...

O primeiro: ela era uma heroína. O seu trabalho se resumia a missões suicidas, onde não se sabia se ela voltaria viva ou não. Era um trabalho perigoso e que não trazia nenhuma estabilidade para o menor.

O segundo: ela não possuía cidadania americana. Para adotar um bebê neste maldito solo, ela precisava obter a maldita cidadania, coisa que eles não dariam facilmente a uma ex-espiã soviética, mesmo que ela fosse a porcaria de uma alienígena. Isso só piorava as coisas ainda mais.

O terceiro: ela não possuía estabilidade emocional e mental para criar uma criança. Isso era algo que ela estava com dificuldade de admitir, mas era a verdade. A verdade era que ela era louca, e que aquele bebê não estaria seguro em suas mãos. E se a Pétala infernizasse a sua mente para matá-lo?

Com aquela vadia dentro de si, ela jamais poderia realizar o seu maior sonho.

E isso lhe doía tanto...

O quarto e último fator, o mais doloroso: aquele bebê provavelmente possuía uma mãe viva. Uma mulher que estaria desesperada para reencontrar aquela coisinha linda e levá-lo para casa.

Alguém bateu na porta aberta de seu quarto.

Era Rogers.

Pela primeira vez em alguns meses, ela não se importou dele vê-la chorar.

— Posso entrar? — ele perguntou.

Ela assentiu suavemente.

O loiro sentou-se na cama ao seu lado, velando com ela o sono do bebê.

— Ele é lindo, não é? — murmurou para ele, com a voz embargada. — Eu queria tanto adotá-lo, mas Fury listou todos os motivos pelos quais eu não podia... — fechou os olhos, permitindo que as lágrimas descessem. — Quando eu era pequena, antes da Hydra me levar, eu dizia para mim mesma que eu teria uma casa cheia de filhos. E a realidade é apenas tão dura...

Seu corpo foi abraçado e ela permitiu.

— Eu sinto muito. — a voz dele saiu pesada de sentimentos tão tristes quanto os dela.

— Obrigada. — murmurou.

— Olha...

— A mãe dele está aí, não é? — perguntou-lhe, vendo o bebezinho ressonar.

— Sim, a SHIELD a localizou ontem à noite. — ele murmurou com pesar. — Ela está lá em baixo, no hangar.

Seu lábio inferior tremeu.

— Eu estou indo para lá. — ela levantou-se, limpando as lágrimas.

— Você não precisa...

— Mas eu quero Steve. — murmurou, encarando os olhos azuis dele. — Eu preciso. Senão eu jamais poderei seguir em frente.

Correu para o banheiro, limpou as lágrimas e passou alguma maquiagem para disfarçar a sua tristeza.

Carinhosamente, ela acordou o pequeno neném em sua cama, sorrindo quando ele se espreguiçou fofamente.

Ela enrolou-o em seus braços e seguiu para a porta.

— Estou pronta. — disse para o loiro.

*

A mãe do bebê era tão bonita quanto ele. Os cabelos dela estavam enrolados no alto de sua cabeça num coque de trancinhas intricadas. Ela vestia um vestido azul-royal que fazia a sua pele cintilar, como a do pequeno que estava em seus braços. A mulher sorriu amplamente quando a ruiva passou pelas portas de vidro, caminhando pela sombra com o filho dela enrolado em seu corpo.

Um sorriso involuntário saiu de seus lábios. Pelo menos, ela estava feliz que o bebê que ela havia salvado teria um lar para voltar.

— Obrigada por cuidar dele, senhorita Angianova. — a mulher tinha um forte sotaque africano. Ela só tinha conhecido o sotaque de Wakanda, mas podia dizer que a mulher não era de lá. — A senhorita não pode imaginar a alegria que nós sentimos ao saber que ele estava vivo. Ele foi levado da casa de sua avó enquanto eu e o pai dele estávamos trabalhando.

Seu peito se apertou.

— Eu também. — ela murmurou, feliz que sua voz saiu firme. — Eu fui levada para longe de minha avó pelos mesmos monstros quando eu era pequena. Cuidar do seu filho não foi problema nenhum para mim. — sorriu-lhe. — Ele é uma criança maravilhosa.

A mulher sorriu de volta, para depois seu sorriso morrer lentamente. Ela começou a avaliar a criança com olhos aguçados de mãe.

— Ele... eles...?

— Ele foi examinado pela doutora Nuri assim que chegou. — ela respondeu-lhe. — Não se preocupe, os cientistas da Hydra não tiveram tempo de prejudicá-lo. Ele é completamente saudável.

A mulher estendeu a mão para pegá-lo e naquele momento, Lynna viu Rogers se armar em sua visão periférica, como se ela fosse sair correndo com o bebê em seus braços.

Ela. Não. Era. Louca!

Lhe apertou o coração entregar o bebê, mas ela sabia que ele estaria mais seguro com sua mãe.

— Obrigada, senhorita. — a mulher murmurou emocionadamente. — Você devolveu a luz de volta à minha casa. — aquilo lhe deu uma onda de felicidade pura. Pela primeira vez, ela estava vendo os frutos do seu trabalho. Ela soube de verdade que ela salvou alguém. — Eu serei inteiramente grata à senhorita.

Ela lhe deu um sorriso amplo.

— Esse é o meu dever. Eu só cumpri ordens. — disse-lhe humildemente.

A mulher segurou sua mão.

— Você é uma boa pessoa, senhorita. — disse-lhe firmemente. — E quando a irmã dele nascer, eu farei questão de registrá-la com o seu nome, em homenagem à mulher que arriscou sua vida para trazer o irmão mais velho dela de volta para casa.

A mão que segurava a sua deslizou para o ventre proeminente dela, fazendo-a engasgar-se.

Aquela mulher, que não tinha nada a ver com ela, iria nomear sua filhinha não nascida com o seu nome? Ela iria abandonar a tradição de sua família, da sua cultura para colocar o seu nome no bebezinho?

Lynna estava sem palavras.

Uma lágrima solitária rolou por sua face.

— Obrigada. — murmurou desconcertada.

A mulher sorriu.

— Eu que agradeço. — disse-lhe. — Você é uma heroína. E minha filha será uma mulher forte como você.

Ela ficou parada até que a mulher se foi com o bebezinho, chocada demais para sequer falar algo. Seu coração estava batendo muito forte contra suas costelas. Se alguém tocasse nela, provavelmente ela desabaria.

A primeira pessoa a se mexer foi Bucky. Ele tocou em seu ombro com a mão de metal e ela voltou-se para ele, apertando o seu peito com força, provavelmente marcando-o com suas unhas.

Ele enfiou a sua cabeça de uma vez em seu peito e pegou-a no colo, levando-a para dentro, para que todos os agentes ali espalhados não visse o muco escorrer pela sua cara.

Ela abraçou o moreno até dormir, provavelmente tendo a cabrita Lya a morder seu cabelo.

*

Nat a acordou muitas horas depois, com um sorriso na cara. De trás dela, Laila Barton sorriu para si, assim como o bebê Nathaniel, que segurava o ursinho que ela havia lhe dado na última vez que ele visitou o Complexo. Eles estavam tão grandes...

Um sorriso se apossou de sua face.

— Você tem um cabrito! — a menina exclamou, vendo Lya se esticar em sua cama como a menina mimada que ela era.

— Ah, ela não é minha. — Lynna murmurou, espreguiçando-se. — É do meu amigo, Bucky.

— O pai falou dele. — Nate comentou com a sua vozinha estridente. — Ele disse que ele é amigo do tio Steve também.

Ela assentiu.

— Você está certo, pequeno. — Nat sorriu-lhe. — Hm... que tal nos colocarmos no caminho da sala? Sua mãe disse que tinha uma surpresa para a tia Lynna, você não está curioso para saber o que é? Eu estou!

Ele assentiu e correu, fazendo Lya pular atrás dele, balindo pelo caminho.

Rindo, a ruiva mais velha se levantou e caminhou ao lado das meninas, vendo Nate interagir com a cabritinha, que havia gostado dele, e agora ela mordia suas calças.

— Não faca isso, Lya! — resmungou para o animal, que parou imediatamente. — Obrigada.

Rindo da interação do pequeno com o filhote, os cinco adentraram o elevador em direção à sala de estar. O que os esperava ali era algo tremendamente surpreendente.

Laura tinha um bebê em seus braços e sorria amplamente para ela.

Ela teria mais ou menos um mês ou dois. E era a coisa mais fofinha.

— Vocês tiveram outro bebê! — ela exclamou, aproximando-se do casal.

— Sim. — Tony respondeu pelos seus amigos, o que significava que vinha uma sessão de drama por aí. — E eles nem contam aos amigos! Daqui a pouco vão criar um time de futebol e nós nunca saberemos sobre isso.

— Eu já disse que a culpa foi da falta de comunicação, Tony! — Clint retrucou.

— Não adianta. — Lynna provocou. — Ele não vai te ouvir quando acha que está certo.

— Eu estou certo, Angianova! — o moreno gritou da cozinha.

Ela olhou para Clint com a sua melhor expressão de ‘eu te disse’, fazendo-o rir.

— Bem... uma formiga chamada Natasha me acordou, porque vocês tinham uma surpresa para mim e ela estava curiosa para saber o que era, então... o que há?

O loiro-castanho sorriu-lhe amplamente, batendo no sofá ao seu lado, numa deixa para que ela se sentasse.

— Eu queria te fazer um pedido. — ele começou, depois olhou para Laura, que sorriu, incentivando-o. — Na verdade, nós queríamos te fazer um pedido.

Ela sorriu.

— Pode fazer. — disse, esticando as mãos em suas pernas, em antecipação.

Ele sorriu também.

— Queríamos que você fosse madrinha da nossa filha. — disse-lhe, surpreendendo a todos. Ela ouviu alguns talheres baterem no mármore.

Ela ficou sem fala por alguns segundos, então sorriu-lhes amplamente.

— Vocês querem mesmo uma madrinha com vários traumas para cuidar da sua filha? — perguntou-lhes inseguramente.

— Acredite, nós escolhemos Tasha. Ai! — o Gavião disse divertidamente, ganhando um beliscão da outra ruiva. — Você é a melhor escolha para ser a madrinha da nossa Lyanna.

Seus olhos se arregalaram.

— Ela tem o meu nome? — murmurou, emocionada.

Ele sorriu, mas foi Laura quem respondeu em seu lugar.

— Ela tem o nome da princesa guerreira que salvou o pai dela de um robô do mal. Não havia escolha melhor.

— Havia sim! — Nat protestou, cruzando os braços, completamente indignada. — Havia Natasha. E eu sou uma princesa guerreira também. E mais bonita do que ela. — apontou para Lynna, que encarou-a divertidamente.

— Bem, o nome dela é Lyanna Natasha. — Clint respondeu-lhe.

— Coitada dessa menina. — Tony retrucou e as duas lançaram almofadas nele, que se defendeu com seu braço esquerdo.

— Como diz Marnie, calaboquitos. — a ruiva mais velha disse para o amigo. — Clint, Laura... eu não sei o que dizer! Eu... obrigada.

Eles sorriram.

— Não por isso. — seu amigo disse. — Eu me orgulho de ser seu amigo. — ela o abraçou de lado. — Uh... só tem um probleminha... — ela levantou a cabeça, encarando-o com cenho franzido. — Você não se importa se o Cap for o padrinho dela também, não é?

Lynna riu.

— Não, Clint. Eu não me importo. — assegurou. — Eu só estou dizendo que irei mimá-la muito. Ela vai ser insuportável. E odiará Natasha.

O loiro ao seu lado riu.

— Acho que já estou me arrependendo da minha escolha. — murmurou, ganhando uma careta dela.

— Eu disse que Mary Elizabeth era a melhor ideia. — Marnie se intrometeu, caminhando com um monte de doces. — Venham com a tia Mary, crianças. Eu tenho tudo o que essas ruivas chatas não têm.

Ela ia retrucar, mas não valia a pena. Ninguém para aquele ser, então seria uma guerra perdida.

Um por um, os filhos de Clint, exceto a bebê Lya, claro, foram com Mary, enrolando-se num círculo.

— Você quer segurá-la? — Laura perguntou, aproximando-se de si.

Ela olhou para o bebê com suaves cabelinhos loiros dormindo em seus braços. Ela era tão bonitinha...

Com um sorriso, a Lya mais velha assentiu.

A criança foi colocada suavemente em seus braços, fazendo-a prender a respiração ao sentir a pele quente dela contra a sua. Seu peito se encheu outra vez, apesar dela ter acabado de perder suas esperanças sobre se tornar mãe.

Uma madrinha também era mãe, não era?

Ela seria a melhor madrinha do mundo para a sua homônima.

Como se uma força lhe puxasse, ela olhou para cima, para onde os supersoldados olhavam para ela, cada um com expressões bobas na cara. Cada um com intensidades diferentes em seus olhares.

Ela sorriu para eles, depois encarou a pequena em seus braços, feliz com o presente que a vida estava lhe dando. O prazer de desfrutar as pequenas coisas.

Notas finais
Chorei como uma condenada escrevendo esse capítulo, espero que tenham gostado dele tanto quanto eu ♥ Até sexta!