The Captain and The Petal.
56 Fifty-fourth Chapter. - Something surprising, something painful.
Notas iniciais

Algo surpreendente, algo doloroso.
Já fazia quase três semanas que o Quarteto Fantástico se instalou no Complexo, e Steve estava quase apressando os trabalhadores da SHIELD que estavam cuidando da investigação e da reconstrução do Edifício Baxter ele mesmo, tudo para que ele não tivesse o desprazer de ter a companhia de Johnny Storm lá.
Desde que ele havia chegado, o famigerado conquistador não tinha mais olhos para nenhuma outra garota no Complexo, e isso o tirava do sério.
Ok, ele não poderia exatamente culpá-lo por sentir-se encantado por sua princesse, mas acontece que havia um problema ali. Ela era sua. S U A. E ele não estava afim de perdê-la.
Mais uma vez naquela manhã, ele teve que parar o que estava fazendo para respirar fundo três vezes, como Marnie havia lhe instruído, para controlar a sua raiva, uma vez que ela estava um andar acima de sua cabeça, ao lado da senhora Reed, no laboratório do Homem Elástico, procurando por evidências, qualquer sinal de fumaça das pessoas que saquearam o prédio, deixando-o sozinho para lidar com Storm, suas mãos cheias de dedos e os seus galanteios para cima da sua princesa.
— Então... — Anna se pronunciou, colocando para baixo uma jarra de vidro. — Onde você estava exatamente quando invadiram o prédio?
Os olhos de Storm brilharam perigosamente.
— Em meu quarto. — ele respondeu sem rodeios. — Acho que precisaremos checar lá primeiro.
É o quê?!
Ele não está deliberadamente dando em cima dela na minha frente, está?!
— Eu vou. — o loiro disse firmemente, atraindo FINALMENTE o olhar dos pombinhos. — Você pode olhar na cozinha. — disse para Anna. — A garota foi encontrada lá.
Pela graça do senhor, ela assentiu sem questionar, indo para lá.
— Sabe... — Storm começou, aproximando-se dele. — Eu não acho que garotos são permitidos no covil de um homem solteiro.
Sem nenhum preâmbulo, Steve mandou-lhe um olhar frio.
— Eu não me importo. — disse-lhe ainda mais frio que o ártico, quase rindo ao ver o olhar prepotente de Storm cair, ao vê-lo armar os seus ombros, como se estivesse pronto para lutar. É claro que ele não socaria o garoto, não com Mary e Anna ao redor dele. Mas ninguém nunca disse que ele não podia intimidá-lo. — Sugiro que saia do meu caminho, garoto. Eu estou fazendo o meu trabalho.
Então, ele aproximou-se do lugar que Storm havia indicado ser o seu quarto, passando um pente fino em tudo, meio enojado com o cheiro persistente de sexo e perfume barato.
Nem para dar uma arrumada geral?
E ele queria que Anna visse isso? Um monte de cuecas de marca espalhadas e freadas com o líquido viscoso vindo do órgão que ele mal podia sustentar entre as pernas?
Era deprimente.
Já desistindo de investigar o pior quarto de solteiro que ele já tinha entrado, Steve finalmente encontrou o ouro. O distintivo da garota que estava com Storm. Uma das Bailarinas de Anna.
Rachel Mucallski.
Uma criança!
— Inacreditável! — resmungou, tocando em sua orelha. — DeLavega, Angianova, eu preciso de vocês. Encontrei algo no quarto do senhor Storm.
Em menos de um minuto, as duas apareceram na porta. Mary tinha sua sobrancelha levantada em provocação, mas ele resolveu ignorar isso por um tempo, apenas focando no fato de que Storm estava saindo com uma garota com menos de vinte e um anos, e ele não saberia dizer se isso era legal ou não.
— O que aconteceu, Capitão? — Anna perguntou, e ele teve que realmente lutar para não ser um idiota quando ouviu suas palavras. Seu título era sexy, saído de sua voz acentuada. E isso lhe trazia memórias...
Marnie arqueou a sobrancelha para ele.
— Acho que isso vai te interessar. — estendeu-lhe o distintivo da Bailarina, um pouco engasgado de vergonha. Ela arregalou os olhos quando viu o nome contido nele. — Você tem ordens para intimá-la a depor.
A ruiva ficou quieta por um tempo, avaliando o distintivo da garota, antes de entregá-lo para a senhora Reed, que tinha a mão estendida para ela.
— Quem é Rachel Mucallski, Jonathan? — ela questionou firmemente ao seu irmão, que tinha os olhos levemente arregalados.
Hm... então o garanhão tinha medo da irmã dele? Bom saber.
Marnie revirou discretamente os olhos para ele.
— Foi uma garota que eu conheci numa boate algumas semanas atrás. — ele respondeu-a, coçando a nuca. — Ela era bonitinha e...
— Ela é uma criança! — Anna falou, exagerando um pouco em seu sotaque. Ela não parecia brava, apenas chocada. — Eu nunca imaginei que ela frequentasse esse tipo de lugar!
— Você a conhece? — a senhora Reed perguntou.
— Sim. — ela respondeu. — Ela é uma das minhas Bailarinas.
O rosto de Storm ficou pálido.
— Bem... eu não sabia disso. — falou rapidamente. — Ela apenas chegou, flertou comigo, nós bebemos e depois viemos para cá. Tivemos nossa noite, e de madrugada, quando ela estava na cozinha fazendo um sanduiche para nós... bem, eu a ouvi gritar, então tudo ficou escuro.
Steve e Mary franziram o cenho.
— Estranho... — a ruiva anã murmurou. — Pelo que eu me lembro, a senhorita Mucallski é de longe a última pessoa que teria um comportamento prafrentex assim... — deu de ombros. — De qualquer forma, pode ser que ela se lembre de algo. Precisaremos interrogá-la. Não consigo acreditar que essa informação passaria batida...
Ele e Anna assentiram.
— Vocês podem ir na frente. — a senhora Reed murmurou. — Eu e Jonathan pegaremos um táxi de volta para o Complexo.
Steve assentiu, guiando as meninas para passarem à sua frente.
Ele teve uma vontade tão grande de olhar para trás, para Storm, dar-lhe um sorriso arrogante, mas resolveu não fazer isso. Como Mary também disse, ele deveria ser melhor que ele, superior às suas claras provocações.
Os três adentraram o elevador, então Anna soltou um suspiro desesperado.
— Estou com um mal pressentimento sobre Rachel. — ela murmurou. — Ela é uma das minhas Primeiras Bailarinas, uma das minhas favoritas. Eu tenho medo do que pode acontecer, e não gosto disso.
Independente de levar outro chute ou não, o loiro estendeu a mão para tocar o seu ombro, passando-lhe um pouco de segurança.
— Você precisa ter fé. — murmurou, tentando passar-lhe ainda mais calma pelo seu tom de voz, imitando o que Marnie geralmente fazia com eles. — Se não há nada de errado com Rachel, não há nada a temer.
Ela assentiu.
— Certo. — murmurou de volta.
Por cima de sua cabeça, Mary olhou para ele como se dissesse ‘está vendo? Eu estou certa’. Ele sorriu para a pequena, mais tarde guiando-as de volta ao quinjet.
Eles precisavam tirar algumas coisas a limpo.
*
Primeiramente, o fato de que Rachel Mucallski esteve esquentando os lençóis de Johnny Storm não lhe incomodou. O que lhe incomodou, na verdade, foi o fato de que ela foi exposta à pessoas nocivas.
Quem invadiu o Edifício Baxter tinha intenções muito cruéis, levando em conta as marcas de destruição que ela viu.
Ela não poderia deduzir imediatamente de quem se tratava, mas essas pessoas ruins entraram em contato com Rachel, uma de suas garotas favoritas.
Não que as outras também não fossem. Todas as suas Bailarinas eram adoráveis, cada uma delas era uma bonita pedra preciosa, mas, com o tempo, Lynna aprendeu a cultivar uma relação mais forte de carinho pelo seu trio de Primeiras. Cada uma delas era como uma filha para si. A sua primeira turma, a sua primeira grande responsabilidade. As primeiras garotas a quem ela repassou os seus ensinamentos, a prova de que todo o sofrimento pelo qual ela havia passado valeu a pena.
Engoliu em seco quando desceu da aeronave no hangar do Complexo, sua mente estava a mil.
— Teremos o debriefing daqui a quinze minutos, tempo suficiente para uma água. — Rogers disse ao seu lado. — Você está bem?
Ela encarou seus olhos de safira, assentindo lentamente.
— Uh... eu só preciso de um tempo para manter isso em minha mente. — sussurrou. — Você mesmo disse. Se ela não tem nada a temer, não há com o que me preocupar.
— Mas você se preocupa. — aquilo não era uma pergunta. Ela odiava que ele a conhecesse tão bem. Chegava a ser ridículo. — Eu entendo que as Bailarinas são suas meninas. Você se preocupa com cada uma delas. Sinto muito por tê-las tirado de você.
Ela engoliu em seco.
— Foi para o meu bem, não foi? — questionou-o um pouquinho contrariada/um pouquinho aceitando que ele estava certo. — Eu me descontrolei. Eu entendo isso. — suspirou. — Isso não faria bem às meninas. Eu só... eu estou com medo do que as pessoas que invadiram o Edifício poderiam ter feito com ela. Ela é só uma criança!
Ele assentiu, tocando seu ombro.
A pele do traje furtivo que ela usava esquentou com a temperatura da pele dele, que havia acabado de tirar suas luvas.
De repente, a fantasia que ela criou em sua mente se apossou de si, e ao invés dela sentir-se quente por isso, uma risada involuntária borbulhou de sua garganta, ao perceber que ele estava com o seu traje tradicional.
— Marnie tem razão, sabia? — murmurou afastando-se dele. — Você precisa trocar de traje.
Então, ela subiu para a cozinha, deixando-o com cara de interrogação.
Capturou seu copo rosa, encheu-o e voltou para a sala de reuniões, para o debriefing.
*
Tony apareceu na sala de estar com uma garrafa grande de champanhe, fazendo com que todos franzissem o cenho para ele.
— Está comemorando a morte de quem? — Mary disparou, comendo do SEU marshmallow descaradamente.
— Eu acho que você tem andado com assassinos por tempo demais, minha cara DeLavega. — ele respondeu-lhe com um sorrisinho, para depois revirar os olhos, quando a cara de ninguém se alterou da confusão. — Eu não acredito que vocês se esqueceram do meu Baile Beneficente do Branco e Preto! — resmungou, batendo o vidro da garrafa cara de champanhe no balcão da pia.
— Sim, nós esquecemos. — Marnie voltou a falar. — Me processa, fofo.
Ele revirou os olhos outra vez.
— Eu estou criando um bando de rebeldes sem causa! — resmungou. — Vocês tem uma semana de aviso prévio! Eu quero todos vocês lá, ostentando suas belezas. Ah, e outra coisa: quem anda trazendo pretendentes para os apartamentos? Eu juro que ouvi ontem uma sirene bem maluca. Eu nunca tinha ouvido isso desde... vocês sabem.
Desde ela e Rogers.
Lynna queria tanto revirar os olhos, mas resolveu ignorá-lo, quase rindo as suas calças fora ao ver Wanda corar sutilmente.
Mary riu baixinho também, e jogou o cabelo para trás, piscando para a amiga.
— Sabe, eu acho esse Baile do Branco e Preto tão sem graça... — fez uma careta para Tony, que olhou para ela dramaticamente desapontado. — Não olhe assim para mim, você sabe que eu estou certa.
— É um evento beneficente, gênia. Não sou eu quem escolho os temas. — o moreno resmungou. Ela resmungou algo ininteligível. — Ah! E outra coisa... meus queridos Vingadores terão que ir em pares.
Ele soltou a bomba e abriu a garrafa de champanhe, oferecendo a Mary, que pegou uma taça e dividiu com ele.
— Os dois se merecem na estranheza. — Lynna comentou, jogando seu cabelo num coque, frustrada por que ele não ficava quieto.
Ela tinha tanta saudade do seu cabelo...
Ele era tão bom de amarrar, ele era o seu cobertor contra os pesadelos...
— Eu não! — Mary tirou-lhe de seus devaneios, provavelmente sentindo a sua tristeza. — Ele é xenofóbico!
Tony colocou a mão no peito, fingindo estar ofendido.
— Que calúnia, DeLavega! Eu sempre tratei os espanhóis como a maior cordialidade possível! Porque você é latina, não é? — ele só estava fazendo isso para provocar.
A ruiva anã deu-lhe um pescotapa.
— Eu não sou latina, panaca! — resmungou. — E eu não falo espanhol!
O moreno deu de ombros.
— Quase a mesma coisa. — disse saindo de perto dela antes que ela pudesse fazer algo com ele, porque ele gostava de provocá-la utilizando os estereótipos que alguns americanos tinham sobre brasileiros.
Foi então, que ela meio que viu, um pedaço do teto – uma parte relativamente grossa de concreto –, que ficava acima da cabeça de Marnie ameaçou cair em cima dela.
Rapidamente, Lynna se levantou.
— MARY, CUIDADO! — gritou, assustando-a.
Um segundo depois, o pedaço do teto caiu.
Wanda tentou pegá-lo com seus poderes, Bucky correu para tentar pular em cima de Mary e fazê-la escapar da trajetória do bloco, mas algo muito, mas muito mais surpreendente aconteceu.
As mãos da ruiva anã se incendiaram num tom muito bonito de roxo. Seus raios imediatamente se projetaram e seguraram o bloco, impedindo-o de matá-la com o impacto.
— Mary... abra os olhos. — Wanda pediu devagar para a garota que estava tremendo. — Não se assuste, apenas abra os olhos.
Fazendo o que a castanha disse, Marnie abriu os seus olhos, gritando assustada quando viu suas mãos envoltas na energia roxa. O bloco caiu de seu domínio, mas não a atingiu, graças à rapidez de Bucky, que segurou-a com o seu braço de metal, puxando-a para junto de si quando o concreto explodiu no chão.
A pequena tremia dos pés à cabeça, mas também não era para menos. Seria o seu corpo a ser esmagado ali, se ela não tivesse sido rápida, se Bucky não tivesse sido rápido.
— Vocês virão o mesmo que eu vi? — Tony perguntou retoricamente, arregalando os olhos.
Visão flutuou para o teto, franzindo o cenho.
— Alguém fraturou a estrutura da placa de concreto. — ele disse, para depois olhar para eles com seus olhos claros um tanto quanto confusos. — Como essa pessoa conseguiu subir tão alto?
— Fosse quem fosse, não era para mim. — Mary sussurrou, afastando-se gentilmente de Bucky para tocar os fragmentos da placa, fechando seus olhos e estremecendo. — Tem tanto ódio aqui...
Ela não precisou dizer mais nada.
Os seus pelos se arrepiaram.
— Foi para mim. — Lynna murmurou.
Mary foi a única que olhou para ela sinceramente, os outros estavam condicionados a lhe dizer que ela estava errada.
— Preciso rever as filmagens. — Tony falou rapidamente. — Há alguém dentro desse Complexo que está atacando os meus amigos. Eu preciso saber quem foi.
Então ele partiu, largando a garrafa de champanhe num móvel.
Movida pelo entorpecimento do momento, ela levou o gargalo à boca, bebendo uma grande quantidade do álcool de uma vez só.
— É ótimo, não é? Além de louca, tem alguém tentando me matar. — resmungou para si mesma. — Sinto muito Mary. Deveria ter sido eu ali em baixo.
Saiu porta afora, carregando a garrafa de champanhe.
*
— Você precisa deixar o Complexo. — ele disse, vendo-a transitar de um lado para o outro de seu quarto.
— Você jura, Igor? — questionou-o sarcasticamente.
— Você foi imprudente, querida. — o sangue dela gelou. Será que ele descobriu que foi ela quem tentou matar a Pétala, quase matando a insuportável da DeLavega em seu lugar? Merda! Se não fosse pelo maldito Soldado, um de seus problemas estaria solucionado! — Não deveria ter sido tão amadora! Deixar a merda do distintivo no quarto de Storm?! O que você tinha na cabeça...
— Rachel? — caralho! Ela levou um susto. — Rachel, sou eu, Crystal. Eu sei que você está aí. O Capitão Rogers quer falar com você.
Caralho dobrado!
Olhando para Igor meio em pânico, meio animada pelo fato de que o Capitão Delícia Rogers estava na sua porta, ela colocou o cabelo para trás da orelha, fazendo um gesto para que ele pudesse se esconder no escuro, enquanto ela abria a porta.
“Hail Hydra”, ele lembrou-a, milimetricamente balançando os seus lábios.
“Hail Hydra”, ela foi obrigada a mexer os seus lábios também.
Com um suspiro alto, abriu a porta, dando de cara com a loira, que tinha um sorriso miseravelmente prepotente em seu rosto. Ela a odiava.
Não que isso lhe importasse, mas a desgraçada era a favorita de Angianova, e que, por mais que isso lhe parecesse ridículo, ela queria ser a favorita da Pétala. Ela queria que a queda dela fosse mais alta, assim ela sofreria mais.
Seus olhos finalmente pousaram no loiro, que tinha um olhar profissional em seu rosto.
— Queria me ver, Capitão? — perguntou-lhe, esforçando-se para parecer o mais inocente possível.
— Acredito que a senhorita Angianova já deve tê-la solicitado que a senhorita fosse depor. — cara, a sua voz era tão molhadora de calcinhas. Será que ele sabia disso?
— Sim. — ela respondeu, voltando ao seu foco, ao motivo que a fez ter urgência para fugir. Mas parece que ela não foi urgente o suficiente. — Ela se comunicou comigo por email.
O loiro assentiu.
— Certo. — ele sorriu-lhe, então Rachel teve a plena certeza de que sua calcinha derreteu. — Eu vim aqui escoltá-la.
*
Ela não queria pensar no que poderia ter lhe ocorrido se aqueles raios roxos não tivessem saído de dentro de si. Ela também não queria pensar que sua vida fora poupada porque Barnes a segurou contra o seu corpo. Logo ele, que lhe odiava. E ela também não queria pensar que seria Lya a cair estatelada naquele chão. Porque pelo que ela sentia vindo de sua amiga, ela não teria a vontade de impedir a trajetória do bloco, ela morreria.
Fechou os olhos com força, se concentrando na missão que Steve havia lhe dado.
Ela deveria interrogar a garota Mucallski.
Por sentir as emoções e sentimentos das pessoas, Mary era o melhor detector de mentiras que a SHIELD tinha disponível, por mais que ela continuasse dizendo que os seus poderes não eram perfeitos.
Sentiu a energia de seu amigo um pouco antes de ver Steve adentrar a sala com a menina. A garota Host, uma das Bailarinas de Lynna sentou-se ao seu lado que também o acompanhava, encarando o vidro. Ela tinha emoções conflitantes.
Ao mesmo tempo em que se sentia preocupada pela colega, ela tinha uma satisfação estranha em vê-la ali.
Rapidamente, Marnie leu as emoções dela, percebendo que Rachel Mucallski não era a santinha que a sua amiga tanto pintava.
— Ela era cruel com você. — disparou, fazendo a garota arregalar os olhos e corar. — É por isso que você está satisfeita com esse ato? Há algo sobre Mucallski que eu deveria saber, senhorita Host?
Crystal suspirou.
— Eu só tenho suspeitas, senhorita DeLavega. — a menina murmurou. — Rachel pode até mentir bem para a senhorita Angianova, mas eu sei a vadia que ela é. Ela não gosta nenhum pouco de Lynna. Na verdade, ela fala dela como se ela fosse a sua rival. Ela parece ter uma paixão platônica juvenil pelo Capitão Rogers. E ela insultou violentamente a minha namorada.
Mary nunca esteve tão surpresa em toda a sua vida. Uma das favoritas de Lynna não gostava dela?
Bem, agora que ela reparava na mocinha, pôde perceber o olhar de cobiça em seu rosto. Um olhar que Steven era muito tapado para perceber.
Quando o loiro saiu da sala, sua amiga apareceu ao seu lado, com um semblante preocupado. Ela segurou o ombro de Crystal Host, sorrindo maternalmente para ela.
Marnie teve que sorrir também. A sua amiga era como uma mãe para as Bailarinas. E ela seria uma ótima mãe se a vida lhe desse um filho só dela.
— Eu adoraria interrogá-la eu mesma. — murmurou depois de um tempo, seu sotaque se pronunciando por conta de seus nervos. — Eu não queria que ela passasse por isso. Nenhuma de vocês...
— Ela vai ficar bem. — Crystal disse, sorrindo para a ruiva. Mary sentiu os sentimentos dela, viu como eles eram recíprocos, e aquilo acalmou o seu coração.
— Você já pode entrar, Mary. — Steve disse, prostrando-se do outro lado de Host, encarando o vidro.
Assentindo, a ruiva mais baixa caminhou para a sala, girando pelo corredor, até chegar perto da porta.
Mesmo através do metal, ela podia sentir as emoções conflitantes de Mucallski. Ela estava preocupada, com raiva, revoltada, mas acima de tudo, havia algo lá que Mary ainda não reconhecia, algo latente, e que a assustava.
Momentaneamente, ela não quis mais entrar naquela budega.
Barnes assentiu para ela, abrindo a porta.
Uma vez dentro, não havia mais como escapar.
— Boa tarde, senhorita Mucallski. — pronunciou, caminhando até a menina, que não falou nada, apenas encarou-a meticulosamente enquanto a mesma sentava-se à sua frente. — Bem... você sabe porque estamos aqui, não sabe?
— Sim. — ela respondeu, fazendo Mary sentir-se estranha com o seu olhar. Ela tentou captar e expandir o seu núcleo, tentando encontrar essa coisa latente. A ruivinha quase ofegou, ao perceber que aquilo era a mais pura fúria. O que essa garota verdadeiramente era? — Estamos aqui por causa do meu distintivo, que foi encontrado no quarto do senhor Storm. Logo após o ataque ao Edifício Baxter.
Rapidamente, Mary, por ser mais sensível do que gostaria, levantou-se da cadeira, colocando-se numa distância considerada saudável da garota.
— O bloco de concreto... foi você! — seu coração disparava muito forte, enquanto ela sentia as emoções de Mucallski serem tomadas por uma onda de prazer cruel. Se antes ela estava preocupada, agora ela havia ligado o foda-se, porque ela sabia que, por mais imperfeitos que fossem, ninguém escapava dos seus poderes. Aquela garota pareceu reconhecer bem isso. — Você quer matar a minha amiga! Por quê? Por causa da sua paixão platônica?
Mucallski deu-lhe um sorriso cruelmente sarcástico.
— Oh... vejo que Host andou fofocando... — disse-lhe num sorriso lascivo. As emoções dela lhe deixavam enjoada. — Ela talvez nunca supere o fato de que a namoradinha nojenta dela gosta de mim.
Tentando assumir o controle, Mary travou o maxilar.
— Responda a minha pergunta! — sussurrou duramente, mandando-lhe uma onda de persuasão.
— Sim, DeLavega. Eu quis matar a Pétala. — se isso lhe atingiu como um soco no estômago, ela não queria nem imaginar qual seria a reação de sua amiga, ouvindo tais palavras da garota que ela tanto gostava. — Está ouvindo isso, dorogaya? Eu tentei matar você! — agora, Mary sentia os sentimentos de sua amiga através das camadas de concreto. Ela quase podia apalpar a decepção em seu peito. — Eu teria conseguido, se você ou Maximoff não tivessem se intrometido. Eu teria te matado, então você não descobriria tudo. — ela levantou-se, fazendo Mary tentar armar-se para atacá-la com os seus recém descobertos poderes, mas ela ainda não tinha nenhum controle sobre eles. — Acho que vou fazer isso agora.
Então, a filha da puta pulou em seu pescoço com graça e leveza, fazendo Marnie desabar no chão. A garota montou a sua cintura, tentando enforcá-la.
— Barnes! — Marnie consegue sufocar, mas a miserável ri ironicamente.
— Ele não vai vir. — disse-lhe, apertando sua garganta com mais força, fazendo com que seus olhos se arregalem. — Ele não tem forças para abrir a porta de vibranium que você mesma trancou. Seremos eu e você, Anjo. Ele não virá te salvar como na última vez.
Mary queria tanto dizer que Mucallski estava se referindo ao bloco de concreto na cozinha... mas a vadia não estava. E isso lhe deixou confusa, e ao mesmo tempo extremamente entristecida, como se ela tivesse perdido algo irreparável.
Antes que as bordas escuras finalmente se apagassem, um estrondo forte se apossou da sala, fazendo tudo tremer.
— Você não deveria ter permitido que ela fizesse isso! — ouviu alguém gritar distantemente.
Alguém tocou o seu rosto com um cubo de gelo. Tudo o que Mary podia ver de suas bordas escuras eram brilhantes lascas de gelo, que cintilavam tão lindamente para ela.
Debilmente, debaixo da onda de gritos de Mucallski, ela esticou a mão para tocar quem estava carregando-a para fora da sala, conseguindo enxergar o núcleo da pessoa, por trás da onda de sofrimento, dor e angústia que ela naturalmente sentia.
Ela viu preocupação ali.
Por ela.
Ela também viu um véu leitoso nas emoções dessa pessoa, algo que ela se esforçou para ver através, mas não conseguiu chegar até o cerne. Ela não tinha mais forças para isso.
Bufando de frustração, sua visão ficou turva, então ela finalmente deixou o cansaço e a extrema perda de energia vencê-la.
*
— Boa tarde, senhorita Mucallski. — Lynna ouviu Mary pronunciar, aproximando-se de Rachel, que tinha as mãos polidamente colocadas em cima da mesa. Estranhamente, havia um olhar na menina, que ela jamais vira nela. A garota não respondeu à saudação de sua amiga. — Bem... você sabe porque estamos aqui, não sabe?
— Sim. — até mesmo o tom de voz de Rachel parecia totalmente diferente. Ela viu Mary tentando lê-la. — Estamos aqui por causa do meu distintivo, que foi encontrado no quarto do senhor Storm. Logo após o ataque ao Edifício Baxter.
Seu coração quase saiu pela boca quando viu Marnie levantar-se, desesperadamente colocando alguma distância entre ela e Rachel.
O que ela viu? O que há de errado com a minha garota?
— O bloco de concreto... foi você. — por um segundo, o coração de Lynna parou. Ela não ousou respirar. O que Mary falou não foi uma pergunta. Foi uma afirmação concreta! — Você quer matar a minha amiga! Por quê? Por causa da sua paixão platônica?
O sorriso que Mucallski lhe deu fez o coração da outra ruiva por trás do vidro gelar. Rapidamente, Crys segurou o seu pulso, lhe passando confiança.
— Oh... vejo que Host andou fofocando... — o tom dela lhe deixou doente. Aquela garota tinha uma paixão platônica por Steve? Era por isso que ela estava tentando matá-la? Para tomar o seu lugar? Isso a deixou fria para caralho. Mucallski era uma de suas meninas! Ela mataria para defendê-la, como faria com qualquer uma de suas amigas! Como ela pôde fazer isso?! — Ela talvez nunca supere o fato de que a namoradinha nojenta dela gosta de mim.
Crystal apertou sua mão sem querer e Lynna, mesmo através de sua névoa de decepção, tentou passar-lhe algum tipo de apoio.
— Responda a minha pergunta! — ela ouviu Mary dizer duramente.
— Sim, DeLavega. Eu quis matar a Pétala. — Pétala? Ela falou este nome com tanto ódio... como se ela tivesse convivido com a peste da sua carrasca, como se ela tivesse conhecido o seu cerne podre. Steve tocou o seu ombro, fazendo-a finalmente sentir as lágrimas que ela não havia notado que foram derramadas. — Está ouvindo isso, dorogaya? Eu tentei matar você! — o coração dela se despedaçou quando o primeiro soluço saiu. Ela dedicou várias coisas de sua vida para ensiná-la, deu-lhe conselhos, foi sua amiga, mas a garota a traiu. Ela não precisava de uma bola de cristal para saber que ela era Hydra. Fora ela a culpada por várias merdas que aconteceram em sua vida, e ela não tinha nenhum remorso disso. — Eu teria conseguido, se você ou Maximoff não tivessem se intrometido. Eu teria te matado, então você não descobriria tudo. — Lynna tentou quebrar o vidro blindado com os seus poderes, quando Mucallski ergueu-se para Marnie, que tentou se proteger, mas ela não seria páreo para a traidora. — Acho que vou fazer isso agora.
Um grito rouco escapou de seus lábios. Há alguns minutos de conversa, ela já não sentia mais o calor de Rogers em suas costas.
Mucallski passou a enforcar sua amiga, que não teve tempo de se defender, nem mesmo com os seus poderes.
— Barnes! — o grito rouco da ruiva anã fez um buraco no coração.
Ela não queria perdê-la. Ela não podia perdê-la! Mas ela também não podia fazer nada para ajudá-la. O Complexo, assim como tudo dentro dele, foi feito à prova de pessoas como ela, para a própria segurança deles.
Quão irônico seria... se DeLavega morresse por conta da proteção excessiva de Tony.
— Ele não vai vir. — a menina disse, num zumbido cruel, retirando cada vez mais o ar de Marnie. Crys apertou-a contra o seu corpo. Ela não queria que sua pequenina lhe visse assim. Ela não queria ser fraca diante de uma de suas meninas. Mas ela simplesmente não conseguia manter sua merda junto. — Ele não tem forças para abrir a porta de vibranium que você mesma trancou. Seremos eu e você, Anjo. Ele não virá te salvar como na última vez.
Como um milagre, Bucky quebra a parede com o seu punho de metal.
Steve entra e captura Mucallski pela cintura. A maldita passa a xingá-lo em russo. Ela sempre imaginara que ela falava russo, por causa do sutil e quase imperceptível sotaque que ela levava.
Lynna queria tanto acreditar que todas as suas garotas eram puras...
Ela foi tão cega!
Seu amigo pegou Marnie nos braços e saiu correndo para a enfermaria. Ela estava desmaiada.
Seus olhos pousaram em Mucallski, que tinha um sorriso cínico para ela.
— Sua vadia! — Crystal rosnou. — Eu sabia que você não prestava!
Ela ampliou o sorriso.
— Oh... a sapatão está afetadinha. — se havia um tipo de pessoa que Lynna mais odiava, eram as intolerantes e preconceituosas sujas. Ela sempre havia ensinado às garotas a aceitarem as diferenças. Porque não importava qual era a sua sexualidade, o seu tipo de corpo, a sua cor, a sua religião, todas as pessoas eram especiais à sua maneira. Mas Rachel fora a sua maior decepção. Nem ser traída por Rogers doeu tanto. Sua mão direita encontrou a trajetória perfeita para a face da garota, que teve sua cara virada violentamente por conta da sua força. O lábio dela rachou. Perplexa, encarou-a com os olhos arregalados. — Vai defendê-la? Vai defender a sua vadia?!
— Você não insulta uma das minhas garotas e fica impune por isso. — ergueu sua voz, feliz que as lágrimas já tinham secado. Ela deu-lhe outra tapa. — Essa daqui foi por Mary. Se ela morrer, foda-se o protocolo da SHIELD, você também morre. E de uma maneira bem mais dolorosa do que simplesmente ser enforcada. — ela sorriu amplamente ao ver o olhar de Mucallski vacilar. — Lembre-se vadiazinha. Eu sou fruto da tortura... — segurou seu rosto de maneira apertada. —... e nessa escola, sou a porra da professora.
Steve tirou-a de perto de si, para evitar que ela consumasse suas palavras.
— EU VOU MATÁ-LA, PÉTALA! EU VOU MATAR VOCÊ! — arqueou a sobrancelha, duvidando da ameaça de Mucallski. — EU VOU ROUBAR DE VOCÊ O QUE VOCÊ TEM DE MAIS IMPORTANTE. EU TIRAREI A SUA MAIOR FELICIDADE DE VOCÊ, COMO VOCÊ FEZ COMIGO! Hail Hydra!
Quando as portas da ala se fecharam, seu corpo desabou, abraçando Crystal com força. Em algum momento, os braços de Crystal também se tornaram os de Nat.
— Você pode voltar para os seus aposentos, Host. — ouviu-a dizer calmamente para a menina, quase que carinhosamente. — Por favor, não mencione nada sobre isso.
Crystal soltou um suspiro.
— Não se preocupe, agente Romanoff. Seu segredo está a salvo comigo. — Lynna viu-a abaixar-se em seu nível. — Fique curada, senhorita Angianova. Nós sentimos muito a sua falta.
Ela sorriu, apertando sua mão em agradecimento.
A garota foi embora, então ela desabou outra vez, sendo carregada por sua amiga.
— E quanto a Mary? — perguntou-lhe preocupadamente.
— Ela está bem. Barnes está com ela. Hanna a sedou para que ela não sentisse muita dor e se recuperasse de sua queda de energia. Parece que os sentimentos de Mucallski foram demais para ela aguentar. — pelo menos, Nat foi sincera. — Vai ficar tudo bem, Lynna. Steve está com Fury, eles irão enviá-la para a Geladeira agora. Ou talvez a prisão subterrânea da Caixa de Areia, eu espero. Ela irá à julgamento. Será culpada por seus crimes, e nunca mais irá entrar em nosso caminho. Tony e Sexta estão levantando provas contra ela.
A mais velha assentiu.
— Isso é bom. Aquela cadela da Hydra merece pagar pelo que ela fez. Marnie teria morrido se não fosse por Buck. — murmurou amargamente.
— Eu tenho uma notícia boa para você. — a mais nova disse com um sorrisinho presunçoso. — A SHIELD e por SHIELD eu digo Coulson, que você sabia que ele estava vivo, mas não me contou, sua vadia! — ela riu baixinho, esquivando-se da careta fingidamente brava que a outra tinha. — Ele e sua equipe encontraram o Secretário Ross em sua casa segura na Itália. Ele está preso aqui no Complexo.
Um sorriso triunfante se apossou de sua face.
— Você tem que me levar para vê-lo. — disse-lhe, arrumando a sua postura. — Você prometeu.
Para a sua felicidade, Nat deu-lhe um sorriso muito parecido com o dela.
*
— Como você se sente, DeLavega? — contrariando os sedativos de Hanna, lá estava a garota, que conseguia ser ainda mais teimosa que Lya, completamente acordada, observando Stark adentrar o seu quarto.
Estranhamente, Bucky não podia responder o porquê de ter sentido o desespero que ele sentiu ao escutar o som estrangulado de DeLavega chamando pelo seu sobrenome dentro daquela maldita sala. Ele não queria que ela entrasse ali em primeiro lugar, porque ele não confiava naquela menina que eles haviam trazido. Ele já a tinha visto em algum lugar, mais nova do que ela parecia.
Quando ele arrombou aquela porcaria de sala, ele soube de onde.
Aquela menina crescera na Hydra.
Ela fora treinada por ele.
Rachel Priekov.
Como essa maldita ninfeta conseguiu se aproximar da sua Lya sem que ninguém soubesse quem essa maldita era?
Ela poderia ter matado DeLavega, que pela literal infelicidade da palavra, era inútil demais para se defender contra a crueldade dela.
Ele tinha visto essa garota matar pessoas com um estalar de seus dedos. Quebrar o pescoço de Mary seria a coisa mais fácil do mundo. E isso lhe aterrorizou até o cerne!
Se ele não tivesse sido rápido, tudo o que ele iria encontrar era o cadáver dela.
Talvez o desespero que ele havia sentido, era porque DeLavega era importante para Lya, e se ela morresse, sua irmãzinha desabava junto.
Ele sabia que ela não aguentaria ver ninguém que ela ama morrer pelas mãos de outra pessoa senão as da própria morte, que era totalmente inevitável. Ela não tinha estrutura emocional para isso. A Hydra a machucou mais que ele, que sofreu por setenta anos nas mãos dos nazi/soviéticos.
Tudo o que lhe restou foi essa família, e se ela os perdesse, ele não queria saber o que ela faria consigo mesma.
— Eu estou bem. — a garota ruiva murmurou, sua voz estava completamente rouca por culpa de sua garganta fodida.
— Não, você não está. — Bucky rapidamente retrucou.
Ele estava certo.
A pele dela, normalmente muito pálida, de alguém que nunca viu o sol na vida, bonita e cremosa – quê?—, que combinava com os seus cabelos alaranjados, estava avermelhada. Havia círculos roxos abaixo de seus bonitos olhos verdes, que agora estavam cercados por anéis de sangue, devido ao ataque que ela sofreu. A pele de seu pescoço continha marcas vermelhas dos dedos de Priekov, que estavam ficando horríveis com o passar do tempo.
O corpo dela parecia tão frágil ao seu toque...
— Barnes está certo. — Stark voltou a falar, fazendo-a estreitar os olhos para ele, que não mudou a sua postura. — Você deveria descansar, Marnie. Você tomou medicamentos muito fortes, não deveria lutar contra eles.
Apesar das agulhas injetadas em seu corpo, DeLavega cruzou os braços.
Sabendo que ela não iria dormir por bem, sutilmente, Bucky estendeu a mão para ela, uma vez que a mesma estava distraída com Stark e sua falação. Ele tocou em seu ponto doce, o ponto que a fez desmaiar quando Lya estava atacando-a com a sua fúria naquele dia no quinjet. Ele apertou-a ali, suavemente, fazendo-a adormecer em segundos.
Stark olhou para ele, que deu de ombros.
— Bem... nós precisamos falar sobre Rachel Mucallski. — ele disse caminhando para a saída, meio que intimando Bucky a fazer o mesmo, uma vez que sua missão de fazer DeLavega dormir já havia sido concluída.
— Seu nome é Rachel Mucallski Priekov, filha de Ergor Priekov, um dos comandantes de alta importância na Hydra. — sua fala atraiu o olhar de todos para ele. — Eu a treinei quando ela tinha catorze anos.
Todos olharam para ele como se ele tivesse vindo de outro mundo.
— Como assim, Barnes? Os anos de congelamento te deixaram um velho gagá? Rachel tem uns vinte anos. — Hanna retrucou.
— Não, ela não tem. — ele rebateu. — Ela pode parecer jovem, mas esta mulher tem quase trinta anos. Eu posso lhes assegurar.
— Uh... complexo de A Órfã acontecendo? Será que ela usa produtos Ivone? — Stark disparou, deixando-o um pouco confuso. — Como você pode saber sobre ela e nunca ter nos contado tal fato?
Bucky revirou os olhos.
— Eu nunca tinha visto esta miserável aqui. Eu nunca assisti às aulas que Lya dava antes de ser expulsa. — respondeu-lhe. — Na minha cabeça, esta garota poderia estar morta, ou algo do tipo. E por falar em Lya, onde ela está?
— Com Natasha. — a garota Maximoff respondeu. — Elas foram visitar um “problema em comum”.
— Ah não! Romanoff contou a ela sobre Ross? — Stark questionou, gemendo quando Wanda assentiu. — Espero que ela não soque a cara dele de novo.
— Ela tem todos os motivos. — a castanha retrucou. — Mas eu não acho que Nat lhe permitiria isso.
— Espero. — o bilionário murmurou.
— Eu levantei a ficha da senhorita Mucallski (barra) Priekov como o senhor me pediu, chefe. — a voz de SEXTA-FEIRA se fez presente no lugar, então, uma tela flutuante se abriu, fazendo Bucky se maravilhar ainda mais com as descobertas da ciência. Tudo parecia incrível dentro daquele Complexo. Vez ou outra ele se perdia ali. — Eu detectei sua leitura facial no Complexo, no dia do aniversário da Lady Tóxica, foi ela quem invadiu o apartamento do Capicolé e colocou a aranha dentro do cesto de roupas dela. Ela também fraturou os cabos que sustentavam o bloco de concreto que caiu em cima da Lady Espanha.
As mãos de Bucky se apertaram com força.
Aquela maldita estava tentando matar a sua irmãzinha. Ela estava tentando feri-la emocionalmente. A Hydra a enviou ali. Aquele Complexo deveria ser extremamente seguro!
— Há algo a mais para nós? — Stark questionou-a.
— Por agora não, mas estou trabalhando em alguns documentos criptografados. Tudo o que eu sei, é que ela copiou os exames da Lady Tóxica, feitos pelo laboratório da Jangada. Eles foram encontrados pela agente Carter no quarto em que ela fora instalada. — a IA disse, fazendo todo mundo se alertar, pois eles sabiam qual era o conteúdo daqueles exames.
Hanna, ao seu lado, prendeu a respiração.
Fosse o que fosse que a pequena coreana tinha em mente, ela não verbalizou, apenas caminhou para o seu laboratório.
Um sorrisinho escapuliu de seus lábios quando ele a ouviu gritar “vadia desgraçada” para as suas paredes.
Essa garota Priekov mexeu com coisas que ela não podia controlar. Agora ela estava presa, mas se ela viesse para cima das suas garotas, teria que passar por cima dele primeiro.
*
A ala prisional não era tão longe das salas de interrogação.
Nat e Lynna andaram apenas dois corredores, até chegarem ao local onde havia um corredor de celas 4x4 com uma grossa cobertura de vidro blindado. Em uma dessas celas, estava Thunderbolt Ross, sem todo o seu topete de Secretário de Estado. Agora, ele mais parecia um frango depenado e pronto para o abate.
Um sorriso cínico se desenrolou de seus lábios ao se aproximar dele.
— Ora, ora, ora... quem eu encontro por aqui... — sua voz saiu ainda mais cínica que seu sorriso. — Se não é o meu querido Secretário... ops... você não é mais isso, não é? — sorriu-lhe amplamente quando ele olhou para ela, com raiva em seus olhos. — É ruim está do outro lado, não é? Mas não se preocupe, eu vou fazer com que você fique confortável em seu novo lar.
Ele travou o maxilar.
— Te dá prazer, Angianova? — perguntou-lhe com a voz carregada.
— Sim, Ross. Isso me dá prazer. — ela respondeu-lhe. — E sim, eu vou lindamente comemorar comigo mesma, a sua prisão. Pimenta no orifício anal dos outros é refresco, não é? — o homem rangeu os dentes, fazendo-a rir. — Aproveite a sua estadia, eu espero que ela seja eterna.
— Nem tudo é nesta vida é eterno, Pétala. — oh, que lindo! Ele já havia começado a recitar a Hydra! Que fofinho!
— A minha juventude é. — deu de ombros. — E a firmeza da minha bunda. — virando-se de costas para ele, a ruiva mais velha simplesmente baixou as calças e lhe mostrou sua bunda branca, rebolando-a antes de voltar pelo caminho onde Nat a deixou. — Só para você não dizer que eu não cumpri com a minha promessa.
Antes dela pular no lago em Berlim, ela lhe disse para beijar a sua bunda branca soviética. Ela deveria forçá-lo a fazer isso. Nada seria mais humilhante.
— Você não fez. — Nat murmurou, vendo o seu sorriso amplo ao sair pela porta de correr.
— Sim, eu fiz. — Lynna deu de ombros, sorrindo. — Qual é, Nat?! É o meu primeiro prazer doentio na vida! Você tem que me dar algum crédito.
— Você é inacreditável! — ela resmungou.
— E é por isso que todo mundo me ama. — disse convencidamente, jogando seus cabelos curtos para trás.
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