The Captain and The Petal.

85 Eighty-third Chapter. - Only one.


Notas iniciais
Ois! E é esse embalo depois de ter assistido cap 2 na globo, que o capítulo do nosso casório sai! Desculpem-me a demora (and os erros, eu sei que deve haver muitos, mas infelizmente eu não consegui detectar todos :) ) Para me justificar, meu computador esteve com alguns problemas e eu passei alguns dias sem conseguir utilizá-lo, o que dificultou o andamento do capítulo, que estava quase concluído. Espero que gostem e me desculpem pela capa dele, que saiu um pouco esquisita :3 Boa leitura!

Apenas um.

Ela estava completamente surtando, era isso.

Não adiantava o quanto dizia a si mesma para se controlar, era simplesmente impossível!

Para começar, um pesadelo a deixou acordada o resto da madrugada, desde que eles quase que instantaneamente chegaram de sua farra. Agora, a ansiedade estava fazendo com que sua pele se arrepiasse e ela sentisse uma vontade louca de se arranhar para fazer isso parar.

Ela precisava de alguma coisa para dormir, e um copo de vodka. Era isso.

Desceu lentamente até a cozinha, tremendo de medo por estar escuro e ela está sozinha, sem nenhuma fonte de proteção, mas mesmo assim, ela enfrentou o medo por uma dose de álcool.

— Sabe... eu não sou um empata, mas dá para sentir de longe seus sentimentos disparando.

Ela gritou, quebrando o copo de vidro que segurava parcamente em suas mãos escorregadias.

— Que susto, Loki! Você quer me matar do coração?! — resmungou, colocando a mão no peito na tentativa fútil de controlar os batimentos de seu órgão vital.

— Eu não quis assustá-la. — ela encarou-o com uma cara de “é mesmo?”, fazendo-o sorrir amarelamente. — Desculpe-me por isso, é que a sua agitação me deixou preocupado. Você quer falar sobre isso?

Ela suspirou, arrastando-se com cuidado para os sofás, sentando-se à frente do moreno.

— Eu estou com medo. — murmurou, choramingando.

Ele sorriu, tocando seu rosto.

— Não tenha medo, pequena. Esse é para ser o seu dia mais especial. Minha mãe costumava dizer que na vida, só há um dia que se sobressai aos outros, aquele em que nós nos sentimos flutuando, e este é o dia em que nos tornamos uma só carne da pessoa que nós amamos. — os olhos dele, apesar de tristes, lhe passaram um pouco de segurança. — Ouça um conselho de quem jamais poderá ter a pessoa amada, minha criança. Esqueça o resto. Hoje, você deve brilhar mais que a lua, pois esse é o seu dia.

*

Ela acabou dormindo no sofá, mas quando acordou, já estava em sua cama, com Hanna e Mary sorrindo amplamente para a sua figura descabelada, porém mais relaxada.

— Oi moça. — a mais velha das duas falou, abrindo um sorriso amplo. — Nós viemos ao seu socorro. Parece que a senhorita precisa de um dia de noiva.

Ela franziu o cenho, sentando-se na cama.

— Como assim? Eu estou perfeitamente bem, obrigada. — respondeu-lhe, suavemente passando as unhas na pele de seu braço direito, deixando-o um pouco avermelhado.

— Vai te ajudar a relaxar. — Marnie disse, quase implorando.

Revirando os olhos, Lynna assentiu.

— Ótimo! Eu vou buscar as coisas! — Hanna levantou-se, correndo para sabe-se Deus onde.

— Bem, tudo o que a senhorita tem que fazer é vestir isso e se esquecer do mundo! — a ruiva anã lhe disse, estendendo-lhe um top e uma parte de baixo de cintura alta.

Resmungando, a mais velha levantou-se, arrastando-se até o banheiro, tomou um banho rápido e vestiu as roupas indicadas, preparando-se mentalmente para a tortura corporal que suas amigas lhe aplicariam.

Ao sair do banheiro, seu quarto havia praticamente se tornado um SPA.

Ela foi forçada a sentar-se numa cadeira, onde Wanda, Natasha Hanna e Mary lhe cercaram, dizendo-lhe que ela só sairia dali direto para o banho, faltando duas horas para a cerimônia acontecer.

Resignada, a ruiva simplesmente fechou os olhos, aceitando que não teria como escapar das garras daquelas quatro.

Logo, sua mente flutuou para as memórias que ela tinha compartilhado com seu noivo, desde o dia em que eles haviam se conhecido.

— O dia em que nos conhecemos

Congelada, segurei minha respiração

Desde o inicio

Eu sabia que tinha encontrado um lar para o meu coração —

— Tony! — um homem loiro que estava ao lado de Clint ralhou com o castanho. — Isso não é jeito de tratar as visitas! — ele se levantou, vindo até onde as duas estavam. — Sinto muito, senhorita. Ele às vezes não tem filtro. Sou Steve Rogers. Seja bem-vinda a Torre dos Vingadores.

É claro que ela conhecia ele, o inimigo numero 1 da Hydra, o namoradinho da América.

O loiro de olhos azuis cristalinos estendeu-lhe a mão. Ele parecia o anjo, com seus cabelos dourados caindo suavemente em sua testa e com a luz do sol vinda da janela fazendo uma auréola ao redor de sua cabeça.

Quando suas peles se encontram, ouve um choque, então ela sentiu um puxão em seu umbigo. Era como se algo tivesse sido desbloqueado dentro de si, como se algo tivesse se iluminado. O mundo havia se tornado mais claro do que aparentava por baixo da sua desconfiança traumatizada.

Lynna sentia-se estranha, e esperava que o aperto de mão não tivesse durado muito tempo, ou seria extremamente constrangedor.

— Obrigada, senhor. — murmurou recolhendo a mão.

*

— Steve? — murmurou com a voz embargada. — É você?

Ele sorriu suavemente.

— Sim, sou eu. — ele levantou-a com cuidado, pacientemente, colocando-a em segurança contra o colchão. — Está tudo bem, eu tenho você. Foi apenas um sonho.

Ela engoliu em seco.

— Mas eu posso sentir o sangue... — ela sussurrou, atropelando as palavras com seu sotaque acentuado.

Ele passou o dedo em sua testa, que latejou insistentemente.

— Você deve ter batido com a cabeça quando caiu. — disse tranquilamente. — Espere um minuto.

O loiro saiu da cama, indo até seu quarto, para depois voltar com uma maleta branca, de onde ele retirou um frasco de soro fisiológico e uma bola de algodão.

Ele desfez a bola suavemente, embebendo a lã no soro e passando gentilmente em seu corte, ela quase não sentia o peso de seus dedos longos e grossos, apenas o líquido gelado, enquanto ele limpava o corte. A todo o momento, seus olhos não deixaram os dele, que tinha um bom reflexo para continuar limpando sua testa sem machucá-la.

Ao mesmo tempo em que isso lhe deu segurança, fez o seu coração disparar.

Suas bochechas pinicaram por se dar conta de que o supersoldado poderia ouvi-la.

Uma vez que o corte fora limpo, ele colocou um pouco de pomada, antes de fixar um curativo, afastando os seus cabelos para trás da orelha para que eles não grudassem na cola.

Quando terminou, ele passou uma lã molhada em sua mão direita, que estava suja de sangue.

— Obrigada. — ela murmurou lentamente.

— Como se sente? — ele perguntou, apoiando o algodão na perna, enquanto encarava-a com um olhar preocupado.

— Um pouco melhor. — ela respondeu sinceramente, abrindo um sorriso bêbado.

Ele sorriu de volta, fazendo-a parecer uma idiota. O seu sorriso era lindo.

— Acho melhor você tomar um analgésico, vai prevenir uma dor de cabeça futura. — disse, desviando rapidamente o olhar, procurando pelo remédio dentro da maleta. — Aqui. — murmurou entregando-a. — Eu vou buscar água.

Mais uma vez ele saiu do quarto, para depois voltar com uma garrafinha.

Lynna tomou o remédio silenciosamente, envergonhada por monopolizar toda a atenção do loiro, por mais que sua parte maluca lhe dissesse que gostava daquilo, e que não se arrependia.

— Precisa de mais alguma coisa? — ele perguntou, guardando as coisas de volta na maleta.

— Pode ficar um pouco mais? — ela murmurou quase que inaudivelmente.

O loiro sorriu.

— Claro que posso. — respondeu-lhe, colocando tanto a garrafinha, quanto a maleta em cima do criado mudo. — Ficarei aqui até que você durma.

— Obrigada. — a ruiva disse aliviada.

Quando ela voltou a deitar, não tinha mais aquela aura negra ao seu redor, mais uma vez vendo o enorme loiro como um anjo que os deuses colocaram em seu caminho para cuidar dela.

Lynna não sabia dizer o que fizera para merecer algo tão bom, mas resolveu não questionar.

Apesar de duvidar, ela encontrou o sono em alguns breves minutos, sentindo o toque suave de Steve em sua mão direita.

— Batimentos rápidos, cores e promessas

Como ser corajoso?

Como posso amar quando estou com medo de cair?

Mas olhando você sozinho

Todas as minhas dúvidas, subitamente se vão de alguma maneira —

— Peggy foi o meu primeiro amor. — ele murmurou em resposta, mas sorriu para ela. — Foi a primeira mulher a gostar de mim pelo que eu era, um garoto franzino e doente, aquele que todas as outras haviam desprezado. — ela franziu o cenho, acariciando seu pulso com o polegar. Quem seria maluca de desprezar um ser tão puro de coração como ele? — Eu pensava que jamais iria me apaixonar por alguém como me apaixonei por ela, mas estava errado. — encarou-a intensamente, fazendo-a encolher-se um pouco, envergonhada com a intensidade de seus olhos sob ela. — A vida me deu você. O destino quis que nós nos encontrássemos, que tivéssemos um amigo em comum, que por causa dele, nós dois estamos juntos aqui esta noite... o universo trouxe você até mim, para colocar um pouco de luz e calor em minhas noites mais solitárias.

Uma pequena lágrima escapuliu. Seu coração apertou-se um pouco ao relembrar do amigo, e do que ele a fez fazer, mas que ela também havia sido conivente... Steve era tão puro e não merecia o que ela havia feito.

— Eu não tenho um passado perfeito como o seu. — Lynna murmurou, apertando sua mão com força. — Eu definitivamente não carrego uma bagagem boa. Fui quebrada, eu sou quebrada. E sei que não o mereço, mas mesmo assim, estou aqui, com o coração na mesa, porque me apaixonei pelo ser mais puro desta Terra. Um anjo. Moy Angel. E eu o amaria até mesmo se você fosse o homem magro e doente outra vez, o rapaz que apesar do tamanho, tinha coragem suficiente para derrotar gigantes. Aquele pelo qual me apaixonei segundo a narração de outra pessoa. Eu não pensei duas vezes antes de entregar o meu coração a ele, o meu herói.

Seus olhos estavam marejados.

— Eu a amo. — ele sussurrou traçando uma linha invisível em seu pulso. — Desde o primeiro dia em que a vi. Me dei conta disso quando quase a perdi. Quando você entrou na frente daquele jato... eu senti um pedaço do meu peito ser brutalmente arrancado. Quando você parou por alguns segundos... eu pensei que jamais veria seu sorriso outra vez, ou ouviria sua voz... quase perder você foi a maior dor que já tive em toda a minha vida.

Oh meu Deus!

Ela levantou-se abruptamente, arrastando a cadeira. Ele refletiu seu gesto, com a expressão levemente apreensiva.

Sem mais delongas, Lynna o puxou para si, enfiando a cabeça em seu peito, permitindo-se quebrar outra vez, molhando sua bela roupa, enquanto ele acariciava seu cabelo suavemente.

— Você me ama?! — sua voz embargada entoara a pergunta.

Ele tocou seu rosto, secando suas lágrimas.

— Seria impossível não amá-la. — Steve respondeu. — Você é especial, princesse.

— Eu também te amo. — ela sussurrou, colando seus lábios.

Lentamente, o beijo foi se aprofundando, Lynna pôde sentir o gosto da salada búlgara na boca de Steve e o puxou ainda mais para si, derretendo-se em seu calor. Aquele era o primeiro beijo que eles trocavam quando ambos estava lúcidos, ou pelo menos ela, pelo que parecia.

Eles se separaram com selinhos suaves. O loiro parecia perseguir os seus lábios, o que a fez rir baixinho.

— Foi real. — murmurou, extasiada.

— Oi? — ele ficou confuso.

— Sokovia, o beijo, a declaração. — ela respondeu. — Eu vi isso acontecer quando estávamos no hospital, após o incidente do Triskelion.

— Quando você tocou no meu braço. — ele murmurou em reconhecimento.

Ela assentiu.

— Eu achava que era uma alucinação, mas era real. — deu-lhe um sorriso bobo. — Você desenhou isso.

As bochechas dele coraram.

— Você viu isso? Quando? — questionou-a.

— Pouco antes de partimos para Sokovia, quando eu entrei no seu quarto... — ela sussurrou, também envergonhada. — Estava em cima da pilha...

Alguém pigarreou, atraindo a atenção deles.

— Erm... o jantar será servido. — a voz de Hanna a deixou ainda mais envergonhada.

— Um passo mais perto —

— Lynna! — assim como naquela visão, Steve gritara angustiadamente. — Lynna!

Seu corpo dolorido foi lentamente caindo, como a gravidade mandava, então ela foi aparada nos braços fortes do seu capitão. Seus dois cristais cintilavam com angustia, tristeza, exatamente como na visão. Viu o medo que não foi capaz de reconhecer.

Sua mente grogue gritava: ele não quer me perder? Ele me ama?

— Não é culpa dele. — murmurou. — A criança... eu precisava... eu não queria que eles morressem.

— Eu sei. — ele murmurou de volta, com pesar. — Você fez o que tinha que ser feito. Isso faz de você uma heroína. — terminou, levantando-a no colo. — Agora vamos, preciso te tirar daqui. Você tem que ser forte, tem que sobreviver... eu não posso perdê-la.

Seu coração se agitou.

A minha visão estava certa? Eu não estou ficando louca?

Ela ergueu a mão ensanguentada.

— Steve... — murmurou, acariciando sua face.

Eu já vi isso, eu sei como termina.

Suas testas se colaram, então seus lábios. Foi desesperador, foi urgente, foi apaixonado.

— Se eu morrer agora, com certeza eu saberei que morri feliz. — ela disse grogue.

Steve correu até a nave, com os outros em seu encalço.

— Você não vai morrer. Eu não vou deixar!

— Eu tenho morrido todos os dias esperando por você

Querido, não tenha medo

Eu tenho te amado por mil anos

Te amarei por mais mil —

— Pare. — segurou seu rosto com ambas as mãos. — Por favor, não diga isso! Você não é um monstro! Você é a coisa mais doce que eu conheço! — ela abriu a boca para protestar, mas ele a interrompeu. — O modo como você se preocupa com os nossos amigos mostra isso, o modo como você cuida da bebê Lya, ou da cabritinha, ou de Mike, ou como você se comporta como uma criança doce quando quer algo de nós. Está é quem você realmente é. Uma moça que se preocupa com os outros, que se atiraria na frente de uma bala para salvar a vida qualquer um que ama, por mais que isso não seja encorajado. Uma senhorita que apesar de ter passado pelo inferno e voltado, jamais perdeu a sua inocência, a sua vontade de acreditar na pureza das pessoas, é por isso que você as salva. Você não é um monstro, Anna, você nunca foi. As pessoas que te tiraram de sua avó é quem são. — ele passou o polegar pelas suas lágrimas, limpando-as. — Nunca diga isso de si mesma, nunca. Você é ser mais especial que eu conheço.

— Você acha tudo isso de mim? — murmurou, emocionada.

Ele riu baixinho, colocando uma mecha de seu cabelo para trás.

— Como não? Como eu não poderia achar tudo isso de você, meu anjo? — perguntou-lhe, como se fosse o óbvio. — Ela não lhe permite enxergar isso, mas eu vejo. Todos veem. Não permita que ela te afunde.

— Mas... — engoliu em seco. — E tudo o que eu te disse? E tudo o que eu fiz? — suspirou. — Eu neguei a Han para ir ao cinema com Storm, mesmo que ela já tivesse me convidado antes, porque eu sabia que isso ia te ferir, e acabei machucando ela também. Eu não o tirei de cima de mim aos tapas quando ele beijou minha bochecha naquela noite, no corredor, quando você nos viu. Eu ouvi você chorando e ignorei isso. Então você está dizendo que eu não sou um monstro? Eu não te mereço, Steve. Você deveria me deixar aqui sozinha.

Ele bufou.

— Eu não vou te deixar. — disse-lhe firmemente.

— Você devia mesmo se casar com Buck. — ela murmurou de volta.

Ele revirou os olhos.

— Eu não estava ajoelhado naquele corredor pedindo Bucky em casamento. — ela tentou rebater, mas ele colocou o dedo indicador em seus lábios, calando-a. — Aquilo era uma pergunta. Exatamente essa: Porque eu não posso simplesmente me ajoelhar aqui e dizê-la “casa comigo”, Bucky? — seus olhos se arregalaram e seu coração disparou. — O final da pergunta era exatamente esse: então eu poderia simplesmente esperar a sua reação, porque ele queria que eu fosse todo espalhafatoso e eu sabia que isso iria assustá-la, e você fugiria de mim. Eu estava ajoelhado ali, esperando você, porque era algo que eu já deveria ter feito antes, antes que tudo virasse uma completa bola de neve!

Ela soluçou.

— Você quer se casar comigo? — sussurrou, incrédula.

Ele sorriu-lhe apaixonadamente.

— Não há outra coisa no mundo que eu queira mais que isso. — disse-lhe carinhosamente. — Viver ao seu lado até o resto dos meus dias.

Ela se encolheu um pouco.

— Até mesmo se ninguém conseguir tirar o parasita de mim? — murmurou ferida. — Até mesmo se eu enlouquecer e tentar te matar? Mesmo assim você quer se casar comigo?

— Mesmo assim. — ele disse firmemente.

— Eu juro que você não existe. — ela rebateu, cruzando os braços.

O loiro sorriu.

— Você aceita? — perguntou-lhe, sentando-se à sua frente.

Seu coração disparou fortemente contra suas costelas, ela não podia acreditar nas palavras dele. Apesar de tudo, ele ainda tinha vontade de viver uma vida com ela, de construir um futuro ao seu lado.

O que ela fez para merecer tudo isso?

— Você tem que me pedir isso da maneira correta. — respondeu sem fôlego, piscando para tentar conter as lágrimas.

Rapidamente, ela foi colocada de pé, no nível de seu peito. O loiro ajoelhou-se, segurando suas mãos.

— Lyanna Angianova, filha de Scar, princesa de Skylar, Asgard e desse pedacinho confuso que é o meu coração, você aceita esse cara um pouco teimoso, que não sabe como fugir de brigas, mas que te ama muito como seu esposo? — perguntou-lhe. Havia tanto sentimento em sua voz, que ela se sentiu sufocada.

Alguns poucos segundos se passaram, antes que ela se jogasse em seus braços, abraçando-o com força, corando contra sua pele desnuda, apertando-o como se ele fosse sumir a qualquer momento.

— Sim. — murmurou com a voz embargada. — Eu aceito.

Ela sentiu-se um pouco mais alta quando ele se levantou, girando-a pela sala.

Eles riram quando seu corpo foi colocado no chão.

— Porque nossas maiores decisões foram tomadas enquanto estávamos nus? — o loiro murmurou roçando seu nariz no dela.

Ela riu baixinho.

— Pergunta difícil essa... — brincou.

— Eu deveria ter te perguntado antes... — ele lamentou. — Tanta coisa teria sido poupada...

— Ou talvez apenas teria sido pior. — ela refletiu. — Eu teria me afastado de qualquer maneira, após a missão em Lagos. Eu ainda teria escolhido ficar do lado de Nat e Tony, tudo iria acontecer e só iria piorar se nós tivéssemos ainda mais próximos. Às vezes as coisas realmente tem que acontecer em seu tempo.

Ele concordou, beijando sua testa.

— Você tem razão. — disse-lhe. — E me pegou um pouco desprevenido. Eu não imaginava que a mente do mal dos nossos amigos nos traria até aqui. Eu não trouxe o anel comigo, como costumava fazer todos os dias...

Ela arregalou os olhos.

— Era o anel que você carregava?! — sussurrou/gritou. — Todas as vezes que estávamos juntos e você escorregava a mão para o bolso?

Ele ficou um pouquinho encabulado, mas não corou.

Também, depois da performance desta noite...

— Todo esse tempo, eu só estava esperando a oportunidade perfeita. Então agora, estando diante da oportunidade da minha vida, eu não o trouxe comigo. — encolheu os ombros. Ele era a coisa mais linda.

— Você ainda pode me levar para o quarto e colocá-lo no meu dedo. — disse-lhe displicentemente, sacudindo a mão esquerda na frente do seu rosto. — Eu prometo que serei paciente com isso... — murmurou alisando os pelos de seu peito.

Ele riu.

— Eu te amo. — declarou firmemente, fazendo suas pernas tremerem.

— Eu também te amo, krasivyy. — sussurrou, apertando seus braços para se manter firme. — Eu não sei o que eu fiz para te merecer, não sei o que você viu em mim, mas...

Ele franziu as sobrancelhas, encarando-a com um brilho determinado no olhar.

— Você realmente não consegue ver a pessoa maravilhosa que é, não é mesmo? — ela não respondeu, perdida em suas safiras, com um bonito toque de verde nelas. — Tudo bem, porque eu não me cansarei de mostrá-la isso.

— Me perdoe. — ela sussurrou. — Por ter tentado quebrá-lo.

— Não há nada que perdoar. — rebateu, mas ela o beliscou, fazendo ranger os dentes.

— Sim, há. E eu prometo que não vou permitir que ela interfira em nós dois. Eu prometo que lutarei contra ela. E que farei de tudo para merecer o seu amor. — retrucou.

— Você não precisa de nada disso, princesse. — ele tocou seu rosto com ternura. — Independente do que aconteça, você terá o meu amor para sempre.

*

— Pronto, terminamos! — a voz de Nat lhe assustou, fazendo-a abrir os olhos, sentindo o frio escorrer por sua barriga.

Já?! — ela murmurou, engolindo em seco.

— Calma, não precisa se desesperar. Eu só disse que terminamos o processo de relaxamento. — a Viúva riu. — Faltam três horas até a cerimônia. Você deve tomar banho agora. Vamos pegar as coisas para começar a prepará-la. Vamos te dar uma hora para ficar lá dentro, senão iremos arrombar.

Arregalando os olhos, Lynna assentiu como uma lagartixa, sentindo que toda essa sessão de “relaxamento” não lhe ajudou em nada, ela ainda continuava sentindo aquela sensação nervosa na boca do estômago.

Também sentindo isso, Marnie deu-lhe um tipo de esfera para ela segurar.

— Vai te ajudar, eu juro. São ervas calmantes. — a pequena disse, então segurou sua mão. — Fica calma, nada vai sair do controle. Eu estou aqui fora. Pode ficar tranquila.

Ela assentiu, engolindo em seco.

— Certo.

A ruiva anã sorriu.

— Não se preocupe, vai dar tudo certo. — murmurou.

Assentindo, a mais velha fechou a porta, jogando a bolinha de ervas dentro da banheira.

Respirando fundo, ela adentrou a água, tentando se acalmar.

Enquanto dizia a si mesma que nada nem ninguém iria atrapalhar a sua felicidade, ela se perguntava o que seu noivo estava fazendo...

*

— Se você desmaiar, eu juro que vou esmurrá-lo até você acordar. — esse foi Bucky, na tentativa de ser gentil.

— E se ela fugir? — perguntou, sentindo sua bile subir e descer.

Até Sam revirou os olhos.

— Cara, você realmente precisa relaxar. — disse-lhe, jogando as pernas no sofá.

— Eu tenho a forma perfeita. — Thor apareceu do nada, com um frasco na mão.

— Pela barba de Odin, não! — estranhamente, Loki veio ao seu socorro. — Você não vai embebedá-lo!

— Mas eu não fiz nada... e Samuel nos disse que ele precisa relaxar... — o loiro mais alto argumentou, gesticulando com a garrafinha de hidromel na mão.

— Isso tem tudo para dar em bosta... — Bucky resmungou, batendo a palma da mão na testa.

— Socorro! Socorro! — Steve quase arrancou o sofá do lugar ao se levantar, quando viu Hanna correndo até a cozinha, seu coração parecia que iria sair pela boca.

— O que houve, Han? — perguntou-lhe, agarrando-a pelos ombros.

— Eu tropecei na escada e meu dedo mindinho está doendo. — a pestinha respondeu, rindo da sua careta. — Calma, bae! Você está muito estressadinho, já te disseram que chá de camomila faz bem para os nervos? Você precisa disso urgentemente. — ele estreitou os olhos para ela, que sorriu. — A nossa queridíssima noiva está em seu banho de beleza, não há nada a temer, tigrão a não ser que... — ela parou seu raciocínio, virando-se para um cheiro que sabe-se lá de onde ela estava sentindo. — Thor, o que você está segurando?

— Um frasco. — o loiro asgardiano respondeu.

— O que tem dentro do frasco? — Hanna perguntou, soltando-se completamente de Steve, para chegar até o namorado, que levantou o frasco acima da cabeça dela. — Você está planejando embebedar Stevie?!

— Eu não! — Thor gritou. — Eu só...

— Eu só vou fingir que vocês não estão tentando macular meu pequeno príncipe... — Steve teve que abrir um sorriso ao ouvir isso. — Seus sem noção! — encarou o loiro mais alto. — Me dá o frasco.

Em toda a sua coragem, seu amigo achou que poderia enfrentar aquele ser ameaçador de 1,54 metros.

— Não. — Sam fechou os olhos com força, fazendo uma careta, que representou a careta interna dos rapazes espalhados na sala de estar. Assentindo, Han deu um murro certeiro no pé da barriga dele, fazendo-o perder o ar e soltar o frasquinho de hidromel. Ele imaginava que a pequena iria carregá-lo consigo, mas não, ela simplesmente abriu a tampa e virou-o num vaso de plantas. — Você ficou maluca?! Era a minha última doze aqui!

Ele não viu, mas sabia que a criatura estava sorrindo.

— Eu sei que você tem mais. — respondeu-lhe tranquilamente. — Agora, parem de corromper o coração do meu Stevie. Vamos querido, você precisa retirar as impurezas do corpo. Seu traje acabou de chegar.

O loiro mais baixo engoliu em seco, assentindo para as costas de Han.

— Mas... ainda faltam três horas daqui a cerimônia! — Sam protestou, fazendo a pequena se virar para ele com uma careta.

— Cara, você é meio porquinho. — disse-lhe. — Mas eu não vou deixar isso corrompê-lo Stevie, vamos, você não merece ficar no meio desses nojentos.

— Ei! — Loki protestou. — Eu já estou pronto!

— Não faz mais do que a sua obrigação! — ela revidou, jogando o cabelo para trás. — Vamos logo, Steven!

Arregalando os olhos, ele seguiu-a, com medo do que ela poderia fazer consigo.

— Acho que me perdi. Explique-me porque você veio, ao invés de Mary? — ele resmungou, aguardando o elevador.

— Eu sei que a gente planejou que seria a Marnie a te ajudar, mas ela teve que ficar lá em cima. Parece que Lya teve uma madrugada difícil... — Han respondeu, mordendo a pelinha do lábio.

— Eu vi. — ele engoliu em seco. — SEXTA-FEIRA me avisou ontem, eu a levei para cima, apesar dessa restrição idiota...

Han assentiu.

— Eu só acordei com Bucky me cutucando, dizendo que nós deveríamos ficar com ela, porque ele estava com medo de que alguma coisa ruim fosse acontecer. — ela tomou um suspiro, adentrando o elevador. — Bem, eu espero que isso não aconteça. Temos agentes treinados protegendo os quatro cantos deste Complexo. Temos uma Valquíria com um cavalo alado, e temos a ajuda de uma nação de guerreiros. A Hydra, estando debilitada depois que um de seus últimos comandantes foi preso, não seria maluca de tentar alguma coisa. Eles não querem causar uma cena.

O loiro suspirou, assentindo.

— Ok, você venceu. Eu estou indo me arrumar, depois vou checar com Tony a nossa logística. — ela revirou os olhos. — Todo cuidado é pouco, Han!

— Ok, rei do drama. — resmungou.

— Você deveria pedir desculpas ao pobre do Thor, sabia? Aquela bebida é algo muito importante para ele... — disse-lhe.

A pequena fez um gesto de descaso.

— Nada a ver, ele tem mais escondido no apartamento dele. Isso é só drama. — respondeu-lhe, arrastando-o para fora quando as portas se abriram.

Os dois passaram pelo corredor, e por alguns segundos, ele se deteve em frente a porta de Anna, escutando o suave chacoalhar da água na banheira, assim como sentindo a suave fragrância dos sais de banho.

— Você acha que ajudaria se eu entrasse ali com ela? — murmurou para Han, que franziu o cenho.

— Provavelmente sim, mas você seria escorraçado de lá. É para ser um dia apenas dos dois, sabe? Cuidados pessoais e o escambau. A tortura já está acabando, bae. Em questão de horas vocês estarão casados. Vale a pena o esforço, não? — ela sorriu, fazendo-o sorrir também.

— Vale. — respondeu. — Vamos. Estou ansioso para ver o trabalho que vocês fizeram.

Ela jogou os cabelos para trás, se exibindo.

— Não é porque são minhas amigas, mas as meninas arrasaram na escolha da pessoa que reformou o seu traje. — Han tagarelou, enfiando o dedo dele no sensor, saltitando para adentrar o apartamento, onde a encomenda do alfaiate o esperava. — Nós achamos um tiozinho que reformava uniformes militares do século XX. Quando nós dissemos que era para você, o pobrezinho quase surtou.

Um sorriso tomou conta dele, que avançou para a caixa, abrindo-a. Seus olhos lacrimejaram ao ver seu antigo uniforme dos anos 40. Esse havia se tornado um de seus sonhos mais secretos: esperar a sua dama, no final do corredor, vestindo o traje formal do exército.

— Eu vou te deixar sozinho para se arrumar, ok? — Hanna se pronunciou, fazendo-o encará-la. Ela tinha um sorriso orgulhoso no rosto. — Grite se precisar de ajuda. Você sabe que o meu apartamento é do outro lado.

— Eu só não entendo uma coisa... como é que eu não ouvi? — brincou, fazendo-a revirar os olhos, para depois abrir um sorriso malicioso.

— Eu precisei isolar o apartamento inteiro, por conta dos meus pesadelos, por que a maioria deles têm a ver com fogo, e um revestimento contra incêndios é bem grosso... Bucky também tem um sistema parecido, mas ele é muito burro para usá-lo. Pelo menos, isso veio a calhar. — piscou. — Agora eu realmente preciso ir. Mais tarde, Nat ou Wan vão passar por aqui para te ajudar. Estou indo fazer o cabelo da noiva!

Só deu tempo de ele assentir, então, a pequena sumiu no corredor.

Lentamente, ele caminhou até a janela, observando o jardim colorido lá em baixo, soltando um suspiro quase que maravilhado ao vislumbrar o modo como o sol batia nas árvores, criando uma ilusão incrível. Se tivesse tempo, ele poderia desenhar sobre isso, como não tinha, confiou na tecnologia, tirando uma foto para depois.

Ele mal acreditava que estava se casando com o amor de sua vida, parecia que foi ontem, quando ele finalmente percebeu que realmente gostava dela, que aquilo não era simplesmente um carinho de amigo, como ele sentia por Nat e as meninas.

— O tempo para

A beleza em tudo o que ela é

Serei corajoso

Não deixarei nada levar pra longe

O que está na minha frente

Cada suspiro

Cada momento trouxe a isso —

— Sabe... já está ficando bem na cara que você está interessado nela. — Nat o assustou, fazendo-o pular no lugar.

— Ficou maluca, Natasha? Eu poderia ter quebrado o vidro! — ele resmungou, observando a garota, que dormia tranquilamente à base dos tranquilizantes que os médicos da SHIELD implantaram em seu organismo. — Você está vendo coisas demais...

— Steven, só cego não vê que um está interessado no outro! — a Viúva revirou os olhos, cruzando os braços.

— Nat, nós acabamos de nos conhecer. — Steve tomou um suspiro, procurando outro lugar para encarar, mas era difícil desviar os olhos da moça. — As coisas não funcionam assim.

Ela riu.

— Todo esse tempo que eu te conheço, senhor Rogers, eu nunca o vi se preocupar tanto com uma garota. — disse-lhe, fazendo seu pescoço e rosto queimar.

Ela estava praticamente morrendo, Nat. E ela é amiga do meu melhor amigo, é claro que eu me preocuparia... — sua fala morreu ao ver o sorriso de gato que pegou o canário.

— Você não sabia disso antes. — comentou astutamente.

— Eu... eu... mas ela é sua amiga. — ele arqueou a sobrancelha, fazendo-a gargalhar. — O que foi?

— Alguém já te disse que você é terrível em contar mentiras? — ela perguntou, tamborilando os dedos na estrutura de madeira que sustentava

Ele corou fortemente, desviando o olhar.

— De qualquer forma, ela jamais iria me querer. — encolheu os ombros. — Eu vi o jeito que ela ficou quando falou de Buck. Ela o ama, Nat. E assim como todas as garotas que passaram por mim, elas sempre o escolhem.

Ela suspirou, apertando seu braço direito.

— Mas com Peggy não foi assim, não é mesmo? — seu coração disparou, vendo o olhar decidido que sua amiga tinha no rosto. — Ela gostava de você do jeito que você era, antes do soro. — ele suspirou, mas permitiu que Nat continuasse. — Acredite em mim, eu a conheço desde pequena, e posso lhe afirmar com todas as letras que ela procura enxergar as coisas boas que cada um tem dentro de si. É por isso que ela não irá desistir de Barnes, assim como é facilmente possível que ela se apaixone por você. Os dois possuem espíritos iguais.

Ele suspirou audivelmente, encarando Lynna através do vidro.

— Você não vai deixar isso quieto, não é mesmo? — voltou a encarar Nat, que tinha um sorriso entendedor em sua face.

— Não. Porque meus pontos estão todos corretos. — ela respondeu, sorridentemente.

— Você é maluca. — ele resmungou.

— Mas pelo menos eu sou uma maluca com razão. — disse-lhe, beijando sua bochecha de maneira estalada.

Ela levantou-se, deixando-o sozinho no corredor, avaliando o perfil adormecido da amiga dela.

A jovem era uma garota bonita, e ele deveria saber bem que garotas bonitas sempre o colocavam em problemas. E esta, vinha com uma bagagem ainda maior.

Encostou sua testa no vidro, suspirando, fazendo com que o material embaçasse.

Mas ele estava irremediavelmente apaixonado por Lynna. E isso seria um problema quando reencontrasse Bucky, porque os dois tiveram uma história, e por mais que Nat tenha lhe dito que os dois possuíam espíritos iguais, Steve tinha medo de se decepcionar quando ela escolhesse seu amigo ao invés dele.

*

— Não olha agora. — Nat sussurrou perto de seu ouvido, enquanto ele lavava as mãos para adentrar a sala de estar. — Mas a nossa querida amiga está fazendo aquilo outra vez.

Aquilo o quê? — ela revirou os olhos, puxando seu queixo para mostrar-lhe os olhos arregalados de Sharon, enquanto Lynna limpava “casualmente” suas armas. — O que deu nela?

Natasha riu.

— Ciúmes, querido. — respondeu-lhe, amarrando os cabelos em cima da pia, ganhando um olhar estreito dele. — Ela age por impulso quando está com ciúmes de alguma coisa ou alguém.

Ele arqueou a sobrancelha, limpando suas mãos numa toalha.

— De mim?!

Natasha bufou.

— É claro que sim, Steven! Não seja burro! — ele revirou os olhos. — Ela começou a agir assim desde que você trouxe a Sharon para cá.

— Ela sabe que a Sharon gosta de garotas, não sabe? — ele perguntou, pegando seu prato.

— Eu não sei se ela está interessada em saber. Eu já tentei fazê-la enxergar isso, mas a bicha é teimosa como uma mula e vai continuar insistindo que não sente nada e... — o loiro se assustou quando a Viúva parou no meio do caminho. — Eu sei que ela sente. Essa é a nossa prova.

Ele ficou um tempo encarando a ruiva sentada na mesa de café, surpreso com a habilidade dela de conseguir limpar armas e amolar facas quase sem olhar o que estava fazendo, como se isso fosse sua segunda natureza.

Parte dele, sentia-se triste por saber que seu melhor amigo foi o seu mentor nisso, e a outra parte, lhe dizia que ele não deveria achar essa habilidade atraente, mas ele era um idiota.

Será que Nat está certa? Será que ela está mesmo com ciúmes de mim?

*

— Veio ralhar comigo por causa das facas? — ele se assustou um pouco ao vê-la acertar o alvo com tanta precisão. Às vezes, era fácil esquecer que Lynna, um ser costumeiramente doce, fora treinada para ser uma assassina.

— Na verdade não. — respondeu, tentando não aparentar seu medo. Ela o avaliava minuciosamente, como se ele tivesse algo que a incomodasse. Ele não havia feito a barba hoje, era isso? — Temos uma missão.

Seus olhos finalmente se encontraram, tirando o seu fôlego. Havia algo sobre o castanho-chocolate dela que o fazia queimar lentamente. Ele teve que se controlar para não corar como um adolescente de dezesseis anos. Ele era um adulto agora, tinha que agir como um.

— Que tipo de missão? Vai precisar de todo o time? — ela abaixou a arma.

Ele foi rápido em negar.

— Não. Apenas reconhecimento e coleta de informações. Talvez a extração de um suspeito — ele coçou a nuca, um gesto corriqueiro que costumava fazer quando estava ao redor dela. — Nat disse que vocês duas tiveram basicamente o mesmo treinamento, então estou confiando nas duas para isso. Eu e Thor seremos o seu backup.

O modo como sua sobrancelha se arqueava era quase perfeito. Combinava exatamente com o olhar astuto que ela tinha.

— Thor está aqui? — sua súbita felicidade ao falar do loiro asgardiano o incomodou um pouco. Além de Bucky, ele também teria que estar de olho em Thor agora?! Como ele poderia competir com esses dois?!

— Sim. — sua voz saiu mais seca do que o esperado. Droga! Ele precisava ser mais cuidadoso ao seu redor. E se ele fosse descoberto? Qual seria o seu nível de decepção se ela o rejeitasse? — Ele chegou hoje de madrugada. Ele precisa recuperar algo que pertence a seu irmão, e tem certeza de que está aqui na Terra, para isso ele precisa da nossa ajuda.

Seus belos cabelos balançaram de maneira graciosa quando ela assentiu.

Naquele instante, Steve disse a si mesmo que se um dia ele pudesse ter filhos, ele queria que seus filhos tivesse os cabelos avermelhados dela.

O quê?!

— E essa missão tem a ver com o que Thor está procurando? — cara, ele estava encrencado, já que cada movimento que ela fazia, por mais sutil que fosse, mexia com todos os nervos dentro dele.

— Não. Tem a ver com Hanna. — era bonito saber da conexão que as duas dividiam, por mais que ele jamais tivesse visto Hanna de perto, mesmo que ele sequer soubesse como ela se parecia. Os olhos dela brilhavam ao falar da garota que estava sob o domínio da Hydra. — Você nos disse uma vez que ela havia sido geneticamente modificada desde que era um embrião, e que isso a ajudou a sobreviver ao veneno. Sharon encontrou o rastro do cientista por trás do caso dela. Ele está de férias em Las Vegas, e é aí que nós entramos.

Foi só quando ele soltou as palavras, que percebeu o erro que ele havia cometido.

O brilho bonito que os olhos de Lynna tinham tornou-se praticamente homicida ao ouvir falar no nome de sua amiga. Ela começou a hiperventilar, pegando no cabo da arma com força suficiente para deixar seus nós dos dedos brancos.

— Lynna... Você está bem? — perguntou, preocupado com a sua reação. Ela não iria cometer alguma loucura, iria?

Ela virou-se lentamente para o loiro.

— Por que não pergunta para a porcaria da sua namorada? — agora ele havia entendido o que Nat dizia sobre ciúmes. — Mande ela ficar longe de Hanna. Ela é minha irmã. MINHA!

Ela saiu da sala, ainda apertando a arma. Ele ficou com medo dela fazer algo que iria se arrepender, por mais que seu coração dissesse que ela não atiraria em ninguém.

— O que deu em você, Lynna?! — ele precisava fazê-la voltar, ainda havia mais coisas para explicá-la sobre a missão. — Sharon só está querendo ajudar!

E naquele exato momento, ele percebeu havia fodido tudo.

A ruiva voltou-se para ele com um olhar assassino em seu belo rosto, empunhando a arma de fogo, que graças a Deus não possuía balas verdadeiras, mas ainda podiam causar uma dor excruciante.

Rapidamente, ele capturou seu escudo, colocando em frente ao seu corpo, antes que ela começasse a atirar contra ele.

— Para. De. Falar. Nessa. Argh! — estranhamente, ele teve uma vontade insana de rir, porque isso lhe fez lembrar de quando Peggy atirou nele por tê-lo visto beijando uma das senhoritas que trabalhavam para o pai de Tony. Naquela época, seu escudo ainda não possuía a pintura nas cores da bandeira.

Essa vontade morreu quando a pequena ruiva saiu chorando dali.

Ele quis correr atrás dela, mas a figura de Nat o impediu.

— Deixe-a ir. Ela precisa de um tempo sozinha, vai por mim. — ela falou, tomando um suspiro. — Agora você acredita no que eu estava falando?

Ele resmungou algo não muito bonito, encarando a amiga.

— Tudo bem, você venceu. — disse-lhe entre dentes, arrancando um sorriso dela.

— Acho que Sharon me deve cinquenta pratas. — Nat comentou casualmente, fazendo-o piscar.

— Vocês duas não prestam. — ele voltou a resmungar.

— Nunca prestamos, querido. — e com isso, os dois deixaram a sala.

*

— Eu sei que está acordada. — ele murmurou, depois de ter ouvido a dificuldade que Anna estava tendo para se manter silenciosa, agindo como se ele não tivesse sentido o espasmo dela ao acordar. — Quer que eu ligue o abajur?

Ela negou, balançando seus cabelos para cima de seus braços.

— Não precisa. — ele não gostava de vê-la com medo, principalmente de algo que vinha de sua mente, algo do qual ele não podia protegê-la como gostaria.

Sentou-se, na tentativa de pescar todas as emoções. Ele esperava que ela não tentasse enganá-lo outra vez.

— São os pesadelos, não é? Eles têm te atormentado muito essa semana... — sua testa estava quente quando ele varreu seus cabelos de lá.

— Como você...?

Riu, vendo o olhar tímido que ela havia lhe dado. Era nesses momentos que ele sabia que ainda havia inocência dentro dela, algo que eles não haviam tirado de si. E isso era bom, lhe fazia ser mais humana.

— Acha mesmo que eu não poderia senti-la se mexer? Eu consigo ouvir tudo, até mesmo os seus murmúrios. — sua voz saiu tranquila, apenas observando sua expressão, enquanto a respiração dela se reestabelecia aos poucos. — Eu fiquei quieto porque não queria assustá-la, ou deixá-la ainda mais desconfortável, mas depois de uma semana seguida, acho que devemos falar sobre isso.

Ela corou.

— Eu não queria incomodá-lo. Você também tem muitos problemas...

— Eu pensei que estivéssemos compartilhando nossos problemas. — seus músculos do rosto ainda estavam tensos por debaixo de seus dedos. Isso geralmente significava que o pesadelo foi extremamente brutal. Com o tempo, ele aprendeu a decifrar esses códigos que o corpo dela deixava transparecer milimetricamente. — Ainda somos um casal, não somos? — brincou.

Ela lhe deu um sorriso bonito, levantando-se, quase nivelando suas alturas.

— Eu espero que sim. — ela devolveu com a voz trêmula, apesar de estar sorrindo. Seu belo sorriso foi caindo aos poucos, como se ela estivesse se lembrando de algo particularmente doloroso. — São as visões. Eu as tenho com frequência. Contudo, não sei distinguir um pesadelo de uma visão. Tudo o que eu entendo é que eles vão acontecer, não importa o que eu faça... e são todos tão terríveis.

Droga. Como ele queria ter a habilidade de protegê-la disso, mas tudo o que ele podia fazer era ser o expectador do sofrimento dela. Ele nunca diria isso em voz alta, mas o dom da clarividência era um problema na vida da sua pequena.

— São apenas sonhos, princesse. — tudo o que ele podia fazer era tentar remediar o dano, por mais fútil e estúpido que soasse. Tocou o seu rosto com firmeza, usando os movimentos de seus dedos para acalmar a respiração dela. Seu coração parecia que iria sair pela boca. — São fruto da sua imaginação. Você está estressada, é natural que os pesadelos venham perturbá-la.

Ele não acreditava naquilo. Nem mesmo ela acreditava, o que era ainda mais doloroso.

— E se eles forem verdade? E se vierem mesmo atrás de mim? — sua fragilidade o quebrava. Ele nunca estava preparado para vê-la assim.

Suas mãozinhas frias apertaram sua camisa, ao ponto de rasgá-la.

— Eu a seguirei até o fim da linha. — aquela foi a declaração mais sincera da sua vida. Ele estaria ao seu lado para sempre, mesmo que ela não o quisesse lá. — Eu lhe fiz uma promessa. Ninguém encostará um dedo em você em quanto eu viver.

Ela soltou uma risada fraca.

— Eu sei. — sua voz vibrou contra seu peito. — Mas há uma única pessoa no mundo com quem você não vai conseguir lutar. — oh não. — Se eles despertarem a Pétala, você não pode me proteger de mim mesma. E você não vai lutar comigo.

Ele não gostava de pensar nessa parte.

Puxou-a para seu corpo, sentindo seu contorno envolvê-lo, enquanto ele a cobria com seus braços, na tentativa de lhe passar proteção.

— Então lutarei para que isso não aconteça. — beijou seu cabelo, sentindo o cheiro delicioso do seu shampoo. Ele literalmente poderia passar o dia inteiro cheirando-a e jamais enjoaria disso. — Agora venha. Você precisa descansar.

Ele procurou uma posição que fosse confortável para os dois, mas que ainda os deixasse conectados, por mais que ela fosse tentar chutá-lo para fora da cama em questão de minutos.

Lembrando-se de acender a luz, ele colocou-a contra o colchão, posicionando-se paralelamente a ela.

— Pensei que íamos descansar. — ela murmurou insolentemente, com a sobrancelha arqueada. — Você pretende me desestabilizar fisicamente para isso?

Ela era inacreditável! Mesmo morrendo de medo, ainda tinha humor para fazer uma piada dessas.

— Não. Na verdade, eu só ia acender o abajur. — respondeu-lhe, esticando-se para chegar até o abajur. — Mas se você quiser é só pedir. — deu-lhe uma piscadela.

Apesar de ela ter revirado os olhos, o rubor em seu rosto indicava que ela realmente estava esperando que eles fizessem outras coisas. Enfiou a cabeça em seu peito quando ele finalmente voltou a se deitar, apoiando o queixo em cima.

— Eu não peço, eu ordeno. É isso o que as princesas fazem, esqueceu? — balançou as sobrancelhas, fazendo-o rir, aquele tipo de riso que só ela podia retirar de si.

— Não, eu não poderia me esquecer disso, vossa alteza? — respondeu-a, entrando em sua brincadeira.

Percebendo sua mudança de humor, ele começou a distraí-la com besteiras, para depois, quando ela já estava bastante sonolenta, ele cantarolar a melodia daquela música russa de ninar. Sua avó costumava cantar para ela quando sua namorada era criança. Aquela mulher teve muitas influências boas em sua vida, e tudo o que ele podia fazer era manter a memória dela viva, porque isso fazia sua Anna bem.

— Um passo mais perto —

— Você está pronto? — Bucky apareceu na porta, vendo-o abotoar a camisa verde-oliva de seu uniforme de capitão. Ele também estava usando seu antigo uniforme, que parecia ao ponto de rasgar, devido à sua estrutura massiva. — Hanna me obrigou a tomar banho. Ela me disse que Anya estava cuidando de Lya no apartamento dela.

Steve suspirou, aprumando o tecido dentro da calça enquanto assentia para ele. Hanna é um pouco doida.

— Eu acho que estou. — respondeu-lhe por fim. — Quanto tempo falta?

— Uma hora. — o moreno checou em seu relógio. — Vamos descer?

*

— Algo velho, algo novo, algo emprestado e algo azul... — Natasha sussurrou em seu ouvido. — Nós já temos quase todos os nossos objetos, o que está faltando?

— Algo azul? — Lynna questionou, encarando sua face cansada no espelho. — Está faltando algo azul.

A Viúva respirou profundamente.

— Vou deixar as meninas cuidando de seu cabelo e maquiagem, enquanto eu procuro algo azul para completar o ritual. — disse-lhe saindo do quarto, enrolada em seu roupão preto.

— Ora, ora, que tal começarmos pelo cabelo? — Han perguntou, apoiando o queixo em seu ombro.

— Pode ser. — ela murmurou.

Sorrindo, a pequena abriu a caixa de acessórios para cabelo, retirando alguns grampos, pentes, escovas e o ferro de modelar.

Ela penteou seus cabelos, secou-os na potência mais alta do secador e fez cachos um tanto quanto apertados com o modelador, para ajudá-la no penteado.

Era como se os minutos não existissem, enquanto a mais velha observava o trabalho que Hanna fazia em seus cabelos, vez ou outra raspando suas unhas sob seu couro cabeludo. Ela gostava disso.

Ao seu lado, Wanda terminava de passar uma camada de base em suas unhas, colocando sua mão em cima da penteadeira para não borrar nada.

— Ok, eu vou ajudar Mary com as caixas de maquiagem. Vou deixá-las sozinhas agora, tudo bem? — ela disse, fazendo-a sorrir.

— Tudo bem Wan. — respondeu-lhe. — Vocês deveriam se arrumar também.

Ela riu baixinho.

— Estamos quase prontas. — a castanha respondeu. — Não se preocupe conosco.

Assentindo, Lynna viu a gêmea mais nova deixar o quarto.

Hanna pigarreou, puxando um cachinho para emoldurar seu rosto.

— Terminei. — ela disse sorridentemente, ajustando o cacho.

— Ficou lindo, Han! — a ruiva sussurrou, movimentando lentamente a cabeça para ver os padrões das intricadas tranças que compunham o penteado.

— Obrigada. — ela sorriu sonhadoramente. — Uh... o banho te ajudou a relaxar?

Lynna tomou um suspiro profundo.

— Na verdade não, mas eu estou bem melhor. — respondeu-lhe. — Como ele está?

Hanna riu, ajustando seu roupão azul.

— Uma pilha de nervos também. — lhe segredou. — Você acredita que seu primo sem noção queria embebedá-lo com hidromel asgardiano?

Ela arregalou os olhos.

— Mas ele não fez isso, né? — perguntou, desesperada.

Ela arrancaria o couro de Thor se ele tivesse feito qualquer atrocidade alcoólica contra o seu noivo.

— Não. — a resposta de Han lhe deixou mais aliviada. — Eu cheguei lá antes e joguei tudo fora.

— Você é mal. — disse-lhe, fazendo-a abrir um sorriso “angelical”.

— Olá meninas! — Mary chegou, com uma Wanda morrendo de rir atrás dela. — Vocês não imaginam o que aconteceu...

— Vocês não fizeram! — Hanna disparou, fazendo Wan gargalhar ainda mais.

— Vocês tinham que ver a cara de Steve quando eu cheguei lá. — Marnie riu, colocando a maleta de maquiagem em cima da sua penteadeira. — Eu disse a ele que você tinha fugido, daí Pietro começou a ligar a moto de James e ele surtou.

— Parem! — Lynna pediu, fazendo uma carranca. — Pobrezinho! — levantou-se, indo até a janela para vislumbrar o local da cerimônia, tendo apenas a visão da cabeleira loira do seu supersoldado. — Vocês são muito malvadas!

Marnie riu maleficamente.

— Foi mal, mas eu não resisti. — ela disse, fazendo um bico. — James me chamou porque ele estava quase colocando os bofes para fora, então eu dei um doce a ele.

— E como ele está agora? — a mais velha perguntou, movendo-se para dar espaço à caixa com o vestido.

— Ele está bem. — ela respondeu, sorrindo para a sua expressão ansiosa. — Vamos para a maquiagem? Logo estará na hora de se vestir.

Ela sorriu.

— Ok. — murmurou, voltando a se sentar. — Não borre.

Rindo, Marnie abriu a caixa de maquiagem, enquanto Wanda e Hanna desenrolavam o véu. O processo demorou pelo menos quarenta minutos. Seu nervosismo foi amenizado pelas besteiras que as meninas falavam, distraindo-a.

Como prometido, a ruiva anã fez nela a mesma maquiagem que ela havia feito em Steve, trocando apenas os tons de preparação de pele, pois Lynna era realmente quase translúcida.

Fazer o quê? Era falta de sol!

— Você está pronta? — Mary suspirou por fim, fazendo-a encarar-se no espelho, enquanto todas as meninas avaliavam a sua expressão.

— Não há como voltar atrás agora, não é? — murmurou, respirando fundo.

— Não. — Hanna respondeu, segurando seu ombro.

— Ok. — Lynna assentiu, arrastando a cadeira para trás. — Eu estou pronta.

Levantou-se, vendo Wanda e Mary seguirem para a caixa. Elas retiraram o vestido, enquanto ela retirava o roupão branco e felpudo. Ele fora colocado em cima da cadeira, deixando-a com a fina camisola de seda, que cobria seu conjunto de lingerie.

Como previamente instruída, ela colocou os braços para cima, protegendo o rosto e os cabelos, enquanto Wanda – a mais alta das três “ajudantes” – deslizava o vestido para o seu corpo, fazendo-a prender a respiração.

Seus braços ultrapassaram os buracos, deslizando até seus ombros. Finalmente, ela os abaixou, tocando o tule e a renda da saia, enquanto alguém abotoava o vestido em suas costas.

Ela se olhou no espelho, sentindo uma emoção arrebatadora.

Uma coisa era prová-lo “sem nada”, apenas para alguns ajustes. Era um tipo de emoção. Outra coisa, era vesti-lo com os acessórios certos, pronta para o grande dia. Não dava para comparar como ela estava se sentindo agora.

Ela soluçou, mas não chorou. Ela não queria arruinar a obra de arte que sua amiga havia feito.

Encostada na porta, Nat sorriu para ela, vestida de preto, como sempre, acentuando seus olhos claros com uma esmeralda presa em seu pescoço.

— Você está linda. — ela disse, fazendo-a sorrir. — Eu tenho algo para completar o ritual. — entregou-lhe uma caixa. — Leia antes de usar.

Assentindo, Lynna capturou o papel duro que estava por dentro da caixa de veludo, desdobrando-o.

A caligrafia ali era perfeita, digna de um artista. Do seu artista.

Não sei quantas regras estou quebrando aqui, mas vi isso numa vitrine e me lembrei de você.

Algo azul.

Use isto com o nosso colar.

— Steve.

Sorrindo de orelha a orelha, ela abriu a caixa, ofegando ao ver o conjunto feito de ouro branco com safiras.

Tremendo um pouco, ela retirou o par de brincos primeiro, apoiando a caixa na penteadeira para colocá-los em suas orelhas, ao lado das joias de vibranium que as adornavam. Depois, ela colocou o colar, que acomodou-se perfeitamente abaixo da sua lua crescente, como se tivesse sido feito especificamente para aquele lugar.

— Own isso é tão romântico! — as meninas choramingaram, apoiando suas cabeças.

Ela riu, assentindo, enquanto sentia suas bochechas pinicarem.

— Precisamos continuar. — Nat falou. — Ainda temos algo velho, algo emprestado e algo novo.

Revirando os olhos, Lynna voltou a sentar-se na cadeira, de maneira que não amassasse o seu belo vestido, observando Hanna retirar a coroa de sua mãe da caixa, para colocá-la no topo de sua cabeça.

Naquele momento, ela literalmente prendeu a respiração, sentindo uma vibração boa e ao mesmo tempo esquisita passando por seu corpo, como se estivesse consumindo-a de dentro para fora. Era quase como se a sua mãe estivesse ali, sorrindo para ela.

— Algo velho. — a pequena falou. — Com todo o respeito, tia Aleksanna. Mas é velho.

Isso lhe tirou uma risada alta.

Então, Marnie veio até ela, escorregando um solitário de ouro branco em seu dedo do meio da mão direita. Ele tinha uma pedra de rubi em seu centro.

— Algo emprestado. — ela piscou, fazendo-a sorrir.

— E... algo novo! — Wanda disse saltitantemente, abrindo uma caixa azul, mostrando-a uma cinta liga, mas não era qualquer cinta-liga, era uma cinta-liga nas cores da bandeira americana.

— Galera! — Lynna gemeu, fazendo um biquinho exausto. — Eu pensei que a brincadeira tivesse acabado no chá!

Elas riram.

— Garota, essa brincadeira jamais irá acabar! — Hanna respondeu, quase arregalando os olhos com o sorriso de vingança que a mais velha lhe deu.

A é? — perguntou-lhe em coreano. — Pois bem... eu farei questão de procurar qualquer coisinha relacionada a martelos. Você vai ver. — a morena simplesmente bufou, afastando-se dela. — Eu não vou vestir! — resmungou para as meninas.

— Vai sim! Nós não comprometemos o nosso disfarce para você fazer birra logo agora, Lyanna! — Natasha rosnou, acentuando seu decote ao cruzar os braços. — Você vai vestir essa cinta, nem que eu mesma tenha que fazê-la abrir as pernas para isso!

Rosnando algumas pragas em búlgaro, a ruiva mais velha capturou a cinta-liga para vesti-la por cima das meias.

Depois disso, ela calçou os sapatos, então, estava finalmente pronta.

— Missão cumprida. — Nat sussurrou, sorrindo emocionadamente, assim como as meninas. — Iremos terminar de nos arrumar. Enquanto isso, mandaremos uma mensagem para Bucky, ele vai ficar com você até chegar a hora.

Ela assentiu, momentaneamente sem palavras.

As quatro lhe abraçaram, cada uma dando-lhe um beijo.

Elas estavam prestes a sair, quando Wanda lembrou-se de algo crucial. O véu.

Rapidamente, ela posicionou o pente escondido no coque baixo que Hanna havia feito, prendendo os elásticos transparentes nas arestas da coroa, dando um peso sutil à sua cabeça.

Quando elas lhe deixaram só, a ansiedade voltou a si.

Ela levantou-se, tiquetaqueando seus sapatos pelo chão do quarto, agarrando o tule do vestido para não rasgá-lo com seus passos desesperados.

Quase sem ar, ela abriu a janela, fechando os olhos para receber o vento frio em sua pele, engasgando-se ao tentar bombear corretamente o ar de volta aos seus pulmões.

— Lya, você está bem? — a voz de seu irmão era como um bálsamo.

Rapidamente, ela voltou-se para ele, chorando suavemente ao vê-lo em seu uniforme militar.

— Não. — sussurrou, correndo para abraça-lo, tomando cuidado para não machucar nada. — Eu estou com medo, Buckie.

Ele sussurrou algo em romeno, beijando sua têmpora, enquanto esfregava a mão de carne em suas costas, na tentativa de acalmá-la.

— Está tudo bem pequena. — ele disse. — Você está segura aqui, e ninguém vai lhe tirar a sua felicidade. — então, o moreno carregou-a suavemente até a janela, segurando seu queixo para fazê-la olhar para as copas das árvores. — Em cada uma delas, há um homem, pronto para qualquer ameaça vinda dos céus. Abaixo... — ele guiou-a a enxergar os arbustos que cercavam a armação da cerimônia. — Também estão atiradores de elite, além de diversos agentes de campo. E os bárbaros da sua terra. E você tem a mim. Eu estarei o tempo todo do seu lado. Ninguém ousará tirá-la de mim.

Ela assentiu, afastando-se dele, caminhando lentamente até a penteadeira, para ver se havia algum dano na maquiagem. Quando não viu nenhum. Ela ficou parada no centro do quarto, sorrindo para a imagem certinha do seu irmão mais velho.

— Você parece bom o suficiente para comer, Sargento. — disse-lhe, piscando de brincadeira.

Ele riu, aquela risada fofa e contagiante.

— Seu noivo sabe que você flerta com outros caras? — rebateu, aproximando-se dela.

— Só se você contar. — brincou, alisando a saia. — Obrigada Buck, por tudo. — sorriu-lhe, estendendo a mão. Ele entregou-lhe a de metal. Aquele era o maior gesto de confiança em si mesmo que ele podia lhe dar. — Se você não tivesse me dado uma chance, eu jamais estaria aqui.

Ele diminuiu o espaço entre os dois, encostando suas testas.

— Eu não fiz nada demais. Os dois acabariam se encontrando de qualquer forma, tudo o que fiz foi acelerar o processo. — sorriu para ela. — Protegê-la sempre foi a prioridade, desde o dia em que aqueles soldados lhe jogaram na sela em frente à minha. — o lábio dele tremeu. — Agora você já é uma moça crescida e não precisará mais da minha proteção. É estranho, sabia? Espero que aquele punk cumpra com todas as promessas que ele fizer, ou eu vou quebrar os braços dele.

Ela franziu o cenho, mas riu baixinho.

— Eu sempre serei sua irmãzinha, Buck. — disse-lhe. — Não importa quantos punks apareçam. Você sempre será o meu primeiro cara. Não diga isso a Loki.

Ele riu.

— Bem, eu não vou nem olhar para ele. Seu primo está com raiva de mim porque eu roubei no jogo dos palitos, quebrando o meu de última hora. — ela arregalou os olhos, fazendo-o rir ainda mais. — E foi a melhor trapaça que eu já fiz em minha vida. Levar a minha irmãzinha até o altar.

Ela sorriu.

— Bem, ele vai entender. — disse-lhe apertando sua mão.

— Espero que sim. — respondeu-lhe. — Você está linda Lya. Se você não fosse um ser irritante, eu a roubaria para mim.

Ela revirou os olhos.

— Seu tratante. — resmungou, fazendo-o rir, mas ele foi cortado pelo barulho de seu celular. — O que foi? — ela perguntou preocupadamente, ao ver sua expressão ficar um pouco mais séria.

— Está na hora. — Bucky respondeu, fazendo seu estômago gelar. — Você está pronta, pequena?

Ela engoliu em seco, apertando a mão dele.

— Sim. — murmurou.

Lentamente, ele segurou em sua mão, guiando-a pelo apartamento, até o corredor. Os minutos que eles passaram esperando pelo elevador foi como uma eternidade. Se ela pudesse quebrar o vibranium, seus dedos teriam esmagado a mão dele.

— Acalme-se querida. — o moreno beijou sua testa. — Vai ficar tudo bem.

— Não me deixe cair, Buckie. — ela pediu, enlaçando seu braço.

— Nunca, princesa. — ele disse, beijando novamente sua testa. — Vamos, ou Natasha arranca o meu couro.

Assentindo, eles cruzaram o hall, que estava enfeitado com diversas flores, adornando a entrada do Complexo, como se a primavera já tivesse chegado, trilhando o caminho até o arco que a separava de seu futuro marido.

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Nat a esperava no final da trilha, segurando um bonito buquê de peônias brancas e rosadas, violetas, rosas cor-de-rosa e alguns sopros de bebê para adornar, assim como algumas folhas, enrolados em arame floral.

— Garota... você conseguiu me deixar sem palavras. — ela sussurrou, puxando delicadamente véu para cobrir o seu rosto. — Mas não se sinta tão especial.

Lynna riu, respirando fundo para não chorar.

Com mais um sorriso, Nat entregou-lhe o buquê e ela apertou o braço de metal de Bucky, vendo-a adentrar o arco.

— Quando você quiser. — seu irmão sussurrou para ela.

— Agora. — respondeu.

Ele assentiu para a banda, que começou a tocar a musica que ela havia escolhido para a sua entrada.

— Eu tenho morrido todos os dias esperando por você

Querida, não tenha medo

Eu tenho te amado por mil anos

Te amarei por mais mil

E o tempo todo eu acreditei que te encontraria

O tempo trouxe seu coração pra mim

Eu tenho te amado por mil anos

Te amarei por mais mil —

No fim do corredor, o loiro vestido num uniforme verde-oliva a esperava, tão bonito quanto no primeiro dia em que eles haviam se conhecido.

Ela sorriu, fazendo-o sorrir também, com lágrimas nos olhos.

Todos os seus amigos estavam ali, sorrindo para os dois, mostrando-os sua felicidade. Era um público pequeno a ocupar as cadeiras adornadas de flores e faixas suaves, mas era o seu publico. A sua família, aqueles que estiveram ao seu lado nos tempos difíceis. E era isso o que importava.

A cada passo, seu coração se acelerava ainda mais.

Eles haviam passado por tanta coisa para chegar até aqui, que parecia um sonho impossível.

Sua mão direita apertou o braço de Bucky, que simplesmente sorriu para ela de maneira encorajadora, assentindo para que os dois continuassem até chegar ao “altar”, onde Tony Stark, no ápice da sua excentricidade, estava no lugar de mestre de cerimônias.

Apesar da religião de Steve ser cristã, e de ela também ter sido criada nessa religião, um padre jamais aceitaria casar uma pessoa que é filha de um deus de outra religião e cultura, não é mesmo?

Os dois optaram por se manterem simples, como era o propósito deles desde o começo: um casamento civil. E calhou de que aquela criatura espalhafatosa com um sorriso de serial killer tinha licença para isso. Ela não sabia como, mas ele tinha. Foi por isso que ele não havia entrado na “disputa” para quem seria o padrinho/testemunha dos noivos.

Seus olhos focaram em seu noivo, que olhava para ela como não existisse mais ninguém.

— Oi. — ele sussurrou quase que inaudivelmente, fazendo-a tremer um pouco.

— Oi. — ela respondeu, trêmula.

O momento foi quebrado por Bucky, que pigarreou.

— Cuide bem dela, punk. — disse-lhe de maneira séria. Tipo, muito séria. — Você nunca vai encontrar alguém tão preciosa.

Ela mordeu o lábio, controlando o choro.

— Acredite em mim, eu sei disso. — o loiro respondeu, segurando sua mão como se ela fosse feita de porcelana. Ele inclinou-se para beijar a sua mão. — Você está linda.

Ela sorriu.

— Você também não está nada mal. — murmurou de volta, subindo no altar, enquanto Bucky ia para o lado de Steve com Mary, que sorriu ao segurar o seu buquê. — Agora que eu sei que o meu excelentíssimo irmão roubou nos palitinhos, eu acho que você também me roubou na escolha de padrinhos.

Ele riu baixinho, negando com a cabeça.

— Não sei do que você está falando. — ela estreitou os olhos para ele, piscou. — Eu ganhei porque ele foi meu amigo primeiro.

— Bem, você é centenário, então não há muito o que fazer. — alfinetou-o, fazendo-o rir suavemente.

Tony pigarreou, atraindo toda atenção para ele.

— Bem caros companheiros, estamos aqui reunidos para celebrar o amor. — por que tão dramático? — Um amor, que é capaz de quebrar barreiras, superar limitações e vencer as dificuldades da vida. — ele tomou um profundo suspiro. — Eu não sou nenhum líder religioso, ou um religioso, ou sequer tenho licença para tal, mas estou aqui para dizer algumas palavras sobre o que eu presenciei sobre o amor ao observar nossos amigos, Lyanna Stefanya e Steven Grant.

Ele não fez...

— Eu sei que em nosso mundo, amar alguém não é uma coisa fácil. — o moreno voltou a falar, ignorando seu olhar estreito para ele, por tê-la chamado pelo nome que ela não gostava. — Mas não vou dizer que vocês são as pessoas mais fáceis do mundo. — eles riram, assim como seus amigos. O mestre de cerimônias respirou fundo outra vez. — Em nosso mundo, amor é uma fraqueza. E vocês dois fizeram dele a maior força que ambos podem compartilhar. — o lábio dela tremeu, fazendo-a apertar a mão de seu noivo, que olhou para si com um belo sorriso. — O que começou pequeno, como uma fagulha, lentamente tornou-se uma chama que não pode ser apagada, enquanto os dois estiverem dispostos a alimentá-la. Diante de mim, estão dois guerreiros incansáveis, persistentes, que resistiram às barbaridades para chegarem até aqui. Hoje, vocês se tornarão um só na lei dos homens, mas sob os olhos dos deuses, vocês já são um desde o dia em que se viram pela primeira vez.

Seu amigo sorriu para eles, assentindo.

Então, leves sinos começaram a tilintar, combinando com a música suave que a banda tocava, fazendo com que os dois virassem, para encontrar a cena mais fofa do mundo.

A cabritinha Lya trotava suavemente pelo tapete vermelho, involuntariamente espalhando pétalas e glitter pelo chão, colorindo o ambiente com a cestinha que estava amarrada atrás dela. Ela usava um tutu de tule branco com as bordas rosa, assim como uma pequena coroa de flores sendo segurada por seus pequeninos chifres.

A pequena abria caminho para o seu cachorro, Mike, que estava usando um terno verde-oliva assim como o de seu pai, carregando uma cestinha na boca. Seus pelos foram escovados, e alguém passou um pouco de glitter holográfico em seu corpinho, fazendo-o cintilar para as luzes das lanternas que iluminavam o cair da noite.

Por fim, sua afilhada surgiu no caminho, sendo segurada pelo seu irmãozinho Nathaniel, que ajudava-a a carregar outra cestinha. Ela usava um vestido branco com detalhes rosa bordados, formando um padrão de pequenas margaridas. Já Nate usava um conjunto preto, com direito a lencinho elegantemente bordado, e uma margarida branca apregada ao seu bolso frontal.

Os dois pararam ao lado de Mike, foi quando a pequenina de um ano de idade pegou a cestinha e estendeu-a para Steve, que soltou-se dela e ajoelhou-se para ficar quase do tamanho da menininha, beijando seu cabelo ao pegar a cestinha, que continha uma caneta preta nela.

Lya colocou a mãozinha gorducha em frente aos seus lábios e soltou um beijinho para os dois, fazendo-a se derreter.

Ela iria roubar aquela criança para si. Estava determinado.

Sorrindo, o loiro retirou a caneta, colocando a cesta em cima da mesa, ao lado do livro do cartório que eles deviam assinar.

Ele estendeu a mão para si, ajudando-a a subir os dois degraus que os separavam de Tony, que tinha um sorriso satisfeito no rosto.

Steve foi o primeiro a assinar seu nome, conforme eles haviam sido instruídos quando o juiz veio ao Complexo algumas semanas atrás. Logo após ele, vieram Mary e Bucky, que eram as testemunhas dele.

Quando Lynna foi assinar seu nome, sua mão tremeu e ela quase borrou a letra, se não fosse pelo aperto que ela havia ganhado de Hanna, que tinha um sorriso orgulhoso em sua face. A pequena assentiu para ela, que ganhou um pouco mais de segurança na escrita e finalmente registrou o seu nome.

Depois dela, Han e Thor assinaram, sendo as suas testemunhas.

Pelo canto de seus olhos, ela avistou Loki revirar suas bolas esverdeadas, provavelmente resmungando alguma coisa sobre ele ainda não ter documentos terrestres como seu irmão tinha. Foi só por isso que ele se tornou a sua testemunha.

Agora era oficial. Segundo a lei, eles estavam casados.

Tony sorriu, pigarreando logo em seguida.

— Todos sabem que certas vezes, atos valem mais que palavras. Mas palavras ditas com o coração são mais fortes do que qualquer coisa, sejam elas para o bem ou para o mal. — ele disse, fazendo-a engolir o bolo que se formava em sua garganta. — Aqui e agora, abram seu coração. Contem um para o outro as palavras que tanto seguraram desde que se conheceram.

Steve pegou suas duas mãos, olhando intensamente para ela.

Ao contrário de fazê-la parecer pequena, ela se sentiu como se estivesse adornada de ouro e brilhantes.

— Anna... — ele sussurrou o seu apelido quase que inaudivelmente, fazendo suas bochechas formigarem. — Quando eu fui retirado do gelo, me dei conta de que havia perdido exatamente tudo. Não havia mais ninguém que eu conhecia, e minha única família estava morta. — suas mãos apertaram um pouco as dela, que suspirou audivelmente, sincronizando-se com ele, como se só houvesse os dois ali. — E mesmo que eu tenha encontrado pessoas maravilhosas em meu caminho, o mundo não tinha a mesma cor, até você chegar em minha vida. Involuntariamente, você ganhou um espaço importante dentro de mim. Sua graciosidade e o fogo que há em seus olhos me encantaram e eu já era seu no momento em que você me tocou pela primeira vez, eu só não tinha me dado conta disso ainda. Pela primeira vez em setenta anos, eu tive esperança. — seu sorriso a fez engasgar, sem perceber que ela estava derramando algumas lágrimas. — Você é parte de mim princesa. Quase perdê-la tantas vezes me fez perceber que isso daqui... — ele pegou sua mão direita e colocou-a em cima de seu peito, fazendo-a sentir seus batimentos cardíacos. — Não funciona direito se eu não a tiver do meu lado. Eu te amo. Muito. Mais do que eu posso colocar em palavras. Você é o meu infinito.

Sua testa encostou-se na dela. Se ele não estivesse segurando-a, ela teria caído ali mesmo.

Com sua mão direita ainda repousando no peito do loiro, Lynna sugou o ar, jamais desviando o olhar daquelas pedras preciosas.

— Eu era quebrada quando eu o encontrei. Não que eu ainda não seja... — ela riu um pouco amargamente. Ele fez carinho em sua mão com o polegar. — Mas especialmente naquela época, tudo era ainda mais escuro para mim. Eu não sabia o que era amor, além do que eu sentia pela família que eu havia adotado. Tudo o que eu sabia sobre isso, era que me enfraqueceria. O amor era um veneno, e eu sou imune a qualquer tipo de veneno, menos a você. — o pomo de adão do loiro subiu e desceu. — Seus olhos foram a primeira coisa pela qual eu me apaixonei. Eles me lembravam como o céu de casa costumava ser, depois, o seu coração inocente me deixou encantada. Eu nunca tinha conhecido alguém com a alma tão pura quanto a que você tem. — sem desviar o olhar, ela tateou até segurar a mão esquerda dele, suspirando ao tentar buscar mais palavras dentro de si. — Confesso que no começo, eu tentei afastá-lo, porque eu não queria vê-lo machucado por minha culpa. Talvez tenha sido por isso que a maldita tenha achado uma brecha para me infernizar. — ela esticou a mão para embalar seu rosto barbeado, acariciando a maçã dele com o polegar. — Mas nem mesmo ela conseguiu me separar de você. Hoje eu sei o porquê. Fomos moldados um para o outro, mesmo antes de nascermos. Eu tive a sorte de encontrar a única alma que se encaixa exatamente na minha. — sorriu, sentindo as linhas do rosto dele se pronunciar quando ele sorriu para ela também. — Você foi paciente comigo, mesmo quando eu não mereci. Você ficou ao meu lado, mesmo quando eu o humilhei. Eu não te mereço, e mesmo assim, você me ama. E eu te amo, profundamente. Meu companheiro de alma.

Ela sequer ouviu as palmas. Estava presa num limbo, onde só ela e Steve habitavam.

Os dois ficaram em silêncio pro alguns curtos minutos, apreciando um ao outro.

— Agora, Mike... — Tony chamou o golden retriever, atraindo a atenção do casal. Seu pequeno galgou graciosamente os degraus, sentando-se em frente aos seus pais, enquanto segurava a cestinha com uma caixa de veludo azul. — Faça as honras Cap.

Steve soltou-se dela lentamente, ajoelhando-se para pegar a caixa, acariciando a cabeça do cachorro deles, que se inclinou para o seu toque, encarando-o com seus belos olhos de caramelo.

O loiro pigarreou, abrindo a caixa azul, retirando a aliança mais fina, num tom suave de ouro.

Sendo encorajado por Tony, ele tomou um longo suspiro antes de segurar sua mão esquerda, que estava tremendo e provavelmente suada.

— Lyanna, receba esta aliança, como prova de meu amor. Eu prometo-te ser fiel. Amar-te e respeitar-te. Na alegria e na tristeza. Na saúde e na doença. Na riqueza e na pobreza, por todos os dias de minha vida. Até que a morte nos separe. — ele disse firmemente, colocando a aliança próxima ao anel que foi da mãe dele. Estranhamente, a aliança encaixou-se perfeitamente nele. — Eu te prometo que ninguém vai te machucar outra vez enquanto eu viver. — o loiro sussurrou, apertando sua mão.

Ela assentiu, sorrindo para ele, então afastou-se um pouco dele, capturando a aliança grossa.

— Steven, receba esta aliança, como prova de meu amor. Eu prometo-te ser fiel. Amar-te e respeitar-te. Na alegria e na tristeza. Na saúde e na doença. Na riqueza e na pobreza, por todos os dias de minha vida. Até que a morte nos separe. — disse-lhe, colocando a aliança onde costumava estar a que ela havia lhe dado de noivado. — E eu te prometo que vou tentar não me machucar como eu fiz antes. — sussurrou apenas para que ele ouvisse. — Eu vou tentar viver.

Seus olhos se encontraram e ambos sorriram.

— Bem, se alguém é contra esta união, que fale agora ou se cale para sempre. — Tony falou.

Alguém pigarreou.

Seus olhos se voltaram para Mary, que tinha a mão levantada.

— Seja lá o que for, eu não vou deixar você apertar a bunda dele. — Lynna disse, não tão sutilmente afastando Steve dela.

— Não que eu não tenha pegado, mas... — a ruiva anã respondeu, colocando o cabelo para trás. — Tony, querido, precioso, amor da minha vida. Levando em conta tudo o que o nosso querido casal sofreu, você quer mesmo fazer essa pergunta?! — ela fechou os olhos, rindo, sendo acompanhada por seus amigos. — Já ouviu falar que as palavras atraem?!

Rindo, o Homem de Ferro tentou se defender.

— Faz parte dos ritos de todo casamento!

— Pula logo para o final! — Marnie disse, fazendo uma careta para ele.

— Ei, não pode! Pare esse casamento! Este homem é o pai dos meus doze filhos! — Sam gritou, fazendo todo mundo gargalhar.

— É verdade, eu estava lá. — Pietro gritou também, colocando lenha na fogueira.

— Vocês querem calar a boca?! Eu estou tentando realizar um casamento aqui! — Tony gritou de volta, fazendo-os acenar para ele.

— Então termina logo. Ele está me devendo a pensão dos meus filhos. — Sam disse, se sentando.

Lynna franziu o cenho para Steve, que deu de ombros.

— Não olha para mim, ele confundiu os supersoldados! — disse-lhe.

— Ei! A cor dos cabelos nem é igual! — Bucky protesto, fazendo-os rir.

— DE QUALQUER FORMA... — Tony cortou a brincadeira dos dois. — Pelo poder a mim investido pelo estado de Nova York, que eu ganhei num curso online, mas isso não vem ao caso... — eles riram, negando com a cabeça. — Eu os declaro casados. — uma onda de assovios se deu. — Satisfeitos? O noivo pode beijar a noiva.

Ainda rindo, Steve mergulhou para beijá-la. Ele colocou o véu para trás, puxando-a contra o seu corpo.

O tempo parou.

Ela não reconhecia mais nada, a não ser os lábios dela e os do loiro, movendo-se em sincronia, mais uma vez provando que eles foram moldados um para o outro.

Todos os esforços que eles fizeram valeram a pena.

— FINALMENTE! — Natasha, sendo uma peste, gritou, atraindo algumas risadas, fazendo-a quebrar o beijo. — Vocês também sentiram um peso saindo dos ombros de vocês?

— Eu juro, vou bater na cara dela. — Lynna sussurrou contra o peito do loiro.

— Eu não posso dizer que sou a favor disso. — ele lhe disse, fazendo-a rir.

— Hora dos confetes! — Hanna gritou, retirando um rolo do nada, abrindo em cima deles.

E com isso, os convidados bateram palmas, fazendo-a sorrir.

— Vamos! Eu quero comer bolo! — Han insistiu, saindo do altar.

Como eles haviam treinado, os noivos foram à frente, “abrindo” a festa, que seria numa tenda branca enorme, montada no gramado, também próxima ao lago.

Assim que eles pisaram lá dentro, a iluminação mudou.

Ela retirou seu véu e a coroa, colocando-os seguramente numa poltrona perto de onde seus amigos haviam se sentado.

Então, uma música suave começou a tocar, embalando-os.

— Está pronta para a nossa primeira dança, senhora Rogers? — Steve perguntou, estendendo a mão para ela.

Lynna arqueou a sobrancelha.

— Contando que o senhor não pise no meu pé... — brincou, colocando sua mão na dele.

— Eu não vou. Minha professora fez um excelente trabalho. — ele disse com uma piscadela.

— Que bom que você acha isso. — disse-lhe, permitindo-se ser levada para o centro do salão. — Todo mundo está olhando para nós.

Ele riu baixinho.

— Bem, talvez se de ao fato de que somos os noivos? — sussurrou, roçando seu nariz no dela.

— Eu ainda não consigo acreditar que estamos casados. — ela sussurrou de volta, balançando seu corpo conforme a música. — Parece um sonho.

— Não é. — o loiro sussurrou, apertando sua mão, enquanto a rodopiava. — É bem real.

— E se... — seus olhos se arregalaram.

— Não se preocupe com eles, amor. — Steve encostou a testa na dela. — Ninguém vai te machucar.

Ela suspirou, encostando a cabeça no peito do seu marido.

Dela.

Finalmente, depois de tanto tempo, eles venceram.

— Um passo mais perto —

O início da noite se passou tranquilamente.

Eles jantaram uma comida deliciosa, feita pelo Buffet que Tony havia contratado.

Quando a sobremesa dela estava prestes a acabar, Nat apareceu na sua frente com um sorriso enorme.

— Olá pombinhos. — ela falou, apoiando-se na mesa.

— Querido, me diga outra vez... por que eu tenho medo de Natasha? — Lynna perguntou, levantando os olhos para Steve, que parou o garfo no meio do caminho.

— Por que ela parece estar prestes a te comer viva? — ele franziu o cenho.

— Você sabe tudo sobre mim! — a mais velha comentou, apertando a bochecha dele, fazendo a Viúva revirar os olhos.

— Está na hora do noivo retirar a cinta-liga da noiva. Os convidados solteiros estão ansiosos. — ela apontou para os seus amigos, vendo Tony forçar Bruce a levantar o braço, acenando.

Coitado. Ele estava vermelho como um pimentão.

— Que pena. Eu acabei rompendo o elástico sem querer, sabe...? Força de deusa... — deu-lhe uma desculpa esfarrapada.

Nat arqueou a sobrancelha.

— A é...? — ela literalmente se ajoelhou, apertando sua coxa direita, fazendo-a pular na cadeira. — Eu ainda estou sentindo ela aqui. Pare de graça e se levante! A festa tem que ser perfeita!

Lynna olhou para Steve com cara de “me ajuda, por favor”, mas ele apenas teve tempo de arregalar os olhos, antes que Natasha retirasse-a do seu lugar, para sentá-la numa cadeira no centro do salão.

— Sorria, linda. Não é o fim do mundo! — ela disse.

A mais velha encarou-a com um olhar assassino.

— Eu vou arrancar todas as suas tripas com as minhas próprias mãos. — respondeu-lhe, irritando-se ainda mais quando ela apenas fez um gesto de descaso.

— Não vai não, para de graça! — ela disse. — Pronto mocinho, agora você escolhe, você sobe a saia ou entra debaixo?

— Por baixo! — os dois disseram de uma vez só, fazendo-a rir.

— Bem bizarros. — ela disse, se afastando.

Vermelho dos pés à cabeça, Steve ajoelhou-se à sua frente.

— É como tirar um band-aid. — disse-lhe, fazendo-a assentir. Ainda vermelho como um pimentão, ele levantou um pouco a sua saia, fazendo um volume esquisito nela ao entrar por baixo. Seus amigos idiotas tiravam foto. — Mas o que é isso?!

— Steven, você só tem um trabalho: tirar a merda da cinta-liga. Então faça isso caladinho! — Lynna disse com urgência. Com um pouco de dificuldade, ele retirou a maldita cinta-liga com os dentes. — Não olha para mim. — ela resmungou, cruzando os braços. — A culpa foi inteiramente de Natasha e Wanda, e suas mentes maliciosas.

Ele encarou-as, mostrando a peça monstruosa. As duas sorriram e acenaram para ele, que revirando os olhos, jogou a cinta para trás.

— Uh, vocês são muito bizarros. — Tony gritou, girando a porcaria da cinta no dedo indicador.

— Pega, e fica caladinho. — Lynna resmungou de volta, permitindo que Steve lhe ajudasse a se levantar. — Pelo menos agora vai o buquê.

Sorridentemente, ela pegou o buquê de cima da mesa, enquanto suas amigas se separavam.

— Ei Hanna, para onde a senhorita pensa que vai? — Mia a chamou, vendo Han tentando escapulir pela borda da tenda. — A senhorita é solteira também, tem que ficar para tentar pegar o buquê, mocinha!

Nota mental: dar um beijo em Mia. Ela salvou a minha surpresa.

Contrariada, Han cruzou os braços, fazendo bico, enquanto ficava ao lado de Natasha no grupinho.

Sorrindo como uma predadora, Lynna virou-se de costas, levantando os braços quando as meninas começaram a fazer a contagem regressiva.

3... 2... 1...

Quando ela estava prestes a jogar o buquê, sua postura de virar-se e começar a caminhar até as meninas assustou-as, principalmente Hanna, seu maior alvo.

— Sai de perto de mim! — ela rosnou quando Lynna esticou a mão para entregar-lhe pessoalmente o buquê. A criaturinha estava vermelha dos pés à cabeça. — Para!

— Por que eu deveria parar? — a mais velha perguntou, abrindo a mão dela para segurar o buquê. — Eu não tenho o direito de entregar o meu buquê à minha irmãzinha?

— Ok. — ela revirou os olhos, mas sorriu. — Eu não deveria ter te contado aquilo!

Elas se abraçaram.

— É claro que deveria! — resmungou. — E mesmo que não tivesse, eu teria te dado de qualquer forma, porque eu queria te fazer ficar irritada.

— Eu vou te queimar! — Han resmungou de volta. Rindo, as duas se separaram. — Fecha os dentes, Mary Elizabeth, ninguém te chamou...

Mary a ignorou, abraçando-a com força.

— Eu quero ir. — ela disse, ainda agarrada a Hanna.

— Eu juro que eu vou...

— Quem pegou o buquê? — Sam apareceu na tenda com uma garrafa de vinho. Ela, Natasha, Marnie e Wanda apontaram para Han. — UHUL! Com quem será, com quem será...

— Termina a música, Samuel. Vamos ver se você vai ter coragem... — a pequena estreitou os olhos para ele.

— Eu tenho medo de você. — o Falcão resmungou, colocando o vinho em cima da mesa.

Ela abriu um sorriso “angelical”.

— Já que a merda está feita... que tal tirarmos foto? — a pequena perguntou, erguendo o buquê.

*

Quando já passava das dez horas da noite, os convidados começaram a se despedir.

Dentre eles, ela ficou surpresa ao ver a maioria de suas meninas lá, assim como alguns membros das famílias delas.

A princesa de Wakanda também apareceu, representando seu irmão, que estava em um congresso internacional, mas que lhes mandou todas as suas felicitações, o que foi amável da parte dele.

Até mesmo Nicholas Fury estava presente!

Ele e Maria ficaram para se reunir com os outros.

O que mais lhe surpreendeu foi ver a figura de Johnny Storm, que estava lá com todo o Quarteto Fantástico, com as bochechas rosadas e uma senhorita loira segurando seu braço. A todo o momento, ele observava Hanna cortar um pedaço de filé, encarando-o com um sorriso filho da puta no rosto.

— Eu não acredito que a Han enviou um convite para ele na cara dura! — Lynna sussurrou para Steve assim que seus aliados se retiraram. Ele riu, erguendo o queixo orgulhosamente. — Espera aí, foi você?

— Por que o espanto, meu amor? — ele arqueou a sobrancelha. — Eu tinha que convidar nossos amigos, eles nos ajudaram tanto... eu tive que ir lá pessoalmente, é claro...

Ela negou com a cabeça.

— Acho que você tem que se afastar de Hanna. — concluiu. — Você está ficando meio sádico, isso é preocupante.

Ele abraçou-a de lado.

— Não precisa ter medo, princesse. Um pouco de competição é saudável. — piscou. — Você não pode tirar isso de mim.

Ela revirou os olhos.

— Vocês dois tem problemas. — resmungou, sentindo o cheiro suave de amaciante que fora usado para lavar o uniforme dele. — Ambos precisam controlar esse ciúme que sentem por mim.

Ele beijou sua testa.

— Não fique tão arrogante, querida. — murmurou contra sua pele.

Ela resmungou, afundando o nariz no tecido macio do terno dele.

— Eu estou com uma vontade insana de saber o que tem por baixo deste uniforme, Capitão. — sussurrou, beliscando a parte inferior de suas costas, fazendo-o rir.

— Falta pouco, minha senhora. — ele disse, encostando a testa na dela, embalando-a suavemente, conforme à musica sendo tocada. — Só precisamos nos despedir de todo mundo, então iremos para um lugar mais reservado. — seus narizes se roçaram. — E amanhã estaremos nos aposentando para umas “férias” merecidas. O que você me diz.

Ela suspirou, enrolando-se nele.

— Perfeito. — respondeu, cantarolando a melodia da música.

— Um passo mais perto —

— O que nós vamos fazer? — Tony perguntou, sentando ao lado de Pepper. Ele e Steve tinham acabado de se despedir do pessoal que estava trabalhando na festa. — Nós não temos mais martelo para levantar... como iremos passar o tempo?

Você é que não tem um, né querido? — Marnie disparou, ganhando um olhar estreito de Han.

— Erm... Hanna, agora eu fiquei curioso... você vai mesmo se casar? — o moreno de olhos castanhos voltou a falar, fazendo a pequena arregalar os olhos, ajustando a sua posição na cadeira, imaginando que ele tivesse pegado-a no flagra, cutucando cegamente a mão de seu namorado/noivo. — Lynna não te daria diretamente o buquê se não tivesse algo por trás.

— Quê? — engasgou-se.

— Tony, desde quando você viu a Hanna com alguém? — Natasha arqueou a sobrancelha. — Ela sempre está no laboratório dela, e se ela não está lá, está brincando com a gente e depois vai direto para casa. Se não fosse pela gente arrastá-la para os bares da vida, ela jamais iria sair! Ela é quase uma santa!

Nisso ela, Bucky, a própria Hanna, Mary, Steve e Wanda começaram a rir descontroladamente, fazendo a Viúva ficar com uma cara de interrogação.

— Eu não sei em que mundo você vive, Nat, mas Hanna é tudo menos santa. — Wanda falou, finalmente conseguindo tirar sua sandália vermelha.

— Eu sei, amor. Eu só queria saber que ela iria finalmente nos contar, ou eu seria obrigada a fazer Lynna falar exatamente tudo o que ela viu naquele laboratório... — Nat respondeu, sorrindo insinuosamente para ela.

— Como vocês sabem? — a pequena perguntou-lhes, franzindo o cenho.

— Eu acho incrível que vocês sempre esquecem que eu tenho poderes mentais, não é mesmo? — Wanda arqueou a sobrancelha, fazendo Hanna corar dos pés à cabeça. — Eu posso não ser como a esquisita dali. — apontou para Mary, que fingiu uma cara ofendida. — Mas eu sei de tudo o que se passa na mente de vocês, seus bizarros. Às vezes eu não consigo controlar. Vocês são muito altos.

— Ok, alguém pode me situar? Eu me perdi. — Tony disparou, franzindo o cenho. — O que está rolando com a Hanna, gente?

Nat apoiou o queixo nas mãos.

— Você quer contar, ou quer que eu conte o que eu vi nas câmeras de segurança do corredor ao lado do seu laboratório, no dia em que Lynna chegou morrendo de rir de alguma coisa, sendo que o único lugar onde ela esteve foi no seu laboratório, dona Hanna...? — disparou, quase sem respirar.

— Se ferrou esquisita. — Marnie arqueou a sobrancelha, cruzando os braços. — Você não vai poder fingir demência agora.

A pequena gargalhou, então tomou o suspiro.

— Ok, ok. Acho que não dá mais para a gente se esconder. — ela disse, ajustando o buquê, então olhou para Thor, que deu de ombros, pegando carinhosamente o mindinho que ela havia esticado para ele. — Nós estamos juntos.

— O QUÊ?! — Tony cuspiu o vinho que ele estava tomando, começando a tossir compulsivamente. Pepper começou a bater nas costas dele. — COMO ASSIM?! VOCÊS SE ODEIAM!

Ela riu.

— Você tem certeza? — arqueou a sobrancelha. — Eu não acho que você deveria sair por aí acreditando em tudo o que você vê e ouve... — ela começou a cutucar um detalhe de seu vestido amarelado.

— Eu só acredito vendo! — ele cruzou os braços.

— Querido, eu vi. Você tem certeza de quer mesmo ver? — Lynna se pronunciou, arqueando a sobrancelha para ele, que se endireitou no sofá.

— Pera aí... aquele negócio do “pernas de galinha” é sobre eles?! — ele gritou, arregalando os olhos quando os envolvidos começaram a rir.

— Sim. — ela respondeu, limpando as lágrimas dos cantos dos olhos.

— Cara, esquece isso. — Hanna resmungou, aproveitando que se “revelou” para jogar as pernas em cima de seu pobre primo, que começou a massagear os tornozelos dela.

— Querida, eu não posso esquecer. Ninguém que viu o que eu vi vai poder esquecer! — dramatizou, esticando-se para se aquecer em Steve, quase praguejando por ter escolhido um vestido sem mangas. Mas o plano era para ela se casar no verão, então... — Está fixado nas minhas memórias, e às vezes, do nada, isso passa... — ela estreitou os olhos para Mary, que estava morrendo de rir. — Eu não acredito que é você.

— Foi mal, às vezes eu fico tentando desver o que você viu e acabo fazendo você lembrar do sentimento... — sorriu.

— Por que cargas d’água você quer saber sobre isso?! — Hanna questionou, cruzando os braços.

— Eu não quero saber, colega! — Marnie protestou. — Acontece que tem certas emoções que são muito altas para mim e elas se materializam em minha mente sem permissão alguma!

— Ok, ok. Beleza. Deixando os detalhes de lado... Quem mais desse time está escondendo um relacionamento?! — Tony se pronunciou. — É melhor falar agora, ou eu vou começar a monitorar todos vocês com a SEXTA-FEIRA!

— Anthony Stark, isso não é coisa que se faça! — Pepper o repreendeu.

— Mas eles estão nos escondendo tudo, Pep! — ele dramatizou. — A começar com Mary! Ela foi a pioneira nisso!

— Atá! — ela resmungou. — Eu não tenho culpa se nós queremos só privacidade!

Ele fez uma carranca.

Wanda pigarreou.

— Bem... Visão e eu estamos juntos. — disse, cutucando as unhas. Todo mundo olhou para ela com cara de “é sério isso?”. — Que foi gente, vocês querem saber quem está escondendo um relacionamento ou não?!

— A gente quer é alguma novidade, Wanda. — Steve lhe respondeu, bocejando.

A castanha arregalou os olhos.

— Como...? — sua pergunta morreu com o sorriso de Hanna.

— Visão saiu contando para todo mundo que vocês dois estavam juntos, mas ele pediu segredo de ‘geral’ para que você não se sentisse mal por isso. — ela lhe respondeu.

Aquele dia foi engraçado. Ele saiu conversando com todos e pedindo conselhos tal...

Visão era de longe o ser mais inocente que ela conhecia, apesar de ele não fazer coisas tão inocentes com a sua namorada...

Era uma pena que os seus estudos com Helen ainda não tenham acabado. Eles estavam em Seul há mais de três semanas. Ela disse que precisava ajustar alguma coisa no berço e como ele foi o primeiro experimento literal com o dito cujo, ela havia se enfurnado em seu laboratório. Nada poderia tirá-la de lá.

— E eu que sinceramente esperaria essa atitude de Thor... isso é bizarro. No entanto, bastante fofo. Eu nunca imaginei os dois como um casal. — do nada, a voz de Nick Fury saiu abafada, fazendo metade do povo distraído gritar de susto.

— Cacete! Como é que pode?! — Han gritou, inclinando-se para ver o diretor da SHIELD deitado no sofá com as mãos apoiando a cabeça. Ele sorriu para ela, acenando. — Desde quando você estava aqui, ouvindo a nossa conversa?!

— Faz um bom tempo. — Fury deu de ombros, se sentando. — À propósito, estou lhe comunicando que já me convido para o seu casamento.

A pequena estava chocada demais para corar.

— Ah! Ainda tem isso... — Tony refletiu, esticando o pé por cima da perna de Pepper, apenas para fazer uma careta indignada quando ela deu uma tapa nele por causa disso. — Vocês vão se casar?

— Não, a gente vai roubar um banco. — Hanna respondeu com toda a sua classe. — Não está óbvio?

— Também não precisa amolar os seus coices em mim. — o moreno de olhos castanhos respondeu, fingidamente ofendido. — Ei Nat... como você se sente tendo perdido 500 dólares à toa?

A Viúva inclinou-se na cadeira, mexendo o vinho em sua taça.

— Por que você acha que eu descobri sobre esses dois ladrõezinhos? — arqueou a sobrancelha. — Eu comecei a desconfiar durante a aposta.

— Nós não roubamos nada. O negócio era nos tratarmos civilizadamente durante dois dias. — Thor saiu em defesa da pequena delinquente. — Nós cumprimos o acordo e ganhamos a aposta. — ele deu de ombros.

— Você pode avaliar o que a convivência não faz, não é mesmo? — Tony estreitou os olhos, negando com a cabeça. — Por falar em convivência... há quanto tempo vocês estão escondendo isso?

Han suspirou, então voltou a se sentar, com a cabeça apoiada no ombro do loiro mais alto.

— Desde que voltamos da Ucrânia. — ela respondeu, fazendo todo mundo que ainda não sabia (por assim dizer) arregalar os olhos.

— Caramba, por que vocês demoraram tanto para nos contar? Nós não mordemos! — Nat chiou.

Han deu-lhe um sorriso tranquilo, quase doce.

— No começo, nós não queríamos desviar a atenção. O foco era a Hydra, e Lya. — ela encarou seu primo mais velho, que assentiu para ela. — Depois, há uma certa adrenalina em esconder um segredo sabia...? — suspirou, cutucando seu joelho. — Nós decidimos contar a todos quando todos os assuntos em relação ao casamento estivessem acertados. Ainda tem a coroação e coisa e tal...

— Misericórdia! Eu esqueci completamente de que Thor é rei! — Tony disparou. — Isso significa que Hanna se tornará uma rainha, o que significa que ela será ainda mais insuportável do que ela normalmente é!

— Lya eu vou dar na cara dele! — Han resmungou, cruzando os braços.

— Por mim você pode! — Pepper deu de ombros.

— Cadê o amor? — o moreno perguntou.

— Cara, para de ser dramático! — Nat revirou os olhos. — Nick, onde Maria se meteu?

— Eu estou bem aqui. — Hill se pronunciou do outro lado do sofá. — Só estou chocada demais para fazer uma aparição. — ela esticou a mão. — Hanna, querida, eu só tenho uma pergunta sobre a logística da situação...

— Cabe. — a pequena revirou os olhos, cruzando os braços.

— Ok. Não era sobre isso, mas... respondeu bastante coisa e deixou bastante duvidas. — a agente disse divertidamente. — Ademais, já tenho tantas ideias.

— Não tantas quanto eu. — Natasha se pronunciou. — É uma pena que as meninas tenham ido embora...

— Vocês são bizarras. — Lynna fez uma careta. — Deixem o meu bebê em paz, ela precisa um pouco de tranquilidade, apesar de não merecer...

Hanna ia protestar, quando Sam e Pietro apareceram na tenda, carregando duas garrafas de champanhe cada um. Um sorriso aterrorizante se apossou da face dela. No mesmo instante, suas pernas desceram e ela se colocou reta na cadeira.

— Vocês estão pensando o mesmo que eu, não estão? — ela perguntou encarando todo mundo. Até Steve tinha um sorriso travesso na cara, e isso a assustou. Ele realmente deveria parar de andar com Hanna por um tempo. — Por favor, diga que estão!

Wanda levantou a cabeça e estreitou os olhos.

— Eu estou sempre disposta a fazer aquela duplinha de besta. — disse-lhe.

Fury piscou seu olho direito, o que significa que a vida desses pobres coitados estava prestes a se tornar um inferno literal.

— Eu não acredito que vocês dois passaram esse tempo todinho na adega. — Nat comentou, pegando uma das garrafas, encostando em Bruce, que acordou de supetão.

— O que foi? O que eu perdi? — ele perguntou, atordoado.

— Nada, depois eu te conto. — Tony disse para ele, que assentiu.

— Voltando ao assunto da adega... — Sam falou. — É quase impossível achar algo naquela bagunça!

— Culpe Hanna! É ela quem anda assaltando minhas bebidas! — o bilionário resmungou.

— Então... eu não tive culpa desta vez. — ela empinou o nariz. — Eu só funciono com uma dose de vodka por dia, é o meu jeitinho.

Ele estreitou os olhos e cruzou os braços.

— Galera... — Lynna se pronunciou depois de um tempo. — Vocês viram Loki? Eu não vejo ele desde o buquê...

Thor franziu o cenho.

— Ele deve ter entrado, ou alguma coisa assim. — ele respondeu.

— Eu preciso falar com ele. — ela se levantou, ganhando um olhar preocupado de Steve. — Está tudo bem. — sorriu-lhe. — Eu tenho uma faca e SEXTA-FEIRA. Nada pode me machucar.

Assentindo, ele soltou sua mão, permitindo-a levantar a longa saia do vestido, enquanto afundava um pouco os seus saltos na grama para ultrapassar a tenda até chegar à entrada do Complexo outra vez, que mais parecia um breu.

Olhou para cima, encontrando o deus emo sentado em seu lugar favorito da varanda do terceiro andar.

Respirando fundo, ela adentrou a estrutura, indo até o elevador.

Ele teve a dignidade de levantar a cabeça, sorrindo suavemente quando a viu atravessar o espaço.

— Você não estava à vontade para socializar? Eu fiz alguma coisa de errado? Está com raiva de alguma coisa? — ela disparou inseguramente, aproximando-se dele, que se levantou.

— Não eu não estou com raiva de nada. — Loki respondeu, limpando seu traseiro. — Na verdade, eu acho que só queria ficar sozinho... toda essa comoção de casamento é melancólica demais para mim...

— Hoje de madrugada você me disse que jamais poderia ter a pessoa que ama... tem a ver com isso? — ela perguntou suavemente, avaliando sua reação.

— Você tem um ouvido bom para coisas que as pessoas não querem que você pegue... — ele sussurrou, corando. — Sim, tem a ver com isso também. E não porquê eu estou com raiva de Barnes por ter me enganado com a droga dos palitos, por mais que eu tivesse adorado levá-la ao altar. Você está linda, digna de uma princesa.

Ela sorriu, puxando-o para um abraço.

— Obrigada. — sussurrou de volta. — Eu adoraria poder me virar em duas para favorecer a todas as minhas pessoas favoritas, mas infelizmente isso não é possível.

— Isso é verdade. — ele disse. — Contudo, eu entendo que James é alguém importante para você. Ele esteve do seu lado quando eu não pude, e eu serei eternamente grato a ele.

Ela se afastou do moreno de olhos esverdeados, ainda sorrindo.

— Dance a minha segunda dança comigo. — sussurrou, afastando-se o suficiente para puxar suas duas mãos. — Só você terá esse privilegio.

Ele riu.

— Bem, então acho que posso me aproveitar disso. — disse-lhe, colocando uma de suas mãos na cintura dela, enquanto ela enrolou uma mão no ombro dele, começando a bailar lenta e graciosamente.

— Sobre o seu antigo amor... — ela voltou a falar, observando a reação de seu primo mais novo. — Um dia eu serei digna de saber o que aconteceu...?

Ele suspirou.

— É um amor impossível. — respondeu-lhe. Seus olhos ficaram tristes. — Ele veio conosco de Asgard. Um amor antigo, entende? — ela assentiu.

— Se ele está tão perto, por que vocês dois não podem ficar juntos? — franziu o cenho, rodopiando pelo piso da varanda.

O moreno baixou os olhos.

— Ele não entende o meu sentimento e ele é casado. Deixou isso bem claro da última vez em que nós nos encontramos... — ele não é gay. Isso pesou seu coração. — O pior de tudo, é que ele não ama a esposa dele e continua me iludindo, me dando esperanças de que ainda podemos ficar juntos...

Que filho da puta!

Ela iria arrancar a cabeça desse arrombado se ele continuasse fazendo Loki sofrer. Da próxima vez que ela for à NA, ela irá descobrir quem é esse cara, apenas para dar um soco bem dado nele! Talvez ela peça a Hanna um pouco do fogo dela, apenas para aterrorizá-lo...

— Infelizmente nós não escolhemos por quem nós nos apaixonamos, não é mesmo? — ela sussurrou, parando de dançar para segurar o seu rosto. — Eu não gosto de te ver sofrendo assim, Loki.

Ele deu-lhe um sorriso triste.

— Nem eu quero, mas é impossível me afastar! — riu amargamente. — Lhe dá uma visão completamente distorcida do vilão que eu era antes, não é?

— Você não é um vilão! — ela disse firmemente, segurando seu rosto um pouco mais apertado para enfatizar isso. — Você não é um vilão. — disse mais uma vez, fazendo-o sorrir.

— Eu sinto muito não ter sido tão presente em sua festa. — sussurrou, meio que desviando-se do assunto. Ela não iria pressioná-lo. — Eu só... eu não queria desmerecê-la Lya, só... — ele engoliu em seco, lutando contra as lágrimas. — Era um pouco demais para mim

Ela sorriu suavemente, beijando seu rosto.

— Eu não estou brava. — disse-lhe. — Na verdade, eu estou. Mas não é com você. — ele arregalou os olhos. — Eu quero bater na cara desse filho da puta. Da próxima vez que eu for à Nova Asgard, eu vou saber quem ele é, nem que eu tenha que investigar!

— Não! — Loki disse em pânico. — Você não precisa fazer isso por mim.

— Somos uma família, doce rena. E de onde eu venho, a família protege um ao outro. — ela ergueu o queixo. — Esse cara vai se arrepender de ter machucado a minha.

Ele estremeceu.

— Eu realmente aprecio isso, mas... por favor... dói. — sussurrou.

Ela puxou-o para si, sorrindo ao senti-lo apertá-la com força.

— Tudo bem. — ela finalmente falou. — Mas isso não quer dizer que eu vou parar de olhar por você, está me ouvindo? — ele resmungou positivamente. — Eu não irei mais importuná-lo com isso, a não ser que seja extremamente necessário.

— Ou seja, você não irá esquecer. — Loki resmungou.

— Nem fodendo. — Lynna afirmou.

— O que eu fiz para te merecer? — ele se afastou de si, sorrindo para ela. — Espero que Steven saiba valorizar a mulher incrível que você é. Senão eu irei fazê-lo engolir aquele frisbee gigante, aquele velho irritante... como você aguenta conviver com ele? Ele não tem nenhum senso de humor!

Ela ia respondê-lo, quando alguém pigarreou.

— Ao contrário do que você pensa, Loki. Eu tenho sim senso de humor. — Steve protestou, encostado displicentemente à quina da parede.

— Não parece! — seu primo rebateu.

— Vocês não vão brigar, vão? — ela disparou, meio que se colocando entre os dois.

— Por que eu iria gastar o meu inglês perfeito com ele? — Loki arqueou a sobrancelha. — Afinal de contas? O que faz aqui? Veio ouvir a nossa conversa?

O loiro revirou os olhos.

— Eu não ouvi nada, apenas vim chamar a minha esposa. — seu coração avançou um pouco com aquela palavra. — Está na hora, querida.

Sorrindo, ela assentiu.

Loki puxou-a para um abraço.

— Se cuide. Eu estarei pronto para qualquer sinal que você me der. — ele disse. — Uma palavra, e eu posso fazê-lo se arrepender de ter nascido.

— Não vai ser preciso. — ela afirmou. — Até mais Loki.

Ele sorriu e beijou sua testa, sussurrando um “até mais”.

Então ela caminhou até o seu loiro, que enrolou-a em seus braços, caminhando até o elevador.

Lá embaixo, o time lhes esperava com sorrisos enormes.

Pepper e Wanda foram as primeiras a cumprimentá-los, desejando muitas felicidades. Cada uma foram cambaleando de sono para seus respectivos quartos, fazendo-a sorrir.

Pietro e Sam vieram depois, também sumindo no corredor.

Então, Nat apareceu.

— Vocês sabe que eu sempre acreditei nos dois, não sabem? — ela sorriu, apertando a mão de ambos. — Me dá orgulho de saber que eu fui o cupido. Não vou negar que há uma sensação de dever cumprido...

— Ei, bonita. Quem disse que você foi o cupido deles? — Bucky praticamente gritou, fazendo Natasha encará-lo com a sobrancelha arqueada.

— Pare de estragar a despedida alheia, Barnes! — ela gritou de volta.

— Se não fosse por mim, esses dois idiotas jamais estariam juntos! — ele protestou. — Eu joguei ela da varanda e ela foi te procurar!

— Mas eu apresentei os dois, é o que conta! — Nat cruzou os braços.

Steve encarou-a com um olhar preocupado, afastando-a dos gestos exagerados da Viúva.

— Não conta não! — o moreno de olhos azuis rebateu. — Se eu não tivesse ajudado Lya a fugir, ela jamais teria ido ao seu encontro, o que significa que os dois jamais teriam se conhecido, então, isso faz de mim o único cupido!

— Por que os dois não podem ser os cupidos? — Lynna perguntou, ganhando um olhar de assassinato de ambos.

— Só pode haver um cupido. — Natasha disse com ódio no coração. — E esse sou eu.

— Puta que pariu, assim não dá para chegar num acordo! — Mary resmungou, se intrometendo na conversa. — Ou os dois são, ou ninguém é. Porque se não fosse PELOS DOIS, essas duas criaturas não teriam se envolvido, beleza? — eles abriram a boca para protestar, mas ela os bloqueou. — E indo mais além, ouso dizer que vocês dois só foram instrumentos do destino, porque segundo todo o contexto onde esses dois estão inseridos, eles poderiam ter se apaixonado lutando um contra o outro por causa da Hydra, ou terem se conhecido através de Thor, que provavelmente contaria tudo sobre o seu mundo e apresentaria sua prima fodona para o time, então... parem que ‘tá feio.

Bucky e Nat fizeram uma careta.

— Por que você sempre estraga nossos prazeres? — a Viúva resmungou, fazendo Marnie jogar seus cabelos para trás.

— Porque eu sou uma diva. Agora, deixem os pobrezinhos em paz! Eles só querem vazar daqui para fazer o fondue deles quietos! — misericórdia! — Felicidades, meus amores! Vocês merecem. — por fim, Mary os abraçou.

— Eu amo que ela nos faz passar vergonha, mas dá um beijinho por cima. — Lynna comentou. — Obrigada florzinha.

Ela sorriu, dando caminho para Bruce e Thor cumprimentá-los. Eles sumiram numa direção oposta a que os outros fizeram, deixando-a um pouco desconfiada, mas não o suficiente para começar a pirar sobre isso.

Bucky, largando o orgulho de lado, se aproximou deles.

— Vocês vão se cuidar, certo? — eles assentiram. — Stevie, lembre-se que Lya tem medo de altura, então eu vou te matar se alguma coisa acontecer com ela. — o loiro arregalou os olhos para a objetividade quase cirúrgica com que ele havia falado aquilo. — Lembre-se de passar bastante protetor solar, independente de ser inverno. — ele falou olhando para ela, que assentiu. — Eu não quero que você fique queimada de sol, sua pele é muito sensível. — seus olhos arderam com a preocupação exagerada dele. — E tem outra coisa... — ele cutucou os bolsos. — Hanna me obrigou a comprar isso. — ele retirou um pacote de camisinhas sabor cereja da calça. — Ela disse que vocês iriam precisar de mais, mas disse que isso seria o suficiente para começar...

Lynna estreitou os olhos para a pequena, que conversava distraidamente com Tony.

Ela pegou o pacote de camisinhas e jogou na cabeça dela, fazendo-a gritar de susto.

— Você pode precisar mais do que eu, maninha. — sorriu-lhe “amorosamente, fazendo-a estreitar os olhos. — Eu não sei se você já leu algum livro sobre mitologia nórdica, mas meu querido primo não é somente o deus do trovão, é o da fertilidade também. — Seus amigos, sendo as pestes que eles eram, começaram a assoviar, fazendo a criatura de amarelo corar dos pés à cabeça. — Vingança é uma vadia do mal querida, você deveria saber disso.

— Lyanna, entra naquele carro antes que eu rasgue o seu vestido. — Hanna sibilou.

— Ui, que meda. — ela zoou, correndo para trás de Bucky quando a pequena sacou uma faca do éter.

— Ok. O papo está bom, mas está ficando tarde. — Tony se pronunciou. — Devemos permitir que nossas crianças caminhem para o seu ninho de amor, seja lá onde ele esteja...

E com isso, os cinco os abraçaram coletivamente.

— Ai Hanna, você poderia parar de beliscar o meu traseiro? — Steve resmungou um pouco amassado.

— Se você não pode enxergar, velho, eu estou do lado da noiva. Meu braço não é tão longo. — ela resmungou de volta, com a cabeça enfiada em seu peito.

— Tony! — o loiro voltou a resmungar.

— Desculpa, foi irresistível! — todos encararam ele. — Que foi? Ninguém nunca teve essa vontade esquisita de beliscar essa bunda? Essa será a última chance...

— Pode ir retirando essas mãos cheias de dedo da bunda do meu marido! — Lynna protestou, batendo no braço dele. — Vamos querido, e não se misture com essa gentalha.

— Tu estas me chamando de gentalha?! — Marnie protestou. — Quanta consideração!

— Até mais Mary Elizabeth, a não gentalha! E não comam os meus doces, senão as consequências serão severas! — ela voltou a falar, rebocando Steve para o carro.

— Você tem certeza disso? — Bucky arqueou a sobrancelha, fazendo-a praguejar em russo. Ela já havia esquecido que ele sabia sobre o seu vibrador...

Mostrando-lhe o dedo do meio, ela deixou para resolver essa treta quando voltasse.

O loiro ajudou-a a entrar no carro, fechando a porta logo em seguida.

— Até mais meus cremosos! — Tony gritou. — Não quebrem nada!

— E não gemam tão alto! — Hanna completou. — As pessoas não precisam saber que vocês são esquisitos.

— Esses carinhas matam alguém de vergonha! — Lynna sussurrou, fechando o vidro da janela quando o carro entrou em movimento.

Sua barriga gelou um pouco, fazendo-a ter mil paranoias sobre ser alguém da Hydra que estava dirigindo o veículo, porque nada poderia ter dado tão certo em sua vida...

Parecendo sentir o seu estresse, Steve apertou sua mão gelada na dele.

— Está tudo bem, amor. — ele sussurrou contra seus cabelos. — Ninguém vai machucar você.

Ela assentiu e se inclinou contra o calor dele durante toda a viagem.

Happy os deixou em frente a um hotel cinco estrelas, onde eles deveriam passar a sua noite de núpcias, para amanhã viajarem para um lugar escolhido pelo seu noivo, coisa que a deixou mais curiosa do que tudo no mundo.

O check-in já havia sido feito algumas horas antes por Pepper, auxiliando-os ainda mais no processo.

O gentil motorista de Tony lhes desejou felicidades, entregando-os o cartão da porta para que eles não ficasse do lado de fora, coisa que eles totalmente fariam, porquê nenhum dos dois havia lembrado desse detalhe.

De mãos dadas e ignorando os olhares que eles haviam ganhado, os dois foram para o elevador, digitando o número do andar onde ficava a suíte que fora reservada no nome dos dois.

Ao finalmente chegarem lá, Steve passou o cartão na tranca e pegou-a no colo, fazendo-a soltar um gritinho de surpresa, antes de rir baixinho com a expressão que ele tinha em seu bonito rosto.

— Esse é um novo começo, minha violeta. — ele sussurrou, roçando seu nariz no dela.

Ela sorriu, bicando seus lábios.

— De fato. — ela sussurrou de volta, esticando a mão para acariciar a pele macia do rosto dele. — E eu estou feliz de estar tendo essa experiência com você. Meu primeiro amor.

Ele sorriu, mergulhando para beijá-la, e com isso, aproveitar para avançar alguns passos para adentrar o quarto, oficialmente iniciando mais um capítulo na vida dos dois.

— Eu tenho morrido todos os dias esperando por você

Querido, não tenha medo eu tenho te amado

Por mil anos

Te amarei por mais mil

E o tempo todo eu acreditei que te encontraria

O tempo trouxe seu coração pra mim

Eu tenho te amado por mil anos

Te amarei por mais mil —

Notas finais
É isso, a turma já pode gritar um finalmente :D Links: https://66.media.tumblr.com/b2da7b01ad8ca569c4002b50634d983a/tumblr_pwt1zvDzTd1thj513o2_540.jpg https://66.media.tumblr.com/5153ed5d2043d4096d61661185aa6425/tumblr_pwt1zvDzTd1thj513o3_540.jpg https://66.media.tumblr.com/6dd5d6598ad588d4fa4983ff061a2a47/tumblr_pwt1zvDzTd1thj513o4_540.jpg https://66.media.tumblr.com/9064b45d414ae1240f4912c831646f03/tumblr_pwt1zvDzTd1thj513o5_540.jpg Até breve! :D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.