The British Royal Family
3 Conversas
Notas iniciais
Palácio de Westminster
A prataria do palácio era tão limpa, que se podia ver o reflexo dos rostos pairando sobre ela. Como Mia descobriu isso? Por que passara os últimos vinte minutos encarando a mesma. Sua avó e os pais do príncipe haviam engatado uma conversa sobre o mercado financeiro da Europa e não pararam desde então. Chris estava do seu lado direito e o noivo a sua frente. Depois que ela havia agradecido as flores que recebera, parecia que o clima tinha ficado ainda mais constrangedor. Não tinha coragem de quebrar aquele silêncio que se instalara, por isso, havia decidido permanecer quieta. Talvez aquela cena acabasse mais rápido se ninguém prestasse realmente atenção nos noivos. Mas pelo visto, não era essa a intenção dos pais do noivo.
— Então, querida Mia. Como vão suas aulas no internato? Minha filha, Lucy, está muito empolgada com sua matéria. — Daiana perguntou, com animação.
— Oh, sim. Lucy realmente se mostrou muito entusiasmada. É uma ótima garota. Seus amigos também . Todas as turmas são excelentes, na verdade. O nível acadêmico deles é com certeza o melhor. — Mia respondeu, polidamente.
— E em breve começaremos um projeto para levar educação de alta qualidade para as escolas públicas. Mia está organizando um grande projeto para colocarmos em prática até o próximo ano. — A rainha-avó contou.
— É verdade, princesa? — Isaac questionou, interessado.
— Sim, é verdade. Acredito que todos devam receber a mesma base de educação. Não é por que os garotos do internato são membros da família real que devem receber algum tipo de privilégio.
— Bem, é uma ideia... Interessante. — Daiana falou com amargo na boca.
— Fale um pouco mais sobre esse projeto. Tenho muito interesse em obras como esta. — Liam disse, de repente. Houve um momento de silêncio.
— Pois bem, se trata de...
Passado o momento inusitado, onde Liam finalmente havia dirigido a palavra diretamente para Mia, todos voltaram a respirar livremente e conversar sobre banalidades, enquanto a princesa explicava seu projeto ao noivo. Dessa forma, tudo correu tranquilamente até o fim do jantar. O príncipe logo se retirou da mesa, seguido por seus pais. A rainha também já havia ido, quando Mia e Chris foram para o escritório do segundo andar. Não era o qual a avó trabalhava, parecia mais uma enorme biblioteca. Se sentaram em divãs e divagaram sobre os eventos do dia.
— Eu já não aguentava mais ouvir aquelas mulheres falando e falando. Estou começando a ficar mais entediado do que nunca com esses eventos. — Chris reclamou.
— São obrigações sociais, Chris. Eu não posso fugir delas. Sabe que minha avó quer que eu participe dessas convenções das mulheres da sociedade.
— Tudo bem. Nós vamos começar a inventar desculpas melhores para sairmos desses eventos. — Eles riram.
O príncipe estava inquieto em seu quarto. Não conseguia dormir, seu cérebro estava trabalhando sem parar. Pensando em tudo que ocorreria nos próximos meses com aquele casamento. Sentiu sede e resolveu descer para buscar um pouco de água na cozinha. Foi até o local, pegou um copo e quando estava voltando para o quarto, ouviu uma conversa vindo de um dos cômodos do palácio. Observou por uma pequena fresta, Mia sentada de frente para Christian, os dois riam de alguma coisa que o mesmo tinha dito. Sabia que não deveria ficar ali ouvindo a conversa dos dois, ainda mais por que poderia ser descoberto, mas não resistiu em comprovar que toda cena do jantar havia sido somente uma encenação. Queria provar que a princesa não era aquele poço de bondade e caridade que todos diziam. Então, continuou ali, ouvindo tudo atrás da porta.
— Você quer que eu fique conhecida com a Rainha das Desculpas? Não seria um título muito legal. — Mia questionou, rindo.
— Tanto faz, bela. Tudo que peço depois de um dia como esse é minha enorme cama para boas e longas horas de sono.
— Você dormiu o bastante durante o torneio de polo, não reclame.
— Ok. Mas, mudando de assunto... O que achou do primeiro jantar com seu noivo?
— Tenso. — Ela fez uma careta. — Minha avó e os pais dele pareciam que iam me devorar. Já o príncipe, em sí, não posso dizer muito. Eu falei muito mais do que ele durante todo o jantar.
— Também o achei muito calado. Mas convenhamos que a situação de vocês dois não é a mais normal de todas. — O stylist relembrou. Liam prestou mais atenção. — Casamento arranjado é tão século vinte!
— Você sabe o que eu penso disso... — Mia murmurou, passando as mãos nervosamente pelos cabelos. — A chance disso dar errado é...
— Eu sei, bela. E me parte o coração saber que isso pode ir muito mal.
— Eu já me conformei, Chris. A única coisa que eu quero é levar isso da forma mais tranquila possível. Sem conflitos, brigas ou problemas. Resistir não vai servir de nada, por que a decisão já foi tomada pela minha avó.
— Só nos resta saber se o príncipe Liam está disposto a ser tão passivo quanto você, bela.
— Tudo isso seria muito mais fácil se ele também estivesse disposto a não complicar a situação. Quero dizer, assim evitaríamos problemas, não é? Mesmo que nunca chegue a ser um casamento de verdade, não há por que nos detestarmos. Nós não pedimos por isso, mas aconteceu.
— Concordo completamente, amada. Mas não sabemos o que se passa pela cabeça de seu noivo neste momento.
Liam afastou-se da porta e seguiu de volta para seu quarto, silenciosamente. Estava surpreso com as palavras da princesa. Esperava desmascará-la, enquanto ela não soubesse que estava sendo ouvida, mas o que encontrou foi algo totalmente diferente. Não que estivesse totalmente convencido da postura da mesma, porém, algo em suas palavras parecia muito sincero. Mia não queria o casamento tanto quanto ele, entretanto, estava disposta a fazê-lo menos horrível possível. Ele se deitou, sem conseguir tirar aquela conversa da cabeça. Demorou horas até conseguir dormir.
Mia levantou-se cedo no dia seguinte. Teria alguns compromissos durante o dia e não poderia faltar. Aprontou-se rapidamente e desceu para o café da manhã. Parecia que ninguém havia acordado ainda e pediu que lhe servissem o café no jardim. Apanhou algumas revistas e o celular, para checar os horários daquele dia. Cerca de cinco minutos depois que sentou-se, enquanto os empregados a serviam, ela viu um carro entrando na propriedade. De dentro do mesmo, saiu Lucy, irmã do príncipe. A garota lhe lançou um sorriso e a princesa acenou, convidando-a-a para se juntar a ela. A mesma se aproximou timidamente e sentou-se.
— Bom dia, princesa. — Lucy disse.
— Bom dia, querida. — Mia sorriu. — Sirva-se, por favor.
— Obrigado. Ninguém acordou ainda?
— O movimento no palácio começa um pouco mais tarde. — Explicou. — Mas, acho que minha avó já deve estar trabalhando. E você, por que acordou tão cedo hoje?
— Meus pais mandaram um táxi me buscar no internato. — Ela deu de ombros, apanhando um croissant. — Já estou acostumada à acordar cedo. E pelo horário, acredito que ainda não tenham acordado.
— Também acho. Eu também estaria dormindo agora, mas tenho alguns compromissos importantes. — A princesa bebeu um pouco de suco. — Tenho uma entrevista e uma sessão de fotos para Vogue Magazine UK.
— É sério? — Lucy perguntou, impressionada.
— Sim. Habitualmente não concedo esse tipo de entrevista, mas meu assistente pessoal me convenceu que seria bom falar sobre os projetos dos quais participo e incentivar a participarem mais ativamente da nossa sociedade.
— Vai continuar dando aulas no internato?
— Só por mais um mês, sim, até a nova professora contratada chegar da Escócia. E os próximos meses serão bem corridos, então não terei muito tempo.
— O casamento. — A garota sussurrou.
— O casamento. — A mais velha, concordou.
Liam levantou-se bem cedo, apesar de ter dormido muito pouco. Queria buscar a irmã, por que sabia que os pais não se dariam ao trabalho. Deveriam alugar um carro ou chamar um táxi. Se arrumou rapidamente e desceu. Não havia ninguém no hall e muito menos no salão. Uma das empregadas veio ao seu encontro e informou que o café havia sido servido no jardim. Ele resolveu comer algo rapidamente antes de sair e se encaminhou para lá. Assim que saiu pela porta lateral, viu duas pessoas sentadas e conversando algo que não pode ouvir. A que estava de costas era provavelmente, Mia, e a sua frente estava Lucy. Aquilo surpreendeu o príncipe que se aproximou.
— Oi maninho! — Lucy sorriu e indicou a cadeira ao seu lado. — Venha tomar café conosco.
— Uh, bom dia. — Ele disse, um tanto constrangido e sentou-se.
— Bom dia. — Mia lhe lançou uma aceno breve com a cabeça.
— Como chegou aqui tão cedo, Lu? — Perguntou, servindo-se de uma xícara de café.
— Nossos pais mandaram um táxi bem cedo. Acho que deveriam ser umas cinco da manhã. Por que está acordado tão cedo?
— Queria lhe buscar, mas vejo que foram mais rápidos do que eu.
— Mamãe não esperaria por muito mais tempo.
— Olá belas pessoas! — Chris saudou alegremente, enquanto caminhava na direção dos três.
— Oi Chris. — Mia sorriu para o amigo, que sentou-se ao seu lado.
— A linda garota, suponho que seja Lucy? Ouvimos muito sobre você, querida. A propósito, sou Christian, mas você com certeza pode me chamar de Chris.
— Sim, sou eu. — Ela sorriu timidamente. — Olá e obrigado pelo elogio.
— Não há de que, princesa. Não esperava encontrar um café da manhã tão movimentado em plena sexta-feira. Bela, que bom que já está pronta. Achei que teria de lhe acordar ainda.
— Não se preocupe, Chris. Nós podemos ir assim que você terminar seu café. — A princesa assegurou.
— Ótimo, por que Angel está me ligando desde às quatro da manhã para se certificar de que não vá se atrasar.
— Me lembre de falar com a vovó sobre as férias de Angel. Ela trabalha demais.
— Anotado.
— Então, você é o assistente pessoal da princesa Mia? — Lucy questionou.
— Pode me chamar somente de Mia. Princesa é só um status.
— Tudo bem. — Ela assentiu.
— Respondendo a linda garota: sim, sou assistente pessoal, stylist e melhor amigo de nossa Mia, aqui. Nós não conseguimos separar as três coisas, então deixamos tudo no mesmo pacote. — Twen riu.
— Legal!
— Alguns diriam que sou a pessoa de mais confiável de toda Grã-Bretanha.
— Não exagere, Chris. — Mia riu.
— Ah, bela, deixe-me sonhar um pouco. — Ele levantou-se. — Bem, acho melhor tomar café no caminho ou iremos nos atrasar. Nunca se sabe como estará o trânsito.
— Eu concordo. — Ela também se levantou. — Espero que gostem do café. Até mais tarde. — Acenou para os irmãos e seguiu com Chris em direção a garagem, onde o motorista lhes esperava.
— Você poderia pelo menos trocar algumas palavras com ela, Liam. — A irmã o repreendeu.
— Eu fiz isso ontem. — Ele deu de ombros, pensativo.
— Poderia ter sido ao menos um pouco cortês. Mia é muito legal.
— Ainda não sei como lidar com tudo isso, Lu. — Fez uma pausa. — Escutei uma conversa dela com esse Chris, ontem.
— Fala sério! Você realmente anda por aí escutando atrás das portas?
— Eu só queria provar que toda cena do jantar havia sido uma mera encenação. Confirmar que estava certo o tempo todo.
— E o que você ouviu?
— Ela estava falando sobre o casamento. — Liam respirou, pesadamente. — Sobre querer levar tudo sem problemas, sem conflitos. Que sabia que nosso casamento era um fato inegável, mas que não precisávamos nos detestar.
— Viu? Ela não é a pessoa que você pintava. Vocês dois estão no mesmo barco, então por que não se unem ao invés de se afastarem completamente?
— A verdade é que não conheço Mia realmente para dizer se suas palavras eram verdadeiras.
— Liam, essa é sua chance de acabar com sua dúvida. O que custa se esforçar pelo menos um pouquinho para fazer disso uma experiência menos desgastante possível? Os dois podem encontrar um ponto comum para o relacionamento que terão pelo resto da vida. — Lucy levantou-se. — Pense nisso. — E se foi.
Mia e Chris estavam no carro, a caminho do local onde seria a entrevista e a sessão de fotos para revista. A princesa ia calada, preocupando o amigo.
— Me diz o que se passa em sua cabeça, bela?
— Eu não sei, Chris. Você sentiu o clima tenso no café da manhã? Ontem, claramente, ele estava falando comigo pela pressão do momento e hoje tive essa confirmação. — Ela olhou para o amigo. — Não vai dar certo. Nada disso vai.
— Vocês ainda precisam se conhecer, bela. Não tem nem vinte e quatro horas que se conheceram oficialmente. Agora precisam encontrar um caminho que leve aos dois.
— Esse caminho parece estar muito distante.
— Sempre há um atalho e tenho certeza que vai encontrá-lo mais cedo ou mais tarde. Afinal, vocês tem o resto da vida.
— Obrigado por lembrar. — Mia fez uma careta e o stylist riu.
Internato Real de Londres
— Tenho grandes apostas. — Liz disse, quando todos estavam reunidos no refeitório.
— Oh, não! — Louis exclamou. — Nada de falar sobre o possível casamento outra vez. Ninguém mais aguenta ouvir sobre isso, Liz!
— Ei! — A garota reclamou.
— Infelizmente eu também tenho que concordar. Isso já está ficando muito repetitivo, amiga. — Alex concordou.
— Vocês são muito chatos. Eu só estou tentando ser a primeira a saber da notícia do século. Quem não iria querer ter essa informação nas mãos?
— Qualquer pessoa com um pingo de sanidade? Você tá parecendo aquelas autores de blogues de fofoca, sempre atrás de um escândalo ou uma notícia bombástica. — Matteo revirou os olhos.
— Pega leve, Matteo. — Isabelle amenizou. — Não leve a mal, Liz. Mas você está meio obcecada com esse assunto nas últimas semanas. E não há nada mais do que boatos correndo por aí, nenhuma notícia confirmada.
— E somando ao fato de que você praticamente anda colada em Kate nos últimos dias. Sabe muito bem que ela não liga para ninguém, além de si mesma. Nunca nem olhou na nossa cara. — Alex pontuou.
— Eu sei. — Ela suspirou. — Eu só gostei de ter a atenção da garota mais popular daqui por um tempo. Descobrir se a irmã dela estava noiva ou não era só um bônus idiota.
— Você não é esse tipo de pessoa. Não tente ser. — Isa aconselhou.
— Não vou. Não mais.
Do outro lado do refeitório, cercada por seu pequeno e seleto grupo social, estava Kate.
— Aquela garota finalmente te deixou em paz? — Vanessa perguntou.
— Ao que parece, sim. Ela acredita que não sei o motivo de ter estado tão perto de mim nos últimos dias, mas algo que não sou é idiota. — Kate respondeu, concentrada em lixar as unhas.
— Quase cheguei a pensar que a estava recrutando como cadete. — Rebekah riu. — Uma mini Kate, o que acha?
— Seria preciso ser tão boa quanto eu, o que sabemos ser impossível. Não há ninguém que se quer se compare a mim. — Ela piscou e sorriu sarcasticamente.
— Sempre um poço de humildade, Kit Kat. — Théo disse ironicamente.
— Exatamente, baby. Sempre!
— Tanto faz. — Vanessa revirou os olhos. — O que vamos fazer neste fim de semana? Estou a fim de pegar o iate do meu pai pra gente sair, o que acham?
— Eu topo. — Rebekah concordou.
— Vamos nessa. — O garoto assentiu.
— Kate?
— Já que não tem nada melhor pra fazer. — Ela deu de ombros. — Pode ser.
— Ótimo! Vou planejar tudo. Vai ser super legal.
— Veremos.
Parecia ser a milésima foto que Mia tirava naquela manhã. Nunca pensara que algo tão simples pudesse se tornar tão cansativo e complicado. O fotógrafo parecia querer que ela subisse sobre uma mesa e dançasse um tango com a câmera. Felizmente Chris estava bem ao lado do mesmo e o continha em suas ideias mirabolantes. A entrevista com a repórter da revista havia acabado há pelos menos duas horas e nada daquela tortura acabar. Quando já nem mais sentia seus braços de tantas poses, o amigo interveio na situação.
— Bom, creio que já tem material o suficiente para matéria. A princesa tem outros compromissos hoje e já lhes deu mais tempo do que o combinado. Esperamos pelo lançamento da edição. — Chris disse, com um sorriso falso.
— Eu ainda não acabei. Não consegui o que queria. — O fotógrafo reclamou.
— Sinto muito, mas como disse, há outros compromissos na agenda e não podemos deixas as instituições de caridade a esperar.
— Mas isso...
— Eu realmente adorei a perspectiva de trabalho de vocês. — Mia falou, caminhando em direção a repórter. — Espero ter o exemplar assim que chegar as bancas.
— Com certeza. — A mulher assentiu, com um sorriso enorme. — Eu mesma vou tratar para que lhe enviem a primeira impressão da revista. A matéria ficará incrível.
— Tenho certeza que sim. Obrigado por tudo, mas agora precisamos ir. — A princesa despediu-se gentilmente e seguiu para fora do hotel com o assistente.
— Achei que isso nunca fosse acabar. — Ele reclamou, quando entraram no carro e saíram do local.
— A garota foi bastante gentil. O fotógrafo era quem esperava fazer alguma foto bombástica, pela qual pudesse vender por milhões de euros.
— Não me surpreende. Não suporto pessoas sem ética profissional.
— Nós sabemos que nem todos são assim, Chris.
— Sim, mas isso não me impede de ficar com raiva.
— Tudo bem, meu mais nobre defensor. O que temos para agora?
— Um almoço com Angel e mais tarde você precisa comparecer a uma reunião com os mais altos escalões de poder da Inglaterra. Está na hora de começar a se preparar para o reinado, bela.
— Achei que ainda iria demorar algum tempo.
— Pelo visto, com a proposta de casamento a frente, vai acontecer antes que possamos perceber.
— Não sei se estou preparada para assumir algo tão gigante. — Mia confessou, mexendo os cabelos, nervosamente.
— Sua querida avó vai treiná-la e ensinar tudo que precisa saber. Você cresceu vendo-a governar e com seu auxílio, será a melhor rainha em muito tempo.
— Espero que sim.
Lucy estava deitada no quarto que haviam lhe indicado no palácio. Queria fazer a todo custo o irmão perceber o quanto estava sendo cabeça dura. Ele poderia ao menos tentar conhecer a noiva. Mas ele insistia em basear-se apenas na aparência e em dois encontros muito rápidos e impessoais. Mia lhe parecia uma ótima pessoa e isso a tranquilizava. Poderia até arriscar-se a dizer que os dois poderiam se apaixonar, mas se dependesse do irmão, aquilo ainda demoraria muito e talvez nunca chegasse a acontecer. Por isso, estava disposta a dar uma mãozinha para que a aproximação acontecesse de forma mais rápida. Sim, definitivamente iria dar um pequeno empurrãozinho na relação daqueles dois. Sorriu com a ideia e ouviu duas batidas na porta. Autorizou a entrada e logo viu jovem empregada do palácio.
— Com licença, senhorita. Posso fazer a troca das toalhas?
— Claro. Fique a vontade. — Lucy sorriu, simpaticamente. A outra, foi até o banheiro e voltou algum tempo depois. — Uh, qual é o seu nome?
— Melanie, senhorita.
— O que você acha da princesa Mia? — Questionou, sentando-se. A empregada lhe observou por um instante e respondeu.
— A princesa é a pessoa mais bondosa e especial que já tive o prazer de conhecer. Seu coração é de ouro e creio que não há ninguém como ela em todo mundo. Sou muito grata por saber que ela será nossa próxima rainha.
— Uau! Você realmente gosta muito dela.
— Sim. — Melanie confirmou.
— Sabe que meu irmão vai se casar com ela, certo? Eu realmente queria que eles pudessem encontrar uma forma de se conhecerem, entende? Eles irão passar o resto da vida juntos. Mesmo que não se apaixonem de verdade, o que custaria obterem uma bela amizade?
— Onde quer chegar?
— Quero pedir sua ajuda para condicioná-los. Digo, para fazê-los se aproximar. Eu poderia convencer meu irmão e penso em conversar com Christian. E obter uma aliada nesta missão que poderia observar e executar tudo sem que ninguém descubra, seria ótimo. — Lucy explicou.
— Isto seria para o bem deles, certo?
— É claro! Eu só quero vê-los felizes. Como um casamento pode acontecer entre duas pessoas que mal se conhecem? Quero mostrá-los como podem ser bons juntos. Como podem ser felizes, mesmo que decidam que não há amor, apenas uma bela amizade.
— Se este é o objetivo, concordo totalmente em ajudar. Aprecio demais a princesa para deixá-la sofrer. — Melanie sorriu. — Pode contar com minha ajuda.
— Ótimo! Então, sente-se aqui. Vou te contar exatamente o que tenho em mente.
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