The Boy And The Wolf
6 Capítulo V – The Conection
Notas iniciais
Boa leitura,
almirapevas =)
Capítulo V – The Conection
O jovem corre até o lobo, pegando-o no colo e vendo seu ferimento. Renata e a Madre ficam chocadas e espantadas em ouvir a voz rouca de Nicholas. Kurt sorri vitorioso, Bart e o de cabelo longo balançam a cabeça.
— Acertei dessa vez – murmura.
Elisabeth e os outros viram a cena e ficaram chocados tanto pelo lobo quanto pelo grito de Nicholas, que tentava não chorar. O lobo chora de dor e olha para Nicholas, que tinha os olhos azuis marejados.
Estou bem, sou especial... – O pensamento não se completa, porque Joseph chora.
— Você não está bem? – Nicholas profere com voz rouca e trêmula.
É só alguém atirar em mim que você fala, é? – Brinca o lobo.
Nicholas ouve algo se estalando e o lobo se engasga e cospe a bala. Todos ali presentes arregalam os olhos e ficam encarando o lobo. Kurt não deixa barato e prepara a arma, mas é impedido por Bart.
— Kurt, ele não. – Bart murmura. – Ele é do Clã Branco, né Carl?
— Sim, o Lobo Mestiço – fala Carl, um homem de olhos castanhos avermelhados, cabelos ruivos e que usava óculos, calmamente.
Kurt bufa. O lobo se levanta e olha friamente para o moreno, que treme com o olhar perigoso do lobo. Nicholas acaricia o lobo e o olha preocupado.
Estou bem, Nicholas. – Pensa o lobo, desviando o olhar de Kurt para o jovem.
Nicholas suspira aliviado e sorri. O lobo fica maravilhado com o sorriso gentil e meigo do jovem, que cora e para de sorri, apenas tendo aquela sombra de sorriso. O lobo suaviza a expressão e encosta a narina gelada no rosto do jovem.
Não se preocupe. – Pensa calmamente.
Nicholas franze o cenho e assente. Renata rapidamente estranha. Por que Nicholas sabe o que ele está pensando? A Madre olha para Nicholas e uma brisa passa por ela, tranqüilizando-a e dizendo tudo. Madre Olívia sorri aliviada e olha para Renata.
— Não se preocupe – diz a Madre gentilmente.
Renata franze o cenho e olha para o garoto e o lobo, que estão se olhando. Nicholas acaricia o lobo e verifica se ele não está mais machucado. O lobo sorri no pensamento e sente um leve estalo, ele se vira e olha para a floresta.
— Vá – sussurrou Nicholas.
O lobo o olha e assente, correndo de volta para a floresta. Nicholas olha o lobo adentrando a floresta e sorri novamente, em seguida cora e pensa por que ele sorriu para um lobo. Eu me preocupo com ele? Pergunta-se estranhando seu comportamento por causa de um lobo.
Ele deve ser especial para mim, de alguma forma. Pensa novamente e suspira levantando-se e olhando friamente para o moreno, que está com um sorriso amarelo estampado no rosto.
— Jonathan não vai gostar disso – Murmura Carl calmamente.
Bart balança a cabeça e toma a arma de Kurt.
— Controle-se da próxima vez, não é só porque um lobo qualquer matou sua noiva que você vai matar todos os lobos que aparecerem na sua frente, garoto. Você não tem ideia da imensidão que tem por trás dessas árvores. – Bart diz irritado. – Vamos – e se vira para a Madre e Renata –, amanhã voltamos para ver o que há de mal aí. – Depois olha com ódio para o moreno.
Nicholas franze o cenho e olha para a floresta. Imensidão... Eu quero explorar essa imensidão. Pensa Nicholas e sorri de lado.
Nem tente. – Joseph aparece em seus pensamentos. – Não ouse atravessar essa barreira sem mim.
Nicholas guarda essa expectativa e volta para dentro do orfanato, com as mãos enfiadas no bolso e com a sombra de um sorriso estampado no rosto – porém com os olhos azuis vazios.
***
— Nicholas não pode mais chegar perto da floresta, Renata. – A Madre fala preocupada.
Renata assente e respira fundo.
— O que me deixa mais intrigada é essa conexão, Madre – Renata olha para a Madre.
Olívia apenas sorri de lado e balança a cabeça.
— Você quer mesmo saber? – Pergunta a Madre, com uma determinação que só Renata sabia.
— Sim...
Dentro do quarto, os adolescentes riam e conversavam sobre coisas que tinham visto na televisão. Nicholas lia um livro – como sempre – e prestava atenção na floresta. Ele sabia que Joseph iria buscá-lo, mas não sabia quando. Ele suspirou e voltou a ler o livro.
Elisabeth olha para o jovem de olhos azuis e suspira. Ela sabia que sua paixonite não era nada para ele. Julia olha para a amiga e estala os dedos perto do rosto da loura, que arregalou os olhos com a surpresa.
— Lizzie-chan, você tem que parar de olhar para ele. – Diz calmamente,
— Ju-chan, eu não sei como suportar isso – a loura fica cabisbaixa.
— Lizzie-chan, eu quero que você sorria, odeio ver você assim! – Reclama Samantha.
Will e Jamile concordam. Elisabeth suspira e olha mais uma vez para Nicholas, que estava encarando a floresta. O que tem de tão especial nessa floresta? A loura se pergunta, triste. Seus amigos se entreolham e suspiram, sem saber o que fazer com a amiga que sofria por dentro.
Nicholas deixou o livro de lado e agora encarava a floresta. Eu sorri para Joseph. Pensa o jovem de olhos azuis, intrigado. Ele não sorria desde o acidente que matou seus pais e irmão. Era só uma piada que Logan contou. Relembra e fica cabisbaixo, tentando não chorar.
Odiava chorar, pois se sentia indefeso. Nos primeiros meses depois do acidente, ele chorava pelos corredores do orfanato e a Madre Olívia sempre o acolhia em seus braços, mas ele nunca a considerou uma segunda mãe. Ele sentia falta da sua e que não conseguia escolher outra. Mãe é só uma.
Nicholas avista os três homens que apareceram cedo. Ele vê Kurt, Bart e Carl olhando para os lados com armas e preparados para matar qualquer animal que está por perto. O jovem morde o lábio e Kurt o avista, sorrindo maliciosamente. O jovem manda seu olhar gélido para o moreno, que ri e balança a cabeça.
— Kurt, por favor – Bart o alerta.
— Não vou com a cara desse garoto. – O moreno responde irritado.
— Eu vou, ele parece ser uma pessoa sozinha – Carl olha para o jovem e sorri gentilmente.
Os três olham para Nicholas, que cora e vira o olhar, deitando-se e pegando seu livro. Ele não sabia por que se sentia tão envergonhado por três homens o olhar. Isso é estranho, ele sabe, mas da mesma forma é estranho.
Ele desiste do livro e observa seus colegas, ele olha para Elisabeth que está triste. Eu a magoei... Não posso fazer nada... Ou posso? Pergunta-se com culpa. Ele balança a cabeça e escuta lobos uivarem. Todos se viram para a floresta e então se lembram que faltavam três dias para acabar o inverno.
— Renata, o inverno já está acabando – a freira mais velha, Thereza, diz calmamente.
— Daqui a três dias eu verifico se o clã está bem. – Renata diz sorrindo.
— Ainda bem que temos uma transmorfo conosco – Sônia sorri gentilmente para a raposa negra, que ri, mas então se sorriso desaparece.
— Renata, eu tenho uma missão para você – entra uma mulher de olhos castanhos e cabelos ruivos.
— Martha, o que faz aqui? – Pergunta.
— Os felinos e canídeos se reuniram na floresta e se decidiu que vai ser você que irá visitar o Clã Negro esse verão. – Martha, a pantera negra, fala com um tom superior.
— Martha eu não vou arriscar minha vida, você sabe que eu posso ser morta! – Renata se desespera.
— Você sabe que temos nossas manhas de espionagem, né? Ou se esqueceu da sua vida canídea? – Debocha.
Renata a olha friamente e tenta não atacá-la.
— Eu trabalho sozinha. – Rosna.
— Renata, cá para nós, as raposas são mais quietas e traiçoeiras que o resto. Você é uma raposa negra, a melhor da categoria, a líder do seu grupo... E você não quer fazer um favor para nós? – Outra mulher entra, ela tem olhos amarelos e cabelos cor de lama.
— Kelly, você por aqui – Renata ironiza.
— Estava sentindo falta de vocês, só isso – a puma negro sorri forçadamente.
— Do mesmo jeito, eu não vou fazer isso. – Insiste Renata.
— Os ursos vão fazer a mesma coisa com o Clã Branco e você é a única em que Jonathan confia, então pense nele ao fazer isso – Kelly joga verde.
Renata estreita os olhos, desconfiada, mas então pensa nos sete lobos que Jonathan criou e pensa em Ayla. Ela precisava fazer isso, como um modo de agradecimento por eles a salvarem de Brutus e o resto do Clã Negro.
— Tudo bem, daqui a três dias eu passo na sede e vou vigiar o clã.
— Você passa na sede a tarde e a noite você os vigia... Fechado? – Martha estende a mão.
A raposa negra segura à mão da pantera e balança, fechando o negócio.
— É bom fazer negócios com você, raposa. – Martha provoca.
— Com você também, pantera e puma. – Renata sorri forçadamente.
Kelly bufa e olha para Martha, as duas se transformam nos seus respectivos animais – com os olhos escarlates – e correm para fora do orfanato. Renata olha para a Madre, que suspira preocupada e balança a cabeça.
— Você sabe que os felinos e canídeos trabalham juntos nessas terras faz dois séculos. Você sabe que é perigoso quando chega essa época do ano, tanto por causa das transformações quanto pelo solstício de verão, que nesse ano vai ser diferente. – Renata alerta.
As freiras olham para a raposa, que assente e olha para a floresta.
— Nesse ano, haverá um dia em que o sol irá ficar por vinte e quatro horas e um dia em que a lua irá fazer a mesma coisa. Entre nós, os clãs, isso significa o ano esperado para os poderes sagrados. Ava, a leoa negra líder, me disse que os Clãs Branco e Negro vão guerrear por causa do Protetor da Humanidade – que é o protetor desse ano. O Clã Negro quer utilizá-lo de uma forma que o Clã Branco desista dos poderes e vice-versa. No final, esses dia e noite vão ser utilizados como dia de guerra. Uma vez, Ayla me disse que é o Protetor que tem que decidir se tira os poderes ou não. Da última vez, o Protetor da Água decidiu que os Clãs permaneciam com seus poderes até chegar o Protetor da Humanidade...
— Em suma, as duas partes estão sendo ameaçadas – Olívia continua e suspira. – Não entendo por que tem que ser nesse ano.
— Porque o Protetor irá fazer dezesseis anos. Você sabe que dezesseis, para eles, é uma coisa importante, é como se fosse os dezoito anos de um humano normal. E eles são imortais a partir dessa idade...
— Isso, se, o Protetor fizer a escolha certa – uma voz gentil aparece.
Todos se viram para a porta e vêem uma mulher de olhos cor de mel e cabelos cor de areia. Renata a reverência e se transforma numa raposa. As freiras se curvam e sorriem para a leoa negra líder.
— Eu já disse que não precisam disso. – Sua voz é aveludada.
— Ava, há quanto tempo – diz a Madre Olívia, sorrindo para a amiga.
— Eu que digo isso, Olívia, não nos vemos desde o solstício de inverno de dez anos atrás.
Olívia assente e olha para Renata, que já voltou para a forma humana. Ava olha para a raposa negra, que está com o olhar sério e assustado.
— Calma Renata, esse ano vai ser diferente. Queremos que você apenas escute só isso. Não pense em nada e você é a única que desenvolveu um método para esconder seus pensamentos. – Ava sorri e fica perto da raposa, que se encolhe.
— Ava, por que você está aqui? – Pergunta Thereza.
— Quero saber como estão nossos aniversariantes desse verão – diz graciosamente.
— Ah, claro! Como pude me esquecer! – Olívia fica perto da leoa e estende o braço. – Vamos, eles estão no refeitório jantando.
As freiras acompanham Ava até o refeitório. Todos os órfãos estavam lá jantando e conversando, sempre todos educados. Alguns faziam graça outros ficam quietos. Elisabeth estava rindo com os amigos, para tentar animá-la.
Eles param de rir quando as freiras entram com uma mulher estranha. Todos ficam admirandos com beleza da leoa negra imortal. Elisabeth franze o cenho e tenta reconhecê-la de algum lugar, mas não consegue. Por algum motivo ela achava essa mulher familiar. Será que a vi nos sonhos? Pergunta-se e suspira.
Ava observa cada um dos aniversariantes que iria fazer dezesseis anos, mas ela não encontra aquele alguém específico. Ela foca seu olhar em Elisabeth e franze o cenho. Ayla? Surpreende-se com a semelhança da loura com Ayla. Ava balança a cabeça e suspira.
— Cadê aquele moleque?! – Grita um garoto grandão.
Todos ficam assustados. De novo não. Pensam. O garoto olha para cada um dos colegas e sorri maliciosamente.
— Como sempre não está. Fracote. – Zomba.
As freiras balançam a cabeça e olham para Ava, que está rindo da maneira de como os humanos odeiam seu próximo.
— Ninguém segue os dez mandamentos aqui – continua rindo graciosamente.
— Eles são os que temos problemas. Renata é a única que pode impedi-los. – A Madre sorri e olha para a raposa, que a olha mortalmente.
Ava olha para o corredor e vê um jovem de cabelos negros e olhos azuis vazios, que andava lentamente e com as mãos no bolso. Ela franze o cenho e o observa entrar no refeitório. O garoto grandão sorri e se levanta com seu bando. O jovem de olhos azuis olha friamente para o grupo e suspira, balançando a cabeça.
— Ei, caladão, você roubou de novo o livro, tem que...
O jovem joga o livro em cima na mesa. O grandalhão o olha e o segura pelo colarinho da blusa.
— Você tem que pagar pelo livro. – Rosna.
— Greg, por favor, deixe-o. – Elisabeth tenta amenizar as coisas.
— Lizzie, fique fora dessa, por favor – pede. – Nicholas, você irá pagar o livro?
Nicholas dá de ombros, o que enfurece mais Greg, que fecha o punho e tenta dar um soco no jovem, mas Nicholas pega seu punho e se solta de Greg agilmente. Nicholas o empurra e enfia as mãos no bolso pensando: “de novo”, Greg o ataca de novo e ele desvia – sem tirar as mãos do bolso. Greg tenta ao máximo acertar Nicholas, mas o jovem é ágil e dá um chute no meio das pernas de Greg e dá uma joelhada na barriga do grandalhão, que cospe sangue e cai no chão chorando de dor.
Ava admira a agilidade do jovem. Ele parece ser diferente. Pensa e olha para a Madre, que está balançando a cabeça. Kurt, Bart e Carl entram no refeitório nos instantes finais da luta e se surpreendem com Nicholas.
— Eu disse que eu vou com a cara dele – Carl se gaba e olha para Kurt, que bufa e rola os olhos.
Nicholas olha para e entrada e vê Kurt e dá o seu melhor olhar mortal. Kurt não se abate e sorri amarelo, fazendo Carl e Bart rirem. Após isso eles vêem Ava e se curvam. Ava sorri e abana a mão, ainda olhando para Nicholas. Ela anda em direção ao jovem e o admira. Nicholas cora quando Ava segura seu rosto e se fixa em seus olhos azuis vazios.
Ela o lê. Ela o sente. Ela sofre com ele. Ava franze o cenho, preocupada, e sorri gentilmente. Não preciso mais procurar. Pensa e pega o braço do jovem, que rapidamente se desvencilha e se afasta dela.
Ava não deixa isso afetar, sabendo que ele já tenha visto. Ela o deixa ir para longe do refeitório. Ele é apenas um garoto que perdeu o amor. Ava olha para a Madre, que sorria e assentia.
— Bem, acho que já. – Ava diz sorridente.
Notas finais
Até algum dia,
almirapevas =3
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