The Blue Rose Maiden
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Aquela estava sendo a primeira noite na mansão Phantonhive. Estava alojada em um dos quartos destinados aos empregados. Era simples: uma cama, um armário, escrivaninha, lareira, criado mudo e penteadeira. Estava sentada na cama, observando pela janela o brilho prateado da lua. Passou uma das suas mãos em seu pescoço e se lembrou que sua medalha não estava lá. “Quero que seja minha empregada”. “Como cão de guarda da rainha não há nada que eu não possa fazer”. “Ficarei com isso para ter certeza de que você não irá a ligar nenhum. E Sebastian também ficará de olho”. Essas frases do conde ressoavam em sua mente a todo instante. Estava cansada com o dia agitado que tivera. Quando acordou era mendiga. Agora, trabalhava para o “cão da rainha”. Apenas deitou a cabeça no travesseiro e dormiu profundamente. Sonhou. Estava no dormitório feminino do orfanato. Podia ver os beliches, os baús perto das camas para guardar os pertences. Ficou parada ali por um tempo. Silencio. Não havia barulho de crianças naquele lugar. Andou em direção a um dos beliches que ocupava. Dormia na parte de cima. Subiu as escadas e viu a boneca que uma das freiras havia dado a ela. Por muito tempo havia sido seu único brinquedo. Deixou a boneca ali e saiu do quarto. Ficou parada no corredor. Não havia criança, mas agora se podiam ouvir claramente os risos, os passos. Parecia que havia fantasmas naquele local. Se lembrava de lá. Não era um dos melhores, mas não era um dos piores. Era um lugar escuro e frio. Talvez aqueles que te remetem as historias de fantasmas, em que uma menina de cabelos negros e compridos aparece do nada vestindo branco. Pertencia a igreja, e era mantido por doações de fies e nobres que quisessem ajudar quem não tinha ninguém. Correu em direção a porta. Não queria ficar ali. Seu lugar não era ali. Mas ao colocar a mão na maçaneta percebeu uma conversa entre duas freiras, nas quais não podia ver o rosto. Se escondeu a trás de uma parede e observou. Seguravam um recém-nascido
- Olha madre, é uma menina!-disse uma das freiras
- Pobre criança! Mais uma que fica a própria sorte! Esses inocentes não têm culpa de nada. Não pediram para vir ao mundo!
-Olha madre, tem uma medalha junto com ela!
Maryl levou um susto. Seus olhos mel estavam muito arregalados. Estava diante do dia que chegara. Apenas ouviu mais um pouco.
- Parece que tem uma rosa azul... Meryl? Olha! Tem um bilhete também — disse a freira que segurava a menina
- Olha... Pétalas azuis... Talvez trabalhassem com flores.....
Uma carta? Será que realmente existia ou era um truque de sua mente. Não ficou por muito tempo ouvindo a conversa das duas. Saiu correndo para porta de novo. Estava com a esperança de ver quem a havia deixado ali. Ver, perguntar, descobrir. Estava com muitas coisas na cabeça. Ao abrir a porta uma luz ofuscou os seus olhos. Aquela sensação de incômodo ao sair de um lugar mais escuro para um mais claro. E saiu no campo de rosas azuis e brancas. Se lembrou da medalha. Ela não estava em seu pescoço. Quando olhou para o horizonte e viu o vulto de duas pessoas. Deduziu ser um homem e uma mulher.
- Pai... Mãe.... –disse com lágrimas em seus olhos começando a correr – PAI! MÃE!
Correu o mais rápido que podia, mas parecia que nunca chegavam. Tropeçou nos próprios pés e caiu. Ao se levantar, o dia havia dado lugar a noite. O sol a lua. E o campo com rosas em uma floresta. Percebeu que estava de empregada e andou por alguns minutos. Chegou a uma clareira na qual a luz da lua iluminava um grande tabuleiro de xadrez. As peças eram maiores que um ser humano, e estavam caídas por todas as partes. Foi andando e viu que havia um trono bem no centro. Sentado nele estava Ciel Phantonhive. Estava com uma coroa na cabeça e no lugar do rei. Sempre por perto seu mordomo Sebastian Michaelis. Ela percebeu que ele estava segurando sua medalha em uma das mãos. Ele olhou-a nos olhos, e deu um malicioso sorriso de canto de boca. Hesitou em ir buscá-la.
- Você a quer?
Não respondeu
-Então venha. Seja minha peça nesse jogo.
Ela foi correndo pegar o que pertencia. Estava quase lá. “Só mais um pouco... Só mais um pouco!...”
- Acorde. Meryl!!!
-Mais um pouco....
- Acorde Meryl....
- MAIS UM POUCO!!!! DEVOLVA!
Levantou assustada. Era cedo. Meylene a estava chamando para começar seu primeiro dia de trabalho na mansão. Ela viu que a moça estava assustada.
-Desculpe... Pesadelo.
-O boccham mandou de dar isso!!!
- O quê??
Era a primeira vez que estava vestindo um uniforme na vida. Estava vestida do mesmo jeito que Meylene. Vestido azul com avental branco. Botas. Mas seu cabelo estava diferente. Estava preso em duas Marias-chiquinha baixas com fitas pretas. Assemelhava-se a Dorothy de “O mágico de Oz.”, mas com uma faixa de empregada na cabeça. Estava de pé diante do espelho, vendo sua nova imagem. Deu um suspiro. “Agora não tem mais volta” pensou.
Podia se ouvir passos e um dos corredores da mansão Phantonhive. Entrou em um dos quartos, e abriu uma das cortinas deixando os raios da manhã iluminarem o conde Ciel.
- Acorde. Boccham
Ciel sentou em sua cama. E o mordomo foi vesti-lo como de costume. Depois de vestir seu mestre, preparou o chá.
-Chá de frutas selvagens vindas da Ásia. Espero que o agrade.
Sebastian entregou a xícara para o menino. Depois de aspirar ao aroma da bebida quente, tomou um gole e disse finalmente.
- Bom... Realmente maravilhoso – Disse entregando a xícara a seu mordomo
-Hoje é o primeiro dia de trabalho da nova empregada.
- Eu sei... Acabei prometendo ajudá-la, e necessito manter essa promessa. Mas... Seria uma pena perde-la.
- Sim, com certeza.
A medalha de Meryl estava na cabeceira junto com os outros anéis de Ciel. Ele a pegou e observou bem à rosa.
- Ela me lembra à rosa da barraca do festival — falou Sebastian
- AH.....
Um flash de lembranças começou a vir na cabeça do menino. Viu perfeitamente as rosas azuis que Lizzi tanto gostara. E que por um acaso juntou as vidas daquelas duas pessoas.
- Boccham? Em que está pensando?
Ciel olhou para baixo e depois para seu mordomo. O menino deu um sorriso malicioso. Acabara de ter uma idéia. O mordomo negro apenas observou com curiosidade a expressão de seu mestre.
- Chame os empregados. Teremos um jantar na mansão.
***************************
Meryl foi para a cozinha acompanhada de Meylene. Tudo naquela mansão era maior do que imaginara. Em sua cabeça, assemelhou os corredores como um grande labirinto que poderia se perder facilmente com um descuido. Mas para quem viveu nas ruas, uma casa não seria um desafio. Observava a tapeçaria, os móveis, detalhes. Finalmente chegaram a cozinha. Lá estavam o jardineiro Finny, o cozinheiro Brad, e o antigo mordomo Tanaka. Finny abriu um largo sorriso ao ver a menina, e foi o primeiro a cumprimentá-la:
- Bom dia Meryl!
-Bom dia garota! Você ficou bem com essa roupa!-disse Brad
-Obrigada... – Meryl disse sentindo seu rosto ficar vermelho – Eu posso ir para o fogão por alguns minutos.
- PRA QUÊ???????? – disseram os três espantados.
- Essa área é minha! – Disse Brad
- Acho que não me redimi ontem por completo. É apenas por hoje.
Os três olharam espantados. Meryl havia preparado rapidamente panquecas (daquelas americanas que você nos filmes) para os seus novos companheiros. O cheiro da cozinha era maravilhoso. Acordar com ele, seria a garantia de que teria um dia ótimo. Não há palavras para descrever a face dos três.
- NOSSA!!!-disseram espantados
- Nin... Nin... Ninguém! Nunca fizeram isso pela gente – Meylene gaguejou
- Nossa! Você é incrível! – Finny estava muito impressionado
- Devo tomar cuidado ou ela acaba pegando o meu lugar!! AHHHHH.... Eu não sei limpar casa!!! – Brad coçava a cabeça preocupado.
- O ho ho ho!- falou Tanaka ¬.¬’
Meryl pegou um pouco de mel e adoçou a comida de cada um.
- Espero que gostem. Para tirar a má impressão de ontem.
Quando eles colocaram a primeira garfada na boca, tiveram uma surpresa. O gosto era incrível. Nunca haviam comido algo como aquilo antes. A massa era de um doce muito leve e era realçado pelo mel. Não ficava enjoativo, mas sim perfeito. Era algo que remetia as lembranças de sua infância.
- AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!! Isso é realmente delicioso!!!- disse Meylene terminando de engolir.
- Você tem mãos de anjos para cozinhar!- Finny maravilhado com o que comia
- Vofzê é murizt boa coszinheeiira!!! – Brad tentou falar de boca cheia
- O hof hof hof – Tanaka idem
Todos começaram a rir do que estava se passando. Ela parou e observou todos ali se divertindo. Sentiu-se em casa. Pela primeira vez estava realmente feliz.
“talvez... Não seja tão ruim a minha estadia aqui” pensou.
Sebastian estava se dirigindo a cozinha. Enquanto caminhava, sentiu um cheiro diferente que vinha de lá. Entrou, e viu um prato de panquecas em cima da mesa. Todos estavam arrumando a cozinha. Sem quebradeira e sem barulhos. Estranhou. Meryl o viu e disse:
- Bom dia! Fiz panquecas para todos e reservei um prato para você! Espero que goste!
Ela lhe entregou o prato com um sorriso gentil. Ele olhou para a comida. “Aquele filho da mãe não vai comer! EU FIZ COM TANTO AMOR E CARINHO!!!!!”, podia se mostrar calma e serena por fora. Mas estava uma fera selvagem por dentro.
- Muito agradecido pela sua gentileza ao lembrar-se de mim. Mas não estou com fome agora.
“Filho da mãe!! Não se joga comida fora!!!! Ele mantém a pose de gostosão o tempo todo, e nem liga para o que os mortais fazem, se julgando superior a todo mundo! Isso porque é o favorito do boccham!!” pensou
- Tudo bem... Eu como mais tarde – Por dentro não estava nada satisfeita
- Que pena Sebastian, ela te mãos de anjos! – disse Finny
- Realmente... Eu ficaria preocupado com meu emprego – Falou Brad entre uma tragada e outra em seu cigarro
Meryl colocou o prato na mesa e ficou lisonjeada com os elogios vindos de seus companheiros. Sentia que eram sinceros. No fundo... Estava amolecendo. E muito rápido.
- Ah... Que isso gente!! Afinal de contas.... Eu sou uma empregada e tanto. Né seu mordomo?
Ela olhou para Sebastian de rabo de olho e com um sorriso maroto na face. Este não disse nada e apenas ficou quieto. Meylene subiu em uma cadeira. Tentava colocar a louça lavada na parte superior do armário. Mas como não é a mais provida de equilíbrio, se desequilibrou. E o resto... Vocês leitores já sabem...
- MAYLENE CUIDADO!!!! – gritou Finny
-AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!
A empregada deixou os pratos voarem e ia cair bonito no chão. Veja bem... Nessa hora vocês devem estar pensando “O Sebastian salva ela e pega os pratos. Grande coisa! Já vimos isso mil vezes....”. Assim... Não dessa vez. Sim... O mordomo Phantonhive estava prestes a salva-la, mas Meryl foi mais rápida. Isso o deixou espantado. Ela se apressou e chegando por trás, segurou a menina com seu braço direito. Equilibrou todos facilmente com a mão esquerda. Mas o ponto alto aconteceu no final.
- FALTA UM!! – Gritou Brad
Esse, todos pensavam que ia quebrar. Mas Meryl o equilibrou em um dos seus pés. Todos ficam boquiabertos com o feito da menina. Até Sebastian teve que admitir que ela é muito boa para o serviço. Meylene voltou a se equilibrar ficando assuntada com o que aconteceu. Ela ficou de pé e Meryl pode jogar o prato para cima e equilibrá-lo na pilha que agora estava em ambas às mãos.
— O... O... Obri... Obrigada Meryl!
- Não há de que! – Meryl colocou a pilha em cima da mesa – Você tem que pegar um de cada vez. Assim evitará que mais louça se perca!
- Nossa! Você e incrível mesmo Meryl – Finny disse muito envergonhado
Sebastian observou. Ela não era igual a ele. Sabia que ela era apenas uma humana comum. Se fosse, já teria alertado Ciel do perigo que o rondava. Sorriu aliviado por um instante. Achou muito interessante a presença dela ali. Finalmente alguém que não o causaria problemas. Mas sentiu uma certa rivalidade crescendo dentro de si. Finalmente falou.
- Boccham deseja vê-los. Quer comunicar algo!
- Sim!- Disseram os quatro juntos
E foram em direção ao encontro de seu jovem mestre Ciel. Que esperava impaciente na sala de jantar.
Fale com o autor