Aelin conhecia bem demais aquele arrepio na espinha.

Em um movimento rápido, ela tirou uma adaga da cintura e apontou para o ser atrás dela.

- O que você está fazendo aqui? — Aelin perguntou com a voz tremendo.

O homem levantou uma sobrancelha.

- E isso é jeito de tratar um velho conhecido? Ainda mais quando se esconde o filho dessa pessoa. — Ele disse com sarcasmo na voz.

Aelin de algum modo sempre soube que ele voltaria, sempre achou que estaria preparada para este momento, só não sabia que sua voz a traíria tanto.

- Não tem nada pra você aqui. — Aelin se virou para correr mas quando ele se moveu para dete-la, Aelin enfiou a adaga no olho do homem e então começou a correr.

- Eu vou te achar até no inferno, sua bastarda! — Ela o ouviu gritar, mas em momento nenhum se virou ou parou de correr, afinal, só ela sobreviveu para lembrar de como ele havia lhe feito mal.

Aelin parou subitamente quando ouviu um grito.

- Mãe! Onde você está?
Ela correu até seu filho e o abraçou, com medo de perde-lo.

- Mãe, o que aconteceu? Eu ouvi um grito.

- Não é nada que você tenha que se preocupar, Zacariah.

O menino a encarou meio desconfiado, com olhos e cabelos cacheados pretos, Zacariah se parecia assustadoramente com o pai. A única diferença eram os olhos, enquanto os do pai eram calculistas e frios, os de Zacariah eram inocentes, cheios de ansia por conhecer o mundo.

- Mas...

- Temos que ir embora daqui.

Zacariah não questionou, apenas arqueou uma sobrancelha, por mais que aquele fosse o lugar em que os dois ficaram mais tempo, já estava acostumado a se mudar constantemente.

- Então vou buscar nossas coisas...

- Não! Temos que ir agora, venha. — Aelin o puxou pelo braço mas ele ficou parado no lugar, esperando uma explicação.

- Por favor filho, confie em mim.

- Mas e o Dorian? Não vamos nem nos despedir?

- Me desculpe, mas não podemos ficar nem mais um segundo por aqui.

Mas quando ia se virar lhe veio o frio na espinha novamente.

- Sinto dizer que deveria ouvir sua mãe.

Aelin o encarou, por mais fosse claro o fato de ele estar cego, seu olho estava parcialmente cicatrizado, como consequencia da magia negra que ele ultilizava.

- Quem é você? — Zacariah perguntou.

- Ninguém. — Aelin respondeu pelo homem.

- Que feio, Aelin, mentindo para o nosso filho. — Ele disse em tom de censura.

- Filho? Você é o meu pai? — Zacariah perguntou com novo animo na voz.

O homem não respondeu,apenas olhou para Aelin de modo ironico.

- Não tire ele de mim, por favor.

Ele ignorou, apenas tirou a espada da bainha. Mas antes de fazer qualquer movimento, apareceu uma flecha em seu braço, o fazendo gritar. Aelin olhou na direção de onde veio a flecha e viu seu amigo Dorian Zylka segurando um arco.

- Dorian! — Aelin exclamou, mas quando deu um passo para frente, ele apontou o arco e flecha para ela.

- O que você está fazendo? — Aelin perguntou assustada, mas então olhou para seus olhos azuis, reconhecendo o vazio que havia neles — Ele foi hipnotizado.

O homem ao lado dela arrancou a flecha de sua mão.

- Ótimo, pois eu adoro tirar pessoas de tranzes hipnóticos.

- Mãe? O que está acontecendo? Porque o Dorian está assim? — Zacariah perguntou tremulo, a abraçando fortemente.

- Matar Stefan e qualquer um que esteja ao seu lado. — Dorian murmurou antes de soltar a flecha.

E então as coisas aconteceram rápido demais, o Stefan gritava com Dorian, o mesmo olhava confuso para o arco em suas mãos, e em seguida ele corria pra longe covardimente, e Zacariah... e Zacariah que estava a abraçando de lado, agora estava caído a sua frente, com uma flecha cravada em seu peito.

Aelin se abaixou e abraçou a cabeça de Zacariah, tantos sonhos, ideias, amores, amigos, uma vida se vai quando uma criança morre, e por mais que fosse Zacariah que estava deitado sem vida ali, era Aelin quem se sentia morta.

Ela olhou pra cima quando ouviu um ruido de irritação. Stefan não estava triste pela criança que tinha morrido, pelo próprio filho que não respirava nem sonhava mais, o bastardo estava frustado por que uma peça de seu jogo tinha se perdido. E quando Aelin percebeu isso, uma força familiar se apoderou dela.

- Isso é tudo sua culpa, se não tivesse vindo atrás dele, se tivesse nos deixado em paz... Isso é tudo sua culpa, isso é tudo sua culpa, isso é tudo sua culpa... — Aelin repetia isso como se fosse um mantra.

- Você ainda não conseguiu se livrar dela? Aelin?! — Stefan gritou.

Aelin o ignorou, ela tirou a flecha de Zacariah e começou a fazer simbolos em seu braço, não sentindo a dor que deveria estar ali.

Stefan colocou a mão na espada mas então o vento começou a fazer pequenos cortes freneticamente, o derrubando no chão.

Aelin recitou:
"Porque os deuses da mais bela vidente você irritou,
Hoje lhe rogo essa maldição,
Os seus piores inimigos,
São os que não poderá derrotar,
Pois se tocar neles, sua alma se ligará a deles.

E quando a flecha caiu de sua mão, Aelin caiu junto.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.