The Black Snow Lótus
85 Extra: O tempo passa !
Notas iniciais
*13 anos depois*
Poderia contar como tudo mudou nessa década, como foi o encontro de Usopp com os gigantes de Elbaf, como foi para Robin encontrar e desvendar o século perdido, Chopper encontrando a cura da doença a qual levou seu mestre a óbito, ou até como foi para Luffy chegar na ultima ilha e lá descobrir a verdade sobre o One Piece, sobre a nova jornada que teriam obrigatoriamente que seguir por estarem a levar nas costas o propósito herdado.
De como foi a Frota dos Mugiyaras unidos com toda a força, com todas as ilhas aliadas que conquistaram pelos anos se juntando, dos amigos que fizeram no tempo e até na aliança com grandes personagens como Shanks e Shirohige, além de até mesmo a aliança com Kid que fora obrigado por uma promessa que fizera a Yukino quando a mesma salvou a ele e Killer da ilha deserta anos atrás.
Mas não, o que vão ver é como o mundo ficou depois da destruição das muralhas, tanto da Grand Line como da Red Line, mas ao menos posso dizer que o sonho de Sanji foi realizado ao descobrir que só daquela forma se criaria o seu tão sonhado All Blue, assim como Brook ao reencontrar Laboon e de Frank ao ver que o Sunny sobrevivera os mares e ainda estava na ativa, e muito bem por sinal. Nami ainda demorou para construir seu mapa mundi pois na volta de toda a historia ainda passaram por novas ilhas e por tal ela sabia que demoraria mais um pouco, nada que uns 3 anos depois não resolvessem.
Law e Luffy realmente lutaram depois de tudo concluído, um deles teria que carregar o titulo de rei dos piratas, e sob a vigilância de toda a frota dos mugiyaras e dos bandos aliados, os dois quase se mataram. Yukino estivera presente e por tal não conseguia acreditar que ambos estavam mesmo quase se matando por um titulo, até mesmo Kid cedera tal lugar por não ter sido ele a encontrar o One Piece, evacuar a ilha dos tritões na queda dos muros, e nem nada disso.
E foi com uma grande festa que no final Luffy venceu por um triz, mas ambos ficaram em coma por 2 semanas após tal batalha sangrenta, Nico e Oliver tinham apenas 7 anos quando tudo aconteceu e mal saiam de perto do pai e do tio naquelas semanas, se não fosse Zoro e Yukino ambos nem comeriam direito.
No entanto os dois pequenos se tornaram mais e mais fortes com o tempo, os brinquedos que a mãe lhes fizera quando tinham 2 anos haviam sido evoluídos por ela, Frank e Usopp, os fios de Nico haviam sido aperfeiçoados e ele ia treinando com cada prototico feito, já Oliver criava novas estratégias com seus yoyos de peso variável, Frank ainda ficava surpreso com a dinâmica do brinquedo, ainda mais se tratando de metal e alquimia, mas o mais novo agora usava os dois yoyos em batalha com o peso de já nos 70kg aos 10 anos.
Outra descoberta, e essa deixou todos de boca aberta, foi na verdade anunciada pela própria Yukino em uma tarde clara quando seus filhos estavam com 10 anos, e tudo começou com uma simples conversa.
— Nee Brook, como foi quando você descobriu que era imortal ? – perguntou a menina ao lado do esqueleto que tocava uma musica calma em sua guitarra.
O mais velho pensou, iria fazer uma piada com o assunto, mas decidira falar serio, Yukino era sua amiga afinal.
— Realmente me senti solitário. – declarou vendo a outra o encarar surpresa por ele dizer a verdade – Passei anos naquele navio sozinho, não havia com quem conversar, com quem cantar e nem quem rir das minhas piadas, e mesmo assim ficava pensando que se eu encontrasse um novo bando eu seria o único a viver em função dos anos. Depois que entrei no bando do Luffy deixei de pensar nisso e quero de verdade aproveitar nossas aventuras. – comentou sorrindo dessa vez.
— Hmmmm.....Nee... – o chamou novamente dessa vez com a cabeça baixa – Brook em todos esses anos que nos conhecemos, qual foi a mudança que você viu no Luffy ? – perguntou agora deixando o esqueleto com uma pulga atrás da orelha confuso.
— Ele cresceu, fico até surpreso por ele mesmo já tendo 29 anos ainda agir como quando tinha 17. – riu olhando para o mesmo que estava ouvindo a conversa e lhe mostrou a língua fazendo todo mundo rir já que estavam sentados a beber no chão.
— E em mim ? – fez a pergunta com o mesmo tom de antes.
— Ora você também cres...ceu...? – falou sorrindo cada vez mais fraco dessa vez, no entanto Robin não fizera o mesmo do outro lado do circulo.
— Y-Yukino.... – a morena a chamou e pela troca de olhares entendeu onde ela queria chegar – Yukino você cresceu nesses 10 anos ?
Um silencio invadiu o barco, a menina suspirou e pegou um livro dentro do burakuhoru.
— Estava vendo o álbum de fotos e.....minha aparência não mudou em nada nos 10 anos que passaram. – revelou mostrando o tal álbum, fotos dela quando entrou no bando, fotos dela ainda com 5 meses de gravidez, fotos dela com Zoro e Law, com Nami e Robin, com todos, com Shanks e Shirohige, varias fotos de anos e anos.
Yukino realmente não crescera, continuava com a mesma carinha de 17 anos, muitos pensavam que era por ela se cuidar e pela comida que Sanji preparava, seus próprios companheiros pensavam isso, Law sendo medico pensou isso e se dizia sortudo por ter sua mulher linda daquele jeito, mas parando agora para pensar Nami e Robin tinham o mesmo tratamento e mesmo assim elas tinham mudado, ficado mais velhas, mesmo que ainda com aparência jovem, ainda sim era possível ver uns anos a mais, já Yukino continuava com aparecia de uma jovem em plenos 17 ou 18 anos, sem mais nenhum desenvolvimento.
A menina encarou o chão por um segundo no meio ao silencio dos que entenderam e se levantou, seus filhos estavam a olhando confusos.
— Ao que parece as lendas sobre a pedra filosofal são verdadeiras. – colocou a mão no pescoço como se lembrando o dia que engoliu a mesma – Ela realmente te proporciona vida eterna, ou pelo menos juventude pelo tempo que der. – soltou um suspiro olhando dessa vez para cima – Devia ter pesquisado meu próprio sangue pra saber se houve alguma alteração maior além do sangue de demonio, mas do jeito que meu organismo é complexo pensei que era melhor deixar assim.
— Por causa das Akumas no Mi. – comentou Sachi serio vendo a amiga assentir – Por essa eu não esperava. – sorriu como sempre agora divertido, mesmo que meio contido.
De alguma forma todos fizeram o mesmo, Brook já era o exemplo puro de vida extensa e eles conviviam com isso sem problema algum, então ter mais uma imortal no bando não faria diferença, somente no caso de....bem, era melhor não pensar no futuro para não se deprimirem. Claro que os namorados da menina ainda conversaram sobre isso com ela na hora de dormir, o assunto era serio, mesmo que não quisessem pensar nisso.
A menina chorou no colo de Zoro e com os braços de Law a sua volta naquela noite, realmente era um baque em seu interior, não envelhecer como seus namorados, seus amigos, seu irmão, seus filhos só foram entender aquilo quando pensaram que a mãe parecia quase ter a idade deles, ambos também pensaram muito sobre isso desde então.
Mas nada que atrapalhasse todas as diversões e aventuras que todos tiveram depois, mesmo após todos os detalhes do século perdido terem sido resolvidos e Luffy ter se tornado o Rei do Piratas, nada pararia.
**-**
*23 de dezembro, 17 anos após o nascimento dos gêmeos*
P.O.V. Nico
— Acorda logo Nico, estamos chegando numa ilha. – virei pro outro lado da cama, mas conhecendo meu gêmeo o mesmo puxou meu pé tirando meu cobertor e batendo na minha testa “Auch”— Anda logo, o vivre card da mamãe está apontando pra lá, pode ser que ela esteja nessa ilha finalmente.
Nesse momento levantei fazendo nossas testas se chocarem com força “AUCH”.
— AH ! – dessa vez Oliver me bateu no braço – Nem vou comentar. – revirou os olhos passando a mãe no local do choque.
— Cadê o vivre card ? – perguntei logo massageando minha testa também.
Estávamos na nossa cama, era uma de casal que dividíamos porque desde pequenos gostamos de dormir juntos, as vezes a mamãe dormia com a gente também, as vezes nossos pais também se juntavam e ficava uma bagunça, mas isso foi antes da mamãe viajar a 2 anos atrás e não voltar desde então, ela mandava noticias uma vez por mês, mas a falta da presença dela incomodava.
— Aqui. – Oliver pegou o papel do bolso da calça e observei que ele apontava para o lado que íamos – Será que a mamãe está por lá ? Ou é alguma ilha mais longe ? – perguntou suspirando.
Fiz o mesmo e observei que ainda estava sem camisa e só de cueca, esse daí levanta cedo, se veste, arruma tudo e só vem me acordar depois pra dar uma noticia importante dessas, é...Oliver é com certeza o gêmeo mais ativo, eu já prefiro ir mais devagar, mas aviso logo de uma vez as noticias.
Já tínhamos 17 anos, e muita coisa aconteceu desde que eu me lembro, além disso nossa família é uma bagunça geral, tenho 2 pais o que é incomum para qualquer pessoa, ainda mais quando tenho 2 pais e uma mãe biológica e todos namoram, ou são casados, nem sei mais, Oliver sempre diz que nascemos exatamente pra fazer a loucura dessa família aumentar.
Nosso tio é o rei dos piratas e mesmo tendo esse titulo ele age como uma criança de vez em quando, o que é divertido de se assistir, tio Luffy mais parece nosso irmão que qualquer coisa, isso até mamãe gritar com nós três por termos tocado nos produtos de alquimia dela (ou quebrado nossos brinquedos que na verdade são armas que ela fez, mas releve sobre isso).
Estávamos procurando pelo paradeiro dela a mais e 3 meses, os quais ela deixou de dar noticia todo o mês, primeiro papai Zoro disse que talvez ela tivesse esquecido, mas dias passaram e nada dela ligar e nem de atender o den-den moshi, sabíamos que ela não estava em Demon, entramos em contato com Kira quando ele veio visitar a mim e Oliver já que somos de certa forma parentes, mesmo tendo pouco sangue demônio em nossas veias, mas nem ele sabia onde mamãe estava.
— Já acordaram ? – a porta do quarto abriu revelando o tritão Jinbei, ele estava no bando a uns 15 anos, lembro vagamente da batalha com uma das antigas ‘Yonkou’ a Big Mom, mas como só tinha uns 2 para 3 anos não lembro de muita coisa mesmo – Que bom, estamos avistando a ilha, em duas horas já teremos chegado. – disse em seu jeito formal e fechou a porta novamente.
Levantei pegando a blusa de Oliver e a coloquei, sempre trocávamos nossas roupas, isso que dá tia Nami viver comprando coisa pra gente, nunca sabíamos o que era de um e o que era do outro, fechei os olhos e inconscientemente senti todo mundo do navio, papai Law disse que tínhamos desde sempre o haki da observação e conseguíamos controla-lo como se fosse parte de nós, mas nem percebia quando usava ou não.
— Tio Mihawk já está acordado. – Oliver falou antes de mim.
Ah sim, Dracule Mihawk, no caso o tio da mamãe e nosso tio avô, ele tinha decidido lutar com o papai Zoro a alguns anos atrás e mesmo tendo dado empate ele passou o posto de melhor espadachim pro papai, e depois disso deixou de ser um Shichibukai e entrou para o ‘bando’ da mamãe, no caso ele não entrou oficialmente para os mugiyaras, mas assim como os demônios, ele segue a mamãe ao seu modo.
Mas na verdade ele só está aproveitando a aposentadoria com a única família que lhe restou, ao menos foi isso que mamãe nos falou em privado.
Soube que a fantasma que ficava com ele arranjou um namorado que comeu a Bato no Mi, a fruta do morcego, e foi morar no castelo de Mihawk com ele, acho que foi por isso que nosso tio saiu de lá e passou a viver no Sunny com a gente, vez ou outra ele volta porque né, a mansão é dele, o bando cresceu desde nossa infância, mas ao menos é mais divertido assim.
— Bom dia pirralhos. – Sanji nos “cumprimentou” rimos juntos e nos sentamos na mesa, Frank estava com sua habitual Cola, tio Mihawk sentado na polpa do barco olhando o mar em silencio, Jinbei nos encarou com um sorriso orgulhoso, ele sempre tinha esse sorriso.
Minutos depois tio Luffy chegou gritando com papai, mesmo sendo seu braço direito eles brigam de mais as vezes, ainda mais quando não tinha a mamãe para para-los e fazer o papai se sentar domado ao lado dela, sempre ri disso quando pequeno.
— Bom dia meninos. – ele passou a mão na minha cabeça e bocejou indo se sentar a nossa frente, nosso outro pai saiu da cozinha com uma jarra de suco e se sentou também depois de passar a mão na cabaça de Oliver dessa vez.
Nami e Robin foram as ultimas, os cabelos estavam meio despenteados, pareciam ter acabado de.....bem isso é constrangedor de mais para comentar, então deixa pra lá. Comemos como sempre, uns roubando a comida dos outros, outros reclamando de terem suas comidas roubadas, uns raios sendo jogados em certos cantos, ainda bem que eu e Oliver não sofremos esses problemas já que sabíamos bem quando alguém ia pegar nossas coisas e já batíamos na mão de borracha (acho que já revelei o principal culpado).
Depois de comer Oliver pegou minha mão e fomos para o ninho do corvo, dava para ver a próxima ilha que íamos atracar, esse era nosso lugar favorito do barco todo, por algum motivo aqui sentíamos uma essência diferente do resto do barco, nossos pais diziam que era algo relacionado a algum poder oculto nosso de sempre sentir algo sobre a mamãe já que ela vivia nesse lugar e até houveram certas ‘coisas estranhas’ aqui antes, mas até hoje não sabemos que poder é esse e porque é sempre voltado a Monkey D Yukino.
Sentei na janela e Oliver na outra ponta, olhávamos fixamente para a ilha pequena ainda, esperando sentir qualquer coisa, qualquer reação da mamãe, o Vivre Card dela apontava para lá, mas esperava sentir ela de verdade e não somente confiar no papel que poderia estar apontando para mais além, essa viagem é exatamente para encontrar ela.
— Temos que acha-la. – murmurei serio.
— Vamos acha-la. – Oliver enroscou a perna dele na minha – Mamãe é a mais forte do mundo, mais forte até que o tio Luffy. – ele riu bagunçando seus cabelos azuis já longos batendo no ombro – Mas.....o que você acha que houve dessa vez ? Ela viajou a dois anos dizendo que ia procurar novos produtos para alquimia, mas o que é tão importante assim que a fez ficar tanto tempo longe ?
— A ultima coisa que ela nos disse a 3 meses atrás foi “Estou perto, então aquietem o rabo que eu to terminando”. – sorri com a forma de sempre dela quando estava com raiva.
O que será que ela estava fazendo pra ter deixado de falar com a gente todo esse tempo ? O Vivre Card está bem o que significa que ela está viva, mas....onde ? Como ela estava ?
P.O.V. Oliver
Observei Nico mudar sua expressão ficando preocupado, eu conheço esse moreno mais do que a mim mesmo, não é pra tanto que somos tão unidos. Sorri passando a mão na cabeça dele, os olhos verdes me encararam entre os cabelos negros que caiam, eram quase do tamanho dos meus.
— Nee...lembra de quando a mamãe finalmente tocou na gente ? – perguntei subitamente, os olhos de Nico se arregalaram assentindo, essa era nossa lembrança mais antiga e era tão forte que lembrávamos até hoje – Mamãe nunca tinha tocado na gente até então, ninguém nos conta sobre isso, mas sei que ela tinha algo que a impedia, por isso se limitava, mas hoje...hoje ela nos toca e sorri com a gente, ela está cada vez mais poderosa e mesmo tendo o dobro da nossa idade ela tem nossa juventude. Ela vai ficar bem.
O vi fechar a cara como se eu tivesse lhe dado uma lição de moral, mas em seguida sorriu maldoso e pulou em cima de mim fazendo cócegas, as quais não aguentei e comecei a chorar de rir.
— H-HAHAHAHA..P..HAHAHAHA...P-PARAA...HAHAHAH !!!
— ISSO É POR FICAR ME FALANDO O QUE EU JÁ SEI !!! – continuou até ver que eu realmente não aguentava mais e parou, fiquei tentando recuperar o fôlego enquanto ele falava – Eu sei que ela é forte, Yukino, a NOSSA mãe, ela pode se virar. O que me preocupa é do porque ela não falar com a gente, sabe como somos ligados a ela.
Suspirei concordando, essa ligação que tínhamos era estranha, ganhamos vários apelidos de nossos companheiros de bando quando pequenos: “filhinhos da mamãe”, “grudes”, “chaveiros”; mas a culpa não era nossa se nossa mãe é a pessoa mais legal do mundo, não desmerecendo nossos pais, mas se comparando.......
Bem, se eles ouvisse isso com certeza iam se isolar num canto e chorar...hahaha, amo nossos pais, mesmo, de verdade, com toda a historia de como nascemos (e isso é bem traumatizante quando um medico e um espadachim tentam te explicar), ainda sim não consideramos um ou outro separadamente por nossas feições, os dois são nossos pais, somos gêmeos e por termos pego as características faciais da nossa mãe só contribuiu para realmente sermos idênticos, só trocando a cor dos nossos cabelos e olhos, é nossa família de sangue.
Olhei para o horizonte, agora nossas pernas tinham virado um bolo de confusão, mas era melhor assim, sempre ficamos juntos e era até estranho quando nos separávamos, treinamos juntos, comemos juntos e dormimos juntos, as vezes até tomamos banho juntos, mamãe nos disse que parecíamos como personagens de um livro que ela leu, acho que eram dois ruivos gêmeos de um livro sobre uma escola de bruxos.
“– Vocês vão crescer muito ainda, então lembrem-se do que eu vou dizer, não deixem que ninguém quebre essa relação que vocês tem. Muitos nunca tiveram algo assim e desejariam muito ter alguém próximo dessa forma, ajudem um ao outro a ao cair na escuridão.”
Lembro que ela nos disse isso quando tivemos nossa primeira discussão aos 10 anos, foi por algo bobo que nem lembro mais o porque, mas mamãe não brigou com a gente como pensamos que aconteceria, ela somente nos disse isso e sorriu nos abraçando, nossos pais e tio Luffy estavam presentes e fizeram umas caras estranhas de tristeza com aquilo, mas nunca perguntamos o porque.
Quando paro pra pensar nossa mãe é um livro que ainda não foi aberto completamente para nós, Nico já perguntou pro tio Mihawk porque ele não tinha fotos da mamãe quando criança, mas o espadachim só falou ‘não tinha como tirar’ e saiu deixando o assunto mais pesado a cada vez que perguntávamos, mesmo ele tendo fotos da irmã dele que é idêntica a mamãe.
— NICOOOO, OLIIII CHEGAMOS !!! – tio Luffy gritou lá de baixo, nem tinha percebido que o tempo havia passado.
— Nossa... – falamos ao mesmo tempo, olhei para os verdes se misturando nos meus azuis e rimos sem sentido – O Vivre Card parece igual. – falei segurando o papel na palma da mão e segurando meu colar com força.
— Então ela não deve estar nessa ilha. – Nico falou mais pra baixo, pegou seu bracelete de fios e eu peguei meus yoyos, ainda bem que treinávamos com os dois, porque se não Nico podia se queimar com os fios venenosos e eu nem conseguiria segurar o peso de cada brinquedo, essas coisinhas pesam uns 120 kg cada um, isso quando eu não aumento o peso pra uns 200kg, agora pra lutar era sensacional.
Olhamos a ilha e ela parecia bem comum, habitada e com varias casas, mas acho que não vamos precisar nos disfarçar, até porque mesmo que haja marinheiros ali as coisas mudaram nesses últimos 10 anos, os piratas são fortes, mas os marinheiros realmente protegem os civis de pessoas ruins, o que nós não somos, até porque tio Luffy deixou claro que não gostava de fazer mal as pessoas, mas sim de viajar e conhecer novos lugares, por tal o Rei dos Piratas é um dos ‘mocinho’ nos dias de hoje.
— Ao menos parece ser bem calma. – comentei descendo do ninho do corvo.
— Sim, o Shanks está aqui também. – tio Luffy falou com um enorme sorriso no rosto abaixando o chapéu – Ele ligou ontem e como estamos nessa rota atrás da Yukino, porque não ? O velho barbudo deve estar aqui também.
Quando Luffy virou Rei dos Piratas ele finalmente reencontrou vovô Shanks, sabíamos que o chapéu dele era do Shanks, mas não sabia da promessa deles e que por isso não se encontravam, só a mamãe nos levava para visita-lo, mas mesmo eles tendo se reencontrado tio Luffy ficou com o chapéu já que virara seu símbolo e ambos agora se encontravam com mais frequência já que eram aliados após tantos anos.
— Esse daí vai fazer bagunça. – olhei pra papai Zoro e ele estava sorrindo – O que acha Law ?
— Não faço a menor ideia, só não quero ter que aturar os marinheiros e os civis brigando com a gente. De novo. – ele se encostou nas costas do esverdeado e ambos sorriram, Nami sempre diz que não sabe como nossos pais passaram a ter uma relação romântica, mesmo compartilhando a mamãe no começo da relação.
Quando atracamos ficamos indo de loja em loja com Robin e Nami, compramos mais roupas (como se já não tivéssemos o bastante), mas ao menos compramos presentes para quando encontrássemos a mamãe novamente, depois fomos para bar mais cotado da cidade, entramos e já estava rolando alguma competição.
— É SÓ ISSO QUE CONSEGUE LUFFY ? ? ? QUE REI É VOCÊ ? ? ? – reconheci a voz na hora e Nico riu comigo, vô Shanks estava bebendo, Shirohige parecia não querer entrar nessa luta já que estava bem mais velho e Jinbei por algum motivo entrou também – DEIXA DE SER FRESCO MIHAWK !!!
— Criança. – o outro revirou os olhos.
Cumprimentei o pessoal e Nico fez o mesmo se sentando com Marco, fui até lá e começamos a conversar sobre o que tínhamos passado, sobre como estava todo mundo, vovô Shirohige entrou na conversa também.
— E então, já acharam a Yukino ?
— Nem sinal dela. Até o vovô Dragon disse que não fala com ela a uns 4 meses. – falou Nico segurando minha mão, apertei de volta – Mas o vivre card dela continua apontando para essa direção, deve estar em alguma ilha mais a oeste.
— Ou numa caverna submersa do meio do All Blue, conhecendo a mamãe tudo é possível. – falei rindo dessa vez, olhei para meu colar de safira que nunca tirava, era uma coisa preciosa para mim, assim como o colar de esmeralda era para Nico.
Ele notou meu movimento e também tocou seu colar, desde que nos lembramos temos eles e não tiramos nunca, o metal do colar era sensacional, não envelhecia e nem enferrujava, parecia ter sido feito com uma liga metálica única.
— Vocês nunca tiram esses colares né ? Lembro que já os tinham quando os conheci. – Marco comentou e assenti.
— A mãe de vocês quem fez. – tio Mihawk falou e nós o olhos surpresos – Foi ela quem produziu tanto o metal como as pedras, a primeira tentativa de alquimia dela. – ele sorriu como se lembrando de algo que o deixou orgulhoso – Foi também o primeiro presente dela para vocês, mesmo quando não podia toca-los.
— Por isso não largamos. – Nico comentou pensativo olhando para mim com um sorriso singelo, fiz o mesmo tocando na cabeça dele, mas em seguida olhando para o outro moreno.
— Vocês nunca nos contaram porque a mamãe não podia tocar na gente quando éramos pequenos. – quando falei isso quem estava em volta até abaixou o volume das conversas – Viram, sempre que tocamos no assunto o clima fica pesado. Quando vão nos contar a verdade ? – dessa vez fiquei com certa raiva.
P.O.V. Nico
Oliver estava certo, ele até colocou a mão nos cabelos azuis com certo receio, eles nos escondem algo e quando queremos saber fica tudo nesse clima estranho, porque não nos contam logo, não é como se fosse tão ruim assim, até porque hoje em dia tudo está bem, certo ?
Será....será que isso tem haver com a mamãe não estar mais aqui ? Apertei a perna de Oliver mostrando que estava do lado dele naquele pensamento. Não vamos ficar só parados fingindo que não queremos saber de nada, não temos mais 7 anos, já somos adultos.
— Porque tanto segredo ?
P.O.V. Narradora
Ouvindo aquilo dos filhos tanto Law como Zoro se encararam, ambos não queriam esconder aquilo, mas também não era um assunto legal de se comentar, o passado de Yukino quem deveria contar tudo era ela mesma, mas....Nico e Oliver eram curiosos como a mãe, espertos como Law e determinados como Zoro, ou eles teriam as respostas de um meio pacifico ou iriam se revoltar e ir atrás das respostas sozinhos, e quando aqueles dois se revoltavam, até mesmo seus pais tinham medo, os dois eram bem poderosos quando queriam.
Os dois espadachins se encararam, tinham que contar, ao menos mostrar para eles. Law entendeu a conversa silenciosa e assentiu ao marido, se levantou voltando para o barco, enquanto isso Luffy que também percebera a conversa interna dos pais dos meninos se pôs a aliviar o clima pedindo para Brook tocar alguma musica, ou mais precisamente o Brink Sake.
Naquela mesma tarde, num canto mais afastado do bar, Nico e Oliver estavam sentados numa mesa com Law e Zoro a lhes entregar os mais de 10 cadernos que Yukino escrevera em sua idade dos 13 aos 20 anos, quando superou seu trauma de se aproximar de crianças.
Os meninos liam um a um dos cadernos, Law no passado lera somente 3 e esses já era bem reveladores, mas os demais realmente diziam sobre o passado da menina, sobre suas conversas, as pessoas que conheceu, seus sentimentos vazios se tornando mais humanos, da Guerra do Fim do Mundo pelos seus próprios olhos e não pelos livros de historia que criaram, para os adolescentes de 17 anos aquilo era como ver uma pessoa diferente da mãe que conheciam, mas só chegando nos cadernos mais ‘atuais’ que perceberam ser realmente a mãe deles, Monkey D Yukino como eles nunca viram.
Depois daquilo uma serie de perguntas se seguiu, o bar estava animado, mas também era perceptível o sentimento de ‘finalmente eles estão sabendo a verdade’ que se instalou no local, os membros mais próximos dos mugiyaras tentavam ouvir a conversa de pais e filhos, mas ao perceber que não conseguiam ouvir deixaram para lá, aquele era um momento particular deles.
Nico e Oliver teriam muito o que digerir e pensar após aquilo, era uma pena a própria Yukino não estar ali para falar com os filhos e dar seu relato pessoal, ao menos os meninos acumulavam perguntas que queriam fazer a própria mãe quando a encontrassem, isso somado ao porque dela ter sumido daquela forma.
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