The Black Snow Lótus
23 Anotações
Notas iniciais
Yukino havia dormido enquanto conversava com Bepo, até porque ela estava no colo deste e as costas do urso eram macias que proporcionou na dormência da mente da heterochromada, quando viu que a menina havia dormido o grade urso falante calou-se e ficou só a abraçando para a esquentar e acabou dormindo também, assim acabou com ambos no chão dormindo abraçados, uma cena que não passou despercebida por ninguém, era muito fofa para ser ignorada.
— Alguém tira uma foto disso por favor. – Penguin sussurrou para não acordar os dois, Yukino estava com a cabeça um pouco tombada para o lado sendo segurada pelos braços peludos brancos de Bepo que colocara a cabeça em cima da menina quase a engolindo num mar de fofura.
Nisso pelo menos Nami, Sanji, Law e Zoro estavam tirando fotos com aquela cena, tudo bem que era diferente/estranho esses dois ultimos estarem com os olhos focados na menina, mas como era a namorada deles até que não era assim tão estranho.
— Ela está bem ? – perguntou Sanji olhando a menina ainda com a roupa rasgada de antes o que fez o cozinheiro corar e os namorados chutarem ele no mar.
— HAHAHAHAHAHA SANJI ESTÁ TODO MOLHADO...HAHAHAHAH. – Luffy ria alto fazendo Yukino se remexer, mas sem abrir os olhos.
— Hmmm...Luffy... – murmurou chamando a atenção do mesmo pensando se ela estaria sonhando consigo e se aproximou mais para escutar – CALA A BOCA E ME DEIXA DORMIR BAKA ONI-CHAN...hmmm chocolate. – o moreno estava no chão por causa do grito, mas mesmo assim a irmã estava dormindo com um sorriso doce nos lábios, o que deixava o Mugiyara mais assustado ainda com a personalidade da menina.
— O-Ok desculpa. – sussurrou vendo um sorriso mínimo no rosto da menor – Quer horror, essa menina é pior que a Nami irritada. – se afastou fazendo bico e indo até a cabeça do Sunny, se sentando para olhar o horizonte.
Mas pela primeira vez em sua vida Luffy passou a pensar em como Yukino realmente se sentia com tudo aquilo, como ela havia sobrevivido todos esses anos de uma forma tão horrível ? Ele havia sido criado por seu avô, Dandan e os bandidos das montanhas, mesmo com todo o treinamentos de ser jogado em diversos lugares pelo seu avô, ele pelo menos teve com quem se preocupasse com ele, assim como tem a Ace, Sabo, Shanks e agora sua tripulação, mas tudo isso veio do seu convívio com as pessoas desde pequeno.
Mas nem ao menos sabia que tinha uma irmã antes disso, tudo bem que ela só descobriu a uns 3 anos também, mas isso foi porque ela viveu desde seu nascimento num laboratório sofrendo sem saber de nada, sendo usada, sem conhecer ninguém que realmente se preocupasse com ela e a primeira coisa que fez assim que conseguiu sair daquele inferno foi procurar procurar por si, ela podia ter ido viver uma vida melhor longe de tudo que lhe pudesse causar mal, mas mesmo assim o seguiu, acompanhou-o na sua jornada sempre velando pelo seu bem estar.
Ela mesmo tendo uma vida nova pela frente, mesmo sabendo que ele não sabia de sua existência, mesmo podendo procurar uma vida longe de qualquer coisa que lhe pudesse lembrar do mal que lhe aconteceu no passado, não....ela viera para o irmão, não pensava em como funcionava a mente de Yukino, mas para depois de tudo ainda sim se preocupar com alguém que nunca conhecera era algo impensável.
Quando parava para analizar, lembrava de as vezes sentir alguém o olhando quando ainda morava na ilha com os bandidos, não um olhar de ódio ou animal como normalmente acontecia quando estava na floresta perto do lixão, mas sim um olhar calmo, curioso e que depois sumia como se nunca tivesse estado ali. Então era Yukino naquela época quando o via pela primeira vez ?
Agora ela estava com ele, no seu bando, com sua família e conhecendo novos sentimentos de afeto, por parte tanto familiar como romântica por Zoro e Torao, os dois eram amigos bem queridos de Luffy, por isso o mesmo sabia bem que eles não iam magoar sua irmã, não depois de também terem ouvido a historia dela, não iam quebrar a confiança que Yukino deu a eles, mas sentia que se isso acontece era impossível pensar no quanto quebrada a menina se sentiria, e não queria jamais ver a irmã num estado como quando ela começou a lembrar de seu passado, não queria mesmo e faria o possível para que aquilo não mais acontecesse...mas como ?
— Oni-chan ? – tomou um susto vendo aquela em quem estava pensando aparecer ao seu lado com os olhos recém acordados, mas o rosto preocupado – O que houve ? Você parece estar pensando muito, e isso não é muito um bom sinal. – sorriu minimamente se sentando ao lado de si na cabeça do grande leão com juba de sol.
— Kishishishis não é nada, só estava tentando entender como você conseguiu me seguir todo esse tempo. – não era mentira, mas estava mesmo preocupado com o passado dela, pois até mesmo marcas haviam sido deixadas, e não só fisicamente, mentalmente também, por isso ela não podia entrar em lugares pequenos fechados e nem ficar muito próxima de crianças pois lembrava do que sofreu anteriormente naquela idade.
— Hmmmm, não foi fácil.... – parou pensando com uma mão segurando o queixo, estava sentada com as pernas juntas ao corpo e a outra mão foi para perto da mão esquerda de Luffy – Bem primeiro tive que ver o mundo que nem sabia que existia, passei um ano só viajando com minhas asas e parando para comer e explorar, tinha umas senhoras que ficavam com dó de mim e me deram as roupas de seus filhos mais velhos, ou de suas filhas que era alguns números maiores que eu, por isso sobrevivi bem. Claro que tinha o problema das crises em que eu passava um tempo dormindo em coma.
— Ah eu lembro, você passou 3 dias dormindo e disse que já ficou 3 meses. – comentou e a menor assentiu continuando.
— Depois de uma dessas minhas crises decidi procurar pela única pessoa que não tinha nada haver com meu passado e mesmo assim tinha, você. – apontou pro Mugiyara confuso, por isso decidiu explicar – Você não tinha nenhuma conexão com meu passado, mas era meu irmão de sangue e por isso fui ver como seria a vida daquele que tinha meu sangue e mesmo assim teve uma vida diferente, te conheci pela primeira vez gritando com a Dandan e indo para a floresta ficar reclamando que seria legal ter o Ace e o Sabo contigo, vi que era um menino divertido, animado e com um grande sorriso e sonho, por isso em vez de simplesmente ir embora eu fiquei a te observar por um tempo, não tinha mais para onde ir de todo o jeito.
— Mas claro que você não ficou sempre atrás de mim, você mesma disse que tinha momentos que tinha que fazer outras coisas.
— Isso também, em uma das minhas crises que fiquei pelo menos 2 meses em coma em uma arvore, você já tinha ido para o mar a uns 15 dias antes deu acordar. – olhou para o rosto do irmão com um bico fofo irritado, mas voltou ao normal olhando o mar a frente brilhando com o sol – Fui tentar descobrir onde você passou e cheguei até a ilha onde o Zoro estava, engraçado como vocês se juntaram com aquele menino.
— Ah o Coby, ele mudou muito de lá para cá, está bem mudado, cresceu muito. – o moreno sorriu lembrando do amigo e do reencontro dos dois, mas também dele na Grande Guerra, se bem que o viu bem pouco. Se bem que lembrando melhor, ele e Halmeppo ficaram se escondendo boa parte da batalha.
— Acho que sei de quem você está falando, posso ter visto um menino de cabelos rosas parecido com aquele garoto na base da marinha. Ah Luffy em falar nisso, vi o Garp. – falou calma, como se não fosse nada, mesmo sendo o avô que nunca conheceu – Ele tinha bastante presença, quando falei meu nome e quem eu era quase vi-o chorar, será que foi bom ou ruim isso ? E pensar que conheci o seu avô.
— É seu também, mesmo assim foi bom, tirando o fato que o oji-chan deve ter ficado bem abalado por finamente conhecer uma neta que nem sabia que tinha e mesmo assim ela ir para o mundo pirata também...kishihsihshsi....ele deve ter ficado deprimido comendo biscoito, mas tenho certeza que ele já te ama. – piscou para a irmã e ambos entrelaçaram seus dedos um no outro já que suas mãos estavam próximas.
— Sabe Luffy fico feliz em ter te conhecido, não consigo imaginar o que teria me acontecido se eu não tivesse vindo para cá e conhecido a todos, se eu não conhecesse esses sentimentos novos e misteriosos, ter um irmão, namorados, amigos, não sei como seria, obrigada por me mostrar tudo isso oni-chan. – deitou sua cabeça no ombro de Luffy fazendo o mesmo sorrir de orelha a orelha dando aquela risada peculiar dos irmãos, parecia uma cena como o momento de irmãos que as vezes tinha com o Ace, só que agora com a irmã que nunca mais ia se separar, sua imouto Yukino.
Law olhava os irmãos sentados numa paz extremamente estranha para um Mugiyara, mas deixou quieto e foi para o seu submarino que estava na parte interior do Sunny, entrou chegando no seu quarto e pegando alguns livros para ler, mas percebeu que tinha algo em cima de sua escrivaninha, não lembrava de ter deixado nada ali, o que significava.....alguém invadiu seu quarto dentro do seu submarino, e não podia ser sua tripulação já que todos sabiam que ele odiava aquilo.
Mas assim que viu o que tinha na mesa a raiva se dissipou como o vento, na mesa se encontrava um pequeno bilhete e 3 cadernos, que lembrou ter visto um deles a algumas semanas atrás, mas começou a ler o bilhete primeiro.
‘Bem, sei que você deve estar bravo por eu ter invadido seu quarto, mas não queria ter que fazer isso pessoalmente, por isso desculpa. Naquele dia que discuti contigo por causa dos meus diários foi o que me levou a fazer isso.
Law, sei que começamos a namorar a pouco tempo, mas que você queria saber mais sobre o que penso, bom....foi então que decidi te entregar alguns dos meus diários de bordo, não foi todos porque alguns eu realmente não posso deixar ninguém ler, mas esses acredito que possam te ajudar. Se não quiser somente deixe com a Nami, há coisas neles que gostaria de não comentar e por isso é melhor que você leia porque não tenho certeza se terei coragem de falar tão cedo.
Sei que Zoro não é afim de leitura, mas se puder conversar com ele sobre isso ficaria feliz, amo vocês dois e se para que tenhamos mais confiança uns nos outros eu tenha que revelar meus diários, que assim seja (foi ideia da Robin, não sabia que precisava tanto de confiança numa relação, desculpa ainda estou me acostumando com isso *rostinho sorridente com uma gota*).
Beijos, Monkey D Yukino.’
A letra era belíssima, podia ser confundida com aquelas que usam para enfeitar cartões ou coisa parecidas, era leve, delicada e não havia erros, o que deixou Law ainda mais surpreendido já que ela disse ter aprendido a ler já tarde e a escrever também dados as circunstancias do passado, se bem que já tinha visto a letra dela uma vez. Pegou o primeiro diário da esquerda, esse era de couro como os demais, parecia ter já uma certa idade e que ela realmente tinha lido e relido o que escreveu, deixando o pirata mais curioso sobre o fato do que tinha ali escrito.
Decidiu começar a ler e depois passar o que tinha descoberto para Zoro num resumo, realmente o esverdeado não gostava nada de ler e nem de nada complicado. Começou com o caderno de cor marrom desgastada.
P.O.V. Law
’30 de janeiro,
Faz 3 dias que consegui sair do laboratório, ainda estou com minhas roupas sujas do sangue dos cientistas e não sai ainda da floresta, na verdade pretendo sair amanha pois a comida não vai durar para mim me virar aqui. O Sol é bem lindo, ele ilumina tudo de uma forma impressionante, li num livro daqui que é por causa das explosões e muitas reações que acontecem lá, livros são muito interessantes, graças a eles consigo escrever, mesmo que copiando a letra de alguns caliogrofos.’
Então ela começou lendo livros sobre química e biologia além de literatura, isso explica como tem uma letra assim tão bela, mas a forma como ela fala parece tão fria, entendo seu lado e acho que é apartir daí que tenho que ver seu verdadeiro eu, alguém que começou do zero muito tarde e nessa época estava começando a seguir um caminho que nem imaginava poder existir, essa é uma Yukino que não conheço.
‘A grama é estranha e faz cosquinha, tinha animais que vi nos livros em volta do laboratório na floresta, alguns chamados esquilos, outros macacos, tinha um mar com alguns animais verdes chamados jacarés, borboletas e pássaros passavam ao redor. O corpo dos cientistas continua na sala de cirurgia, consegui esse diário vazio em uma das gavetas da sala de operação e vou fazer disso um habito para minha viajem já que quero deixar registrado.
‘Descobri que meu progenitor se chamava Dragon de acordo com o que minha progenitora disse antes de morrer, ela se chamava Eliza, parece que ele é famoso por ser procurado pelo governo, e esse é um órgão que comanda o mundo colocando tudo em ordem, pelo o que li os experimentos que passei foi a pedido por esse governo, mas não era para envolver crianças e eles não tinham conhecimento da Angel no Mi, não sei se esse governo me é interessante, mas não me importo.
‘Tem um homem que aparecia de vez em quando aqui no laboratório como se fosse o operante de tudo, não quero me lembrar dele, mas eu não o matei, ele vinha de 6 em 6 meses para averiguar se estava tudo ocorrendo como ele queria, sempre que vinha ele se dirigia a minha cela e ficava me olhando e dizia que ia ser uma boa arma no futuro, e me mandava fazer coisas estranhas, quando ele voltar e ver que todos morreram vai perder aquele poder todo que parecia ter.’
Homem ? Ela disse que eram 5 cientistas, o que significa que tinha um que mandava em tudo, mas não era cientista ? Era ele quem começou com a ideia de trocar os presos por crianças sequestradas e fazer os experimentos, mas quem era esse homem ? Será que ele pensava que a Yukino morreu com os demais ? E agora que ela era famosa ele poderia reconhece-la ? Balancei minha cabeça, iria pensar nisso depois, agora iria ler mais um dia pelo menos.
’23 de dezembro,
Já estou viajando a quase um ano, a noticia do laboratório veio a tona e parece que ninguém desconfia que houve uma sobrevivente, ou melhor, ninguém desconfia que uma das crianças foi a assassina daqueles desgraçados, antes de sair do laboratório deixei o corpo de todas as 99 crianças, mesmo o corpo já quase todo decomposto das meninas e meninos que vieram quando eu tinha 5 anos, todas de uma forma mais organizada, estavam todos jogados dentro de uma sala afastada onde o cheiro podre invadiu minha narinas, peguei cada osso, cada crânio, corpo ainda constituído e os coloquei deixados e arrumados da melhor forma antes de ir, li que quando uma pessoa morria você devia juntar as mãos e pedir para que as almas deles descansassem, mesmo não sabendo ainda o que são almas, foi o que fiz, partindo para conhecer o mundo e possivelmente algum parente a mais que eu tenha.
‘As vezes me pergunto o que as pessoas fazem com seus rostos, ultimamente tenho visto muitas pessoas nas ilhas que fui, mas os sorrisos que eles dão é diferente dos que eu vi na minha vida toda, perguntei para uma senhora que me deu uma blusa do filho mais velho dela que estava na marinha e ela me disse que era porque as pessoas estavam felizes, que choravam quando estavam muito felizes, ou tristes, que sorriam de varias maneira diferente, de felicidade, tristeza, ironia, falsidade, sarcasmo, e outros. Com o tempo comecei a entender o que o que as pessoas mostravam era mesmo real ou só falsidade, mas ainda não entendo esses sentimentos, só o de liberdade que é o que sinto hoje.’
Parei de ler sentindo lagrimas queimarem nos meus olhos, ela realmente não teve uma vida nada normal, lembrei de mim depois daquele ataque a minha cidade natal e pensei se nossos presentes seriam diferentes se essas coisas não tivessem acontecido conosco no passado, mas deixei de pensar nisso, porque passado é passado e foi dele que virei a pessoa que sou hoje, graças ao Cora-san. Iria ler tudo depois quando estivesse mais apto para isso, agora não ia conseguir me concentrar com os pensamentos mortíferos por aqueles que fizeram isso com ela.
Sai do meu quarto guardando os 3 cadernos e o bilhete com cuidado numa gaveta, iria falar com Zoro sobre isso, sai do submarino e fui até a parte traseira do navio onde o espadachim estava levantando um peso de no mínimo 1 tonelada, se não duas, e assim que ele me viu colocou o peso no chão e me olhou pegando a toalha para se secar, acho que meu olhar foi o necessário para faze-lo parar.
— O que foi, que cara é essa Trao ?
— Temos que conversar, consegui algo importante sobre a Yukino. – falei vendo que Zoro também ficou serio e assentiu se secando com a toalha e indo até o parapeito do barco, fui até ele e comecei a falar – Lembra de quando estávamos na ilha em que estava o Punhos de Fogo-ya ? – ele assentiu – Então, teve aquele caderno de diário de bordo que eu li um trecho, mas a Yukino ficou brava e acabou saindo, foi até o dia em que você beijou ela enquanto dormia.
— Sim eu lem....EI VOCÊ VIU ??? – dei um sorriso sádico típico de mim e continuei com a cara vermelha dele.
— Sim eu vi, mas voltando ao assunto.... – contei do bilhete no meu quarto e sobre o que li ainda no primeiro caderno e que não consegui ler o resto porque não estava preparado, mas tinhamos que avisar a ela já que ambos somos namorados dela.
Ainda fico impressionado com a facilidade que consigo dividir a Yukino com o Zoro, ele era só um integrante dos Mugiyara, mas quando vi que ele também gostava dela não senti ciúme nem nada, na verdade é até legal essa relação, ninguém fica com problemas, ninguém com ciúme nem possessão para si, pelo menos entre nós, temos confiança e conseguimos nos relacionar bem, é.....minha ideia foi de gênio como sempre. (Nami: Convencido nada ! *revira os olhos*)
Fale com o autor