The Black King

1 O Valete de Espadas


Era apenas mais uma noite comum de outono, o relógio indicava que já era 8 horas da noite, a chuva caía fazendo um barulho relaxante e era acompanhada de um frio agradável. Quase não havia transito na rua, o que foi bastante favorável para o nosso protagonista, pois havia acabado de sair da delegacia depois de um exaustivo dia de trabalho, ele apenas queria chegar em casa rapidamente para descansar.

─ São 30 dólares senhor. ─ Ele retirou o dinheiro de sua carteira e pagou a caixa, então pegou suas compras e foi em direção a saída do supermercado, ele havia parado ali para comprar seu jantar, comida congelada não é lá a melhor, mas ele não estava com nenhuma vontade de cozinhar.

─ Devia ter trazido um guarda chuva. ─ Sussurrou para si mesmo quando viu que a chuva caía, então foi na direção onde havia estacionado seu carro, deu sorte não ter sido em um lugar muito longe e de estar com um seu casaco ou o "banho" que estava levando teria sido bem maior. Depois de alguns minutos finalmente achou seu carro, ao entrar nele tirou o casaco e o jogou no chão do carro, em seguida jogou a sacola com sua comida no banco do passageiro, então logo o ligou e começou a dirigir por entre as ruas da cidade.

Depois de um tempo dirigindo ele finalmente chegou ao prédio em que morava, então estacionou em sua vaga, ele pegou seu casaco e a sacola e saiu do carro, indo em direção ao interfone para pedir ao porteiro que abrisse os portões do prédio. Os portões foram abertos, enquanto adentrava o hall de entrada ele notou que o porteiro o olhava com desaprovação, pois estava sujando todo o chão devido aos seus sapatos estarem completamente molhados, ele então pediu desculpas e seguiu para o elevador.

Ao entrar no elevador apertou o botão que correspondia ao seu andar e esperou o elevador subir, depois de alguns minutos o elevador parou em seu andar, ele pegou suas chaves do bolso e foi em direção a porta de seu apartamento para abri-la. Enquanto girava a maçaneta da porta acabou dando o espirro, iria ficar gripado se continuasse com aquelas roupas molhadas, então seria melhor tomar um banho e só depois preparar o jantar, pelo menos foi isso o que nosso protagonista pensou que iria fazer, mas o destino tinha outros planos.

─ Vejo que você finalmente chegou, estava a sua espera. ─ Ouviu assim que abriu a porta, o susto fez com que deixasse cair no chão á sacola. Ele colocou uma mão no bolso de seu casaco, a procura de sua arma, enquanto com a outra tateava a parede em busca do interruptor. Quando finalmente ascendeu a luz viu de onde vinha a voz, havia um homem sentado em seu sofá, ele vestia uma calça e camisa pretas, sapatos sociais e seus cabelos eram brancos e, como estava olhando para o chão, eles cobriam a visão de seu rosto, sua pele era extremamente pálida, quase tanto quanto seus cabelos.

─ Parado ai! ─ Ele disse enquanto apontava a arma para o estranho, que apenas riu em resposta enquanto levantava a cabeça, seus olhos eram cinzentos e sem emoções e possuía um sorriso debochado. ─ Acho que eu quem deveria rir aqui, não é lá uma idéia muito inteligente assaltar a casa de um policial. ─ Nossa protagonista praticamente cuspiu essas palavras enquanto se aproximava lentamente do homem, ainda mirando sua arma na cabeça do invasor.

─ Assaltar? Eu? Acho que me interpretou errado, eu vim apenas para "conversar", como não o achei resolvi esperar aqui dentro.

─ Conversar? Tsc, o que eu teria para conversar com você?

─ Suponho que conheça o caso Alice. ─ Sua expressão se tornou séria assim que o estranho homem terminou a sua frase.

─ Prossiga.

─ Acho que tenho informações sobre que seriam de seu interesse.

─ Então você veio aqui confessar a autoria dos crimes?

─ Eu não chamaria de crimes, mas podemos dizer que sim. ─ Isso foi uma reviravolta e tanto para o nosso protagonista, ele estava bem confuso e não era para menos, o caso Alice era um grande mistério, pois o autor do crime foi cuidadoso o suficiente para jamais deixar nenhuma pista de seu paradeiro, e agora o assassino aparece em sua casa para confessar tudo por livre e espontânea vontade, isso era bastante estranho e suspeito. Mas apesar de tudo ele não poderia perder essa oportunidade, e se ele fosse realmente o assassino?

─ Primeiro levante-se e fique de frente a parede com as mãos na cabeça. ─ Ele disse enquanto se levantava, ainda apontando a arma para o homem, que fez o que lhe foi pedido, então o invasor foi revistado e em seguida algemado. Depois de algemar o estranho homem, os dois se dirigiram ao sofá, com o nosso protagonista sempre com a arma em mãos, ele se sentou em uma cadeira na frente do invasor e colocou seu celular na mesa entre nos dois, para gravar a confissão.

─ Muito bem, pode falar, começando por Undyne Foster.

─ Ah, quer ir pela ordem? Muito bem, lhe contaremos a história do valete de espadas.

─ LIMPE ISSO AGORA E NÃO QUERO OUVIR NENHUM PIU! ─ Disse a mulher ruiva visivelmente irritada enquanto adentrava a porta que dava acesso a cozinha, deixando para trás uma jovem garota que estava lutando para conter as lágrimas, enquanto catava do chão os cacos do que um dia foram pratos. Os restantes dos funcionários apenas fingiram que não ouviram a gritaria e continuaram seus afazeres, já haviam se acostumado com o péssimo temperamento da chefe e sabiam o quanto ela pegava no pé dos novatos. Undyne era dona daquele restaurante, apesar de ser uma excelente cozinheira, ela tinha fama de ser um tanto cabeça quente com as pessoas.

─ Hey Lisa, não fique triste, não é nada pessoal. Você sabe como a chefe consegui ser esquentada. ─ Disse um dos garçons enquanto se aproximava da garota, tentando confortá-la.

─ Sim, obrigada.

─ O que vocês dois estão fazendo ai? Não pago vocês para ficarem de papinho, voltem agora ao trabalho ou cabeças irão rolar! ─ Ao ouvirem a voz da chefe, os dois tremeram de medo e imediatamente voltaram aos seus postos.

Trin trin, o som do sino balançando indicava que havia um cliente novo, como os outros funcionários estavam ocupados atendendo as outras mesas, Lisa foi atender ao cliente recém chegado. Ela se dirigiu até a mesa que ficava nos fundos do restaurante, que era o lugar para onde o cliente havia ido, conforme ia se aproximando ela ia notando o quão estranho era aquele homem que estava ali sentado, ele tinha cabelos brancos bagunçados, uma pele pálida, vestia roupas pretas e tinha um olhar vazio e sem vida, sem falar no sorriso escabroso que tinha no rosto.

─ Q-qual o seu p-pedido senhor? ─ Lisa gaguejou um pouco devido ao medo que o homem lhe casou.

─ Por agora nada. ─ O homem disse enquanto a encarava com aqueles olhos vazios, então Lisa se retirou imediatamente, indo em direção ao balcão.

─ Irei dar uma saída para comprar algumas coisas, não irei demorar. ─ Disse Undyne para seus funcionários, ela então caminhou até a porta e saiu.

─ Hey Allen, aquele cara daquela mesa é muito estranho, ele me causou arrepios. ─ Lisa sussurrou no ouvido do amigo, apontando para a mesa dos fundos.

─ Qual cara?

─ Aquele que ta naquela me- ─ Ela acabou se interrompendo quando viu que o homem não estava mais ela, o que era estranho, já que não ouvirá o sino soando quando ele saiu, mas ela apenas deu de ombros e deixou pra lá.

[...]

Undyne estava em sua casa surfando pelos canais de TV, um tanto entediada, como era feriado ela não iria abrir o restaurante, então não teria nada para fazer pelo restante da tarde, foi então que tive a idéia de ligar para seus amigos e chamá-los para sair. Apesar de ter um péssimo temperamento, Undyne era bastante sociável e adorava sair para se divertir. Ela pegou seu telefone e clicou na discagem rápida, ligando primeiro para seu amigo Finn, que atendeu rapidamente.

─ Undyne! Estava prestes a te ligar.

─ Estava é? Posso saber o porquê?

─ Irei dar uma festa hoje a noite, ta afim de vir?

─ Hm, e quem irá?

─ O Nath, a Jess, o Arthur, a Riley, sabe, só a galera da nossa turma. Ah, eu também chamei aquela garota, amiga da Jess, que você tava de olho tem um tempo, a Alphys.

─ A Alphys, é? Hm acho que irei sim.

─ Ótimo, então até a noite.

─ Até a noite. ─ Undyne desligou a ligação e foi para seu quarto escolher a roupa que vestiria na festa á noite, ela tinha a sensação de que seria uma noite bem interessante, e de certa forma foi, mas não para ela.

[...]

Já estava na hora de se arrumar para a festa, Undyne foi para o banheiro e tomou um banho rápido, logo em seguida escovou seus dentes e saiu do banheiro indo em direção ao seu quarto. Ela vestiu as roupas que havia separado mais cedo, uma blusa branca, uma calça preta e um casaco de couro preto combinando, e nos pés calçou um tênis preto. Undyne penteou seus cabelos e os prendeu em um rabo de cavalo, depois colocou um batom vermelho, então se olhou no espelho para ver se estava tudo em ordem.

─ É, acho que está bom. ─ Ela pegou suas chaves que estavam em cima de uma mesinha e saiu de seu quarto, desligou todas as luzes da casa e então saiu de sua casa. Depois de trancar a porta ela foi em direção ao seu carro, que estava estacionado na frente de sua casa, Undyne entrou nele e deu partida rumo à casa de seu amigo. Ela não demorou muito, pois a casa de Finn ficava a cerca de uns 20 minutos de carro, ao chegar lá procurou um lugar para estacionar em meio aos veículos das outras pessoas, por sorte conseguiu estacionar num lugar não muito longe do local da festa, depois de estacionar ela saiu travando o carro e foi em direção a casa, que estava cheia de pessoas bebendo e dançando.

─ Vejam quem chegou, a alegria da festa. ─ Finn a cumprimentou com um abraço que foi retribuído por Undyne. Ele usava uma calça preta rasgada e uma blusa branca, seus cabelos loiros estavam bagunçados e ele usava um brinco preto na orelha esquerda.

─ Você sabe mesmo como fazer uma festa.

─ Undyne! Mexa a sua bunda até aqui e venha beber com a gente. ─ Ela olhou na direção da voz e viu suas amigas, Jess e Riley. Jess vestia um vestido branco que ia até os joelhos, usava saltos pretos e seus cabelos negros e encaracolados estavam soltos; Riley usava um short marrom e uma blusa azul de mangas longas, nos pés usava tênis que combinavam com o short, seus cabelos marrons estavam presos em uma trança lateral. Alphys também estava junto a elas, á loira estava com os cabelos soltos, ela usava um vestido preto simples que ia até os joelhos e sandálias da mesma cor.

─ Vai lá ficar com sua crush. ─ Finn disse dando uma cotovelada no braço de Undyne, que foi na direção de suas amigas.

─ Olá punks, qual é a boa?

─ Toma, bebe com a gente. ─ Riley disse entregando um copo para Undyne.

─ Eu aposto que você não consegui beber isso tudo de uma só vez. ─ Jess disse com um sorriso brincalhão, sabendo que a amiga nunca recusava um desafio.

─ Isso por acaso foi um desafio?

─ É claro que foi, vai arregar?

─ EU NUNCA FUJO DE UM DESAFIO! ─ Undyne então bebeu todo o conteúdo do copo de uma só vez e acabou ficando um pouco zonza. Suas amigas então começaram a rir.

─ Ei a gente vai pegar mais bebidas, já voltamos. ─ Jess disse enquanto puxava Riley pelo braço que dava algumas risadinhas. Então Undyne e Alphys ficaram sozinhas por um tempo, elas começaram a conversar, Alphys estava um pouco tímida no começo, pois ela tinha falado com Undyne pouquíssimas vezes, mas aos poucos ela foi se soltando, provavelmente graças á bebida.

─ Axxo quee beebi demaix. ─ Alphys mal conseguia falar algo coerente por causa das bebidas que havia tomado, ela acabou tombando pro lado e quase caiu, mas Undyne conseguiu segura-lá a tempo.

─ Sabe...Você tem belos olhos. ─ Undyne disse enquanto encarava Alphys, então as duas foram aproximando seus rostos pouco a pouco até que seus lábios se tocaram.

─ Finalmente, achei que nunca iam se beijar. ─ Jess disse enquanto espiava Undyne e Alphys de longe, junto com seus amigos.

[...]

Já era por volta de 1 da manhã, a festa já havia acabado, mas ainda havia algumas pessoas na casa, umas estavam se preparando para ir embora, já outras estavam adormecidas pelo chão da casa e até mesmo pelo quintal. Undyne decidiu que iria para casa a pé, já que a mesma não estava em condições de dirigir, alguns de seus amigos lhe ofereceram carona, mas ela recusou. Então ela se despediu de todos e deu um beijo de despedida Alphys, que agora havia virado sua ficante.

O caminho de volta para casa foi bem silencioso, pois como era muito tarde quase não havia carros e pessoas na rua, os poucos que via eram dos convidados da festa retornando para suas casas. Conforme se aproximava de sua casa a rua ia ficando cada vez mais vazia, até só restar ela, e parecia que a caminhada iria demorar bem mais do que o esperado já que a mesma estava cambaleando muito por causa dos copos de bebida que havia tomado.

Em um determinado momento Undyne teve a impressão de ouvir passos atrás dela, mas ao se virar não viu nada, então ela julgou ser apenas a sua imaginação e continuou sua caminhada, mas depois de alguns segundos novamente o barulho de passos retornou, só que dessa vez bem mais perto de onde ela se encontrava, novamente ela não encontrou ninguém ao se virar. Isso se repetiu mais algumas vezes e a essa altura Undyne já estava começando a ficar nervosa.

─ Quem está ai? ─ Ela se virou de repente e falou para o nada, a única resposta que obteve foi o silêncio. ─ Eu sei que tem alguém ai, apareça covarde.

─ Já que você insiste. ─ Uma voz desconhecida falou bem atrás dela, o que a fez virar subitamente, Undyne não teve tempo de reagir, tudo o que viu foi um vislumbre de um sorriso assustador, então sombras começaram a envolver seu corpo e ela apagou.....

[...]

─ Então resolveu finalmente acordar e juntar-se a nós. ─ Undyne ouviu enquanto abria seus olhos, sua visão demorou alguns segundos para voltar ao normal.

─ Q-quem é você? Onde estou? ─ Ela tentou se mexer, mas estava presa, havia cordas amarrando seus braços e pernas, ela olhou ao redor e viu que estava em algum bosque, a sua frente estava um homem de roupas negras, ele tinha um sorriso assustador no rosto e segurava uma faca. ─ Me largue, é dinheiro que você quer? Solte-me que eu te dou.

─ Não quero e nem preciso de seu dinheiro.

─ Então o que diabos você quer de mim? Que merda é você?

─ Ótimas perguntas. Eu sou um rei e um rei precisa de soldados, certo? Você será o meu soldado número 1. ─ O homem disse enquanto se aproximava de Undyne, então ele começou a esfaqueá-la, fazendo um verdadeiro banho de sangue no local, os gritos dela ecoaram por todo o lugar, mas não havia ninguém para ouvi-los além dos animais....

[...]

─ Vem logo seu preguiçoso. ─ Disse a garota correndo bosque adentro.

─ Vai devagar Ana, quase não to conseguindo te acompanhar.

─ Você que é um preguiçoso Ash. ─ A garota disse enquanto parava de correr e esperava o namorado. Eles estavam passeando pelo bosque, que ficava um tanto longe da cidade.

─ Espero que saiba pra onde estamos indo, não estou nada afim de me perder nesse lugar.

─ Além de preguiçoso você é um medroso. ─ Ana deu uma risadinha e continuou sua caminhada, dessa vez sem correr, até que de repente parou.

─ O que foi? Você parou do nada.

─ Sangue.....

─ O que? Eu não ouvi direito.

─ SANGUE!! Sangue Ash, tem sangue bem ali! ─ Ela disse enquanto apontava nervosamente para o local, parecia ser uma trilha de sangue. Curiosos, eles resolveram seguir o sangue, não demorou muito até que eles se deparassem com a seguinte cena, o corpo de Undyne estava cheio de cortes e empalado em galhos de uma árvore, Ana acabou vomitando com a cena, eles imediatamente saíram dali e ligaram para á policia.

Quando a policia chegou eles reviraram todo o local em busca de pistas, mas nada foi encontrado, DNA, digitais, nada. Havia apenas o corpo mutilado e empalado, foi encontrado uma carta de baralho em sua boca, era um valete de espadas com a palavra "Alice" escrita com sangue, porém está pista se mostrou inútil. O casal que encontrou o corpo e amigos próximos da vitima foram interrogados, mas nenhum deles parecia suspeito, então o caso foi arquivado.