The Black Angel

6 Gnomeu e Julieta


Notas iniciais
Capítulo cheio de fofura!

Voltamos para casa, com apenas Ray dirigindo e Gerard a seu lado. Foi quase como antes. Eu queria que Gerard falasse. Eu ainda não digeri as palavras que ele havia dito no almoço. Fui atrás do banco dele, onde ele estava apoiado, olhando a cidade, suspirando de quando em quando. Ray se virava pra ele trocando umas palavras baixinhas. Gerard apenas assentia que estava bem, mas continuava em seu estado de melancolia. Ray abriu a porta quando chegamos, agradecemos pelo almoço. Perguntei por que Gerard estava naquele estado depressivo (eu via sua cabeça encostada na janela, e seu rosto triste). Ray olhou para a porta do carona, depois virou para mim, com uma expressão vazia:

– É difícil de explicar Helena. E pior ainda é você entender.

Fiquei meio decepcionada. Primeiro que achei que Ray me chamou de burra. Segundo porque eu não poderia ajudar Gerard.

E é a primeira vez que fiquei triste por causa de um garoto.

P.O.V. Liesel

Escola, de novo. É como diria aquela música: “Escola todo dia, mas que agonia”. A única coisa boa que aquele colégio tem de bom a oferecer é a Coca com a metade do preço. E só.

Não posso esquecer a Hellie, minha única amiga daquela muvuca. Fora os irmãos dela (mas isso não conta).

Minha mãe me obriga a ir ao colégio. E eu não posso me voltar contra ela.

Mas desde o dia que Helena foi salva por um cara chamado Gerard, a escola começou a ficar interessante. Primeiramente por que ele libertou duas escravas, e pagara dois lanches para a gente. E de brinde, um amigo dele, que parece um gnominho de plumas negras na cabeça. Mas acho que ele precisa de um babador.

Hoje era quinta-feira. O desmaio de Helena foi na terça. Estava torçendo para uma tucson preta me tirar da aula. Mas me decepcionei. Esperei até a hora do almoço, e nada.

Mas um garoto estranho de óculos estava ao meu lado, recebendo a gororoba que chamavam de almoço. Chamei a atenção de Hellie, e o seguimos. Ele se sentou perto da porta do refeitório. E enquanto distraído, comia um bolinho, sentamos.

Mikey percebeu nossa presença, e emudeceu. Helena, deu um “olá” meio bobo. O Way caçula fez menção de sair, mas impedimos. Helena perguntou, no tiro:

– Por que Gerard estava triste ontem?

Mikey a olhou, com deboche:

– Isso não é da sua conta.

– É sim, Mikey. Eu devo algo a ele, e me importo com ele.

– Se você se importa com ele mesmo, vai embora!

Olhei Hellie. Mikey estava lançando raios de ódio para ela. Minha amiga encarava-o com raiva. Sabem, eu adooooro brigas silenciosas.

Hellie saiu e Mikey também. Acho que ela estava se vingando de mim. Tive que ir pulando atrás dela.

Durante essa semana, todo dia, depois da aula, eu recebia a visita de um gnomo. Um gnomo corvinho de plumas pretas. A saída geralmente é muito cheia, mas ele faz questão de ir pulando, derrubando todo o mundo, inclusive Hellie, que caía toda vez. Ele me abraçava, beijava minha bochecha, e ainda pagava Coca para mim. Hellie dizia que Frank estava gostando de mim. Se for, eu não sei. Mas eu estava gostando dele.

Frank cumprimentava Helena com nomes diferentes: Jucena, Lucena, Iracema, Macarena. E derrubava minha amiga no chão. Na frente da escola toda.

Hoje faz uma semana e dois dias do incidente com minha amiga. Saímos da escola sem ninguém atropelando ninguém. Helena ficou aliviada por não levar mais um hematoma para casa. Fiquei rindo dela, até que alguém me abraçou por trás. Aquela voz conhecida perguntando quem era me fez corar. Virei e encontrei um gnomo sorridente, e como aquele sorriso era contagiante, sorri também. Notei que ele estava usando uma correntinha menor de ouro com um L na ponta. Fiquei encantada.

Frank nos disse que ia entrar no colégio rapidinho; era para esperarmos ele. Em dez minutos meu gnominho estava de volta. Trazendo Mikey pela gravata. Foi uma cena bizarra, a formiguinha carregando o elefante. Continuou andando e nos chamou para entrar no carro. Jogou Mikey no banco traseiro, e disse para Helena entrar. Abriu a porta do carona para mim e num pulo entrou no banco do motorista. Fomos para o prédio luxuoso Sur La Cité em instantes.

Quando entrei no apartamento, tive vontade de rir. Bob estava com uma bandana rosa na cabeça, uma vassoura e um aspirador nas mãos. Estava usando uma camisa vermelha e uma bermuda velha. Ray estava com uma touca de renda sobre seus cabelos um pouco armados, com as calças arregaçadas até os joelhos, com uma camiseta cinza, cheia de desenhos. Estava com um limpa-vidros, trapinhos de tirar poeira, polidores, produtos para madeira, e um frasquinho prateado, que era para limpar prata. Os dois estavam correndo de um lado para o outro, querendo ter o cuidado de deixar tudo brilhante. Mais ainda do que já estava. Frank disse que era uma faxina de verão. E também por que o poderoso chefão ia visitá-los à noite. Ainda não entendi o porque de nos levaram ao apartamento luxuoso.

O baixinho disse que ia se trocar, e falou a Mikey que era para ele limpar os quartos. O Way mais novo foi sem contestar. Ray finalmente notou nossa presença e nos cumprimentou, com a respiração dificultada, tamanho o cansaço. Helena perguntou por Gerard; eu sabia que ela estava ansiosa para falar com ele. Ray respondeu que ele estava lavando o banheiro principal, que ficava do lado direito no fim do corredor. Ela poderia ir lá sem problemas, só não se assustasse muito com o que visse. Ela sorriu, sumindo rapidamente pelo corredor brilhante. Ray disse que ia lustrar o lustre (só eu que senti a ironia?) e foi pegar uma escada para trazer o objeto prateado para facilitar e não quebrar nada. Enquanto ele ia sumindo para a despensa, falou para mim ficar a vontade. Eu estava a vontade na porta. Ver Bob aspirando o tapete e cantando uma música do Queen era hilário. Frank voltou, com uma bermuda rasgada, e uma camisa preta e verde-neon. Disse para eu acompanhá-lo. Ray passou com a escada, e quando nos viu, riu. O fitei desconfiada. Estávamos na cozinha. Notei como ela era linda. Tudo cromado, e uns vasinhos de pimenta davam um toque mexicano no ambiente.

Frank disse que ia fazer café para os meninos. Ele estava meio sorridente demais hoje. E ainda estava usando a correntinha de ouro com o L, que notei agora que tinha um brilhantinho. Fiquei sentada numa cadeira alta. Observei-o indo de armário em armário, usando um banquinho para alcançar o pote de açúcar. Tive vontade de rir, mas me lembrei de que era do tamanho dele, então disfarcei. Ele pôs café em duas xícaras em cima do balcão e saiu com o bule. Estava de volta. Ficou sorrindo para mim, depois ficou mexendo na xícara. Ele riu e eu ri também. Ficamos rindo por motivo nenhum. Frank encostou a cabeça olhando para mim, e ainda sorrindo, me perguntou:

– Lie, você tem namorado?

O que?

– Não... Que eu saiba não.

– Tá afim de alguém? – Ele me olhou com aquela carinha irresistível do Gato de Botas.

– Talvez sim. Quer dizer, vamos dizer que eu tenha mais o que fazer.

– Ah. – ele ficou triste. O que foi mesmo que eu disse?!

Frank ficou uns bons minutos olhando a xícara vazia. Continuava triste. Eu queria dizer alguma coisa, mas não sabia. Eu estava a fim dele... Mas, eu ia dizer assim, na lata? Não. Ou será que sim? Que drama, Deus do Céu.

– Lie? – Ele me chamou.

– A própria. – Respondi com um pouco de brilho na voz.

Ele saiu da mesa e ficou de frente a mim. Me senti alta, com aqueles olhos de corvo brilhantes olhando fixamente para mim. Fiquei ruborizada.

– Lie. – Ele me chamou de novo.

– Hum?

– Eu não aprendi isso na escola e não faço ideia com se faz... – Ele pôs uma mecha de cabelo meu atrás da orelha. – Mas eu quero muito fazer isso.

E me beijou. Ofegante, amador, mambembe, sufocado, romântico. Eu adorei. Os lábios do meu corvinho beijando os meus. Nossas línguas se buscando. O beijo mais doce que ganhei na minha vida.

Era Gnomeu e Julieta.

Notas finais
Dia 29 estarei em viagem. Por isso pude postar essa semana. Então a partir desse dia, ficará dificil de postar. Mas não deixem de mandar seus Reviews ♥