The Bitsmaster

12 Acerto de contas


Notas iniciais
E está aí o início da 2ª parte de Sunset Riders: a caçada por Richard Rose. Boa leitura!

Algumas semanas se passaram desde a nossa vitória sobre os irmãos Smith. No dia seguinte ao referido episódio, partimos rumo à caça de Richard Rose e seus comparsas, embora antes eu tenha falado com o xerife daquela cidade sobre o meu retorno para a casa e, como eu estava meio que esperando, ele não obteve êxito inicialmente, mas me prometeu investigar melhor o meu caso assim que voltássemos da nossa jornada. Também comecei a praticar e aperfeiçoar o manuseio de armas: Cormano me deu de presente aquele mesmo revólver que usei para aniquilar os gêmeos do crime (embora eu não tenha abandonado aquelas bombinhas de “efeito coceira” que estava usando e que me foram muito úteis, por sinal). Assim, fui crescendo como mais uma aventureira daquele grupo e, com isso, ganhando o respeito, apoio e admiração de todos eles, inclusive de Steve. Ainda falando em Cormano (que muitas vezes age como se fosse meu pai dados os motivos que já conheço), ele que sempre foi tão simpático e comunicativo, estava mais quieto... Creio que o choque de ter descoberto que o seu ex-amigo era um dos capangas de Richard o abalou profundamente.

Richard Rose, ao que parecia, estava morando – ou melhor, se escondendo – numa bela mansão que ficava após uma fortaleza com vários bandidos pagos por ele...

— A missão pode ser muito perigosa de fato, Helena – disse Steve – mas para uma mocinha que nos ajudou de maneira muito inteligente com Hawkeye Hank Hatfiled e Dark Horse e, mais do que isso, derrotou praticamente sozinha os irmãos Smith, isso pode ser até mais fácil... – concluiu ele dando uma risada que julguei ser sincera.

— Helena, há quem diga que você tenha tido aulas com a senhorita Jane Calamidade! – falou Billy com uma entonação divertida na voz.

Quase todos nós rimos, exceto Cormano que apenas deu um sorriso. Então, me aproximei dele e disse:

— Ei, você, ou melhor, nós vamos vingar o que ele fez contigo, com seu dinheiro e indiretamente com a sua família... Mas volte a ser aquele cavalheiro educado que conheci e que me salvou de morrer de fome naquela noite, por favor!

Cormano, mais uma vez, deu um sorriso triste e falou:

— No te preocupes, chica! Só estoy impactado que finalmente puedo voltar a ver el maldito que me desgració!

Não insisti mais naquele diálogo e continuei a tagarelar com os outros rapazes.

Quando chegamos num determinado trecho do nosso caminho, percebemos uns trilhos, algum trem deveria passar por lá.

— É mais um trem de carga – disse Billy – que nem aquele quando derrotamos Hawkeye, só que essa linha leva para o oeste.

Mal Billy terminou de falar e conseguimos observar o dito trem vindo ao longe. Para o nosso espanto, quando ele passou bem na nossa frente, alguma coisa pequena, mas muita rápida saiu dele, chicoteando o solo; quando nos aproximamos daquele objeto, identificamos o mesmo: era uma bala vinda de uma arma disparada daquele meio de transporte!

— Com a nossa fama após a vitória sobre todos aqueles foras-da-lei que derrotamos, não seria qualquer um que bancaria o valente conosco... Creio que tem dedo do Richard Rose aí! – disse Steve.

— Então o que estamos esperando? Vamos todos correr atrás daquele trem, ele não está longe ainda! – disse já apertando o passo.

Corremos até aquele transporte de carga e, de fato, alguns marginais estavam já com as suas armas mirando e atirando em nós. Desviamo-nos facilmente e eis que o trem deu uma parada repentina nos dando a oportunidade de o invadirmos e neutralizarmos facilmente aqueles que tentavam acabar conosco.

O trem então voltou a andar enquanto seguíamos pelo vagão, notei que tinha de tudo quanto era coisa sendo carregada lá: feno, caixas com algum tipo de mercadoria (que nos ajudaram a evitarmos as balas dos próximos bandidos) e muitas toras de madeira.

— Suspeita-se que Richard comande esquemas de roubo de madeira em larga escala e que isso tenha ligação com massacres de nativos. – disse Bob.

“– Desmatamento e morte!” – pensei.

E de fato: alguns vagões mais a frente, observamos a inscrição “Rustler & Thief R.R.”

“– Isso que eu chamo de orgulho pela “profissão”“ – pensei maldosamente.

Avançamos mais um pouco e, ao que tudo indicava, a parte de transporte de carga daquele trem parecia terminar ali, estávamos então próximos da parte dos vagões fechados, que, em teoria, transportavam pessoas mesmo.

— É melhor fazermos um ataque pelo teto, ceio que vários marginais devam estar dentro desses vagões fechados. – disse Steve.

Subimos uma escada que tinha ao lado da entrada do primeiro vagão com teto que vimos e dito e feito: muitos bandidos estavam lá e, acredito que ouvindo os nossos passos caminhando por cima do trem, começaram a tentar atirar em nós pelas janelas, mas como esperávamos aquela investida, nos livramos deles fácil.

Um pouco mais adiante, começaram a subir para fora do trem alguns foras-da-lei, o problema é que vinham de ambos os lados, logo Steve disse:

— Billy, Bob e eu atiramos naqueles que estão vindo pela esquerda e Cormano e Helena atiram nos da direita!

Ele ainda não tinha terminado de falar e, na velocidade crescente do trem, vi uns postes de madeira fincados na beira dos trilhos se aproximarem: eram retos, mas se viravam (como um "L" invertido) sobre o teto do trem! Não tive tempo de pensar nem apontar direito, atirei na direção dos postes para chamar a atenção dos rapazes e disse:

— Não atirem, pulem!

Saltamos bem a tempo de não sermos atingidos e os postes acabaram derrubando os bandidos que estavam justamente vindo pela direita, nos ocupamos então com os que estavam vindo pelo lado oposto.

— Estávamos tão ocupados cuidando dos bandidos que estavam atirando de dentro dos vagões que quase não percebi aquela madeira gigante que derrubou todo mundo que estava vindo pela direita... – falei tentando me justificar depois da minha “brilhante” estratégia.

Os quatro rapazes me olharam com respeito e com um sorriso de satisfação nos rostos. Demos mais alguns passos e restava saltar para um vagãozinho sem teto e repleto de toras e, em seguida, estava a cabine onde ficaria o maquinista; mas de repente, Cormano paralisou que nem uma estátua e começou a encarar algo, aliás, alguém... Em pé e próximo das toras, estava um homem com um sombreiro muito parecido com o que meu amigo usava, só que na cor vermelha, um grande manto rosa que cobria todo seu tronco até mais ou menos a região dos joelhos e uma calça azul.

— Eres tu... Maldito seas! – Cormano disse com um misto de raiva e mágoa na voz.

Eu não estava reconhecendo aquele comportamento que não era típico do meu camarada, logo estava sem entender nada até que me dei conta: aquele homem que Cormano encarava era um dos capangas de Richard Rose, era El Greco...

— Finalmente te reencontré para que tú pagues lo que me robó! – Cormano continuou a sua fala e à medida que ia soltando as palavras, sua voz ia aumentando.

— Tú eres un inútil y ahora es hora de morir...– El Greco disse ironicamente.

E quando tentei sacar minha arma, o braço de Bob parou na minha frente, me impedindo:

— Essa é uma batalha do Cormano e apenas do Cormano, fiquemos todos nós aqui assistindo apenas...

— Mas... mas... mas... – eu disse já agitada.

— Ele vai se dar bem, Helena: um homem precisa acertar as suas contas! Confie nele! – Bob continuou me dando um sorriso.

Eu dei um suspiro e então Cormano sacou as suas espingardas, enquanto El Greco jogou o manto que o cobria longe, revelando na sua mão direita um chicote e na mão esquerda o que se assemelhava a um espesso escudo de metal: a batalha entre os dois ex-amigos estava prestes a começar!

“– Engraçado! Ele não usa armas de fogo?” – pensei curiosa.

— No necesitaré de armas para te humillar, Cormano! – falou Fernando e parecia que mais alguém estava lendo a minha mente... – Y ahora... Adiós amigo!

Iniciou-se então aquela luta mortal: El Greco deu um salto tentando se aproximar de Cormano, mas este prevendo o movimento do adversário, também deu um pulo ficando por trás do mesmo, o que fez com que meu amigo desse um tiro pelas costas do rival, mas conseguindo acertá-lo de raspão no braço; furioso, Fernando tentou dar uma chicotada, mas Cormano desviou para o lado e atirou, porém a bala atingiu o escudo metálico do bandido; El Greco, mais uma vez, avançou contra seu conterrâneo mexicano, saltando, no entanto dessa vez, Cormano teve uma ideia de mestre – ele deu uma espécie de rasteira com o próprio corpo e, durante esse movimento, disparou: o tiro pegou em cheio o ombro de Fernando; Cormano ainda estava para se levantar quando, muito rapidamente, El Greco aterrissou, se aproximou do meu amigo e, parecendo ignorar um pouco a dor que deveria estar sentido no ombro ferido, começou, para a nossa aflição, a chicoteá-lo! O nosso aliado não conseguiu desviar daqueles golpes e, ainda no chão daquele trem, recebia aquelas chicotadas com uma expressão de pura dor... Eu, desesperada e em prantos, gritei:

— Cormano! Não deixe que esse vigarista te vença, pense no dinheiro que você perdeu, mas principalmente na sua mulher e na sua filha a quem você prometeu que voltaria!

E como que tivesse recuperado as forças e voltado a si, Cormano conseguiu segurar o chicote quando Fernando tentou dar o próximo golpe e – com um puxão – derrubou-o, já que El Greco não teve tempo de soltar a outra extremidade. Com a queda do bandido, Cormano se levantou e deu um chute no braço esquerdo do ex-amigo, fazendo com que o escudo protetor dele voasse para bem distante; o capanga de Richard ainda conseguiu se levantar, mas, tarde demais: nosso amigo mexicano deu um tiro no seu peito.

— Yo te vencí, Fernando... Ahora, estoy vengado! – disse Cormano.

— Adiós... amigo! – disse El Greco tirando o seu chapéu e jogando-o para o ex-colega e, assim, caindo daquele trem para a morte certa.

Nós comemoramos e eu, muito feliz, me aproximei de Cormano lhe dando um abraço e um beijo no rosto; ele guardou suas armas, colocou o sombreiro que era de Fernando na cabeça e o seu próprio chapéu rosa, ele me entregou.

— Toma! Es tuyo! – ele disse com aquele sorriso encantador de sempre.

Eu fiquei sem palavras, surpresa com aquele presente inesperado.

— Obrigada! – falei, abraçando-o novamente.

Os outros também se aproximaram de nós e cumprimentaram Cormano, felicitando-o pela vitória. O trem então deu uma parada brusca e quando vimos onde ele cessou a sua viagem, nos surpreendemos e eu questionei perplexa:

— O destino final desse trem de carga é... um vale!?

Notas finais
E Cormano conseguiu a sua vingança em cima de El Greco. Falta ainda mais dois capangas e o próprio Richard Rose. Até a próxima! o/