The Birthday
1 Capítulo único
Notas iniciais
Completar dezoito anos, completar dezoito anos...
Esses eram meus pensamentos nas aulas de química de biologia. Por três vezes fui chamada a atenção, aí sim eu parei de prestar atenção nessas porcarias de aulas.
Ao longe ouvi o sinal tocar e levantei-me num pulo. Arrumei meu material e o coloquei dentro da bolsa de qualquer forma, virei-me e levei um susto ao perceber a pessoa mais alta do que eu com um sorriso no rosto.
– Vá assustar a mãe, Allessandra. — resmunguei, passando por ela de maneira desastrada.
– Seu bom humor me contagia. — respondeu de maneira irônica e logo estava caminhando ao meu lado pelos corredores movimentados da Mystic Falls High School.
– O que você quer? — perguntei depois de um tempo em silêncio para a minha amiga-quase-irmã.
– Mariana, eu sempre vou para o intervalo com você. — revirou os olhos teatralmente, como se isso fosse uma coisa óbvia.
– Não, você sempre vai com o Stefan. — abri um sorriso vitorioso quando vi ela emburrar e fazer uma careta. — Então, cadê ele?
– Stefan foi... — parou por um momento e olhou para frente. Segui seu olhar e avistei Elena e sua trupe passando pelo corredor, encarando a mim e a Alle. — Foi caçar.
– Esquilos? — perguntei ironicamente e ele me deu um tapa no braço. — Ah, qual é, Alle, Stefan adora um esquilinho, vai.
– Claro, vou me vestir de esquilo no Halloween para ver se ele me pega também, por que tá difícil, viu. — arregalei os olhos assim que ela disse, tão espontaneamente que me deu medo. — Mas, não, ele prefere coelhos, então... Quem sabe uma coelhinha da Playboy...
– Depois diz que a tarada sou eu. — sussurrei para ela não ouvir, mas ao contrário disso, sim, ela me ouviu.
– E não é? Dona Cherry. — pronunciou meu antigo apelido, fazendo com que eu ficasse extremamente vermelha. — Cadê a sua "Bomb"?
– E quem ou o que seriam a minha "Bomb", querida Allessandra? — parei em frente ao refeitório e arqueei uma sobrancelha para ela.
Allessandra faltou pouco me dar um tapa mas ao menos desta vez não o fez. Olhou pela porta que nos separava do resto dos alunos e um sorriso se formou em sua face. Então apenas apontou o dedo para o lugar onde ele estava. Damon Salvatore. Sexy, gostoso, vampiro e totalmente irritante.
– Ele é a sua "Bomb", amiga. — respondeu-me, se voltando para mim e abrindo novamente um sorriso.
– Amiga, você bebeu? — perguntei, seria. — Não, é serio. Foi aquele sangue de esquilo, não foi? Allessandra, depois que você virou vampira, acho que está ficando meio louca.
– Sangue de esquilo é muito bom, para a sua informação. — me deu língua, como uma criança birrenta. — Mary, desde os meus tempos de humana eu sabia da sua tara pelo Salvatore mais velho.
– E eu sei da sua tara pelo Salvatore mais novo, e aí? — encarei-a e dei um sorriso.
– Não é tara, temos uma ligação... Ele me transformou, poxa. — olhou para baixo, como se estivesse corando. E se ela ainda fosse humana, estaria.
Mal notei quando Elena chegou por trás de nós, e se não fosse Alle, definitivamente eu daria um tapa
nela.
– O que você quer, Gilbert? — perguntei, fechando as mãos em punho. Controlei-me por pouco, por ironia do destino eu ainda era humana, e as outras duas ao meu lado eram vampiras.
– Ouvi a conversa de vocês. — disse sorrindo, e Allessandra abriu um sorriso amarelo para ela. — Só avisando que Stefinho também me transformou, vadias. Temos muito mais ligação do que pensam.
– Uma ligação desde que você era humana? Me poupe, viu. E eu bem sei que vocês já se pegaram, pensam que me enganam? — soltei uma risada do mau, fazendo ela arregalar um pouco os olhos.
– Pegar parece um termo tão ruim, dividimos uma experiência amorosa. — soltou uma risada alta, e voltou seu olhar para onde Damon estava antes. — Olhe lá, dinamite chegando!
Vimos Damon se aproximando, claro que ele havia ouvido nossa conversa e com certeza ouviu meus pensamentos. Maldito seja.
– Meninas. — cumprimentou-nos formalmente, fazendo uma reverência exagerada.
– Damon, por favor, estamos no século XXI, não precisa de toda essa formalidade. — novamente a voz de Elena encheu meus ouvidos, apenas virei um pouco para Alle, que mantinha a postura ereta e um olhar irritado.
– Bom, minha querida Elena, se não notou, eu estava falando com Allessandra e Mariana. — respondeu dando um sorriso torto para ela, me pegou pela cintura e Alle pela mão. — Até mais ver.
Quando estávamos longe o suficiente, vi Alle soltar o ar pesadamente. Definitivamente ela ainda não sabia como lidar com Elena.
Damon nos soltou e segurou uma das mãos de Allessandra.
– Calma, se controla. Ela não passa de uma idiota ignorante. — as palavras saíram de forma doce dos lábios dele, fazendo com que ela o olhasse.
– Só não entendo o fato de ela ter que jogar o tempo todo na minha cara que pode ficar se pegando com o Stefan por ai quando quiser. — Alle passou as mãos pelos cabelos e respirou fundo. — Damon, me diga, por favor, por que Diabos o Stefan me transformou?
– Stefan te transformou porque te ama, Alle. — respondeu-lhe Damon, sorri em concordância.
– Não, não ama. — seus olhos se encheram de água, ganharam um tom avermelhado. — Ele ama a Elena, vocês não veem?
– Alle, então por qual motivo Stefan te transformou, se não por amor? — perguntei a ela, arqueando uma sobrancelha.
– Bem... Mas ele transformou Elena também. — ela estava obstinada a não dar nenhuma brecha.
– Stefan tranformou Elena porque ela deu um ultimato a ele, ou eles se casavam ou ele a trasformava, caso contrário ela contaria o nosso "segredinho" para todos. — Damon tomou a frente, explicando aquela história tão pouco conhecida. — E você, alguma vez pediu uma dessas coisas a ele?
– Não, nunca fiz nenhum destes pedidos. — Alle olhou para baixo, parecendo pensar nisso pela primeira vez.
– E você se lembra por qual razão ele lhe transformou? — ergui um pouco o rosto dela, só para constar que ela estava chorando.
– Ele me transformou porque... Porque eu estava... Morrendo. — fechou os olhos e começou a respirar fundo. — Foi quando Elena tentou me matar afogada, no clube. E se Stefan não estivesse lá, eu já estaria morta.
– Viu só? E você ainda acredita que isso não seja amor? Ah, amiga, vamos parar com essa novelinha mexicana. Já que ele não toma a iniciativa, você a tomará. — ela abria um sorriso a medida em que eu falava. Voltei-me para Damon, que me olhava estupefato. — O que foi? Não preciso demonstrar minha esperteza com você, docinho. Somente com quem realmente merece.
– Então eu não mereço sua esperteza? — fez aquela cara de deboche que eu tanto odeio e fitou-me.
– Não, não merece. Agora, se me der licença... — repeti as palavras que minutos antes ele havia usado com Elena e sai desfilando pelo corredor.
Cheguei ao pátio e olhei ao redor. Não havia quase ninguém ali, apenas algumas lideres de torcida. Sentei-me em um banco e joguei a mochila ao meu lado, mantive os olhos semicerrados por conta do sol forte, foi quando vi Stefan.
É claro que Allessandra estava apaixonada por ele, e quem não estaria? Era o típico mocinho, bonitinho... Sorte que eu preferia os bad boys.
– Oi Stefan. — murmurei quando ele se sentou ao meu lado.
– Oi. — usou um tom seco, nada habitual do Stefan.
– O que aconteceu? — cruzei os braços enquanto o via fazer o mesmo. — Caça ruim?
– Nao estou com tempo para suas brincadeirinhas, Mariana. — continuou serio, pensativo.
– Opa, calminha tigrão! — ergui as mãos em sinal de rendição. — Me diga, o que foi?
– Elena está me deixando com raiva. — soltou o ar pesadamente enquanto passava as mãos pelos cabelos arrumadinhos.
– Parabéns, só demorou três anos para perceber isso. — fiz uma careta mas logo tampei a boca. — Desculpa, prossiga.
– Ela continua querendo matar a Alle. — vi a preocupação instalada em seu rosto.
– Stefan, Allessandra agora é uma vampira também. — dei de ombros.
– Mas Elena continua sendo mais forte. Ela não é como eu e Allessandra, que bebemos sangue animal. Por isso é mais forte, como o Damon. — olhou para mim, então apenas balancei a cabeça, compreendendo perfeitamente o que ele queria dizer.
– Então, você vai permitir que Elena mate Alle? — definitivamente eu estava me sentindo uma psicologa.
– Mas é claro que não. — Eu am... Adoro a Allessandra. — percebi a mudança na palavra e acabei sorrindo com isso.
– Ok, então você "adora" a Allessandra, bom... — fingi anotar o que ele dizia num bloquinho de papel imaginário, cruzei as pernas. — Stefan, Stefinho, meu doce, quando é que vai admitir que ama a Alle?
– Mas eu não... — parou de falar e olhou para baixo.
– Está vendo só, nem consegue mentir. — revirei os olhos. — Me diga, qual é o problema de ficar com ela, sendo que vocês se amam?
– Ela ama o Jeremy? — sussurrou, apertando as mãos em punho.
– O drogado? Irmão da Elena? — desta vez tive que rir. — Não, ela ama você, idiota! Stefan, para um vampiro você é bem aéreo aos assuntos, viu. — dei um tapa em seu braço, mesmo sabendo que ele não sentiria dor. — Isabele ama o Jeremy, Jeremy ama a Isabele, e Allessandra te ama.
– Ama? — seu olhar encontrou-se com o meu, duas bilhas verder penetrantes.
– Não, eu só falei isso para levantar seu astral. — falei ironicamente e dei-lhe outro tapa. — Stefan Salvatore, deixa de ser burro e dá logo um beijão na Alle, por favor.
– Mas e se ela... — começou a falar novamente, mas interrompi-o.
– Calado! Vá, faça o que eu mandei, já! — empurrei-o do banco, fazendo-o ficar de pé.
– Agora? — passou as mãos pela nuca, demonstrando nervosismo.
– Sim, agora. Vamos Stefinho, você é um vampiro ou um rato? — questionei, arqueando a sobrancelha.
– Estou pensando na possibilidade de virar um rato. — respondeu abrindo um sorriso.
– Deixa de ser besta. — levantei-me e peguei minha mochila enquanto empurrava-o para dentro do grande prédio da escola. — Boa sorte.
Pouco depois de Stefan sumir no corredor, o sinal se fez ouvir. O corredor encheu-se daquelas pessoas de quem eu queria distância.
Respirei fundo e entrei no meio da "multidão". Acabei esbarrando em Isabele, então seguimos para a aula de literatura juntas.
– Ai Mary... — suspirou ela pela quinta vez.
– Fala logo o que aconteceu, desgraça. — pedi-lhe da forma mais educada que consegui.
– O Jeje... — seu olhar estava perdido, com um certo brilho.
– Espera... Jeje seria o Jeremy? — perguntei, não me contendo e começando a rir. — Serio que esse é o apelidinho que você deu para ele?
– Ai, fica quieta. Nós nos... Nos beijamos. — corou enquanto dizia, e baixou o olhar.
– Já não era sem tempo! — gritei, erguendo os braços e assustando a um grupo de meninas que passava por nós.
– Shh, calada Lira! — pediu-me e começou a rir baixo. — Ah, qual é.
– Temos um novo casalzinho formado, gente! O drogado e a alcóolatra. — falei alto e comecei a correr para a sala, antes que Izzy pudesse me pegar e me matar. — Também te amo, chuchu! — gritei enquanto adentrava a sala e ia para a última carteira, como de costume.
Olhei para o lado e vi Allessandra sentada do outro lado da sala e Stefan sentado a sua frente, os dois conversavam.
– Finalmente. — sussurrei.
– Finalmente o que? — a voz de Damon me assustou.
Virei para frente e o encontrei sentado em cima de minha mesa, me fitando.
– Pensei que finalmente não teria de olhar para a sua cara mas foi engano meu. — fiz cara de entediada e peguei meu caderno dentro da bolsa, enquanto o olhava.
– Assim fere meus sentimentos, docinho. — sua voz sexy me causou arrepios, mas eu não me daria por vencida.
– Que sentimentos, docinho? — frizei a última palavra, aquela desgraça de apelido.
– Aqueles que eu tenho guardado só para você. — colocou a mão sobre o peito, em cima de onde deveria haver um coração batendo.
– Oh Deus, agora sou privilegiada e tenho uma espaço no coração do Damon, oh! — fingi animação mas logo voltei a minha cara usual, de entediada.
Senti meu celular vibrando no bolso da calça e peguei-o rapidamente. Uma mensagem de Allessandra piscava na tela.
"Vai fundo!"
Olhei para ela e fiz cara de desentendida, então ela apenas apontou para mim e Damon e fez um coração no ar, enquanto Stefan ria.
– Filhos da mãe despreziveis. — sussurrei, mandando o dedo do meio para eles.
– Que belos modos. -novamente Damon me assustou, então respirei fundo e me voltei para ele.
– Vá se danar. — abri um pequeno sorriso e tentei tirá-lo de cima da minha mesa. — Salvatore, daqui a pouco o professor vai chegar na sala e eu pretendo colocar meu caderno em cima desta mesa, e não em seu colo. Agradeceria então se você pudesse se deslocar para uma cadeira bem distante de mim.
– Olha como ela aprendeu bons modos rápido. — abriu um soriso torto e eu tive vontade de socar aquele rostinho lindo. — Mas para sua total felicidade, o professor Morgan não veio hoje.
– Ótimo. — bufei e fechei o caderno, enquanto me recostava na cadeira e cruzada os braços acima do peito.
Um silêncio se instalou, e silêncio não era coisa boa para o Salvatore mais velho, porém não seria eu a quebrá-lo.
– Fiquei sabendo que você quer ser transformada quando alcançar a maior idade. — sussurrou ele, e se eu estivesse o ignorando, não ouviria. — E isso será amanhã, se estou certo.
– Está certíssimo, Damon. — continuei de braços cruzados.
– E quem te transformaria? — por um momento me perdi na imensidão azul que eram seus olhos, me fitando tão intensamente que quase gaguejei.
– Allessandra. — o nome da garota saiu em um sussurro de meus lábios, me encolhi um pouco.
– Claro que seria Allessandra, quem mais seria? — então ele voltou para aquela expressão de desdém que sempre faz.
– Damon, me explica o porquê de você estar aqui falando comigo? Vai azarar uma garota que realmente te queira, ou sei lá. — passei a olhar para outro canto, fugindo do olhar de Damon, fugindo daquele ser que eu tanto desejava.
– No que está pensando, Lira? — senti que ele me encarava, e minhas bochechas começaram a esquentar. Merda, não!
– Estava pensando em ir ao Mystic Grill, comer alguma coisa antes de ir para sua mansão. — passei as mãos por minhas bochechas que ainda se encontravam quentes.
– Você mente mal, Mariana. — senti seus dedos frios passando por meu rosto e por impulso tirei-o de lá.
– E você deveria parar de ler a mente alheia. — guardei o caderno na mochila e a coloquei nos ombros. Sai daquela sala que parecia estar fervendo, quente demais.
Corri para o banheiro e me olhei no espelho. Olhos brilhantes, bochechas incrivelmente vermelhas... Sim, este era o efeito que eu tentava evitar toda vez que Damon estava presente.
Liguei a torneira e coloquei as mãos em concha abaixo da água gelada que saia da mesma. Quando já tinha uma certa quantidade, joguei no rosto e fiquei de olhos fechados.
Ouvi a porta sendo aberta mas continuei de olhos fechados. Quem quer que fosse, estava se aproximando de mim.
– Mariana, Mariana... — Damon, era ele, que merda, ele não desistiria nunca?
– Você não deve entrar no banheiro feminino. — fora a única coisa que consegui dizer quando senti suas mãos deslizarem por minha cintura.
– E quem vai me mandar sair daqui? — abri os olhos e encarei o espelho. Minha face ainda estava rubra, e Damon tinha um sorriso no rosto, como sempre.
Num ato rápido ele me virou de frente, para que ficássemos frente a frente. Controlei a vontade de tive de agarrá-lo e levei as mãos para sua camisa, para tentar empurrá-lo. Ao contrário disso, minhas mãos se agarraram a ela, como se nunca mais fossem soltá-la.
Fechei os olhos enquanto o via se aproximar de mim, já poderia sentir sua respiração quente batendo contra meus lábios. Então nossos lábios se encontraram e uma corrente elétrica passou por meu corpo, me fazendo ficar arrepiada da cabeça aos pés. Seus lábios frios estavam finalmente sobre os meus.
No início aquilo não passava de um selinho, apenas o encontro de dois lábios sedentos de desejo. Mal percebi quando Damon encostou-me na parede e então o beijo foi ganhando forma. Um calafrio percorreu-me quando sua língua tocou-se a minha, soltei sua camisa e deixe que minhas mãos fossem parar em sua nuca, onde arranhei e fiz um carinho.
Um segundo depois e eu já precisava de ar. Droga, havia me esquecido que era apenas uma humana. Damon também percebeu a minha falta de ar repentina e parou o beijo depois de um demorado selinho. Continuei com os fechados, sentindo meu lábio formigar, minhas pernas bambas e meu coração batendo descompassado.
– Sabe o quanto é difícil fingir que te odeio? — sua voz era baixa, e procurei por algum vestígio de que aquilo era brincadeira. Nenhum sinal.
– Então você não... — deixei a frase incompleta e abri os olhos. Os olhos azuis mais pareciam um mar, límpidos demais. Lábios vermelhos e aquele sorriso torto que tanto me matava.
– Não, nunca quis te odiar. Mas te odeio, odeio pelo simples fato de não conseguir te odiar. Odeio por não conseguir ficar longe de você, e odeio mais ainda por não te ter. — palavras bonitas vindas do homem que eu achei não ter sentimento algum. Mordi meu próprio lábio e procurei por algo que eu pudesse falar, nada encontrei.
A única coisa que pude fazer foi encostar novamente meus lábios nos seus, como se aquilo provasse que eu também não o odiava.
Eu não te odeio, Salvatore. Sabe o quanto é difícil ficar brigando com uma pessoa que tem lindos olhos azuis? Que tem o sorriso mais encantador do mundo? É difícil bolar respostas rápidas para suas brincaderinhas de mal gosto. Pensei, esperando que ele pudesse ouvir. E pela pequena risada que ele deu, ainda com os lábios nos meus, eu sabia que ele estava bisbilhotando minha mente.
Em vez de ficar com raiva, eu estava mais do que feliz. E ninguém poderia me tirar essa felicidade, não agora.
Alguém pigarreou, fazendo eu me assustar e afastar um pouco Damon. Olhei para a porta e vi Allessandra com um sorriso brincalhão nos lábios, atrás dela estavam Stefan, Isabele e Jeremy.
– Finalmente. — ela abriu um sorriso, ao murmurar a mesma coisa que eu havia dito ao ver ela e Stefan conversando.
– Eu aqui com uma enxaqueca ferrada e vocês num beijão desses, droga. — Jeremy fez cara de cãozinho abandonado e isso me fez rir. Isabele deu-lhe um beijo na bochecha e vi sua face ficar vermelha.
– Formou-se mais um casalzinho, gente! A Cherry e a Bomb. — um sorriso vitorioso se instalou no rosto de Isabele, e quase mandei ela se danar.
– Vamos deixar o casal novo tirar o atraso. — Stefan deu uma piscadela para Damon, que apenas sorriu. Só nessa hora percebi a mão de Stefan envolta da cintura de Alle.
– Uh, casal ternurinha! — apontei para os dois, que se entreolharam e sorriram. — Agora saiam, ainda tenho mais dois tempos livres e preciso "tirar o atraso".
Os casais saíram do banheiro, nos deixando finalmente sozinhos. Voltei-me para Damon e abri um sorriso.
– Docinho. — sussurrei e mordi-lhe o lábio.
–x-
Na manhã seguinte...
Acordei sentindo que um caminhão passou por cima de mim. Pisquei algumas vezes para tentar me manter acordada e funcionou. Estranhei por não estar em meu quarto e semicerrei os olhos.
Onde eu estava e de quem era essa mão em minha cintura? Arregalei os olhos e virei lentamente até estar de frente para o estranho que dividia cama comigo. Ok, ele não era tão estranho assim. Damon.
Flashs da noite anterior me fizeram sorrir, lembrando-me de cada toque.
Passei os dedos por seus cabelos negros que lhe cobriam os olhos e davam-lhe um ar quase infantil.
Levantei-me e tentei não fazer muito barulho, o que era meio impossível. Vesti minhas roupas de baixo e peguei uma camisa qualquer de Damon, que quase chegavam aos meus joelhos. Sai do quarto o mais rápido que consegui e adentrei meu quarto, que era praticamente ao lado do dele.
Fui ao banheiro e tomei um banho rápido, escovei os dentes e penteei os cabelos. Coloquei um vestido vermelho simples e uma sapatilha. É, até que não estava tão feia.
Desci as escadas dando diversos bocejos e caminhei lentamente até a cozinha. Obviamente Stefan e Allessandra já estavam acordados. Como eles conseguiam acordar tão cedo?
– Bom dia, Cherry. — Alle me deu um beijo na bochecha e um abraço. — Feliz aniversário, mais velha.
– Nem me lembre disso. — bocejei novamente e me sentei em uma das cadeiras. — Ei, você é mais velha do que eu, abusada!
– Não sou nada, estou imortalizada para sempre nos 18 anos. — mandou-me um beijo no ar, e eu apenas revirei os olhos e sorri. Allessandra colocou um prato com três panquecas empilhadas perfeitamente e despejou melado em cima da mesma.
– Coma bem, talvez essa seja sua última refeição como humana. — Stefan quem disse, se virando para mim também com um sorriso no rosto. — Parabéns, baixinha.
Em suas mãos havia uma caixa verde, maior do que uma caixa de anel. Abriu-a e me espantei com o que vi. Um colar de rubi.
– Stefan isso é, oh meu Deus, é lindo! — não pude evitar que minha boca formasse um pequeno "o" enquanto passava os dedos por cima do colar.
– E é seu. — ele tirou o mesmo de dentro da caixa, então segurei o cabelo no alto da cabeça para que ele pudesse prendê-lo em meu pescoço.
Definitivamente era lindo, maravilhoso.
– E por qual motivo está me dando um presente tão caro, Stefinho? — virei-me para ele, ainda sorrindo e passando os dedos por aquele presente tão bonito.
– Hoje é seu aniversário, oras. — deu de ombros e me beijou a bochecha.
Comi as panquecas rapidamente e limpei a boca com um guardanapo, antes que eu pudesse me levantar senti braços me rodearem a cintura e um beijo no pescoço.
– Bom dia e feliz aniversário. — aquela voz rouca de quem acabara de acordar me fez abrir um sorriso e virar para ele.
– Bom dia, Damon. — dei-lhe um selinho e sorri.
– Ai, credo! — ouvímos Alle sussurrar e fechar os olhos. — Ainda não me acostumei com isso, peguem leve!
– Ah, cala a boca. — eu e Damon respondemos em uníssono.
– Não pense que esqueci do seu presente. — sussurrou Damon, fitando-me. — Mas ele só virá mais tarde, Lira.
– Posso esperar até lá. — mordi meu próprio lábio e me afastei um pouco. — Vamos gente, temos de ir a escola, andem!
– Pronto, essa é a Mary que eu conheço. — Stefan disse baixo, coçando a nuca e dando um beijo na bochecha de Alle. — Só preciso de um minuto para me arrumar, amor.
Assim que Damon e Stefan saíram da cozinha, arqueei a sobrancelha para Allessandra.
– Pode contando tudo, mocinha, desembucha. — sorri quando ela sentou-se ao meu lado, toda animada e pôs-se a contar tudo o que havia acontecido.
– E aí eu vim dormir aqui. — respirou fundo quando terminou de contar, e riu baixo.
– Uhum, dormir, claro! E eu sou o bozzo. — ri também e abracei minha amiga de lado. — Fico muito feliz por vocês terem se acertado.
– E eu fico feliz por você e o Damon. — apoiou o rosto nas mãos e sorriu. — Sei que um era afim do outro, então...
– Como você sabia? — perguntei, franzindo o cenho. Nunca admiti que amava o Damon e sempre procurei ocultar isso.
– Li os diários de vocês. — fez cara de inocente e sorriu quando arregalei os olhos. — Ok, desculpa! Eu sei que invadi a privacidade de vocês mas, poxinha Mary... Não me mate.
– Eu ainda sou humana, não posso te matar. — fiz um pequeno bico mas acabei por rir. — Além do mais, depois você tem que me contar o que estava escrito no diário do Damon. — pisquei para ela, que abriu um sorriso e me abraçou mais uma vez.
– Estamos prontos. — Damon apareceu na soleira da porta, com um sorriso no rosto.
– Bom, hora da escola. — murmurou Alle, pegando sua mochila e me dando a minha.
–X-
O dia se arrastou, definitivamente. Alguns "parabéns" e "feliz aniversário" depois e eu já me sentia cansada e querendo que aquele dia terminasse logo. Suspirei aliviada quando o último sinal tocou, anunciando o término das aulas.
Quase corri para fora da escola, mas me contive. Encontrei Damon no pátio, me esperando sentado no capô do carro. Caminhei até ele e lhe dei um selinho demorado.
– Onde estão os outros? — olhei em volta, procurando Allessandra e Stefan.
– Já foram para casa. — abriu um sorriso e me levou até o lado do carona no carro. — Chegou a hora do meu presente, docinho.
Entrei no carro e esperei que ele fizesse o mesmo, quando o fez e deu a partida senti o ar fugir de meus pulmões.
O que seria este presente misterioso? Por que tanto mistério?
Mal percebi quando o carro parou em frente a enorme mansão dos Salvatore. Estava quieta demais, Stefan e Alle não estavam ali, não mesmo.
Entrei na sala, que ainda se encontrava em completo silêncio.
– Onde eles estão, Damon? — medo, sim, eu estava com medo. Ainda não tinha completa confiança em Damon.
– Calma, faz parte do presente. — segurou minha mão e me levou para a parte de cima da casa, mais precisamente para seu quarto.
Mantive-me calada por todo o percursso, apenas observando as coisas. Bom, tudo estava em seu devido lugar. Apenas notei uma coisa diferente, o pequeno anel em cima da cama de Damon.
– Meu presente é um anel que usarei para todo o sempre, estou certa? — continuei com os olhos naquela pequena coisinha brilhante em cima da cama.
– Não, este não é seu presente, Lira. — seus lábios roçaram meu pescoço, me fazendo ficar arrepiada. — Seu presente é a imortalidade.
Então senti uma dor alucinante no pescoço, ele havia me mordido. Ele estava me transformando.
Soltei um grito de dor e fechei os olhos com força. Quanto aquilo poderia doer? Muito ou pouco? Ninguém nunca havia falado o quanto queimava.
Tudo ficou escuro, virou um breu. Finalmente, eu estava imortalizada aos 18 anos...
Fim?
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