The Big Six- O Fim do Mundo
2 O baile em Corona
Notas iniciais
(POV Rapunzel)
Corona! Um reino tão imenso e cheio de pessoas agradáveis! Eu cantava e rodopiava pelo reino, com meus cabelos castanhos que já haviam crescido bastante aos meus 20 anos... Em toda minha cantoria e animação sem motivo, me esbarrei em Jose numa barraca de maçãs, caímos no chão assustados, eu por cima dele e ele com as mãos soltas, enquanto minhas mãos descansavam no chão quente como se eu estivesse fazendo uma flexão.
– Jose! — Gritei envergonhada enquanto me levantava.
– Eu não fiz nada! — Ele se levanta, pega uma maçã, morde-a e joga uma moeda pra o dono da barraca — Você que caiu em cima de mim! Hehe... — Ele acaricia a crina de Maximus, seu cavalo branco que estava tomando água ali do lado — E aí? O que a sogrona vai fazer? — Perguntou ele de boca cheia.
– Sogrona!? Quê? Como assim? Tá louco, é? — Me irritei — Respeite a minha mãe, a rainha de Corona! E pro aniversário dela, ela decidiu um baile em pares com todo o reino! Vai ser essa noite? Não estava lembrado? — Retruquei desconfiada.
– Não estar lembrado? Que é isso! Hehe... — Ele tentou seu máximo pra disfarçar, mas percebi em seus lábios que ele queria ser falso.
– Ah, Jose... Nem vem! Já até encomendei nossas roupas! Vamos de gala! Um lindo vestido dourado cheio de remendas, e um traje elegante e branco pra cavalheiros... — Eu disse animada, mas meu marido não parecia assim, tão animado...
– Gala? O que é isso? — Ele brincou, acho — É a esposa do galo? E, segundo, não sou do tipo de homem com essas coisas todas formalizadas! Já viu minhas roupas neste momento? — Ele perguntou quase pra ter um treco só pra conseguir ter razão. Estava usando sua roupa normal, a que sempre usava quando nos encontramos.
– Haha! Muito engraçado, Jose Bezerra! – Respondi-o com uma risada falsa – Você vai sim formalizado! Em por falar nisso, temos que pegar nossas roupas agora com a costureira do reino! – Puxei Jose pelo braço e saí correndo até uma casa bem simples. Bati algumas vezes na porta e soltei o braço de meu marido. Uma velhinha baixinha saiu, era a costureira do reino!
– Oh, alteza! Sua roupa já está pronta! – Ela exclama, e então fecha a porta, ouve-se o barulho de algo de metal caindo. A porta se abre – Um minutinho só, Vossa Alteza! – Ela disse com sua voz fria mas ao mesmo tempo animada, voltou a fechar a porta, e desta vez ouviram-se barulhos de trincos. Então outras coisas de metal caíram em um som estrondoso e uma folha de papel rasgou-se de uma forma que parecia ser proposital, a velha abriu a porta de novo, estava com cabides – Aqui estão as portas! Enroladas em sacolas plásticas, sujam muito fácil, cuidado, hein!?
– Obrigada... – Peguei as roupas, e entreguei o terno luxuoso a Jose, e fiquei com o vestido.
– Boa festa! – Ela fecha a porta, e os trincos novamente fazem barulho.
Estava tudo perfeito! Seria uma noite encantadoramente maravilhosa! Eu estava em meu vestido dourado naquela noite, de braços dados com Jose que estava em seu terno formal, foi difícil convence-lo a usar! Mas por fim, convenci-o... Entramos no grande Salão de Festas do reino. Tocava-se uma música agitada, e um grupo de homens encontravam-se perto da mesa de ponche, onde Jose apareceu em questão de segundos. Um grande bolo enfeitava o meio da mesa de bombons, e os salgados tinham uma mesa especial, onde minha mãe estava conversando com rainhas de reinos vizinhos. Me aproximei delas.
– Oh! Esta é minha filha Rapunzel! – Exclamou minha mãe pras suas amigas antes mesmo de eu dizer qualquer coisa – Rapunzel, diga “olá” pra Rainha Elinor do Reino de DunBroch e pra Rainha Katherine das Ilhas-do-Norte.
Apertei as mãos das duas.
– Olá senhoras, boa noite. – Eu disse-lhes.
– Super educada, não é? Quando era bebê era mais linda ainda! – Minha mãe começou... Ia contar da minha infância inteira pras amigas delas, não queria estar ali pra ser envergonhada daquele jeito, peguei uma bandeja de salgados e fui procurar as princesas, a única que achei foi a Princesa Cloth das Ilhas-do-Norte. A Princesa Merida de DunBroch não havia vindo, pena, somos tão amigas!
– Oi, amiga! – Dei uma cumprimentadinha básica.
– Oi, Rapunzel! Como está a vida, menina? – Ela me pergunta, e começamos a comer salgados.
– É, bem, bem corrida, aliás... O Jose ás vezes enche o saco, sabe? – Eu disse provando um pastelzinho assado que estava divino.
– Por isso que eu decidi não me casar tão cedo assim... – Cloth parecia ser orgulhosa de não ter um amor.
– Mas nem um namorado arranjou ainda? – Questionei na esperança de ela ter desencalhado... Se isso não for palavras pra uma princesa, tem como editar?
– Não, e nem quero... – Ela parecia não perder o orgulho, mas uma coisa aconteceu e a fez perder a completa razão! Uma música romântica tocou, e Jose apareceu nem sei de onde e me agarrou.
– Quer dançar? – Ele perguntou, e eu olhei triste pra Cloth.
– Pode ir... – Ela diz por fim. Jose me leva até o centro da pista onde vários casais dançavam apaixonadamente, inclusive o Rei e a Rainha! Nossa, que noite perfeita em que tudo estava dando certo!
Eu e Jose, minha mãe e meu pai, a floreira e o dono da barraca de maçãs, todos dançaram, e dançaram. Já era tarde da noite, e a rainha reuniu todos. Minha mãe estava parada com meu pai, e com alguns empregados de costas pra mesa de bombons.
– Todo o Reino, e reinos vizinhos... É finalmente a hora de cortar o bolo do aniversário de Vossa Majestade, a Rainha de Corona! – Disse um empregado mais arrumadinho, era de confiança da rainha. Então, um pianista sentou-se em seu piano, um coral de pessoas do reino se posicionaram, e um maestro mandou todos nós batermos palmas no ritmo do piano, que era uma música de Feliz Aniversário.
– Parabéns pra você... – O coral começou aquela típica música de aniversário – Nessa data querida, muitas felicidades! Muitos anos de vida...! – Encerrou-se a música, com vivas e salves, a rainha completara mais um ano de vida. Até aí tudo bem, Jose pôs a mão na minha cintura, o que me deixou um pouco envergonhada, mas não hesitei e deixei-o fazer aquilo.
Um dos empregados partia o primeiro pedaço do grande bolo de chocolate com glacê, cerejas, morangos, e uma espécie de casca roxa como enfeite. O primeiro pedaço foi colocado em um prato, e era a rainha que escolheria pra quem de todos ali presentes, iria o primeiro prato. Obviamente seria pra mim, ou pro meu pai, quem sabe!? A rainha era inesperada! Suas palavras suaram e correram como mel numa garganta resfriada, matando o vírus e a infelicidade que possuía o local.
– O primeiro pedaço... – Ela disse pausadamente, talvez pra dar um suspense – Vai para... – Uma ventania começou e tirou a atenção de todos, os salgados caíram no chão, assim como os bombons, e o bolo só não caiu por ser muito pesado, mas a mesa balançou e ameaçou esborrachar-se no chão. Essa não! O que era isso!? Os ventos abriram a janela de vez, foi quando o bolo voou da mesa e espalhou-se na sala em cima de todos, as mesas caíram, e a ventania entrava pela janela balançando as cortinas, todos fugiram, somente eu, Jose, e meus pais permanecemos no Salão de Festas.
Esperava ser só uma ventania, quanto Maximus entrou de vez por uma das janelas fazendo uma grande bagunça em tudo, ele estava muito assustado.
– Calma garoto, calma... – Jose o tentava acalmar acariciando-o, mas seu susto parecia sem fim. Jose fixou o olhar numa janela pra onde Maximus relinchava tanto e olhava desesperado. O príncipe de Corona, aproximou-se, e tirou uma espada (não sei onde ele enfiou essa espada) da bainha. A ventania parecia ter parado. Foi só um susto. Não! Um cavalo negro, feito de sombras entrou de vez pela janela, relinchando feito um doido.
Jose caiu pra trás no chão, em seguida atravessou a lâmina da espada no cavalo, que evaporou em nuvens negras. O Reino estava assustado, o aniversário de minha mãe havia acabado. Abracei meus pais, apertei os olhos, deixando escorrer uma simples lágrima. Meus pais também haviam fechado os olhos, nos abraçamos, esquecemos de Jose, só nos lembramos com um grito meio desesperado e inesperado vindo atrás de nós.
– UGH! – Gritou Jose com uma espada atravessada em seu corpo. Deixou a espada cair no chão, sua mão se enfraqueceu, seu sangue escorreu pelo chão. Estava pendurado em uma espada, que atravessava suas costas e perfurava seu pulmão até sair do outro lado. Era uma cena tão inacreditável, que nem tive tempo pra ver quem matou Jose. Só vi sua pele cinza, seu corpo se desmanchou em nuvens que sumiram logo, deixando a espada atravessada no corpo de Jose – Rapunzel... – Ele sussurrou nas últimas, seu estágio terminal.
Coloquei meu cabelo castanho, pouco curto, sobre o sangue que jorrava de seu tórax, e tentei cantar a canção da flor mágica, ele com sua mão fraca, tirou o meu cabelo do ferimento.
– Não tem mais jeito, Rapunzel... Obrigado por tudo, eu te amo... – Essas últimas palavras rastejaram, foram empurradas pela garganta dele. Sua cabeça caiu de vez no chão, assim como sua mão.
Havia morrido.
Jose Bezerra havia morrido.
O príncipe de Corona havia morrido.
Meu marido havia morrido.
Afundei em lágrimas.
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