The Big Four: Umbra
1 Prólogo
Jack Frost bateu o cajado incontáveis vezes no chão. A madeira que pisava já estava coberta por uma fina camada de gelo que insistia em se alastrar para o quarto.
Repetia a si mesmo que não era sua culpa, repetia como um mantra até que conseguisse acreditar. Eles se feriam em batalhas, se recuperavam e voltavam. Norte já havia cicatrizes o suficiente causadas por seus inimigos antes mesmo de se juntar a equipe. O Coelho havia quebrado sua pata esquerda — Ou seria perna? — em alguma luta e recuperado em um período de dias. Não era nada. Nada páreo para os Guardiões.
Não é?
Toda as histórias de heróis que Jack ouvia durante sua vida humana pareciam estúpidas. Heróis sempre vencem, o bem sempre vence. E assim fora desde que o Homem da Lua havia falado com ele pela última vez.
Então Breu atacou, atacou diretamente eles, com todo o seu exército, antes que contra-atacassem, antes que pensassem em contra-atacar, todos os seus amigos foram para o chão.
O sentimento de impotência, a ira e a angústia tomavam seu peito que o sufocava. Desejava que fosse com ele, mas por mera sorte, estava são e salvo, parado do lado de fora, enquanto viu Sandman carregar três dos seus amigos para um dos quartos do Polo, esperando algum sinal de estabilidade.
Um dos Yetis murmurou alguma coisa inteligível, deu um tapa nas costas de Jack e entrou no seu portal.
Agora, ele estava sozinho.
Sandman flutuou ao seu redor, ainda que estivesse atordoado, não demonstrava qualquer sentimento físico.
— Alguma coisa? – Questionou Jack, saltando da poltrona.
O pequenino negou.
Eles estão em um sono profundo – Foi o que conseguiu interpretar das delicadas imagens de areia sobre seu cabelo espetado, mesmo que contradizer se com o semblante preocupado e receoso do guardião.
— Estão sonhando?
Espero que sim.
— Eles vão se recuperar, não vão? Eles são heróis…
Espero que sim.
— Eu posso vê-la?
Seu amigo lhe deu espaço para adentrar ao quarto em que ela estava de repouso.
Ela. Tiana. Fada Dentiana, sem seu elmo de penas coloridas e seus cabelos azuis estavam úmidos sobre a testa. Continuava tão linda quanto o dia que lhe viu pela primeira vez. A poeira pairava sobre seu corpo, cortesia de Sandman, que, assim como fazia com os outros, amenizava seu sofrimento enquanto os colocava para dormir.
O pequenino não estava longe, visivelmente exausto. Mesmo para o guardião mais forte, ainda sentia cada parte do seu corpo arregar e remoer. Usava o máximo dos seus poderes, em tempo integral, para protegê-los, e usava o que sobrava – se sobrava – para acalmar as crianças em seu leito.
As crianças. A cabeça de Jack gritava para ele mesmo, o que seriam das crianças sem eles e, droga, o que seriam deles sem as crianças?
Aquela noite parecia nunca acabar, e para o maldito guardião que era, de nada adiantava a imortalidade conquistada quando o tempo congelava sem sua permissão. Voou pela janela aberta, sem prestar satisfação, porque sabia que não poderia ser impedido. Sandman queria, de fato, ele tentou, mas havia um custo em se afastar dos outros.
Jack sentiu as lágrimas geladas escorrerem por suas bochechas coradas. Secou agressivo na manga do seu casaco e parou no lago familiar, congelado, e deixou o corpo cair, batendo os joelhos com força o suficiente para que estivessem vermelhos.
— VOCÊ NOS ABANDONOU. – Urrou para a lua cheia no céu, sozinha, sem qualquer nuvem ou estrela lhe acompanhando.
— Você prometeu que não iria nos deixar e nos deixou! Você prometeu que nos ajudaria.
Pela primeira vez em muito tempo, Jack Frost lembrou da sua vida, a vida anterior, e de todas as assombrações causadas pelo pai ausente. O sentimento voltara, ele havia sido deixado, como todos os outros.
— Tiana está morrendo, sabia? – Gritou mais uma vez, sentindo sua garganta rasgar de dor. — O Coelho e Norte estão desabilitados! O que vai acontecer com eles? O que vai acontecer com as crianças? Você já tirou tudo de mim. POR QUE NÃO DESCE DAÍ E FAZ ALGUMA COISA?
Silêncio. As folhas das árvores próximas farfalhavam e voavam com o uivo do vento.
— Foi o que eu pensei. Não passa de um covarde.
Mas a Lua ouviu, e a Lua chorou. Antes do sol se erguer, uma tempestade começou. Ela havia respondido.
Notas finais
Se alguém chegou até aqui, valeu mesmo. Deixe-me saber o que achou e vamos trocar ideias ♥
Até o próximo
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