Notas iniciais
Olá, meus psicopatas queridos! Sentiram minha falta? (*sons de gatilho e facas desembainhadas*) Tomarei isso como um sim. Entonces, estava eu de boa, escutando o novo álbum do Imagine, quando tive uma ideia genial! O único problema, é que ela me fez mudar toda a segunda temporada, por isso terei que modificar todos os capítulos. Mas não se preocupem! Sua pirada vai continuar por aqui, tentando postar o mais rápido possível. Até por que, uma de minhas leitoras doidas descobriu onde eu moro, hehe :/ Agora, relaxem e curtam o capítulo! ;)

SOLUÇO

Ao passar pelo portal, me vi sozinho no centro da Callanish Stones, o círculo de pedras mágicas, próximo ao Castelo DunBroch. Ali era tarde, quase noite. O sol começava a se pôr, lançando seus últimos raios nas folhas alaranjadas, que marcavam a chegada do outono e me faziam me sentir bem. Como se estivesse em casa.

Casa. O Homem da Lua me disse que Berk ficaria a salvo. Nunca houve mentiras em suas palavras, mas eu deveria acreditar nele? Digo, se ele e Clarion foram capazes de esconder um segredo universal durante séculos, quem não me garante que houve ao mais omitido sobre nossa missão? Ou sobre nós mesmos?

Por puro reflexo, agarrei a seta disparada para o meu coração, e a lancei de volta para o seu dono. O silêncio da floresta foi quebrado, quando uma garota gritou, ao sentir a flecha penetrar sua carne.

Uma saraiva de setas rasgou o ar, vindo de encontro a mim. Se ainda fosse humano, elas me atravessariam sem dó ou piedade. Mas eu era o Guardião do Outono, protetor das mudanças, mestre dos ventos e tempestades. E o melhor, estava no meu domínio. Ali nada poderia me atingir.

Ergui o cajado e o vento respondeu meu chamado, chocando-se com as flechas e lançando-as no chão. Mal elas haviam caído, quando outras foram disparadas, testificando a habilidade dos arqueiros.

Por um segundo, o mundo ao meu redor desacelerou e algo se agitou sob meus pés. Uma agitação estranha se apoderou de mim, bagunçando minha cabeça e enlouquecendo meus pensamentos. As flechas voltaram a avançar, rápidas como uma lebre, mas a zorra em minha mente, não me deixava pensar em nada.

Arregalei os olhos, assustado. Um instinto primitivo em meu interior gritava para que eu fugisse, mas nem meu corpo, nem minha mente conseguiam assimilar a idéia...

E foi aqui que a coisa aconteceu.

Um enorme tornado saiu de dentro de mim, erguendo-me do chão e espalhando um pulso de vento sinistro. As novas flechas foram derrubadas, assim como os arqueiros e a folhagem árvores ao seu redor. Meus pensamentos voltaram aos eixos, permitindo reconhecer meus inimigos... ou melhor dizendo inimigas.

Elas tinham entre quinze a vinte anos, todas de cabelo trançado. Formavam o grupo mais diversificado que já vi, tendo ruivas, morenas, loiras, altas, magras e robustas. Usavam lindos vestidos amarelo-alaranjado, por cima de armaduras de couro, que protegiam os bustos e os braços esquerdos. Aljavas e facas de caça estavam presas aos centuriões cheios de bolsinhos. Os olhares assustados deram lugar ao desespero absoluto, ao ver pairando em dentro do tornado.

Aquelas eram as novas armas de Dunbroch: o regimento das Amazonas.

“Pelo Czar!” Fada exclamou, surgindo bem abaixo de mim, no olho do tornado. “Soluço! Pare já com isso!”

Ri, pois o seu tom era o mesmo de uma mãe repreendendo seu filho. Pulei para o lado, aterrissando suavemente numa posição meio-agachada. Sem eu o invocando, o tornado se dissipou — correndo para todas as direções — revelando uma Fada zonza e rodopiante.

“Cara, isso foi demais!” Jack exclamou, pousando com Rapunzel ao meu lado.

“Impressionante, Soluço!” A loira elogiou, sorrindo.

“É foi legalzinho.” Merida comentou, caminhando ao nosso encontro, acompanhada por uma garota que me era familiar.

Ela era forte e robusta como uma viking. Seu vestido curto deixava a mostra as calças marrons finas, e as botas negras, que mais pareciam patas de ursos. Preso a sua cintura, havia um cinto de elos prateados, que emanavam um leve brilho alaranjado. Os olhos zombeteiros tinham a cor das florestas primaveris, e o rosto estranhamente bonito, era emoldurado por grandes cachos castanho-avermelhados. Quando sorriu de canto a reconheci. Era Lady Astra Lackless, Líder das Amazonas.

“È um prazer revê-lo, Lord Soluço.” Trocamos um cumprimento de mãos. “O híbrido está com vocês?”

Olhei na direção que ela acenara com a cabeça, vendo a Fada pairando normalmente no ar, observando-nos com curiosidade.

“Sim. Aquela é a Fada do Dente, Guardiã das Memórias.” Gesticulei para que a guardiã se aproximasse. “Fada, essa é a Lady Lackless, líder do regimento das Amazonas de Dunbroch.”

“Mas você pode me chamar só de Astra mesmo.” Disse, divertida, antes de seu sorriso sumir do rosto e a preocupação tomar conta. “O Breu voltou?”

Merida suspirou.

“Melhor discutirmos isso no castelo.” Sugeriu, fazendo aquela de não-quero-falar-sobre-esse-assunto-chato. “Podemos levá-las com os ventos. Vai ser divertido.”

Astra se remexeu desconfortável.

“Não sei se merecemos tal hon...” Começou a murmurar, mas Merida logo a interrompeu:

“Ah, não. Nem me venha isso de novo.” Ela acenou para as Amazonas. “Cada um pegue oito e vamos lá”.

As brisas quentes do verão e o vento do sul responderam o chamado de Merida, erguendo-a no ar junto de Astra e mais oito garotas apavoradas. Logo Rapunzel, Jack e eu convocamos nossas respectivas brisas e ventos, rumando para o castelo de pedra cinzenta.

Pousamos no hall do salão principal, fazendo nossos cajados assumir a forma de braceletes. Diante nós, havia uma porção de gente, que devorava um banquete saboroso. Quatro grandes mesas haviam sido colocadas, lado a lado, acomodando os nervosinhos DunBroch, os tribais Macintosh, os robustos MacGuffin e os magricelas Dingwall. Numa mesa posta de frente para as demais, se sentavam a Rainha Elinor, o Rei Fergus e os Príncipes Trigêmeos.

“Vejam, meu povo!” Fergus rugiu, alegre. “Os Senhores das Estações! Os poderosos e temidos Big Four!”

O salão explodiu em palmas, rugidos e vivas. Com sorrisos travessos, as amazonas nos empurraram para o meio do povo, que nos cumprimentou, dizendo que sempre iria acreditar nos Guardiões e que admirava nosso trabalho. E que claro, desacreditava no Breu e que não tinha medo dele.

Em outra ocasião, teríamos adorado aquilo. Mas na situação atual, aquele só era outro motivo para nos deixar preocupados, pois nos fazia perceber o que estava em jogo. Não era só equilibrio ou a paz das crianças, mas a vidas de todas as pessoas. Sejam elas velhas, adultos ou jovens como nós.

“Um brinde ao The Big Four!” Lorde Dingwall guinchou, erguendo seu copo.

“Ao The Big Four!” E juntos, como um só, o povo riu, bebeu, e cantou:

.

Era uma vez um rei,

que pesadelos comandava.

Seu nome era Breu

e a qualquer um assustava.

.

Mas veio o The Big Four

O quarteto salvador

Que derrotou Breu

E a paz retornou

.

Com o gelo do do inverno,

Jack Frost o mal destruiu.

Da luz quente do sol,

Rapunzel ressurgiu.

O domador de dragões,

domou o vento também.

Nossa princesa valente,

agora o poder do verão tem.

.

Essas histórias agora são lendas

Beba então e cante

Essa música vale a pena

.

Acredite no The Big Four

Nossos campeões

O quarteto salvador

Senhores das Estações

.

“De novo!” Gritou alguém, arrancando mais risadas do povo.

A música recomeçou outra vez, e a multidão nos agarrou, começando um estranho gingado escocês. Como eu era péssimo dançarino, aquilo foi um desastre. Já estava começando a querer evaporar no ar, quando um aldeão invadiu o lugar, gritando:

“Muffins de amora na casa dos Polle! È de graça, mas já está acabando!”

Todos pararam o que estavam fazendo e se entreolharam. No segundo seguinte, uma enxurrada de pessoas deixou o salão, correndo, chutando e gritando. Restaram apenas nós, as majestades e os três Lords com seus respectivos herdeiros. As amazonas montaram guarda em frente as portas, que Astra e duas de suas companheiras, trancaram por dentro.

“Melhor assim.” Elinor comentou, sorrindo em aprovação.

Ela e o rei se levantaram, tomando os lugares nas cabeceiras. Os Lords e seus filhos sentaram-se a direita de Fergus — voltando todos a comer — enquanto Merida e o resto de nós tomava os lugares a esquerda.

Menos a Fada, é claro. Aquela ali nunca parava no chão.

“Vocês foram muitos pontuais. Esperava que se atrasassem um pouco, já que viajam com Lord Frost.”

“Hey!” Jack protestou, fazendo cristaizinhos de neve saltarem de seu cabelo.

“Ela tem razão, Jack. Você é um atrasador nato.” Afirmei, recordando-me de como ele demorava em partir e vir para Berk. “E nem tente protestar. Todos sabem que é verdade.”

As meninas assentiram e Jack fechou a cara, dizendo apenas:

“Esse termo nem existe!”

“Como sabia de nossa chegada, majestade?” Rapunzel indagou, curiosa.

“Um passarinho nos contou.” Fergus respondeu, antes de abocanhar um pedaço inteiro de frango.

Um vulto pequenino e colorido desceu do lustre, pairando próximo a sua lady. Era uma das fadinhas da Fada, que de alguma forma, conseguira chegar ali antes de nós.

“O quê? Rose, o que você faz aqui?” A Fada perguntou, irritada, fazendo suas penas se eriçarem e a fadinha se encolher.

A coisinha emitiu uma série de ruídos de beija-flor, mas consegui ouvir suas palavras, ao ler sua mente.

Viemos para ajudar, milady, dizia ela, em sua vozinha fofa. Nós não queremos que se machuque.

Nós? Pensou a Fada, erguendo uma sobrancelha.

Sim. Eu, Renée e o camundongo Mickey, da divisão oriental. A fadinha respondeu, fazendo-me notar que havia uma conexão mental com ela e sua criadora. O que sem dúvida, explicava muita coisa.

A Fada suspirou.

“Ah, o que faço com vocês...” Disse, fazendo a fadinha sorrir.

“Já devem conhecer os Lordes.” Elinor gesticulou na direção dos nobres.

Rapunzel assentiu.

“Ouvimos umas coisinhas.” Jack murmurou, ainda irritadinho.

Lord MacGuffin e seu filho, Don, se ergueram. Ambos usavam kilt nas cores do seu clã (pinho-verde com pedaços de laranja), por cima de camisas de manga comprida verde-pinho e corseletes de couro. Eram loiros, altos e corpulentos, igual à maioria do povo de Berk. Para falar a verdade, o jovem MacGuffin me lembrava muito era o Perna-de-peixe. Que talvez eu nunca mais veria... Não, eu o veria sim. Assim como todos meus vizinhos, meu lindo dragão e minha vila.

“Sou Finn MacGuffin, protetor das terras do leste, lar dos caldeirões mágicos.” A voz do Lord era profunda e ressoante. “Este é meu filho e herdeiro, Donald.”

O jovem acenou para nós e voltou a se sentar, assim como seu pai.

“Sou Mitrandi Dingwall, guerreiro das terras médias rochosas. Esse é meu querido e corajoso filho, Wee. Aquele que destroçou Sith com as próprias mãos.”

“Acho difícil de acreditar...” Jack murmurou baixinho, nos fazendo sorrir e prender o riso.

Lord Dingwall era um gordinho, baixinho, de pele flácida, bigode e cabelos grisalhos. Além da camisa de manga longa e o corselete, carregava um bolsinha presa a cintura e usava um kilt com as do seu clã cores (amarelo-verdes com pedaços de laranja). Wee era sua versão mais jovem, só que com o pescoço mais longo, dentes mais afiados, olhar vago e uma cara feia de fuinha.

“E eu sou Wallace Macintosh, guardião da bravura, da música e da liberdade.”

“E eu sou o canguruzinho da páscoa.” Jack ironizou, conseguindo arrancar uma risadinha de nós.

Lord Macintosh me encarou, fuzilando-me com seus olhos azuis. Com sua enorme juba negra, que se misturava com sua barba, parecia um leão bizarro de nariz adunco e orelhas grandes. Ele não gostava de mim, por que há algumas décadas, os vikings exilados tinham invadido a Escócia e tentado conquistá-la.

“Ainda não gosto de você.” Ele disse, confirmando o que eu já sabia. Voltando a sua postura normal, estufou o peito e declarou: “E este é meu herdeiro Willian.”

Will sorriu e piscou para nós. Suas roupas eram uma leve variação das do seu pai, seu cabelo era mais baixo e controlado, ao contrário do nariz ridiculamente grande. Tinha pinturas azuis no braço direito, pose e cara de arrogante, mas era um cara legal, dono de estranho humor. O havia conhecido minha última visita a Dunbroch, quando ele veio discutir sobre navios estranhos perto de sua costa. Isso culminou na minha iniciativa de aliança com os Exilados, que estranhamente aceitaram a paz e nossa amizade, depois de tantos anos afastados.

“Bem, estamos honrados em conhecê-lo, senhores.” Rapunzel disse, abrindo um lindo sorriso.

“È sem dúvida um prazer conhecê-los, Lords MacGuffin, Dingwall, Gay... Macintosh.”

Merida, Rapunzel, Fada e eu encaramos Jack , sem acreditar no que ele havia dito. Só depois de a confusão tomar os semblantes dos Lords, que o garoto do inverno notou que havia exposto um de seus pensamentos.

“O que é ‘gay’?” Macintosh indagou, franzindo as sobrancelhas. “È um insulto, por acaso?!”

“Não, Lord Macintosh. Na verdade é um grande elogio!” Merida afirmou, soando muito sincera e verdadeira. “Um homem chamar o outro de ‘gay’ é algo bem comum no tempo do Jack, pois significa ‘homem grande de bom coração’ ou ‘homem forte de coração valente’. Pode ser usado para descrever mulheres corajosas e dedicadas.”

Nunca pensei, que alguém ficaria tão feliz em ser chamado de gay. Havia um sorriso crescente no rosto de Lord Macintosh, que estufava o peito, diante do elogio. Não pude deixar de seguir o exemplo de Rapunzel e erguer a sobrancelha, encarando Merida com um olhar que parecia dizer: sério isso, ruiva?

A esperta e Jack trocaram olhares divertidos e sorrisos cúmplices. Os Lords ficaram admirados com a nova palavra e a Fada balançava a cabeça, como se quisesse tirar aquela da cabeça.

“Essa é ótima palavra.” Lord MacGuffin comentou. “Acho que vai ser o nome...”

“...do meu neto, é claro.” Lord Dingwall completou, num tom firme. “Um nome tão bonito como esses, só pode pertencer ao Clã Dingwall!”

Merida arregalou os olhos, ao ver o que tinha provocado, enquanto Jack ria e a Fada cobria os olhos com a mão. Para piorar, o copeiro trouxe uma garrafa especial para rei, que respondeu do seguinte modo:

“Ah, obrigado, Allan. Você é um gay!”

O copeiro ficou confuso. Merida enterrou o rosto nas mãos.

“No futuro isso significa homem grande de bom coração.” Fergus explicou e o copeiro sorriu.

“Oh, muito obrigado, majestade. Mas o senhor que é o maior de todos os gays!”

“Sem dúvida.” Disse Lord MacGuffin.

“O maior dos maiores!” Concordou Lord Dingwall.

“O rei dos gays!” Gritou Lord Macintosh.

Fergus sorriu.

“Ah, meus amigos, mas vocês também são gays!” Ele ergueu o copo e gritou: “A todos os gays!”

“Aos gays!” Os homens bradaram, engolindo a bebida de uma vez só.

Elinor fez uma cara estranha e mudou de assunto, quase como soubesse o real significado da “nova” palavra.

“Qual o motivo de sua visita?” Nos perguntou, lançando aquele seu olhar sério e profundo. “Estão com problemas?”

Os Guardiões das Estações lançaram olhares sugestivos para mim, e a Fada sorriu, assentindo. Respirei fundo, olhando ao redor, e percebendo que a atenção de todos estava voltada para mim. Até mesmo a de Wee. Não tinha como escapar daquilo.

Usando poucas palavras resumi a história da separação das luzes, a queda das trevas, o sacrifício de Breu e a promessa de Lilith. Ninguém disse nada, até que cheguei à parte das chaves.

“E nos temos que reunir as peças do sol, mas ainda não sabemos o que iremos enfrentar. Ninguém nunca fez essa jornada antes e o inimigo está praticamente a nossa frente...”

“Então, isso vai ser algo impossível de se obter sucesso.” Will deduziu com o rosto anormalmente sério.

Assenti, infeliz. Durante um tempo ninguém disse nada, mas eu podia ouvir o que pensavam, e acredite em mim; até Wee pensava que alguém iria se machucar ou coisa pior, durante essa missão.

“Bem muito, situação aquela menos pelo isso explica.” Don, o filho de Lord MacGuffin, disse assustado.

Todos ficaram confusos, com a exceção do pai do garoto e... da... Fada?

“Como assim? Que situação?” Indagou, entortando a cabeça para um lado. De alguma entendera a fala confusa do jovem.

“Aconteceu há pouco. Nossas crianças não dormiam noite, pois aquelas que faziam isso desapareciam.” Revelou Lord MacGuffin, sua voz profunda mal passava de um sussurro. “Mesmo que os pais as vigiassem, e elas dormissem sob os olhos da guarda, simplesmente sumiam de nossas vistas. Não sabíamos o que estávamos enfrentando, nem como nos defender. Por um momento, acreditamos que era obra das bruxas, mas o mesmo havia acontecido com suas crianças. Até que lhe foi mostrado modo de se protegerem.”

Ao ouvir a última frase, Don remexeu em sua polchete e retirou um cogumelo branco, simples e sem atrativos, segurando-o como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.

“A Bruxa Mãe fez nascer um grande pântano, a oeste de nossa vila principal, para que tivéssemos mais deles a disposição.” O Lord continuou. “Não sabemos exatamente o porquê, mas esses cogumelos emitem uma leve luz azul, quando entra em contato com a luz da lua. Quando plantamos em nossas fronteiras e ao redor de nossas casas, os desaparecimentos pararam. Embora os animais continuem agitados.”

“Eles sentem o perigo.” Rapunzel comentou, pensativa.

Franzi a testa e fiz um gesto para Don me entregar o cogumelo. Confesso que esperei a coisa se acender ou brilhar, mas aquilo continuou a ser só um cogumelo pequeno e sem graça. O que provava que não era coisa do Homem da Lua.

“Nossas crianças também não dormem.” Disse Lord Macintosh. “Seus pesadelos são vividos demais. È como se elas ficassem presas a ele.”

“Isso aconteceu com os adultos, mas parou quando os cogumelos chegaram.” Lord MacGuffin sorriu. “Eles também são comestíveis e muito deliciosos. Comemos sempre no jantar, na forma de sopa, acompanhada com vinho.”

Fergus e o resto dos homens murmuram em aprovação. Elinor encarou o cogumelo, o que me fez estendê-lo em sua direção. Ela o girou entre seus dedos, olhando-o atentamente.

“Em uma história que lia quando criança, havia cogumelos enfeitiçados capazes de repelir coisas ruins. As regiões ao seu redor eram protegidas e quem os comia se tornavam imunes ao mal.” Elinor suspirou. “Mas esse cogumelo é igualzinho ao dos pastos daqui. Não vejo nada de diferente nele.”

Don MacGuffin fez uma careta.

“E importa isso? Funciona ele.” Reclamou, cruzando os braços.

“Majestade?” Astra chamou, num tom respeitoso. Imediatamente, todas as cabeças do salão se viraram em sua direção.

“Sim, Lady Lackless.” Elinor respondeu, no mesmo tom.

“Acredito que Lord MacGuff não tem motivos para mentir sobre tais coisas. Mas a senhora está certa, os cogumelos são idênticos. E por isso ninguém aqui sofre de tal mau.” O olhar de Astra fixou-se em Lord Dingwall. “Milorde, acaso seu povo foi afligido por tais coisas?”

“Hum, não.” O homem grunhiu, fazendo Astra sorrir.

“As terras médias são infestadas desses cogumelos. A ameaça por lá nem pode ser sentida, diferente das terras selvagens; onde existem poucos. Nas terras do leste, não há praticamente nenhum. Melhor dizendo: não havia nenhum.”

Elinor assentiu. Realmente havia lógica da amazona, afinal o solo da Escócia era ricamente mágico. Contudo...

“Os cogumelos daqui não brilham.” Lembrei-me, recordando-me das expedições de casas noturnas.

“Nunca disse que brilhavam.” Lord MacGuffin rebateu de imediato. “Disse que emitiam uma leve luz azul, como se fosse um breve reluzir.”

“Os dos campos fazem isso.” Fergus comentou.

Jack, que estava extremamente calado, finalmente se pronunciou:

“Não, entendo. Por que Lilith pegaria as crianças?”

“Talvez para usá-las como moedas de trocas, caso conseguirmos a chave antes dela. Ou talvez para colocá-las em Casulos do Medo e aumentar seus poderes e de seus aliados.” Especulei, divagando comigo mesmo.

“Lilith nunca faria isso.” Fada afirmou, convicta, como se conhecesse o de verdade a filha do Breu.

“Então quem?” Merida inquiriu, subitamente irritada.

“Por que acha que eu sei?”

“Gente, calma. Sem brigas, okay?” Jack disse num tom apaziguador, que tinha leves traços de irritação. Estranho, ele era sempre tão manso e amante de confusões.

Ao ouvir as palavras de Jack, Merida relaxou instantaneamente, como se tivesse se livrado de uma roupa apertada. E tão rápida quanto a explosão de fúria da ruiva, Rapunzel se levantou, voando (não literalmente) na direção das cozinhas.

“Vai aonde?” Perguntei, confuso.

“Fazer uma sopa.” Ela respondeu, sorrindo, como se estivesse em casa. “Quero dormir bem esta noite.”

***

Os portões do castelo foram reabertos, permitindo o povo se deliciar com as sopas dos cogumelos não mágicos, feitas pelas mais de trinta cozinheiras, sob o comando de Rapunzel. O caldo parecia delicioso e mesmo eu, que já havia comido, não consegui resistir aquilo e devorei um enorme prato de sopa, repetindo e mais tarde me juntando ao coro de “Queremos mais sopa”.

Ainda havia cantoria, conversas e sopas, quando já empanturrado de sopa, me retirei com meus amigos. Nenhum de nós precisava dormir, mas já estávamos acostumados a isso, e até mesmo Jack e Fada achavam uma experiência relaxante, pois podiam desligar seus pensamentos por algumas horas.

Contudo, enquanto cruzamos os corredores em direção aos nossos quartos, não pude deixar de notar que o banquete fora extremamente anormal. Claro, que os Lords discutiram entre si, como sempre faziam, só que dessa vez ninguém atacou ninguém, nem quebrou nada, o que tornava aquilo tudo, no mínimo estranho.

Minha mente formava mil e uma teorias mirabolantes, quando percebi que outros haviam parado. Estávamos num corredor largo, cheiroso e meio-iluminado. As portas e pedras novas nas paredes indicavam que era uma construção recente: A ala de visitas.

“Jack, Rapunzel, vocês ficam aqui.” Merida disse, apontando para a porta a nossa direita. “O último a direita é seu Fada.”

“Espera aí!” Jack pediu, erguendo as palmas. “Rapunzel e eu vamos dormir juntos?”

“Sim... ?” Merida respondeu confusa.

“Seus pais sabem disso?”

“Hã... sim.”

"E eles não tem medo que... você sabe. Algo aconteça." Jack perguntou, sem jeito.

Merida sorriu de um jeito travesso.

"Claro que não. Ninguém cometeria tal loucura. As punições por desvirtuar uma moça são bem severas por aqui."

"Eles..." Jack fingiu cortar um dedo com uma faca.

O sorriso de Merida se tornou cruel.

"Não. Essa é só a primeira parte."

Jack arregalou os olhos. Sua expressão impagável, nos fez rir como bêbados loucos. O que não deixava de ser verdade, já que todos haviam bebido muito vinho.

“Ouviu ele, Frost. Sem graçinhas.” Rapunzel provocou, cutucando o peito do garoto.

Jack revirou os olhos.

“Estou preocupado é com o Soluço.” Disse, sorrindo do jeito errado. “Esse cabeça de vento pode muito bem se deixar levar pelo fogo da tochinha e fazer alguma besteira. Aí só teremos um único Solucinho Júnior pelo resto dos tempos.”

Merida fez cara de paisagem. Já eu não fui tão calmo: fiz um floreio de mão e joguei o Cara do Gelo para o fim do corredor. As meninas riram.

“Boa noite, garotas.” Eu disse, contente comigo mesmo.

Entrei no quarto e fechei a porta, abafando os resmungos de Jack, que queria ir atrás de mim, mas estava sendo detido pelas ameaças de sua loirinha.

“Isso que chamo de dia agitado.” Merida disse, se jogando na cama e chutando os sapatos.

Não estávamos em seu quarto, mas no “nosso” quarto, um lugarzinho simples, de paredes de pedras claras, tapetes escuros e mobília escassa, apenas uma grande cama de casal com dossel e manta de veludo, guarda-roupa, mesa simples de duas cadeiras, algumas caixas e cestos. O que eu mais gostava era a vista para floresta, com as montanhas um pouco mais além.

“Os lords estavam muitos calmos, não acha?” Perguntei, tirando minhas botas e meu colete, colocando-os arrumadinhos numa das cadeiras. “Digo, ninguém tentou se estapear.”

“Hum, foi o Jack.” Merida respondeu, antes de soltar um longo bocejo.

“Oi?”

A ruiva suspirou, sonolenta.

“Além da luz azul e o gelo, Jack também pode ler e afetar as emoções das pessoas. È um tanto incômodo, se quer saber.”

“Ah, você fala isso, por que não gosta de perder sua áurea misteriosa.” Comentei, deitando-me na cama.

Automaticamente, Merida se aconchegou junto a mim, repousando sua cabeça em meu peito, fazendo meu coração disparar. Era engraçado, como mesmo depois de tantas coisas, ela ainda conseguisse provocar as mesmas reações de quando não éramos um casal.

“Não queria falar, mas tenho um mau pressentimento essa missão. Principalmente sobre casa da bruxa.” Merida revelou, esquecendo-se de minha nova habilidade. È claro, que eu sabia disso; fora só o que ela pensara durante todo o banquete.

“Não precisa se preocupar, minha princesa.” Beijei o topo da sua cabeça. “Tudo vai ficar bem.”

“È o que me dizem, antes de tudo dar errado.” Ela retrucou, chateada. Tinha me esquecido de que a ruiva tinha problemas com a palavrinha com b.

Respirei fundo, tentando achar as palavras certas para tranquilizá-la, porém não consegui encontrá-las. Afinal, como se pode dizer para alguém, que as coisas não são tão ruins, quando você mesmo não acredita nisso? Quando, mesmo sabendo que Guardiões são imortais, e que os Guardiões da Luz não metem, ainda teme pela vida daqueles que ama.

Não, eu não podia dizer para a ruiva, que as coisas iriam ficar “legais”, por que não iriam. Breu comparado a Nyx era um dragãozinho menor. Um Gronkel ao lado de um Dragão do Mar.

Nyx era as trevas primordiais, a senhora dos feiticeiros, mãe dos Filhos da Noite. Tudo que Lilith, os Mestres Pesadelos e Breu sabiam, tinha vindo dela. Todos os poderes, todas as maldades, todos os planos e artifícios negros. E agora iríamos enfrentá-los. A noite da grande e majestosa lua, nosso lar, nosso abrigo, agora era nosso maior inimigo.

E esse era apenas o começo...

“Não vai ser fácil. Provavelmente, vamos ser levados novamente aos nossos limites. Reviveremos nossos piores medos, mas estaremos juntos. Por que isso que é o The Big Four. A luz da escuridão, a alegria em meio ao medo, a esperança nas atribulações. Uma força igual a nenhuma outra.”

Merida ficou calada. Demorou um pouco para eu notar, o por quê de sua mente estar em silêncio.

Ela havia dormido.

Notas finais
1° Vou logo deixar logo bem claro, que não tenho nada contra gays. Na verdade, acho eles as melhores pessoas do mundo, pois sempre são divertidos e otimistas, coisa rara de se ver por ai. 2° A ideia dos cogumelos veio das "Crônicas de Spiderwick". 3° Necessito saber da opinião de vocês. Sei que muitos como eu, ou tem preguiça, ou ficam sem tempo de comentar. Mas qual é gente? Será que não podem dar um jeitinho e compartilhar suas opiniões? Elas são muito importantes para mim! *-* 4° Gostaram da musiquinha? No próximo capítulo... [...] Voltamos para a saída, mas a porta não se abriu. Um barulho estranho escapou da garganta da bruxa, que junto com seu espírito profético disse: "Esperem um momento. Ainda há uma parte da profecia, que vocês necessitam saber." [...] Uhu, mistério... P.S. Estava viajando nos clips do youtube, quando me deparei com isso aqui: - Como deveria ter terminado Como Treinar o Seu Dragão 2 - https://www.youtube.com/watch?v=-zRqejoXuqQ