The Big Four - The Fear Didn't Disappear
5 Guerra - Parte I
Notas iniciais
P.O.V Merida
Não conseguia ver nada. Os meus olhos se apoderaram de negro, era como se estivesse cega. Todos os meus sentidos foram desligados, como se eu fosse uma lâmpada que liga e desliga. Tentava me levantar, mas como sempre, não adiantava de nada. Apenas continuava deitada no chão com os olhos fechados, como se estivesse a dormir.
Apesar de tudo, não perdi a minha audição. Ainda conseguia escutar uma voz doce a me chamar: "Merida, Merida!". Era um som agradável, calorento e ternurento. Após algum tempo os meus sentidos voltaram. Abri os olhos e era Hiccup. O dono daquela voz doce era Hiccup! Um sentimento estranho me percorria o corpo. Seria... Amor?! Não, de certeza que não.
– Hey, Merida! Temos que ir! — Hiccup pronunciou.
– Humn? Para onde?! — perguntei olhando diretamente para seus olhos de puro verde.
– Para a Guerra. — Norte interrompeu Hiccup.
– Guerra? Mas o quê? -perguntei surpresa.
– Foi para isso que todos vocês foram feitos. Destruir o Mal. É o vosso destino. — o velho continuou com um tom de voz cada vez mais sério.
Limitei-me a dizer nada. Apenas peguei no meu arco com a maior coragem possível e andei até ele. Um grande sorriso cresceu na minha cara e pronunciei com a maior confiança:
– Então vamos lá!
Todos ficaram alegres e entusiasmados, principalmente Rapunzel. Ela chegou até mim e me deu um grande abraço!
De repente uma nuvem negra se aproximou e as luzes que se situavam no globo apagaram-se subitamente. "Temos de ir" Norte citou. Todos ficaram com um olhar sério e seguiram Norte que começara a correr até chegar fora da Oficina.
Quando fomos lá para fora o céu estava completamente cinzento e as árvores já não continham mais folhas nem flores. Estava tudo completamente infeliz e um ambiente macabro se aproximava ficando cada vez mais forte. Olhávamos para o céu com uma cara de espanto, os nossos olhos cada vez se abriam mais.
– Temos de ir embora. AGORA! — Norte gritou se dirigindo para o trenó.
A cada passo que tomávamos o céu ficava mais cinzento, mais infeliz, mais morto. Chegámos ao trenó e quando descolámos o céu ficou completamente negro, fazendo ser impossível avistar a Oficina, mesmo que ela estivesse na nossa frente.
– O que está acontecendo?! — Rapunzel interrogou com os olhos a serem preenchidos de medo.
– É Breu, o a quem chamam... Rei do Medo. — Norte respondeu com uma voz fraca. O céu ia ficando mais negro. Parecia que nos estava a perseguir. Norte acelerava o trenó, mas de nada valia. O negro apenas se aproximava mais rapidamente até que Norte gritou:
– Saltem!
Ninguém hesitou. Caímos numa floresta que ainda não tinha sido preenchida pelo medo. Olhamos para cima e assistimos ao negro a possuir o trenó junto com as renas.
Os nossos olhos se arregalaram totalmente quando nos apercebemos que isto era muito pior do que nós pensávamos. Eu que antes estava confiante apenas fiquei assustada num período de poucos minutos. A pura realidade era cruel.
– Vamos, temos que ir pegar lenha. — Hiccup disse com um sorriso.
Logo todos se alegraram, apenas fingimos que o que tinha acontecido à pouco segundos nunca teria existido.
Encontrámos alguns galhos no chão, mas não eram suficientes para fazer uma fogueira e nos não podíamos pegar os galhos das árvores pois estavam demasiado altos.
– Esperem ai, acho que tenho uma ideia... — Rapunzel disse. A menina pegou nos seus longos cabelos dourados e os atirou às árvores, fazendo assim que os seus fios loiros se prendessem aos galhos. Puxou repetidamente o seu cabelo até que madeira caísse. Após algumas tentativas finalmente ficamos com paus suficientes para construir uma fogueira.
– Agora só falta as pedras! — Jack disse alegre.
Pegamos meia dúzia de pedras e acendemos um fogo. Rapunzel rasgou partes do seu vestido para fazer um cobertor para todos. Nos deitámos à fogueira e esquecemos todo o que se tinha passado, apenas aproveitávamos o calor do fogo.
Todos adormeceram menos eu e Hiccup. Decidimos explorar a floresta, nós os dois, sozinhos. Rasgámos parte do cobertor e o colocamos em nossos ombros. Saímos silenciosamente e entrámos floresta adentro.
Chegamos a um local lindo, onde tinha um rio com uma cascata e cerejeiras por todo o lado. Nos aconchegámos com o bocadinho de cobertor que tinhamos e falamos a noite toda. Logo nos apercebemos que era de manhã e decidimos voltar. Chegamos ao local onde tinhamos acampado mas apenas Norte estava lá. Ferido. Repetindo as palavras: "Eles os levaram, eles os levaram..."
Começamos a correr o mais rápido possível à procura de Rapunzel e Jack, mas nenhuma pista aparecia. Investigámos a floresta de uma ponta à outra e nada encontramos. Era inútil.
"Será que nunca mais os vamos ver?" esse pensamento rolava na minha cabeça como na de Hiccup. Horas e horas depois ouvimos um grito feminino a pedir ajuda, era o grito de Rapunzel, tinha de ser. Nos apressámos e perseguimos esse grito que começara a ficar cada vez mais forte.
Fale com o autor