The Big Four - The Fear Didn't Disappear
12 Capítulo XII - Dourado
Notas iniciais
— Rapunzel!
Uma voz doce e familiar ecoa pela aldeia. Sinto a minha cabeça pesada e a minha visão turva. Uma figura estranha situa-se diante de mim, aparenta ter cabelos grisalhos e a única coisa que posso ver claramente são os seus olhos, de um azul esbranquiçado, que se assemelham à cor dos flocos de neve numa manhã de Inverno.
Coloco a minha mão no seu rosto, que depois reconheco pelo toque
— Jack... — digo, com uma voz fraca e dócil, gotas de água salgada a escorrer pelas minhas bochechas rosadas, quais ele limpa com o seu polegar. A sua pele era seca e dura mas, o sentimento que me proporcionava era suave e leve. Assim que pronuncio o seu nome, aproximo-me do mesmo e beijo os seus lábios. Os mesmos lábios que sempre sorriam alegremente para mim, que possuíam uma cor avermelhada, que me lembravam as flores que a minha "mãe" costumava trazer para fazer ervas medicinais. Os mesmo lábios que tinham um sabor a baunilha com um pouquinho de coco. Um sabor maravilhoso, que queria sentir todos os dias, que queria devorar...
Foi elétrico, aquele sentimento era apenas inexplicável. Nunca me tinha sentido assim, parecia que o meu corpo passava por uma corrente de emoções. Assim que nossas bocas se tocaram, uma marca de uma flor dourada aparecera no meu umbigo, libertando um pó amarelado que preencheu a paisagem. Os meus lábios adquiriram uma cor encarnada suave e nas minhas bochechas encontrava-se um blush leve de cor dourada. Nos meus olhos tinha uma sombra da mesma cor que o meu blush e um pouco de rímel, realçando as minhas já longas pestanas. Aquele pó amarelo começou a libertar-se de outras partes do meu cor, envolvendo Jack e eu. O meu vestido, antes rasgado, de uma cor púrpura, agora era longo, com uma cauda de tecido por trás e, com uma cor dourada e brilhante, um decote em forma de coração e mangas apenas dos ombros para baixo. O vestido tinha uma abertura na barriga, expondo o símbolo da flor. Os meus pés tinham sido envolvidos por algum tipo de tecido que servia como uns sapatos. Por fim, o meu cabelo estava preso num coque com trança embutida, e nas minhas orelhas tinha pendurado dois brincos com uma rosa dourada, que brilhava intensamente.
— Punzie... — Jack disse, os seus olhos cintilavam como milhares de estrelas na distante e escura galáxia. Ao ouvir a sua voz, rouca e gentil, sinto arrepios pelo meu pequeno corpo, explosões dentro de mim, como uma Supernova.
— Você... O seu toque... — ele coloca a sua mão nos seus lábios, massajando-os gentilmente, com olhos semi-fechados e bochechas rosadas. Ele inclina-se para me beijar novamente, olhando para mim, sem hesitar. As nossas bocas se tocam novamente, desta vez num beijo mais selvagem. Jack usa a sua língua, entrando de rompante na minha boca, tocando gentilmente no meu cabelo enquanto o faz. Eu fico surpresa pela agressividade daquele beijo e, meu rosto adquire uma cor completamente encarnada. Depois de algum tempo me acostumo e, correspondo com a minha língua. As duas se juntam, fazendo movimentos circulares, fazendo me sentir estranha, peculiar... As nossas bocas estão em perfeita harmonia, Jack empurra mais meu rosto contra o seu e eu, acaricio o seu cabelo, os seus fios suaves, cheiravam a baunilha e coco, assim como o sabor dos seus lábios. Era como se nossas línguas dançassem, eu já estava ficando sem fôlego, mas não queria parar, não o conseguia. Mais saliva se forma na nossa boca, um beijo molhado. Ambos já estavámos a suar e, Jack retira a sua camisola, fazendo nossas barrigas chocar uma contra a outra. Eu interrompo o beijo por alguns segundos para suspirar
— J-Jack... — ele continua me beijando, descendo até ao meu pescoço e eu, respirando fortemente, sussurro no seu ouvido:
— N-Não devemos... — eu sinto o seu corpo tremer quando pronuncio essas palavras, a sua mão desce do meu rosto até às minhas ancas, puxando-me mais perto de si. Solto um gemido de prazer e, com as minhas últimas forças, o empurro gentilmente.
— Jack, você sabe que é errado... — digo, olhando para o chão, preenchido de pó amarelo.
— D-Desculpe, eu não me consigo controlar perto de você — Ele diz, limpando a saliva de sua boca, com os seus olhos, cuja cor se tornara branco acinzentado, me olhando gentilmente. Ao ouvir esta frase vir de sua boca olho para o mesmo fixamente. Os meus olhos verdes cintilantes o encaram ferozmente.
— Nem eu... — digo, sem hesitar. Ele arregala os seus olhos em surpresa, o seu rosto adquire novamente um tom encarnado, a sua expressão torna-se atrapalhada.
— N-Não me provoque — ele diz, desviando o olhar. Quando me apercebo do que acabei de dizer cobro a minha cara com as minhas mãos pequenas e, abro um pouco o espaço entre os dedos para o encarar de longe.
— Desculpe... — ele coloca lentamente a sua camisola
— Não peça desculpas, eu que me descontrolei mesmo quando você me empurrou — Jack se levanta e estende a sua mão para eu me levantar. Eu o olho inocentemente. Ele era lindo, não só pela sua aparência, mas pela sua personalidade gentil, divertida, animada e até um pouco perversa... Nos olhamos por um pouco, até ele perceber o meu decote, que realçava os meus peitos. Ele desvia rapidamente o olhar, tapando o seu nariz e boca com as suas mãos. Eu olho para baixo e percebo a sua reação. Solto um grito envergonhado e cubro o meu decote envolvendo os meus braços em volta dele.
— V-Você olhou? — digo, embarassada.
— Me desculpe... E-Eu não percebi — ele diz, ainda desviando o olhar. Pego sua mão e me levanto.
— N-Não se preocupe, afinal, isso é normal para duas pessoas, hum, você sabe... — brinco com o meu vestido e olho para baixo, tentando disfarçar o nervosismo. Ele me olha surpreso e depois suavemente diz:
— Apaixonadas? — eu levanto o olhar e encontro um grande sorriso no seu rosto, os seus olhos semi-fechados transbordam gentileza.
— Sim — retribuo o seu sorriso.
Depois de alguns momentos olhando um para o outro, finalmente me apercebo da paisagem, agora restaurada. As casas foram construídas novamente, feitas com uma madeira dourada e flores e cada varanda. Na praça encontrava-se uma fonte de água cristalina e, podia-se ouvir o canto dos pássaros, que ecoavam pela aldeia. As nuvens negras tinham sumido e o sol brilhava intensamente, iluminando a praça. Era lindo, era como se fosse um local completamente novo.
— Foi você que fez isso, loirinha — Jack me abraça — O seu poder é realmente incrível... — eu o abraço fortemente, como um sinal de agradecimento. Depois de alguns segundos, o empurro levemente
— Mas ainda não acabou — digo seriamente — Breu ainda está livre, eu sinto-o, aquele demônio era apenas um escravo, passando a sua mensagem. Ele é muito mais forte que nós — observo a paisagem, não há sinal de Merida, Hiccup nem Norte.
— Você tem razão, devemos ir. Merida, Hiccup e Norte devem estar muito preocupados connosco. — ele diz, limpando o pó da sua camisola. Eu pego a sua mão e olho para ele fixamente.
— Então vamos! — sorrio.
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