The Big Four - As Legiões Colidem
37 |Jack| Pitch
Notas iniciais
Uma dor pulsante na lateral da cabeça acordou Jack. Ao abrir os olhos, sentiu uma tontura. Não estava mais na escuridão.
Estava preso.
A sala era pequena e perfeitamente quadrada. As paredes eram acinzentadas, mas não absolutamente negras como a primeira que eles entraram. Seus braços estavam presos em algemas grudadas na parede, fazendo com que seus ombros doessem. Não havia nenhuma janela e nenhum sinal de seus outros amigos. Ele imaginou que cada um estivesse preso em outras salinha como essa.
A única porta da sala abriu. A luz que veio da porta queimou seus olhos. Jack não conseguia conectar seus pensamentos direito.
Uma forma esquia entrou na sala. Ele usava uma veste longa e um capuz negro que ocultava seu rosto e corpo. A única coisa aparente era as mãos longuíssimas e finas, semelhantes a agulhas de crochê.
– Jack Frost
Essa voz. Jack conheceria essa voz não importa onde estivesse, era a voz que ouvira no templo, a voz que tirara Rapunzel dele.
Jack tentou se soltar e ir até aquela figura magra e alta e mata-la imediatamente. Todos seus músculos diziam que era isso que ele deveria fazer, mas era impossível se soltar das algemas presas na parede. Jack gritou de frustração:
– ONDE ESTÁ RAPUNZEL?
O dono da voz cruel riu de um modo maléfico, machucando o peito de Jack. Ele não suportaria isso.
– Morta.
Tudo que Jack mais temia atingiu seu sistema. Sua cabeça não pensava, seus ossos não correspondiam seus comandos, seus músculos pareciam ter se dissolvidos e seu coração se despedaçara, incapaz de se reconstruir.
– Jack Frost, há quanto tempo que não te vejo. Você... mudou.
Ele se aproximava de Jack lentamente, flutuando pelo chão e mantendo a postura majestosa. Quando estava em frente ao garoto, ele pôs sua mão longa no rosto de Jack, levantando o queixo dele, avaliando seu rosto pálido. Ele disse:
– Jack Frost que eu conheci não sente amor.
Jack não conhecia esse homem. Como ele o conhecia? Ou melhor, aquilo era um homem?
– Se me conhece, por que não te conheço? – perguntou Jack, tentando manter a força.
– Ah, você me conhece. Só não se lembra.
A verdade caiu nos braços de Jack com força. Ele conhecia esse homem antes de perder a memória.
Ele conhecia o mal antes de todos.
– Eu tenho amnésia. – disse Jack, levantando os olhos para poder encarar o mal. Mesmo que o capuz tampasse todo seu rosto, Jack sabia que por trás daquele pano havia olhos.
– Eu sei. Eu que tirei sua memória.
Outra vez a verdade atingiu Jack com força. Ele queria respostas.
– Eu nunca me importei mesmo com Rapunzel. Você sequestrou a pessoa errada. – As palavras doíam, mas era o que Jack tinha como arma nesse momento: palavras.
– Não é o que eu vejo, Jack Frost. Você está fazendo errado de novo. Você machucou o coração daquela pobre garotinha. Tão ingênua e fascinada. Você estava dando motivos para ela amar o mundo, mas brutalmente arranca tudo! Ela morreu, Jack Frost, acreditando que você a amava.
– Eu estava tentando salvá-la. Eu tentei parar de amar. – Jack não queria dizer isso a ele, mas ele sentia que se justificar nesse momento aplacaria a dor da morte de Rapunzel.
– Falhou. Tentativa falha. Você falhou! Cometeu o mesmo erro de Brant. Conhece, Jack Frost? Brisella e Brant?
A dor atingiu o peito de Jack novamente. O conto favorito de Rapunzel.
– Obviamente. – respondeu Jack, tentando parecer confiante.
– Sabe, Jack Frost, como Brisella e Brant, talvez se vocês tivessem tido menos paixão ela estaria viva...
Jack o encarou, perplexo. Se seus braços não estivessem presos, ele o atacaria nesse momento.
O homem de figura longa emitiu uma risada cruel e se distanciou de Jack, pronto para ir embora. No último momento, antes de sair, o homem tirou o capuz, revelando seu rosto horrível e encarou Jack:
– Esse é o erro universal: amar. Uma arma tão tentadora, porém tão cruel! Como uma ratoeira, o amor nos dá um queijo. Será difícil você pegar o queijo, mas quando finalmente consegue é submetido ao erro mortal sendo preso e então... Fim. Achei que você não era tão fraco a ponto de se render aos sentimentos, Jack Frost. Realmente...
Com a mão na maçaneta para sair, o homem de rosto acinzentado e olhos tempestuosos virou-se pela última vez e disse:
– Chega de se ocultar, não é mesmo? Eu sou Breu, Jack Frost. O quinto deus. O deus desprezado pela própria mãe. O deus sem legião, sem súditos. Bem... Não por muito tempo.
E fechou a porta atrás de si, deixando Jack na escuridão novamente.
***
Jack encarou o nada por muito tempo. Pensamentos se colidiam um com outro, a dor se misturava ao desespero, o cansaço o fazia querer desistir, os músculos dormentes por conta da posição horrível que o mantinha preso na parede. A única parte livre sua era Jamie, seu Soul-Patronus.
O pouco que sabia sobre os deuses vieram a tona em sua mente. Ele não queria se concentrar em Rapunzel, então se concentrou nos deuses.
Havia a Mãe Terra, a deusa maior. Essa teve cinco filhos, todos nascidos ao mesmo tempo. Quatro deles ganharam reinos próprios, as Legiões, e nelas criaram seus súditos, os legionários. Cada reino com sua própria espécie, seus próprios poderes, culturas e aparência. O quinto filho, o mais velho, Breu, não teve nada. A Mãe Terra o considerava mal demais e não merecia um reino próprio. Breu era o deus da escuridão, do vazio, do nada. Breu, como não tinha uma legião própria, vivia em silencio entre as legiões dos irmãos, trazendo doenças e desgraças. A pior foi a Epidemia do Breu. Não importa, a escuridão sempre existiu entre eles, apenas nunca davam muita importância. Breu queria recrutar súditos, ter sua própria legião.
Era isso que Breu queria. Jack chacoalhou a cabeça bruscamente. Parecia óbvio demais para ser verdade. Conectando os fatos, Jack só podia levar a uma resposta: Breu queria tomar as legiões e reinar sozinho, em sua própria escuridão.
Os deuses estavam presos, isso Jack sabia. Jack precisava fugir, encontrar Merida e Soluço, salvar os deuses e lutar contra Breu para que ele não pudesse destruir as legiões. Parecia simples, mas não tanto. Jack nem sabia como sair da sala.
Ao fechar os olhos, a imagem de Rapunzel surgiu em sua retina. A missão não seria o mesmo sem ela. Na verdade, algo nele dizia que Rapunzel não havia morrido. Em seu coração, a garota estava tão viva quanto ele.
A porta se abriu novamente, revelando uma mulher vestida de preto, trazendo um prato de comida. Pelo Soul-Patronus visível da mulher, Jack se assustou ao perceber que ela era da Legião da Água. O que ela fazia aqui? Era uma traidora, óbvio. Muitos das legiões se dedicavam e cultuavam o quinto deus. Jack teve raiva dela.
A mulher deu comida a Jack, já que seus braços estavam presos. Ele se perguntou por que Breu queria mantê-lo vivo. Deixá-lo morrer de fome seria mais eficiente.
Mas Breu não era tão simples. Se fosse para matar os três grandes da profecia dos deuses legionários, que fosse uma morte humilhante e eminente, na frente de todos.
Isso o deixou mais em dúvidas da morte de Rapunzel. Ele a deixaria morrer tão rapidamente, sem usá-la como isca antes? Não. Jack sentia que Rapunzel também estava viva, e como ele, sendo mantida para o momento certo de morrer.
Jack decidiu entrar no joguinho de Breu. Olhando para a mulher que o alimentava, notou que ela estava assustada. A missão de alimentar o escolhido da deusa da água provavelmente a assustava. Jack achou engraçado e aproveitou a oportunidade para provocar, já que ficaria preso por um tempo ali.
– O que te levou a escolher ser súdita de Breu? – perguntou Jack enquanto mastigava sua comida que ele ainda não sabia o que era.
Ela não respondeu, continuando a trabalhar.
– Ah, vamos lá! O que ele tem de tão tentador que eu não tive a oportunidade de ver?
Ela continuou a ignorar.
– Você sabe, não é, irmã de legião, que se ele governar, todos nós estaremos mortos. Nós não vivemos na escuridão.
Ela deu a última colherada de comida na boca de Jack e saiu apressadamente, sem olhar para ele. Antes de fechar a porta ao sair, ela finalmente o encarou, com os olhos aguados e refletindo desespero. Talvez ela também tenha feito escolhas erradas.
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