The Big Four - A Nova Geração
7 Sempre Acredite em Placas
Notas iniciais
Capítulo 6
― Só não se divirtam de mais hein?― Merida gritou para mim e Soluço em quanto arrastava sua mãe dali. Eu olhei para o garoto, mas ele ainda encarava Merida. Estranho, não? Eu fiquei um pouco sem graça quando ele se virou e viu que eu ainda estava olhando para ele. Ele riu (da minha cara provavelmente) e estendeu a mão para mim, um pouco receosa a peguei. Nós dançamos, até que ele fazia isso bem, e durante a dança ele me explicou o que eu vi lá no quarto da porta lilás.
Você pode achar que eu sou burra ou ingênua por acreditar nele mas achei que ele estava sendo sincero. Quando a música parou resolvi deixá-lo no salão porque durante toda a valsa ele pareceu encarar Merida e um outro garoto lá. Quando eu sai pelo salão um garoto passou por mim atrás da Merida ,e ai andou de costas até mim e fez uma cantada. Idiota. Eu o ignorei e passei reto, ele pareceu não querer investir (graças!). Quando me virei Soluço e Merida estavam dançando.
Achei fofo e resolvi não esquecer essa história. O resto da festa até que foi meio chato, eu reencontrei Soluço e tentamos achar Merida só que ela não estava em nenhum lugar. Depois de uma meia hora ela entra no salão correndo atrás de uma menina que tinha cabelos negros e curtinhos como os meus, olhos azuis e era muito, muito clara, tinha os caninos um pouco maiores que os outros dentes (o que era engraçado). Para mim ela lembrava uma vampira. Soluço disse que ela se chamava Mavis. Depois dela correr por um tempo Merida finalmente a alcançou e tirou dela um celular, deu meia volta e saiu correndo. Mavis pareceu querer correr atrás dela mas preferiu ficar beijando um garoto com um cabelo meio estranho. Eu ri quando Merida apareceu sobre as escadas e deixou o celular de Mavis cair bem em cima do bolo, tirando eu acho que ninguém mais percebeu.
― Certo, nos vemos amanhã na escola? ― Perguntei quando abracei Merida no final da festa.
― Ei, você vai pra Brumas?― Ela perguntou surpresa.
― Sim, mas vou ver a turma só amanhã.
― Vai ter sorte se ficar na mesma que eu, aviso logo, faça o que eu falo não faça o que eu faço. ― Depois que ela falou isso eu comecei a rir. Ela parecia estar brincando, mas acabou que a garota só me olhou séria e eu parei de rir. Antes de sair só falei que a festa foi muito legal e ela agradeceu. Cheguei em casa e nem acreditei quando liguei a TV e vi uma reportagem sobre neve em algum lugar aqui perto.
― Rapunzel!!! Acorda, perdemos a hora!― Acordei com minha mãe gritando da porta, fechando-a em seguida. Fiquei olhando o quarto sem entender nada, fui dormir muito tarde ontem e acordar as cinco para ir para a escola era horrível. Assim que a ficha caiu eu levantei em um pulo e corri para o banheiro. Botei o uniforme da Brumas que era uma saia lápis preta, camisa de botão branca, meia três quartos e sapatilhas pretas. Penteei meu cabelo em dois minutos e escovei os dentes enquanto descia as escadas. Quando ia sentar na mesa a campainha tocou e minha mãe praticamente jogou a mochila em mim, me levando até a porta. Lá fora tinha um carro bem grande e o vidro do motorista baixou, revelando um garoto que eu conheci na festa ontem, Johnny.
Ele estava de óculos escuros e acenou para mim, a porta de trás abriu e Merida pediu para eu me apressar. Eu andei até o carro e acenei para minha mãe que já tinha entrado correndo em casa novamente. Eu entrei no banco de trás e ouvi um couro gritando o "bom dia" mais alto que já tinham me desejado na vida, olhei para trás e percebi que onde deveria ser a mala tinha três cabecinhas ruivas se mexendo nos bancos. Eu ri e respondi da mesma forma que eles. Merida disse para eu não dar corda e eu só ri. Andamos mais um pouco até que paramos na frente de uma casa feita toda de madeira, que ficava bem mais alta que o nível da rua e tinha vários pinheiros na frente assim como varias toras de madeira que serviam como bancos. Um pessoa que eu reconheci como Soluço se levantou e fez carinho em um gato enorme e negro seguindo depois para o carro e abrindo a porta. Ele estava com óculos escuros e achei engraçado a mini trancinha que tinha no seu cabelo. Ele disse "bom dia" e todos respondemos menos eu e os irmãos de Merida que gritamos. Um deles (acho que Hamish) se apoiou no meu banco e disse:
― Ei, Morena, gostei de você, mas não vai escapar do Mês dos Ruivos.
― Mês dos Ruivos...?― Perguntei.
― É o mês mais perigoso― E os trigêmeos e Merida começar a rir diabolicamente.
― Merida, passou a tradição pelo visto.― Soluço falou rindo depois junto com Merida. Depois ela me explicou o que mês dos Ruivos é o mês em que os quatro ruivos (ela e seus irmãos) faziam pegadinhas e trotes, também falou que antes deles nascerem e se tornarem "sementes da discórdia" era só o mês da Ruiva. E Soluço sabia disso pois a conhecia desde da infância, até que eles se mudaram e se encontraram de novo. Mavis estava muito ocupada abraçando seu telefone e Johnny cantando uma musica que estava passando na rádio.
Depois de quase uma hora na estrada chegamos a uma rua reta e asfaltada, um pouco antes da cidade. Ela tinha árvores dos dois lados e quando olhei para cima suspirei de tão lindo, os galhos se entrelaçavam e tinha uns arranjos bem legais imitando enormes flores. Seguimos por ali até um portão gigante e preto que estava aberto. Quando Johnny achou uma vaga parou logo e saímos do carro. Fiquei mais chocada com a escola ainda. Era gigante e parecia um castelo.
― Por Odin, meu pai não me disse que eu ia para Hogwarts.― Soluço disse assobiando no final. Merida riu e Johnny disse que as olimpíadas escolares eram pior que o Torneio Tri-Bruxo. Mavis e ele deram as mãos e falaram que nos veríamos no intervalo. Ficando só eu, Merida e Soluço. Ela ajeitou sua mochila em um ombro só e disse que nos levaria para pegarmos os horários, gravatas e as chaves do armário.
Lá dentro estava muito, muito cheio e era muito, muito lindo. Merida ficou dando algumas instruções sobre a escola, Soluço aparentemente estava prestando atenção demais e eu de menos. Eu estava muito ocupada apreciando a escola, Soluço não exagerou quando disse que parecia Hogwarts. Os corredores eram largos e o teto era bem alto, tinha aqueles janelões bem grandes e um tapete preto com uns desenhos antigos dourados nele todo. Talvez antigamente a escola tenha sido uma igreja ou algo parecido. Quando lutamos com a multidão para chegarmos nas escadas, eu olhei para cima e vi que devia ter uns cinco andares, para baixo tinha uns dois. Merida nos levou até o último piso, onde no final tinha uma enorme bancada com uma meia dúzia de pessoas em uma vila. Depois de esperar um pouco chegou a nossa vez. Ela nos disse para darmos nossos nomes e assim fizemos. Ganhamos as gravatas, que eram cinza, as chaves do armário com o nossas iniciais gravadas e os horários. Eu e Soluço estávamos na mesma turma da Merida. Quando o sinal tocou estávamos no meio das escadas então corremos até a sala 15, que era de Literatura, nossa primeira aula.
Duas semanas depois do início das aulas eu já estava bem à vontade naquela escola. No primeiro dia de aula eu achei que nunca ia conhecer nem metade das pessoas que estudavam lá e muito menos lembrar seus nomes, mas, Merida e Mavis me provaram o contrário, só tenho que trabalhar um pouco mais no requisito "lembrar o nome das pessoas para não pagar mico" que a Mavis me explicou. Faltando duas semanas para o meu aniversário, da Merida e ,acredite se quiser ,do Soluço, Merida me inventa de irmos acampar na reserva florestal que rodeia o nosso condomínio. Não sou muito fã desse tipo de coisa, mas, como Soluço aceitou eu não iria fazer uma desfeita, então topei também.
Depois de um dia inteiro falando sobre compostos químicos e como calcular a diagonal de um polígono, cheguei em casa extremamente entediada. Entrei no meu quarto e coloquei minha mochila sobre a escrivaninha. Olhei pela janela, me lembrei de quando estava saindo de Corona a um tempinho atrás, parece que foi a tanto tempo. Acho que agora não quero que aqueles três anos passem tão rápido assim. Olhei para uma das duas paredes que ainda estavam em branco e resolvi pintar uma campina no verão, com pássaros voando, o céu bem azul sem nuvens e o sol, grande e brilhante.
Me lembro de estar apoiada em uma das latas de tinta encarando o chão, me sentei e me espreguicei, só mesmo eu para dormir pintando. Olhei em volta do quarto e ele estava todo escuro, nossa, tinha dormido bastante hein. Me levantei e tirei a poeira imaginária das minha roupas, então ouvi alguém batendo palmas. Me surpreendi com isso e olhei rapidamente em direção ao som, que vinha da minha janela. Tinha uma garota sentada nela, com uma perna dobrada e outra pendurada para fora, com as costas apoiadas na moldura da janela. Mesmo sem a luz do quarto uma tênue luz vinha de fora da minha janela e eu podia ver seu rosto com clareza. Ela era bem branca, quase pálida, seus olhos eram literalmente prateados, suas íris tinham um estranho brilho metálico. Ela era bem bonita, seus cabelos eram pretos e estavam presos em uma trança lateral um pouco desarrumada e ela estava usando uma camiseta preta, calças jeans também pretas e uma bota de couro de cano alto.
A garota estava com a cabeça apoiada na janela e ela sorria de um jeito bem estranho para a lua. Fiquei um pouco sem ação então eu só disse:
― Ahn, olá...― E fiquei esperando, olhando para ela.
Ela não pareceu me notar, muito menos ouvir o que eu falei.
― Ei, garota...como subiu aí?― Eu perguntei, começando a andar lentamente até a porta.
A garota continuou olhando para a lua com um estranho sorriso, então ela fechou os olhos e começou a virar a cabeça lentamente na minha direção, murmurando uma melodia que não me era estranha. Quando sua cabeça estava bem de frente para mim ela sussurrou ainda no ritmo da música ''uma vez foi meu''. Nessa hora ela abriu os olhos e sorriu daquela madeira meio assustadora e disse:
― Demorei um pouco para te achar, não deixa nem um bilhetinho falando para aonde se mudou, Rapunzel?
Eu engoli em seco pois ela disse isso pausadamente e eu estava começando a ficar assustada.
― Ahn, quem é você, e de, de onde me conhece? ― Perguntei me virando de frente para ela e andando de costas para a porta.
― Eu? Eu sou aquela que a todos conhece, me chamam de Ceifadora. E eu estarei lá Rapunzel.―Ela disse com seu tom de voz calmo, mas de alguma maneira perturbador.
― Lá aonde, ahn, Ceifadora?
― Quando você escorregar, escorregar e cair.
― Ah ata, legal, legal saber...mas por que você esta na minha janela?― Perguntei, com uma vontade muito grande de sair correndo.
― Porque daqui tem uma ótima visão da Lua. Mas você não entenderia se eu dissesse a verdade.
― Bom, você pode tentar...
― É porque daqui a Lua me escuta melhor, e vai escutar melhor ainda quando eu ceifar a sua alma mortal. Entendeu?
Eu abri a boca para falar mas ai eu fechei quando ela começou a levantar uma das mãos que estavam para fora da janela e ela estava segurando um foice. Bem normal isso. Bem legal hein.
Ela apontou a foice para mim e disse.
― Se eu fosse você ia parar com essa mania de desenhar nas viagens, vai acabar antecipando minha visita. Bom acampamento Rapunzel. ― Depois ela simplesmente pulou a janela. Nossa, bem mais normal. Bem mais legal. Acho que vou correr agora. Eu ai começar a correr mas meus pés pareciam que tinham sido colados no chão, eu fiz força para sair mas nada aconteceu. Então tentei gritar, mas não conseguia fazer nenhum som.
Acordei com alguém me balançando e falando meu nome. Abri os olhos e me vi deitada no chão, segurando um pincel e fazendo uma lata de tinta de travesseiro. Olhei para a pessoa que estava me balançando e só vi uma massa ruiva, Merida. Me levantei e olhei o quarto em volta, ainda estava de dia, tinha sido só um sonho louco, ainda bem.
― Que que foi garota, que cara assustada é essa?― A Merida perguntou.
― Nada não Merida, só um sonho doido.― Eu disse e depois ri.
― Ahn, ok, sua mãe disse que eu podia subir para te chamar, vai assim mesmo pro cinema?
― Dios mio, tinha esquecido, vou tomar um banho rapidão.
― ''Dios Mio...?'' Quem fala ''Dios mio'', Punzie? ― Merida perguntou rindo.
― Eu falo tá ? E vocês brasileiros falam coisas muito mais estranhas que Dios Mio, tá? Tipo putz, que que é putz? Eu não sei o que que é!
Merida riu e me falou para tomar banho logo. É claro que no resto do dia ela ficou fazendo piadinha com Dios Mio, é muito boba mesmo. Pelo menos o filme foi bom, fomos ver Insurgente. Quando cheguei em casa depois do filme fui logo arrumar minhas coisas para acamparmos, porque amanhã já era sábado e eu queria me certificar que ia levar tudo.
Na manhã seguinte eu acordei as sete em ponto, arrumei meu quarto, tomei banho e tomei meu café-da-manhã. Nunca fui acampar então coloquei uma calça legging roxa, uma camiseta branca e passei muito protetor solar. Coloquei meu tênis de corrida (realmente era o único tipo de tênis que eu tenho) e coloquei meus óculos escuros. Peguei também meu caderno que desenho e tentei enfia-lo dentro da minha mochila gigante, infelizmente não deu então deixei ele na parte de cima, solto mesmo.
Antes de sair pela porta pus Pascal no meu ombro e olhei para a minha última parede em branco, esperava ter alguma inspiração durante esse final de semana para usar nela. Dei sorte dos meus pais estarem saindo bem naquele momento e peguei uma carona com eles, que me poupou uns cinco quilômetros de caminhada. Dei um beijo na bochecha de cada um e depois sai do carro, acenando em seguida para o carro que já ia embora. Olhei para a trilha por dentro da reserva e respirei fundo, ainda tinha a impressão de que mesmo depois dessa ''aventura'' eu não ainda não ia ser muito fã de campings.
Durante a trilha toda fiquei pensando naquele sonho estranho e me lembrei que a música que a garota tinha cantado, era uma que a minha mãe cantava para mim quando eu era bem pequena. Parei quando vi uma placa falando que aquela parte da trilha não era aconselhável sem a companhia de uma guia, olhei para a trilha na minha frente, depois para a placa, ai olhei para trás e pensei que, voltar pela trilha ia ser mais quarenta minutos e essa última parte dela só tinha só mais vinte. Dei de ombros e passei pela placa, ela não devia estar tão ruim assim. Comecei a me arrepender quando tive que passar por um lugar bem estreito, que de um lado era um morro e do outro um barranco.
Fiquei andando nessa parte por uns dez minutos até que fiquei com sede e parei para beber um pouco de água. Tirei a mochila de um dos ombros para pegar a minha garrafa e quando olhei para o lado vi que ao longe tinha um lugar pegando fogo. E aquele lugar, pela localização tenho certeza que era a casa da Merida. O que aconteceu depois disso foi muito rápido porque enquanto eu começava a ter um ''mini ataque cardíaco'' com o que eu estava vendo alguma coisa escorregou da minha mochila e caiu em direção ao barranco. Quando vi que era o meu caderno de desenhos tive outro ''mini ataque cardíaco'' e tentei pega-lo, só que acabei o empurrando mais ainda para o lado e me desequilibrei para tentar pega-lo novamente. Meu pé deve ter ficado preso em alguma coisa porque a última coisa que me lembro é de sair rolando pelo barranco junto com pascal e meu caderno, vendo o fogo aumentar ao longe e ouvindo dentro da minha cabeça uma voz familiar cantando '' uma vez foi meu''.
Então eu olhei para o sol, tive certeza que o sonho não tinha sido apenas um sonho, e tive certeza também que o sol ia ser a última coisa que eu ia ver. Tudo ficou escuro depois. Acho que vou receber a visita de alguém mais cedo afinal.
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