The Big Four - A Nova Geração
11 Morrer Nem é Tão Ruim Assim
Notas iniciais
Capitulo 10
Nunca tinha sentido uma dor de cabeça tão forte na minha vida inteira. Eu não tinha forças para abrir os olhos, na verdade nem conseguia me mexer. Com o passar do tempo percebi um forte cheiro de terra. Não sabia mais quanto tempo estava esperando, o que eu estava esperando mesmo? Nem sei. Talvez eu estivesse em uma espécie de limbo ou alguma coisa parecida.
Tentei me mexer me novo, mas, eu me sentia um pouco sufocada, eu estava segurando algo na mão direita. Algo de metal, com certeza. Uma frigideira. Espera, frigideira? Que porcaria é essa?
O que eu estou fazendo aqui? Pera, onde é que eu estou? Pera de novo, quem eu sou? Da para alguém me dizer que droga esta acontecendo e por que eu estou segurando uma frigideira?
" Brilha linda flor,
Teu poder venceu
Trás de volta já
O que uma vez foi meu...
Cura o que se feriu
Salva o que se perdeu
Trás de volta já
O que uma vez foi meu,
Uma vez foi meu..."
Foi a única coisa que eu ouvi, começando como sussurro e depois evoluindo para uma melodia mais alta. Era uma voz que eu reconheci, não era reconfortante, só era familiar de alguma forma. Começou uma pequena claridade que foi crescendo de trás de mim. Vi que eu não estava de olhos fechados, estavam em baixo de algo, talvez da terra. Tive um flash, me vi caindo de um barranco e saindo rolando. Não me pergunte como eu sabia que era eu, não vou saber responder. Quando percebi que estava em baixo da terra me debati de todas as formas, e tentei gritar. A terra cedeu um pouco e tive outros flashes. Depois de muito esforço consegui colocar uma das mãos para fora da terra e me puxar em quanto ainda me debatia.
O sol foi a primeira coisa que eu vi. Senti uma forte energia percorrer o meu corpo, e do nada minhas memórias retornaram. Rapunzel Corona, esse é o meu nome. E eu acho que estou morta. Quando ia terminar de tirar o meu corpo da terra senti alguém puxando meu cabelo bem forte. Reclamei algo e me virei furiosamente para trás. Fiquem sem ação, não tinha ninguém puxando o meu cabelo, ele ainda estava preso dentro da terra. E o mais estranho é que ele estava loiro.
Sem brincadeira, fiquei uns dez minutos puxando ele e ele nunca acabava. Acho que estou sonhando. Minhas roupas estavam sujas de terra e minha cara também devia estar, só o meu cabelo que magicamente não estava. Olhei em volta e vi que não tinha como subir o barranco, ele era muito íngreme. Passei a mão no rosto e percebi que meus óculos não estavam lá, mas mesmo assim eu podia enxergar com perfeição, ate mais do que com óculos. Resolvi então procurar minhas coisas, a mochila não se encontrava em nenhum local aparente, ela devia estar soterrada. Dei um sorriso quando vi meu caderno enfiado na terra, a única coisa estranha é que ele tinha uma coisinha verde em cima...
― Dios Mio! Pascal! ― Eu gritei e corri até ele. O meu camaleão parecia bem irritado, acho que ele vi tudo e ficou bravo por eu só ter me lembrado dele agora. Se fosse eu acho que ficaria bem desesperada de ver alguém sair da terra em "Resident Evil Mode". Eu o abracei e pedi uma serie de desculpas, em todas as línguas que eu conhecia. Acho que funcionou, porque ele desfez aquela cara carrancuda.
Andei de um lado para o outro sem soltar a frigideira e com Pascal no meu ombro, pensei um pouco sobre sair dali pela reserva, margeando a beirada do barranco, mas alguma hora a trilha podia entrar e eu não queria ficar perdida no meio da floresta. Me virei para ter um panorama novamente. Percebi o quão grande o meu cabelo estava, devia ter uns vinte metros. Como ele ficou tão grande eu não sei. A trilha de cabelo começava no buraco que a "Rapunzel Zumbi" saiu e fazia um círculo até o ponto em que eu estava. Resolvi ajeitá-lo até ficar certinho, aí me deitei no chão e encarei o céu.
O sol não machucava os meus olhos e o mais legal é que eu podia ver as nuances em suas cores, explosões que estavam acontecendo a milhares de quilômetros de mim. Por algum motivo eu estava sorrindo, o Sol estava diferente, eu estava diferente. Mesmo ele sendo uma bola de fogo e plasma, parecia vivo. Mesmo eu achando que estava morta, me sentia mais viva do que nunca. Fechei os olhos e comecei a cantar baixinho a música que tinha ouvido antes, ela veio naturalmente para mim. Nessa hora uma luz começou a ser emitida novamente, abri os olhos e me virei para ela. Nossa, era o meu cabelo. O meu cabelo de vinte metros loiro podia brilhar. Parei de cantar e fiquei encarando meio sem saber o que fazer. Ele foi perdendo o brilho até voltar a sua mais nova cor normal. Encarei o céu por mais um tempo e depois tornei a fechar os olhos e comecei a cantar a música novamente, ela era reconfortante, me deixava segura. Além do mais, tenho certeza que eu eremita doido não chegaria perto de uma garota suja com cabelos brilhantes. A luz depois de um tempo nem me pareceu algo tão estranho.
Depois algum certo tempo eu franzi as sobrancelhas quando a luz repentinamente ficou mais forte. Abri os olhos quando alguém tocou em mim. Era um moço muito estranho. Para começar ele era extremamente baixinho, tinha um rosto bem redondo e olhos dourados. Ah, esqueci de dizer que ele brilhava e parecia ser feito de purpurina dourada. Ele segurou minhas mãos e sorriu, me puxando para cima. Talvez eu tenha exagerado, porque eu dei um grito e bati com a frigideira na cara dele, me levantando rápido. Gritei mais ainda quando alguém disse:
― Ei mocinha, calma ai. ― E depois me levantou do chão, provavelmente para não bater no baixinha brilhante de novo. Gritei mais ainda e me debati, tentando acertar qualquer coisa. Acho que acertei o olho dele.
― Rapunzel, se acalme, viemos ajudar! ― Exclamou o homem que me levantara, a voz dele era grave e ele parecia ter uma idade mais avançada e tinha um sotaque bem evidente, russo, eu acho.
O baixinho brilhante estava passando a mão na cabeça, ele vai ficar com um belo galo. Me soltei do homem com sotaque russo e me virei para eles, as vezes virando a frigideira para um, as vezes para o outro. O segundo homem se vocês querem saber parecia o Papai Noel, serio, tinha a roupa vermelha, as botas e até a barba.
― Quem são vocês? ― Eu perguntei "ameaçadoramente". O "Papai Noel" colocou a mão na barriga e soltou uma gargalhada.
― Quem você acha que somos, duendes? ― Ele deu mais risadas. ― Não, não, não, pequena, eu sou o Papai Noel, mas me chame de Norte e esse baixinho aqui é o Sandman!
Comecei a abaixar minha letal frigideira em quanto abria um pouco a boca, Dios Mio, o que esta acontecendo? Acho que a queda me fez alucinar.
― Norte e Sandman...?― Eu disse confusa.
― Exato, somos guardiões, assim come você agora. Você foi escolhida!
Ai o tal de Sandman fez um sol em cima da cabeça dele. Eu não sei se confiava neles, talvez fossem só fruto da minha fértil e perturbada imaginação. Com um canto do olho vi um movimento a esquerda. Virei levemente o rosto e vi ela. Ceifadora. Ela me matou. Fui arregalando os olhos lentamente, essa garota me dava arrepios e eu não gostava nem um pouco dela. Ela estava sentada na beira do barranco com a minha mochila em baixo do seu braço. Ela rodou aquela foice sinistra na mão e colocou o dedo indicador na frente dos lábios depois piscou para mim e desapareceu com minha mochila, deixando para trás somente uma fina névoa preta que logo se dissipou.
Eu me arrepiei e me virei de volta para Norte. Ele estava falando algo sobre eu ter que ir com ele. Não sei porque eu aceitei, só queria sair dali. Subi em um trenó puxado por renas e fui ao lado de Norte, ele explicou um pouco das coisas para mim e pouco eu entendi. Pelo que ele me falou eu estava morta, mas tinha virado uma guardiã, como aquela lenda para crianças. E de alguma forma eu tinha preservado minhas memórias em quanto a grande maioria esquece até o seu nome. Mesmo que pareça uma grande brincadeira, mas por algum motivo eu acreditei naquilo. Fiquei maravilhada quando olhei para o lado e vi Sandman voando em um avião de areia dourada, que como Norte tinha me explicado era a matéria dos sonhos.
― Desculpe por ter batido em você Sandy, e por ter te dado eu soco Pap... Norte....
Sandy não deve ter escutado mas Norte soltou uma gargalhada e disse:
― Rapunzel não é a primeira vez que isso acontece, mas na maior parte das vezes só nos batem depois de jogarmos eles no portal. ― Aí ele riu mais. Não acho que ele estava brincando.
Não falei mais nada o caminha inteiro, eu também não sabia para onde estavam me levando, talvez tenha sido uma grande estupidez minha, mas quando se esta morto acho que não é a maior coisa a se preocupar. Norte tirou um globo de neve do bolso e o jogou na frente do trenó, gritando para eu me segurar. Ahn, é ele não estava brincando sobre portais. Não preciso nem dizer que gritei e esmaguei Pascal.
Saímos dele e eu vi um castelo enorme, que se erguia em cima de uma montanha. Pequenos flocos de neve caiam pelo ar.
Passamos pela claraboia e pousamos não tão suavemente no chão. Tomei um susto com o que vi do outro lado do salão, a Fada-do-Dente e ninguém mais ninguém menos que Jack Frost. Sempre achei que ele fosse um duende baixinho com um chapéu com um guizo na ponta. Uma dica, não é bem assim não. Como Mavis falaria: "Ele é um gatinow." Nossa, nunca mais vou pensar isso, to com vergonha alheia agora.
Desci do trenó com a ajuda do Sandy e o guardião do inverno começou a se aproximar mas, de repente do outro lado da sala um buraco se abriu e me deparei com um coelho de dois metros e minha amiga ruiva, Merida.
Fale com o autor