The Big Four - A Nova Geração

22 Dando uma de Irmãos Winchester


Definitivamente, as coisas não podiam ficar mais estranhas.

Punzie não comentou nada durante o caminho até o castelo, permanecendo quieta e pensativa. Eu não sabia o que se passava na sua cabeça, mas se eu perguntasse ou comentasse algo, com certeza não receberia resposta em troca.

Assim que saímos da proteção das grandes árvores da floresta de pinheiros, a neve atacou sem trégua. Banguela andava entre eu e ela, com as asas abertas sobre nós. Uma vez ou outra ele as sacudia, para tirar o acumulo de neve. Em algum momento dei uma olhada para trás, mas no mesmo segundo que nossas pegadas eram feitas, a neve as encobria.

Uma silhueta grande e imponente logo surgiu na nevasca, bem perto de nós. Entrar no castelo e sentir subitamente a temperatura subindo foi revigorante. No hall de entrada uma grande lareira queimava com toras de madeira, que deixavam um cheiro característico no ar. Tirando o crepitar das chamas vermelhas, o castelo estava imerso no mais profundo silêncio.

— Ouviu isso? — Perguntei parando e me apoiando em uma parede, para raspar a neve dos tênis em um compartimento que eu acreditava ser para isso.

— Não. — Punzie respondeu num sussurro, desconfiada com o estranho astral do lugar. — O que?

— Exatamente. Aqui nunca está silencioso. — Falei desviando o olhar lentamente para ela. Punzie sustentou o meu olhar e em seguida engoliu em seco, voltando a observar o hall sombrio.

Banguela inclinou a cabeça um pouco para o lado, fechando os seus olhos por alguns segundos e emitindo um baixo grunhido. Quando os abriu, suas pupilas estavam infinitamente menores do que o normal, contraídas. Mesmo antes que eu pudesse falar qualquer coisa, o dragão deu um pulo para frente, e de uma forma quase discreta, correu até as escadas, se misturando entre as sombras e subindo.

Eu e Punzie não esperamos um convite formal, o seguindo logo que desapareceu. Era bem estranho mesmo ver o castelo tão quieto e escuro. Talvez a tempestade do lado de fora contribuísse intimamente para isso, mas meus instintos diziam que tinha algo mais.

Merida e Jack ainda não tinham voltado, e nem tinha ideia de onde poderiam estar. Enquanto subíamos as escadas tentando evitar ao máximo os estalos da escada, era fácil ver nossas sombras se misturando com as outras das paredes, criando a ilusão que borbulhavam.

Quando já estávamos no último lance, acabei batendo com força bem nas costas de Banguela, e se não fosse Punzie, teria rolado escada a baixo. O dragão estava sentado olhando para frente, num misto de curiosidade e medo. A porta do escritório de Norte estava aberta, mas de lá não saiam as características risadas e falatórios dos Guardiões.

Um filete de luz escorria pela fresta, nos confirmando que de fato havia alguém ali. Punzie tocou de leve no meu braço, e juntos andamos até lá. Paramos ao lado da porta, mas não nos arriscamos a bater nem passar pela fresta, uma vez que eles poderiam parar de falar o que quer que fosse.

—... absurdo total. — A voz de Norte soou baixa e profunda, sem um pingo da energia contagiante de sempre.

— Vocês já sabem o meu posicionamento, não tenho muito que fazer, não depois do que aconteceu com o castelo da Fada. — A voz do Coelho estava tão perto da porta, que tanto eu quando Punzie demos um passo para trás, instintivamente.

— Eu entendo, mas então o que fariamos? — Norte perguntou, produzindo um estalo em seguida, provavelmente se acomodando em sua grande poltrona.

— Não sei ainda. — Coelhão fez uma pausa, resmungando em voz baixa em seguida. — Mas não devemos envolvê-los, ainda não têm ideia do que podem fazer.

— Vocês podem por favor parar de falar como se eu não estivesse aqui? — O timbre da voz da Fada saiu bem mais fino que o normal, e acredite se quiser, bem mais nervoso também.

Pequenos barulhos soaram pela sala, mostrando que Sandy também estava presente. Pensei até em espiar pela fresta, mas ser visto podia nos gerar um grande problema.

— Sandy está certo, temos que comunicar os outros Guardiões, isso é um problema que claramente não temos como contornar. — Ela argumentou, um pouco mais controlada.

— Não Fada. — Norte disse. — Eu ainda tomo as decisões finais por aqui, temos como agir.

— Como assim? — Ela perguntou com a voz esganiçada. — Vai fazer o que sozinho? Pois mesmo que os humanos não estejam ameaçados ainda, nós sabemos que é uma questão de tempo.

— É uma questão de tempo. — Coelhão respondeu, repetindo o que ela disse. — Mesmo assim, vamos seguir com o combinado. Os demais Guardiões não serem avisados ainda, Norte cuidará de Jack e os outros três.

— Exato, e você, Fada, vai ficar conosco, depois desse ataque é perigoso voltar para o seu castelo. — Ouve um segundo de silêncio, mas Norte logo continuou. — Do mesmo jeito que Coelhão vai com Sandy tomar conta da sua toca, já que estamos sendo ameaçados.

O tom de todos diminuiu bastante desse ponto da conversa em diante, então eu e Punzie nos aproximamos. Uma tábua solta no chão não estava em nossos planos. Meu sangue gelou no mesmo instante, e pela primeira vez, tive medo do Papai Noel.

Num movimento rápido Punzie deu fortes batidas na porta, enfiando a cabeça na fresta em seguida.

— Norte... ? — Quase gritei para que ela não fizesse isso, mas logo percebi que talvez fosse a melhor coisa que poderíamos fazer. — Está aí?

Logo a porta se abriu num rangido, revelando o escritório. Os brinquedos e invenções continuavam por todo o lugar, mas algo puxava o astral dele para baixo.

— Sim querida, pode entrar. — Ele respondeu, fazendo uma expressão calma.

— Eu e Soluço vimos a tempestade lá fora, e ficamos preocupados com Jack e Merida. Eles saíram e ainda não voltaram. — Ela disse segurando a barra da minha camisa e me puxando para entrar no cômodo com ela. Resolvi entrar no jogo também.

— Pensamos que estariam no salão, mas ele estava vazio. Eu disse pra ela que vocês não estariam aqui também, já que estava tão silencioso. Do corredor parecia que não tinha ninguém aqui dentro. — Certo, talvez eu tenha exagerado um pouco.

Fada e Sandy se entreolharam, mas Coelhão saiu da frente da porta, para que entrássemos.

— Sim, só preocupados com o tempo estranho. Vira e mexe e essas forças esquecidas se remexem um pouco, mas não é nada que precise da atenção de vocês. — Norte disse, pegando um biscoito da grande travessa que tinha sobre a sua mesa e colocando na boca. Mesmo com os quatro tentando passar uma imagem calma, Fada e Sandy denunciavam tudo no jeito de se mexer.

— Forças esquecidas? — Perguntei, recebendo um beliscão de leve de Punzie.

— Sim, as forças que hoje tem Guardiões, mas antigamente eram tidas como divindades pelas culturas ancestrais. Andam meio revoltas esses dias, só isso. — Coelhão respondeu, dando de ombros. — Podem descer para jantar, tenho certeza que Merida e Jack estão bem, mesmo no meio de uma nevasca, ao lado do Guardião do Inverno ela está a salvo.

Compreendi que obedecê-lo era o mais inteligente, então só acenei com a cabeça e me virei para sair, sendo seguido por Punzie. Não falamos nada até estar em outro corredor, longe do escritório e dos ouvidos atentos daqueles quatro.

— Vai dar merda. — Comentei passando a mão pelas escamas de Banguela, que estava andando calmamente ao nosso lado.

— O que acha que devemos fazer? — Ela perguntou num tom baixo, puxando umas mechas longas de seu cabelo para o colo.

— Olha, não é que eu não confie neles, só...... — Fiz uma pausa, tentando achar as palavras certas. — Só percebi que eles que não confiam e nós, e estão certos, não nos conhecem direito.

— Eu vi algo na floresta. — Ela afirmou, levantando o olhar até o meu, meio preocupada.

— Viu algo... ? — Apoiei meus cotovelos na mesa, para me aproximar dela.

— É, acho que foi uma lembrança. Quando me afastei de você eu vi que a floresta tinha mudado, até estava em outra estação. — Ela começou a explicar, baixando bastante seu tom.

— Espera, foi por isso que você falou que tinha que conversar com os Guardiões?

— Foi, foi. Agora escuta. — A garota fez uma pausa e tomou uma respiração profunda fechando os seus olhos. Por algum motivo, eu tinha a sensação de que seria uma longa história. — Eu vi uma mulher que chamavam de Morte com duas crianças, Solium e Andrômeda. Tinha dois garotos no chão, um deles foi levado por uma das crianças e o outro pela Morte. Foi estranho.

Punzie falou tão rápido, que eu fiquei alguns segundos parado, a encarando. Eu não fazia ideia do que ela tinha visto, mas sabia muito bem quem era Andrômeda.

— Ei, ei, ei. Espera, para e volta. — Falei fazendo sinal com a mão para que ela se acalmasse. — Andrômeda eu conheço, ela pareceu antes de eu.........morrer. — Acrescentei no mínimo desconfortável com essa palavra saindo da minha boca.

— ... — Punzie permaneceu com a boca levemente aberta, chocada, mas logo se recompôs. — Certo, depois você me explica isso. Precisamos falar com ela.

— Eu sei disso, mas não faço ideia de onde ela está. — Expliquei, enterrando a cara nas mãos. — E não podemos simplesmente chegar nos Guardiões e perguntar esse tipo de coisa.

— Eu acho que conheço alguém que pode nos ajudar. — Ela disse abrindo um sorriso, se levantando e correndo para fora da sala.

Eu suspirei e logo acompanhei o ritmo dela. Nossos passos quase não faziam barulho batendo no chão, então espero não ter chamado atenção de ninguém. A garota seguiu para o andar dos nossos quartos, mas virou a direita, se dirigindo para o salão dos brinquedos.

Assim que vi os yetes todos lá dentro, entendi o que ela quis dizer.

Phill.

Ela se aproximou dele e abriu um sorriso, me puxando para perto e entrelaçando seu braço no meu.

— E aí, Phill. — Ele olhou para nós, bem desconfiado. — Sabe, a Merida ficou bem chateada por que você chorou, então viemos aqui para fazer um trato para contornar isso.

O yete desviou o olhar de mim para ela, e apontou para si mesmo. Eu entendia exatamente tudo o que ele dizia.

— Ele disse que está ouvindo.

— Ótimo, mas nada de contar para alguém, é um segredo. — Punzie disse, colocando o dedo indicador na frente dos lábios. Eu até falaria para ela que não precisava tratar Phill como um criança, mas eu estava até me divertindo.

— Ele entendeu, não vai comentar com ninguém. — Falei tentando não demonstrar que estava prestes a rir.

— Nos leve até o cristal, pois temos uma ligação pra fazer. — Ela finalmente disse, revelando o nosso plano.

O salão do cristal estava vazio e igualmente silencioso. Phill só saiu quando confirmamos para ele que sim, Merida com certeza o perdoaria.

— Eu não sei como vamos ligar essa coisa. — Eu disse após vários minutos que apertamos o cristal e o cutucamos.

— Eu também não. Talvez seja algo tão idiota, que não pensamos ainda. — Ela disse, coçando de leve a cabeça.

— Pode ser tipo um telefone gigante. — Concluí, posicionando meio receoso as duas mãos espalmadas sobre a superfície fria do cristal. — Hãn.......Andrômeda?

Ficamos só observando, curiosos e ansiosos, mas nada aconteceu. Vencido, eu tirei as mãos de lá, e chutei o nada.

— Alguém lá em cima não deve gostar da gente. — Comentei olhando para o teto. — Se Merida estivesse aqui, diria que é a avó dela.

— O Homem da Lua podia nos ajudar. — Punzie disse, como um resmungo.

— É, bem que podia. — A claraboia estava fechada, mas a pouca luz da lua ainda passava por ela. Eu e Punzie nos entreolhamos, e sorrimos ao mesmo tempo.

Com seus pequenos passos, ela caminhou até o outro lado do salão, alcançando a corda para abrir a claraboia, que magicamente, não tinha neve.

No mesmo instante que a lua iluminou o ambiente, o cristal adquiriu uma tonalidade clara, e os olhos claros e o sorriso contagiante da pequena surgiram.

— Olááááááá. — Ela disse com um riso, inclinando a cabeça para o lado. — Sabia que viriam atrás de mim. E gostaria de dizer mais duas coisas. Primeiro, vocês estão muito ferrados e segundo... — A menina fez o número cinco com os dedos, em contagem regressiva.

— Puta que pariu. — Comentei assim que ela chegou no zero, no mínimo surtando com o que poderia acontecer.

Notas finais
AAAAAAAAAAAAAAAAAAA To sumidinha, eu sei, mas vim super atualizar a história bjkssssssssssssssssss